2 de janeiro de 2017

28

— O quê?
O corpo de Kenji ficou mole. Sua voz é um ruído rouco e horrorizado.
— Quem? Como...
— Winston e Brendan estavam de patrulha na parte de cima esta noite.
Castle balança a cabeça.
— Não sei o que aconteceu. Deve ter sido uma emboscada. Estavam muito longe do alcance e as câmeras de segurança nos mostram apenas que Emory e Ian perceberam uma agitação e tentaram investigar. Não vemos nada nas fitas depois disso. Emory e Ian — ele completa — também não voltaram.
Kenji retorna para seu assento, com o rosto escondido nas mãos. Ele levanta o olhar com uma repentina explosão de esperança.
— Mas Winston e Brendan... Talvez eles possam encontrar uma saída... certo? Poderiam fazer alguma coisa... Juntos, eles têm poder suficiente para pensar em algo?
Castle oferece a Kenji um sorriso de compaixão.
— Não sei para onde ele os levou ou como estão sendo tratados. Se bateu neles ou se já... — ele hesita — se já os torturou, atirou neles... Se eles estiverem sangrando até a morte... com certeza não conseguirão lutar. E, mesmo se conseguissem se salvar — ele diz, após um momento —, não deixariam os outros para trás.
Kenji aperta os punhos contra as coxas.
— Então. Ele quer conversar.
É a primeira vez que Adam diz uma palavra.
Castle concorda balançando a cabeça.
— Lily encontrou este pacote no lugar onde eles desapareceram.
Ele joga para nós uma pequena mochila e nós nos revezamos para mexer dentro dela. Tem apenas os óculos quebrados de Winston e o rádio de Brendan.
Sujos de sangue.
Tenho de segurar minhas mãos para impedi-las de tremer.
Eu estava começando a conhecer esses rapazes. Tinha acabado de conhecer Emory e Ian. Tinha acabado de aprender como fazer amizades, como me sentir confortável com as pessoas do Ponto Ômega. Tinha acabado de tomar café da manhã com Brendan e Winston. Olho para o relógio na parede de Castle; são 3h31 da manhã. Eu os vi há cerca de 20 horas.
O aniversário de Brendan foi na semana passada.
— Winston sabia — eu me ouço falar em voz alta. — Ele sabia que algo estava errado. Ele sabia que havia algo estranho com aqueles soldados por toda parte...
— Eu sei — Castle diz, balançando a cabeça. — Estive lendo e relendo todos os relatórios dele.
Ele belisca a parte de cima do nariz com o polegar e o indicador. Fecha os olhos.
— Eu tinha acabado de começar a juntar as peças. Mas era tarde demais. Era tarde demais.
— O que o senhor acha que eles estavam planejando? — Kenji pergunta. — Tem uma teoria?
Castle suspira. Tira a mão do rosto.
— Bem, agora sabemos por que Warner estava saindo com seus soldados toda noite... Como ele podia deixar a base por tanto tempo, como fez durante vários dias...
— O pai dele — Kenji diz.
Castle concorda, balançando a cabeça.
— Sim. Acho que o próprio supremo mandou Warner nessas saídas. Que ele queria que Warner começasse a nos caçar mais agressivamente. Ele sempre soube de nós — Castle conta para mim. — Ele nunca foi idiota, o supremo. Sempre acreditou nos rumores a nosso respeito, sempre soube que estávamos por aí. Porém, nunca fomos uma ameaça para ele antes. Não até agora — ele completa. — Porque, agora que os civis estão falando sobre nós, o equilíbrio do poder está tombando. As pessoas estão recuperando a energia... Procurando esperança na nossa resistência. E não é um risco que o Restabelecimento possa correr neste momento.
— De qualquer forma — ele continua —, acho que ficou claro que eles não conseguiram encontrar a entrada para o Ponto Ômega e se conformaram em pegar reféns, esperando nos provocar para sairmos por conta própria.
Castle tira um pedaço de papel da sua pilha. Levanta-o. É um bilhete.
— Mas há condições — ele avisa. — O supremo nos deu instruções bem específicas sobre como agir a partir daqui.
— E?
Kenji está intensamente rígido.
— Vocês três irão. Sozinhos.
Caramba.
— O quê?
Adam olha para Castle de boca aberta, abismado.
— Por que nós?
— Ele não pediu para me ver — Castle explica. — Não é em mim que ele está interessado.
— E você vai simplesmente concordar com isso? — Adam pergunta. — Vai nos jogar para ele?
Castle inclina-se para frente.
— É claro que não.
— Tem um plano? — eu questiono.
— O supremo quer se encontrar com vocês exatamente ao meio-dia de amanhã... Bem, hoje, tecnicamente... Em um lugar específico de um campo não regulamentado. Os detalhes estão no bilhete.
Ele respira fundo.
— E, embora saiba que é exatamente isso que ele quer, acho que todos nós devemos ficar prontos para ir. Devemos nos deslocar juntos. É para isso, no final das contas, que estamos treinando. Não tenho dúvida de que ele tem más intenções e duvido muito de que ele os esteja convidando para conversar e tomar um chá. Assim, acho que devemos nos preparar para nos defendermos de um ataque. Imagino que os homens dele estarão armados e prontos para lutar e estou preparado para levar os meus à batalha.
— Então, nós somos a isca? — Kenji pergunta, com as sobrancelhas juntas. — Nem vamos lutar... Somos apenas a distração?
— Kenji...
— Isso é besteira — Adam diz, e estou surpresa por ver tanta emoção nele. — Tem de haver outra maneira. Não devíamos seguir as regras dele. Devíamos usar esta oportunidade para fazer uma emboscada ou... não sei... criar uma distração para que nós possamos atacar! Quero dizer, maldição, ninguém aqui consegue pegar fogo ou algo assim? Não temos ninguém que possa fazer algo louco o suficiente para bagunçar tudo? Para nos dar uma vantagem?
Castle vira-se para me encarar.
Adam parece que poderia lhe dar um soco na cara.
— Você está maluco...
— Então, não — Castle responde. — Não, não temos mais ninguém que consiga realizar algo tão... capaz de fazer a terra tremer.
— Você acha isso engraçado? — Adam fala, nervoso.
— Temo que eu não esteja tentando ser engraçado, senhor Kent. E sua raiva não está ajudando. Pode optar por sair da ação se quiser, mas eu vou, respeitosamente, pedir o auxílio da senhorita Ferrars neste assunto. Ela é a única que o supremo quer mesmo ver. Mandar vocês dois com ela foi ideia minha.
— O quê?
Nós três estamos pasmos.
— Por que eu?
— Eu queria poder responder — Castle me diz. — Eu queria saber mais. No momento, posso apenas me esforçar para criar hipóteses com as informações que tenho e tudo que concluí até agora é que Warner cometeu um erro grave que precisa ser corrigido. De alguma forma, a senhorita ficou presa no meio disso.
Uma pausa.
— O pai de Warner — ele diz — pediu muito especificamente que a senhorita fosse trocada pelos reféns. Disse que, se a senhorita não chegar na hora combinada, matarão nossos homens. E não tenho por que duvidar da palavra dele. Matar inocentes é algo muito natural para ele.
— E você ia deixá-la cair na armadilha!
Adam derruba a lata de lixo em que sentava ao pular de pé.
— Não ia nem dizer nada? Ia nos deixar presumir que ela não era o alvo? Está louco?
Castle esfrega a testa. Respira algumas vezes para se acalmar.
— Não — ele afirma, com a voz cuidadosamente controlada. — Eu não ia deixá-la cair na armadilha. O que estou dizendo é que todos nós vamos lutar juntos, mas vocês dois irão com a senhorita Ferrars. Vocês três já trabalharam juntos antes e você e Kenji têm treinamento militar. Estão mais familiarizados com as regras, técnicas e estratégias que eles podem empregar. Ajudariam a mantê-la em segurança e seriam o elemento-surpresa... Sua presença pode ser o que nos dará uma vantagem nessa situação. Se ele a quiser muito, terá de encontrar uma forma de lidar com vocês três...
— Ou... sabe, eu não sei — Kenji diz, fingindo não se importar —, talvez ele apenas atire nas nossas cabeças e arraste Juliette para longe enquanto estivermos ocupados demais com nossa morte para impedi-lo.
— Tudo bem — digo. — Eu faço isso. Eu vou.
— O quê?
Adam está olhando para mim, com o pânico arregalando seus olhos.
— Juliette... não...
— Sim, é melhor pensar um pouco nisso — Kenji interrompe, parecendo um pouco nervoso.
— Vocês não precisam ir se não quiserem — falo para eles. — Mas eu irei.
Castle sorri, com o alívio estampado no rosto.
— É para isso que estamos aqui, certo? — eu digo e olho ao redor. — Devemos lutar contra eles. Essa é a nossa chance.
Castle está sorrindo, com os olhos brilhando com algo que pode ser orgulho.
— Estaremos com você em todos os instantes, senhorita Ferrars. Pode contar com isso.
Eu faço que sim com a cabeça.
E percebo que isso é, provavelmente, o que devo fazer. Talvez seja por isso que estou aqui.
Talvez eu esteja apenas destinada a morrer.

