6 de janeiro de 2017

14

Warner me joga no chão bem quando o barulho de tiros enche o ar.
Seus braços estão debaixo de mim, aninhando-me em seu peito, seu corpo protegendo o meu de qualquer que seja o desastre iminente no qual acabamos de nos meter. Meu coração bate com um barulho tão alto que mal posso ouvir a voz de Warner quando ele fala no meu ouvido.
— Você está bem? — ele sussurra, apertando-me mais contra si.
Tento fazer que sim com a cabeça.
— Fique abaixada — diz. — Não se mexa.
Eu não estava planejando me mexer, não falo isso para ele.
— FIQUE LONGE DELA, SEU SACO DE MERDA INÚTIL...
Meu corpo fica duro.
Essa voz. Eu conheço essa voz.
Ouço passos se aproximando, esmagando a neve e o gelo e a terra. Warner começa a soltar os braços a meu redor e percebo que ele está levando a mão para a arma.
— Kenji... Não... — tento gritar, minha voz abafada pela neve.
— LEVANTE! — Kenji grita, ainda se aproximando. — Levante, seu covarde doente!
Comecei oficialmente a entrar em pânico.
Os lábios de Warner roçam minha orelha.
— Eu já volto — ele sussurra.
E, bem quando me viro para protestar, o peso de Warner é erguido. Seu corpo se foi. Ele desapareceu completamente.
Eu me levanto sem jeito, virando-me.
Meus olhos pousam em Kenji.
Ele está parado no mesmo lugar, confuso e passando os olhos pela área, e estou muito feliz em vê-lo para me dar ao trabalho de me importar com Warner agora. Quase estou pronta para chorar. Eu falo o nome de Kenji com um gritinho.
Seus olhos se prendem aos meus.
Ele avança, diminuindo a distância entre nós e me agarrando em um abraço tão forte que praticamente corta minha circulação.
— Puta que pariu, como é bom vê-la — diz, sem fôlego, me apertando mais.
Eu me agarro a ele, tão aliviada, tão abismada que nem sei o que dizer. Fecho e aperto os olhos, incapaz de parar as lágrimas.
Kenji se afasta para me olhar nos olhos, seu rosto iluminado de dor e alegria.
— Que diabos você está fazendo aqui? Eu pensei que você estivesse morta...
— Eu pensei que você estivesse morto!
Ele para então. Seu sorriso some do rosto.
— Aonde Warner foi? — ele diz, os olhos absorvendo os arredores. — Você estava com ele, não? Não estou enlouquecendo, estou?
— Sim... Ouça... Warner me trouxe aqui — digo a ele, tentando falar com calma, esperando aplacar a raiva em seus olhos. — Mas ele não está tentando lutar. Quando ele me contou o que tinha acontecido com o Ponto Ômega, eu não acreditei nele e, assim, pedi para me mostrar a prova...
— É mesmo? — Kenji questiona, seus olhos brilhando com um tipo de ódio que eu nunca vira nele antes. — Ele veio mostrar a você o que ele fez? Mostrar a você quantas pessoas ele MATOU?
Kenji se afasta de mim, tremendo com uma fúria que eu não sabia que ele era capaz de ter.
— Ele contou quantas crianças estavam ali? Ele contou quantos dos nossos homens e mulheres foram massacrados por causa dele?
Ele para, ofegando.
— Ele contou isso? — ele pergunta de novo, gritando para o ar. — SAIA DE NOVO AQUI, SEU IMBECIL DOENTE!
— Kenji, não...
Mas Kenji já tinha ido, afastando-se tão depressa que agora era apenas um ponto a distância. Sei que ele está procurando no vasto espaço vislumbres de Warner e preciso fazer alguma coisa, preciso impedi-lo, mas não sei como...
— Não se mexa.
Warner sussurra no meu ouvido, suas mãos apoiadas com firmeza em meus ombros. Tento me virar e ele me segura no lugar.
— Eu disse para não se mexer.
— O que você está...
— Shh — ele diz baixinho. — Ninguém consegue me ver.
— O quê? — eu ofego.
Estendo o pescoço para trás e tento olhar atrás de mim, mas minha cabeça bate no queixo de Warner. No seu queixo invisível.
— Não — eu me ouço ofegar. — Mas você não está tocando nele...
— Olhe bem para a frente — ele sussurra. — Não vai nos ajudar se você for pega falando com pessoas invisíveis.
Eu viro o rosto para olhar para a frente. Kenji não está mais visível.
— Como? — pergunto a Warner. — Como você...
Warner encolhe os ombros atrás de mim.
— Eu me senti diferente desde que fizemos aquele experimento com o seu poder. Agora que sei exatamente como é pegar a habilidade de outra pessoa, consigo perceber isso com mais facilidade. Como agora — ele diz. — Sinto como se eu pudesse literalmente estender a mão e pegar sua energia. Foi simples assim com o Kenji — ele explica. — Ele estava parado bem ali. Meus instintos de sobrevivência assumiram o controle.
Embora seja um péssimo momento para pensar nessas coisas, eu não consigo me impedir de entrar em pânico. Pelo fato de Warner poder com tanta facilidade projetar seu poder. Sem treinamento. Sem prática.
Ele pode aproveitar minhas habilidades e usá-las como quiser.
Isso não pode ser bom, de jeito nenhum.
As mãos de Warner apertam meus ombros.
— O que você está fazendo? — eu sussurro.
— Estou tentando ver se consigo passar o poder para você... Se consigo transferir de alguma maneira e fazer com que nós dois fiquemos invisíveis... Mas parece que não. Depois de eu pegar a energia de alguém, posso usá-la, mas parece que não posso compartilhá-la. Depois de eu liberar a energia, ela só pode voltar para o dono.
