2 de janeiro de 2017

31

São 10h32 da manhã.
Temos exatamente uma hora e 28 minutos antes do encontro com o comandante supremo.
O plano é este: Castle e todas as pessoas capacitadas do Ponto Ômega já estão em posição. Partiram há meia hora. Estão escondidos em prédios abandonados ao redor da circunferência do ponto de encontro indicado no bilhete. Estarão prontos para um ataque assim que Castle der o sinal... E Castle dará o sinal apenas se achar que nós estamos em perigo.
Adam, Kenji e eu iremos a pé.
Kenji e Adam conhecem bem a área não regulamentada porque, como soldados, tinham de conhecer quais seções da terra eram estritamente proibidas. Ninguém tem permissão para entrar nos terrenos do nosso antigo mundo. Os estranhos becos, ruas laterais, velhos restaurantes e prédios de escritórios são território proibido.
Kenji diz que nosso ponto de encontro é uma das poucas áreas suburbanas ainda de pé; ele diz que a conhece bem. Parece que, como soldado, foi enviado para várias tarefas nessa área, todas as vezes tendo de deixar pacotes não identificados em uma caixa de correio abandonada. Os pacotes nunca foram explicados, e ele não era idiota o bastante para perguntar.
Ele conta que é estranho que quaisquer dessas velhas casas estejam boas para morar, em especial considerando o quanto o Restabelecimento se esforça para garantir que os civis nunca tentem voltar. Na verdade, a maioria dos bairros residenciais foi demolida logo após a tomada da posse inicial. Assim, é muito, muito raro encontrar seções preservadas. Porém, ali está, escrito no bilhete em letras maiúsculas muito apertadas:

SYCAMORE, NÚMERO 1.542

Vamos encontrar o comandante supremo dentro do que costumava ser a casa de alguém.
— Então, o que acham que devemos fazer? Simplesmente tocar a campainha?
Kenji está nos guiando para a saída do Ponto Ômega. Estou olhando bem para frente na luz fraca deste túnel, tentando não prestar atenção nos 35 pica-paus no meu estômago.
— O que acham? — Kenji pergunta de novo. — Seria demais? Talvez devêssemos apenas bater na porta.
Eu tento rir, mas o esforço é pouco animado, se tanto.
Adam não diz uma palavra.
— Tudo bem, tudo bem — Kenji diz, bastante sério agora. — Depois que sairmos, vocês sabem o esquema. Damos as mãos. Eu projeto para nos camuflar. Cada um de um lado meu. Entenderam?
Estou concordando com a cabeça, tentando não olhar para Adam enquanto isso.
Este será um dos primeiros testes para ele e sua habilidade; ele terá de ser capaz de desativar seu dom enquanto estiver ligado a Kenji. Se não conseguir, a proteção de Kenji não funcionará para Adam, e ele ficará exposto. Em perigo.
— Kent — Kenji fala —, você entende os riscos, certo? Se não conseguir fazer isso?
Adam faz que sim com a cabeça. O rosto sereno. Diz que está treinando todo dia, trabalhando com Castle para ficar sob controle. Garante que vai ficar bem.
Ele olha para mim quando diz isso.
Minhas emoções se lançam de um avião.
Quase nem percebo que estamos nos aproximando da superfície quando Kenji faz um gesto para nós o seguirmos por uma escada de mão. Eu subo e tento pensar ao mesmo tempo, repassando o plano que gastamos as primeiras horas da manhã esquematizando.
Chegar lá é a parte fácil.
Entrar é quando começa a ficar complicado.
Devemos fingir que estamos fazendo uma troca; nossos reféns devem estar com o comandante supremo e eu devo supervisionar a libertação deles. Deve ser uma permuta.
Eu por eles.
Porém, a verdade é que não faço ideia do que vai acontecer. Não sabemos, por exemplo, quem abrirá a porta. Não sabemos se alguém abrirá a porta. Não sabemos nem se vamos mesmo nos encontrar dentro da casa ou, simplesmente, do lado de fora dela. Também não sabemos como eles irão reagir ao verem Adam e Kenji e o armamento improvisado que prendemos aos nossos corpos.
Não sabemos se vão começar a atirar imediatamente.
Essa é a parte que me assusta. Não estou preocupada comigo mesma como estou preocupada com Adam e Kenji. Eles são a improvisação do plano. São o elemento-surpresa. Ou são as peças inesperadas que nos darão a única vantagem que podemos arriscar ter agora, ou são as peças inesperadas que acabam mortas assim que forem vistas. E estou começando a achar que essa foi uma ideia muito ruim.
Estou começando a me perguntar se eu estava errada. Se, de repente, não consigo lidar com a situação.
Mas é muito tarde para voltar agora.

8 comentários:

  1. Sossega aí Juju, vc consegue e eu tô achando q vai dá merda ;-;

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    1. Tamo junto.

      ~polly~

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    2. Algo ruim vai acontecer, sempre acontece nos livros.
      Por favor por favor não aconteça nada de ruim com o Kenji ou o Adam (é claro que não da pra evitar se acontecer).

      ~polly~

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  2. Estou com maus pré sentimentos em relação ao Kenji!
    Bianca

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  3. Kenji não pode morrer pelo amor de Deus 😱😯

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  4. Meus deuses eu estou lendo as 10:32 da manhã. Muito legal isso, super impolgada😊

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  5. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 00:48


    Vamos encontrar o comandante supremo dentro do que costumava ser a casa de alguém.
    — Então, o que acham que devemos fazer? Simplesmente tocar a campainha?
    Kenji é demais

    tô achando que vai dar merda! tomara que o Winston e o Brendan estejam vivos

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Boa leitura :)