13 comentários:

  1. Finalmente um pouco de ação \o


    PS: só eu to lendo esse livro? Ou os leitores tão muito empolgados pra comentar? 😉

    Carla

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    1. Eu não consigo parar pra comentar o livro ta mto bom mds

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    2. estou sem ação, fico ate sem respirar.

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  2. Gente... Finalmente ela decide entrar em ação e parar de choramingar.

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  3. Tô orgulhosa da Juju e ADAM KRL FICA QUIETO POHA, ENTENDA Q ISSO Ñ SE TRATA SO DA JUJU, SE TRATA DA VIDA D OUTRAS PESSOAS, affs q raiva, ele perguntou se tinha alguém pra fazer uma distração, mas na hora q Castle olhou pra Juju o desgraçado ficou todo irritadinho, quer dizer outra pessoa pode arriscar a vida, mas a Juju não? Vá se foder. Brendan :'( tinham q capturarem logo o pai do meu quarto filho? :'( -qqqq

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    1. Pelo menos o pai do teu 4 filho vai ficar junto com o pai do teu outro filho (desculpa, nao decorei a ordem).

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    2. Lira para você ter filhos com esses personagens,você terá de desenvolver uma forma de materializar os crushs literários.Caso consiga...Compartilhe com nós leitoras,essa fórmula.Por favor tenha a bondade de dividir para que mais pessoas possam usufruir dessa maravilha.

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  4. AEEE, agiu bonito agora Juju.
    Vai lá e salve seus amigos.
    Só eu acho que Warner vai aparecer e ajudar ela?? Porque eu realmente odeio o pai dele por querer mata-la.
    E Adam, sem ofensa, mas há outras vidas em jogo, então pare de ser egoísta querendo que só a Juliette fique salva.

    ~polly~

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  5. Finalmente parou de ser medrosa para ser corajosa 😂😂

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  6. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 00:22

    Julliete salve o Brendan, não deixa meu crush morrer...please

    se o Warner consegue ser sangue frio imagina o papis dele #DeuMedo

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  7. to orgulhosa pra k7 da juju

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  8. isso ai julliete!! coragem

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Boa leitura :)