— Como você já sabe tanta coisa? — pergunto a ele, pasma. — Você só ficou sabendo disso há alguns dias.
— Tenho praticado — ele diz.
— Mas como? Com quem?
Faço uma pausa.
— Ah.
— Sim — ele fala. — Tem sido incrível tê-la hospedada comigo. Por muitos motivos.
Suas mãos caem dos meus ombros.
— Eu estava preocupado porque poderia machucá-la com o seu próprio poder. Eu não tinha certeza se conseguiria absorvê-lo sem usá-lo por acidente contra você. Mas parece que nós cancelamos um ao outro — ele explica. — Depois de eu pegar de você, eu só posso devolver.
Não estou respirando.
— Vamos — Warner diz. — Kenji está saindo do alcance e eu não vou poder manter a energia dele por muito mais tempo. Temos que sair daqui.
— Não posso ir embora — digo a ele. — Não posso simplesmente abandonar o Kenji, não assim...
— Ele vai tentar me matar, amor. E, embora eu saiba que provei o contrário no seu caso, posso garantir que, em geral, não sou capaz de ficar esperando enquanto alguém põe minha vida em risco. Por isso, a menos que você queira me ver atirar nele primeiro, eu sugiro que a gente saia daqui o mais rápido possível. Posso sentir que ele está voltando.
— Não. Você pode ir. Você deve ir. Mas eu vou ficar aqui.
Warner fica imóvel atrás de mim.
— O quê?
— Vá — falo para ele. — Você precisa ir para os aglomerados... Você tem coisas para cuidar. Você deve ir. Mas eu preciso estar aqui. Eu preciso saber o que aconteceu com todos os outros e preciso seguir daí para a frente.
— Você está me pedindo para deixá-la aqui — ele diz, sem se importar em esconder seu choque. — Indefinidamente.
— Não sei — respondo. — Não vou embora até conseguir algumas respostas. E você está certo — digo. — Kenji com certeza vai atirar primeiro e fazer perguntas depois, então é melhor você ir embora. Vou falar com ele, tentar dizer a ele o que aconteceu. Talvez nós todos possamos trabalhar juntos...
— O quê?
— Não precisamos ser apenas eu e você — afirmo. — Você disse que queria me ajudar a matar seu pai e a derrubar O Restabelecimento, certo?
Ele faz que sim devagar.
— Certo. Então.
Eu respiro fundo.
— Aceito sua oferta.
Warner fica rígido.
— Você aceita minha oferta?
— Sim.
— Você entende o que está dizendo?
— Eu não diria se não fosse verdade. Não tenho certeza se vou conseguir fazer isso sem você.
Sinto o ar sair depressa dele, seu coração batendo com força contra minhas costas.
— Mas preciso saber quem mais ainda está vivo — insisto. — E nós podemos trabalhar juntos. Seremos mais fortes assim e todos nós vamos lutar pela mesma meta...
— Não.
— É a única maneira...
— Tenho que ir — ele diz, virando-me. — Kenji está quase aqui.
Ele empurra um objeto duro de plástico na minha mão.
— Ative este pager — fala — quando estiver pronta. Fique com ele e eu saberei como encontrá-la.
— Mas...
— Você tem quatro horas — avisa. — Se eu não tiver notícia antes disso, vou supor que você está correndo algum perigo e virei encontrá-la pessoalmente.
Ele ainda está segurando minha mão. O pager ainda apertado contra minha palma. É a sensação mais louca, sermos tocados por alguém que não podemos ver.
— Você entendeu? — ele sussurra.
Eu faço que sim com a cabeça, uma vez. Não faço ideia de para onde olhar.
E, depois, congelo, cada centímetro meu quente e frio ao mesmo tempo porque ele aperta os lábios contra a parte de trás dos meus dedos em um momento único e carinhoso e, quando ele se afasta, estou cambaleante, inebriada, instável.
Porém, assim que recupero o equilíbrio, ouço um familiar barulho elétrico e monótono e percebo que Warner já começou a dirigir e ir embora.

E sou deixada ali perguntando com que diabos acabei de concordar.

8 comentários:

  1. kEEEEEENNNNNNJIIIII
    Ele ta vivoooo

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    1. Ninguém leu o livro 2.5 n em? '-.-

      Letícia.

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    2. Eu li Letícia xD To esperando pra ver a reação do Adam XD

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  2. kkkkk a reação do Kenji foi demais kkkk

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  3. Então o Aaron é tipo a vampira do x-men consegue pegar o poder de outras pessoas queria que ele conseguice ficar com os poderes
    será que ele consegue pegar mais de um?

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  4. KENJI MEU AMOR, ESTOU FELIZ POR VC ESTÁ VIVO *0* Warner não vá mozão *^*

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  5. Realmente é engraçado os comentários das pessoas que não leram o 2.5 e só uma dica para quem não leu, lê e depois vc retorna neste, pois vai esclarecer muitas coisas.

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    1. concordo plenamente cm vc Sandra kkkkk
      coisas iram se esclarecer ,como : "o q aconteceu cm os outros?"
      "qm mais está vivo?"
      "sera q o Adam tbm está vivo?"
      Leiam o 2.5 ,sera de bm uso ...

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Boa leitura :)