2 de janeiro de 2017

36

O olhar de Warner está preso ao meu.
Ele está olhando para mim, com os olhos inflamados de emoção e nem estou mais certa de que o conheço. Não estou certa se o entendo, não estou certa se sei o que ele vai fazer quando levanta a arma com uma mão forte e firme e aponta-a diretamente para o meu rosto.
— Rápido — Anderson diz. — Quanto mais cedo fizer isso, mais cedo vai poder seguir em frente. Agora, acabe com isso...
Mas Warner levanta a cabeça. Vira-se.
Aponta a arma para o pai.
Eu chego a sufocar um grito.
Anderson parece entediado, irritado, incomodado. Ele passa a mão impaciente pelo rosto antes de tirar outra arma, a minha arma, do bolso. É inacreditável.
Pai e filho, ambos ameaçando matar um o outro.
— Aponte a arma na direção certa, Aaron. Isto é ridículo.
Aaron.
Eu quase dou risada em meio a esta insanidade.
O primeiro nome de Warner é Aaron.
— Eu não tenho nenhum interesse em matá-la — Warner Aaron ele diz ao pai.
— Tudo bem.
Anderson aponta a arma para a minha cabeça de novo.
— Eu faço então.
— Atire nela — Warner fala — e eu atravesso uma bala pelo seu crânio.
É um triângulo de morte. Warner apontando uma arma para o pai, o pai apontando uma arma para mim. Sou a única sem arma e não sei o que fazer.
Se eu me mexer, vou morrer. Se não me mexer, vou morrer.
Anderson está sorrindo.
— Que encantador — diz.
Ele está com um sorriso fácil e preguiçoso, segurando a arma de maneira tão enganadoramente casual.
— O que é isso? Ela faz com que você se sinta corajoso, garoto?
Uma pausa.
— Ela faz com que você se sinta forte?
Warner não diz nada.
— Ela o faz querer poder ser um homem melhor?
Uma risadinha.
— Ela encheu seu coração com sonhos para o futuro.
Uma risada mais forte.
— Você perdeu a cabeça — continua — por causa de uma criança idiota que é covarde demais para se defender mesmo quando o cano de uma arma está apontado bem para o seu rosto. Esta — ele diz, apontando a arma com mais decisão para mim — é a menina tola pela qual se apaixonou.
Ele solta um suspiro curto e forte.
— Não sei por que estou surpreso.
Uma nova tensão na sua respiração. Uma nova tensão ao apertar a arma.
Esses são os únicos sinais de que Warner está remotamente afetado pelas palavras do pai.
— Quantas vezes — Anderson pergunta — você já ameaçou me matar? Quantas vezes eu acordei no meio da noite e encontrei-o, mesmo quando garoto, tentando atirar em mim enquanto eu dormia?
Ele levanta a cabeça.
— Dez vezes? Talvez quinze? Tenho de admitir que perdi a conta.
Ele encara Warner. Sorri de novo.
— E quantas vezes — fala, a voz muito mais alta agora — você conseguiu ir até o fim? Quantas vezes teve sucesso? Quantas vezes — diz — você caiu no choro, pedindo desculpas, agarrando-se a mim como um maluco...
— Cale a boca — Warner diz, com a voz muito baixa, muito equilibrada, o corpo tão imóvel que é assustador.
— Você é fraco — Anderson fala, nervoso, desgostoso. — Tão pateticamente sentimental. Não quer matar o próprio pai? Tem medo demais que isso parta o seu triste coração?
O maxilar de Warner fica tenso.
— Atire em mim — Anderson diz, com os olhos dançando, brilhando de divertimento. — Eu disse “atire em mim”! — ele grita, dessa vez pegando o braço machucado de Warner, agarrando-o até seus dedos estarem apertados em torno da ferida, girando o braço para trás até Warner ofegar de dor, piscando rápido demais, tentando desesperadamente conter o grito que cresce dentro dele.
Seu aperto na arma com a mão saudável vacila apenas um pouco.
Anderson solta o filho. Empurra-o com tanta força que Warner cambaleia enquanto tenta manter o equilíbrio. Seu rosto está branco como giz. A tipoia amarrada ao redor do braço está vazando sangue.
— Tanta conversa — Anderson começa, balançando a cabeça. — Tanta conversa e nunca vai até o fim. Você me envergonha — diz a Warner, com o rosto contraído de repulsa. — Você me deixa enjoado.
Um barulho alto.
Anderson bate no rosto de Warner com o dorso da mão tão forte que Warner chega a balançar por um instante, já sem equilíbrio por conta de todo o sangue que está perdendo. Mas ele não diz uma palavra.
Não faz um som.
Fica parado ali, aguentando a dor, piscando com rapidez, o maxilar muito tenso, encarando o pai sem nenhuma emoção no rosto; não há sinal de que ele acabou de levar um tapa além da marca em vermelho vivo em sua bochecha, sua têmpora e parte da sua testa. Porém, a tipoia no braço é mais sangue do que algodão agora, e ele parece debilitado demais para ficar em pé.
Ainda assim, ele não diz nada.
— Quer me ameaçar de novo?
Anderson está respirando alto enquanto fala.
— Ainda acha que pode defender sua namoradinha? Acha que vou deixar sua paixão idiota ficar no caminho de tudo que construí? Tudo pelo que trabalhei?
A arma de Anderson não está mais apontada para mim. Ele se esquece de mim por tempo suficiente para colocar o cano da arma na testa de Warner, girando-o, apertando-o contra a pele dele enquanto fala.
— Eu não ensinei nada a você? — grita. — Você não aprendeu nada comigo...
Não sei como explicar o que aconteceu em seguida.
Tudo o que sei é que minha mão está em volta da garganta dele e eu o prendi contra a parede, tão tomada por uma raiva cega, inflamada, avassaladora, que acho que meu cérebro já pegou fogo e dissolveu-se em cinzas.
Aperto um pouco mais.
Ele está chiando. Está ofegando. Está tentando pegar meus braços, enterrando mãos molengas no meu corpo e ficando vermelho e azul e roxo e eu estou gostando disso. Estou gostando muito, muito disso.
Acho que estou sorrindo.
Levo meu rosto a menos de dois centímetros da orelha dele e sussurro:
— Largue a arma.
Ele larga.
Eu o solto e pego a arma ao mesmo tempo.
Anderson está respirando ruidosamente, tossindo no chão, tentando respirar, tentando falar, tentando alcançar algo com que se defender e estou me divertindo com a dor dele. Estou flutuando em uma nuvem de ódio absoluto e puro por este homem e tudo o que ele fez e quero me sentar e rir até as lágrimas me fazerem engasgar e cair em um silêncio contente. Eu entendo tanto agora. Tanto.
— Juliette...
— Warner — digo, com muita suavidade, ainda encarando o corpo de Anderson caído no chão à minha frente —, vou precisar que você me deixe sozinha agora.
Eu peso a arma nas minhas mãos. Testo meu dedo no gatilho. Tento me lembrar do que Kenji me ensinou sobre fazer a mira. Sobre deixar as mãos e os braços firmes. Preparando-me para o tranco — o coice — do tiro.
Tombo a cabeça. Faço inventário das partes do corpo dele.
— Você — Anderson enfim consegue ofegar —, você...
Eu atiro na perna dele.
Ele está gritando. Eu acho que ele está gritando. Não consigo ouvir mais nada na verdade. Minhas orelhas parecem cheias de algodão, como se alguém estivesse tentando falar comigo ou, talvez, alguém estivesse gritando comigo, mas tudo está ensurdecido e tenho muito em que me concentrar agora para prestar atenção em qualquer coisa irritante que esteja acontecendo ao fundo.
Tudo o que sei é a reverberação desta arma na minha mão. Tudo o que escuto é o tiro ecoando pela minha cabeça. E eu decido que gostaria de fazer de novo.
Atiro na outra perna dele.
Há tantos gritos.
Estou entretida com o horror nos olhos dele. O sangue correndo pelo tecido caro de suas roupas. Quero dizer a ele que ele não fica muito bonito com a boca aberta desse jeito, mas, então, penso que ele provavelmente não se importaria com a minha opinião de qualquer forma. Sou apenas uma menina tola para ele.
Apenas uma menininha tola, uma criança idiota com um rosto bonito que é covarde demais, ele disse, covarde demais para se defender. E, ó, como ele gostaria de ficar comigo. Como ele gostaria de me ter como seu bichinho de estimação. E eu percebo que não. Não devo me dar ao trabalho de compartilhar meus pensamentos com ele. Não há por que gastar palavras com alguém que está prestes a morrer.
Miro em seu peito. Tento me lembrar de onde fica o coração.
Não bem à esquerda. Não bem no meio.
Apenas... ali.
Perfeito.

