26 de janeiro de 2017

Capítulo 4

No inicio da manhã seguinte, encontrou Bob no celeiro, onde ele dormia no feno ao lado de seu cavalo. O antigo treinador assentiu com a cabeça para si mesmo.
Ele tinha ouvido Will levantar no meio da noite e deixar a cabana e imaginou onde ele foi.
Sabendo que Will queria desesperadamente cuidar de seu cavalo, Bob lhe permitiu verificar a ferida para qualquer sinal de inflamação ou infecção. Felizmente, não havia nenhuma.
Em seguida, ele supervisionou o arqueiro enquanto colocava um curativo novo. O retalho de pele rasgada tinha sido cuidadosamente costurado de volta no lugar e agora havia apenas um ligeiro fluxo de sangue a ser estancado.
Quando isso foi feito, ele deixou cair uma mão sobre o ombro de Will.
— Venha agora. Café da manhã e depois vamos conversar.
Sentaram-se do lado de fora da cozinha de Bob na luz do sol da manhã. Mas o sol não fez com que o ânimo de Will aumentasse. Ele tomou um gole de café, sem o seu habitual prazer em saborear e melancolicamente partiu pedaços de um pão doce num prato em frente a ele.
— Eu não vou mentir para você, rapaz — disse Bob. — Puxão está ferido. É uma ferida terrível. É muito pior do que uma simples mordida. O lobo quando se pendurou e mordeu Puxão, balançou a cabeça e puxou com todo o peso de seu corpo, e cortou profundamente os músculos e tendões de Puxão.
— Mas ele vai se recuperar? — Will perguntou e seu coração afundou quando o treinador cavalo velho hesitou, seu olhar correu para longe.
— Eu espero que sim. Mas nós não saberemos por quatro ou cinco dias, no mínimo.
Ele viu o medo nos olhos do jovem e correu para dar um pouco de tranquilidade que poderia oferecer.
— Ele não vai morrer, Will. Ele vai se recuperar. Mas a perna talvez nunca se cure adequadamente. Eu apenas não sei. Vou fazer tudo que posso por ele, ele é um cavalo forte e saudável.
— Então nós temos apenas que sentar e esperar? — Will perguntou.
Mas Bob estava balançando a cabeça antes que Will terminasse a frase.
— Eu tenho que sentar e esperar. Você tem trabalho a fazer em Redmont.
Bob olhou para o jovem astutamente. Na verdade, ele não tinha ideia se Will tinha algum trabalho urgente em Redmont. A probabilidade era alta de que ele teria, já que os arqueiros eram constantemente chamados. Mas ele sabia que a pior coisa para Will seria ficar sentado aqui pensando nos próximos quatro ou cinco dias. Seria melhor levá-lo de volta ao trabalho, para sua mente não ficar diante da situação presente.
Will olhou para suas mãos sobre a mesa. Ele tinha um monte de trabalho urgente à espera em Redmont. Mas é o Puxão! Ele olhou para Bob.
— Eu não tenho um cavalo. O que posso fazer sem um cavalo?
Bob sorriu tranquilizador.
— Eu vou te emprestar um. Tenho muitos cavalos de arqueiros aposentados aqui. Não tão ágil quanto Puxão, talvez, mas bom o suficiente para alguns dias.
Ele viu Will vacilar e reforçou seu argumento.
— Will, não há nada que você possa fazer aqui. Você ficará sentado olhando Puxão e se preocupará com ele. E ele vai saber que você está preocupado e isso irá afetá-lo — ele fez uma pausa, depois acrescentou — isso poderia atrasar a sua cura.
Fez-se o truque. O pensamento de que ele poderia ter um efeito adverso sobre a convalescença de seu cavalo foi suficiente para Will. Ele tomou uma decisão.
— Vou arrumar meu equipamento. Há um cavalo pronto?
Bob inclinou sobre a mesa e agarrou seu antebraço.
— Bom garoto. E eu imagino que você queira dizer adeus a Puxão.
Levou um esforço enorme para deixar Puxão no celeiro. Will ficou acariciando seu pescoço até seu focinho por alguns minutos, falando suavemente para ele. Bob ficou fora do alcance de sua voz, dando-lhes privacidade. Então, finalmente, sentindo que Will não sabia como se afastar, ele tossiu para atrair sua atenção.
— Hora de ir, Will. Cormac está pronto e esperando por você.
Will abraçou o pescoço de Puxão uma última vez, tocando suavemente a ferida enfaixada com o dedo indicador.
— Eu vou estar de volta em cinco dias.
Puxão balançou a cabeça, mas foi uma ação mais suave do que o seu movimento normal, turbulento.
Eu não vou a lugar nenhum.
Os olhos de Will se encheram de lágrimas e Puxão o cutucou com a cabeça.
Isso foi uma piada.
Will cobriu seus olhos com sua mão, virou-se rapidamente e saiu do celeiro para o sol brilhante.
Cormac era castanho, com uma crina e cauda de cor clara. Ele era um pouco mais alto do que Puxão, mas com a mesma pelagem felpuda e aspecto sólido muscular que todos os cavalos dos arqueiros compartilhavam. O Velho Bob tinha colocado a sela e a rédea de Will nele e amarrado o equipamento de acampar do arqueiro na parte atrás do sela.
Will julgou que ele fosse alguns anos mais velho que Puxão. Mas ele ainda parecia em forma e cheio de energia, e era vagamente familiar. Tinha a sensação de que já o havia visto em algum lugar antes.
— Will, este é Cormac. Cormac, este é Will — apresentou o Velho Bob e entregou as rédeas para Will.
Ele bateu no pescoço de Comarc carinhosamente.
— Ele é um bom cavalo. Vai atendê-lo bem por alguns dias. Talvez não seja tão rápido como era há cinco anos, mas ainda pode correr o dia todo para você e no dia seguinte também.
— Essa é a maneira que você os treina, Bob — disse Will, tentando sorrir.
Bob percebeu e deu um tapa no ombro dele.
— Esse é o espírito, Will! Temos que ir. Tenho certeza de que você tem todos os tipos de trabalho importante para fazer. E não tenha medo, eu vou cuidar bem de Puxão.
Will assentiu em agradecimento e foi colocar o pé no estribo. Então, ele hesitou.
— Eu preciso da frase de permissão? — perguntou.
Bob riu.
— Não. Eu disse a você, Cormac está aposentado. Uma vez aposentado, eles não precisam de um pedido de permissão.
Will subiu na sela, embora um pouco desconfiado. Sentou-se por um segundo ou dois, esperando para ver se Cormac reagiria.
Mas ele simplesmente virou a cabeça e olhou curiosamente para seu cavaleiro. Bob soltou uma gargalhada.
— Não confia em mim, né? Eu disse a você. Ele está aposentado. Agora vá!
Will tocou os calcanhares levemente em Cormac e o cavalo respondeu imediatamente, afastando-se a trote. Seu andar era um pouco diferente de Puxão, mas era liso e uniforme. Ele estava elétrico ao trotar – como se estivesse feliz de estar de volta ao trabalho.
— Vejo você em cinco dias — disse por cima do ombro.
Bob fez um gesto em reconhecimento, então assentiu com aprovação para ele. Will compeliu Cormac em um galope suave e fácil.
A cauda do cavalo subia enquanto ele corria.
Isso é divertido.
— Fico feliz que você pense assim... — começou, e depois parou, surpreso por estar falando com sua montaria temporária. Talvez todos os cavalos dos arqueiros respondessem desta forma.

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Boa leitura :)