6 de janeiro de 2017

13

Qualquer pessoa conseguiria achar o Ponto Ômega agora. Qualquer cidadão, qualquer civil, qualquer um que enxergue poderia dizer onde a grande cratera do Setor 45 está localizada.
Warner estava certo.
Eu solto meu cinto devagar, estendendo a mão em direção à maçaneta da porta sem enxergar. Sinto como se estivesse me mexendo em meio à névoa, como se minhas pernas tivessem sido moldadas em argila fresca. Não calculo a altura do tanque acima do chão e tropeço para o ar livre. É isso.
O pedaço vazio e estéril que eu passara a reconhecer como a área ao redor do Ponto Ômega; a terra que Castle nos disse que já fora suntuosa com folhagens e vegetação. Ele disse que tinha sido o esconderijo ideal para o Ponto Ômega. Mas isso foi antes de as coisas começarem a mudar. Antes de o clima se deformar e as plantas terem de se esforçar para nascer. Agora, é um cemitério. Árvores esqueléticas e ventos uivantes, uma camada fina de neve polvilhada sobra a terra fria e prensada.
O Ponto Ômega se foi.
Não é nada além de um buraco enorme no chão com cerca de 1,5 quilômetro de diâmetro e 15 metros de profundidade. Uma tigela cheia de entranhas, de morte e destruição, silêncio depois de uma tragédia. Anos de esforço, tanto tempo e energia gastos por um objetivo específico, uma finalidade: um plano para salvar a humanidade.
Apagados de um dia para o outro.
Um sopro de vento entra nas minhas roupas e, depois, envolve meus ossos. Dedos gelados escalam as pernas da minha calça, apertam-se em volta de meus joelhos e puxam; de repente, não tenho certeza de como ainda estou de pé. Meu sangue parece congelado, quebradiço. Minhas mãos estão cobrindo minha boca e eu nem sei quem as colocou ali.
Algo pesado cai nos meus ombros. Um casaco.
Olho para trás e vejo que Warner está me observando. Ele estende um par de luvas.
Pego as luvas e enfio-as sobre meus dedos congelados e me pergunto por que ainda não acordei, porque ninguém estendeu a mão para me dizer que está tudo bem, que é só um pesadelo, que tudo vai ficar bem.
Sinto-me como se eu tivesse sido escavada por dentro, como se alguém tivesse tirado com uma colher todos os órgãos de que preciso para viver e me deixado com nada, apenas vazio, apenas descrença total e completa. Porque isso é impossível.
Ponto Ômega.
Sumido.
Completamente destruído.
— JULIETTE, SE ABAIXE...

Um comentário:

  1. Que capítulo triste :'( ai mds essa última frase me deixou apreensiva
    #PartiuProximoCapitulo

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Boa leitura :)