17 comentários:

  1. Adoro o Adam, mas prefiro o Warner s2
    E a Juliette está começando a me dar medo ;-;

    ~ filha de Zeus

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  2. Tá vendo pq eu falo que a gente não pode guardar a raiva por muito tempo, uma hora ela saí de uma vez, e vc fica parecendo uma psicopata maluca que nem nossa querida Ju ali ☝️

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  3. Essa garota é de ferro! 😉

    Warner é meio molenga, só ameaça e nunca faz nada --'

    Carla

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  4. Eu tbm fiquei com medo rsrs.... to dividida entre dois amores...

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  5. Kkkkk ri demais, a menina tomou gosto pela tortura agora, bipolar com certeza

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  6. É isso ai Juju mostre a que veio ^.~

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  7. Tô com medo dela caraca mas acho que ela ñ consegue matar ele pois ai ñ teria graça
    Alguém chama o exorcista

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  8. Kkkkkkkkkkkk ela é meio psicopata as vezes

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  9. QUE ÓDIO MANO, TÔ COM TANTO ÓDIO DO SOGRÃO, MATA O SOGRÃO JUJU, QUE ORGULHO D VC. Warner seu lindo *-*

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  10. Amei Ju! É isso aí, dá na cara dele logo! Hahaha. ....
    Bianca

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  11. Está ficando muito bom....

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  12. Ué? Já acabou?
    * Lanna *

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  13. KKKKK MANO ...A MINA TA POSSUIDA VELHOOOOO

    < ISA >

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  14. Uau! Que top! Juju meu bem vc não percebeu, mas o Aaron foi seu gatilho. Tu se importa c/ele e se importa muito. E... O Pai de Warner é o grande vilão da trama não acho que ele vá morrer agora embora eu queira

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  15. Finalmente alguem que entende o que eu penso! sempre quis pegar o Anderson e tortura-lo por tudo que fez!
    #TeamWarner

    PS: sou bem psicopata quando se trata de machucar pessoas ruins.

    ~polly~

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  16. Ai Jezuis O.O

    Juju o que foi isso *-*?

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  17. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 01:23

    "Aaron.
    Eu quase dou risada em meio a esta insanidade.
    O primeiro nome de Warner é Aaron." é um nome bonito, mais Warner soa melhor



    o Gigante acordou Brazel!!! quê isso em Jullie, era a vampira ai do nada PAH virou o Fera kkkk cuidado hein Ju tá começando a gostar da coisa

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Boa leitura :)