26 de janeiro de 2017

Capítulo 3

— É um grande ferimento, jovem Will, não se engane.
O velho Bob endireitou de onde ele estava agachado ao lado de Puxão, estudando a profunda ferida no ombro. Tinha tomado um dia e meio para Will buscar o velho criador de cavalos. Quase havia partido seu coração quando ele partiu em um cavalo emprestado, deixando Puxão aos cuidados do fazendeiro.
O alívio fluiu através dele quando eles voltaram e Will abriu a porta do celeiro para ver Puxão de pé em uma tenda, orelhas levantadas, relinchando uma saudação a ele. Talvez fosse dar tudo certo, ele pensou. Afinal, foi-lhe dito que o velho era praticamente um feiticeiro quando se tratava de cavalos.
Agora, no entanto, o Velho Bob estava balançando a cabeça em dúvida.
O coração de Will afundou. Ele sentiu um caroço enorme se formando em sua garganta.
— Ele não vai...? — Ele não conseguia terminar a pergunta.
Bob olhou para ele, balançando a cabeça, quando percebeu que Will estava tentando perguntar.
— Morrer? Não. A pomada tem feito um bom trabalho impedindo a ferida de infeccionar. Você fez bem lá. A questão é, será que ele vai se recuperar completamente? Aquele músculo do ombro está muito danificado e ele não é mais um cavalo jovem.
— Mas... o que vou fazer se ele não...?
Novamente, era um pensamento que Will não pôde terminar.
O Velho Bob bateu em seu braço gentilmente. Ele sabia muito bem do vínculo que se formava entre um arqueiro e seu cavalo. Lembrou-se do primeiro dia que Will e Puxão tinham conhecido um ao outro e o relacionamento quase instantâneo que tinham desenvolvido.
— Não vamos preocupar com isso antes do necessário. Eu realmente não posso dizer aqui. Precisamos levá-lo de volta para os meus estábulos, onde eu possa trabalhar com ele. Ajuda-me levá-lo para a carroça.
Bob tinha uma carroça especialmente concebida para o transporte de cavalos feridos. Tinha lados altos e uma rampa na parte de trás. Will levou Puxão até a rampa, indo devagar enquanto o pequeno cavalo pulava em sua única pata dianteira boa até a madeira inclinada. Quando ele estava na carroça, eles passaram uma tipoia de lona sob sua barriga. A tipoia então foi amarrada nos lados altos da carroça e tencionaram enquanto apoiava a maior parte do peso do Puxão, aliviando a tensão seus pernas ilesas.
Enquanto tomava seu lugar ao lado de Bob no banco da carroça, Will sentiu uma cutucada familiar contra a parte de trás do seu ombro enquanto Puxão intrometia-se afetuosamente. Will o alcançou e acariciou o focinho do cavalo no momento em que Bob estalou a língua para o cavalo corpulento da carroça e eles balançaram para frente.
— Há quanto tempo você e Puxão estão juntos agora? — Bob perguntou.
Will pensou por um momento.
— Deve ter de cerca de quinze anos — Will respondeu, sorrindo para si mesmo enquanto repassava em sua mente o longo do período que passaram juntos.
Eles tinham visto tanto juntos, ele pensou, desde as montanhas de Picta ao ermo deserto ardente Arridi.
— Hmm — Bob disse, pensativo, e Will olhou para ele, preocupado com o tom do velho criador de cavalos.
— O quê? O que é?
Mas Bob balançou a cabeça, sem vontade no momento de dizer algo mais sobre o assunto.
— Nada. Apenas perguntando.
Mas Will sentia que havia algo por trás da pergunta, e ele não tinha certeza se ia gostar.
De volta à fazenda de Bob, eles cuidadosamente ajudaram Puxão a descer da carroça e o levaram, mancando em três pernas, a uma tenda quente e seca no celeiro. Lá, Bob gentilmente removeu o curativo, cantando desculpas enquanto o fazia, e tomando cuidado para não fazer com que o pequeno cavalo sentisse qualquer dor indevida.
Will observou em agonia de incerteza. Não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar Bob, nada que pudesse fazer para diminuir a dor Puxão. Obrigou-se a ficar em silêncio, embora a tentação fosse questionar o velho e mirrado tratador de cavalo a cada mudança de expressão ou comentário murmurado. Agora que o sangramento pesado havia parado, ele podia ver o quão profundo as presas do lobo tinha penetrado na carne de Puxão. Houve o som de um pano rasgando. Bob torcia a boca, enquanto examinava e avaliava.
— Tenho de suturar isso. Mas temos que limpar a ferida completamente primeiro. Não quero que qualquer infecção fique lá dentro.
Ele começou a aplicar as pomadas e unguentos na carne crua, enxugando delicadamente, falando com o cavalo neste meio tempo. De tempos em tempos, Puxão tremia, e imediatamente as mãos suaves paravam o que estavam fazendo e acalmavam o pequeno cavalo, acariciando seu nariz e pescoço. O Velho Bob olhou em volta e viu a expressão esboçada no rosto de Will.
— Não há nada que você possa fazer aqui no momento, jovem Will. Por que você não vai para a minha cabana e prepara alguma coisa para a ceia? Eu estarei por aqui mais quinze minutos e então você poderá vir e ver Puxão.
— Eu prefiro ficar — Will respondeu sem jeito, e Bob assentiu, sorrindo para ele.
— Eu sei que você prefere. Mas com todo o respeito, você está me distraindo. Toda vez que faço um som ou Puxão estremece, você chega para a frente, e então para. Apenas me deixe fazer o meu trabalho e se faça útil aprontando a ceia. Tudo bem?
Will hesitou. Ele estava relutante em deixar Puxão, mas o pensamento de que ele estava distraindo Bob, o que poderia levá-lo a cometer um erro enquanto estava atendendo para o cavalo, resolveu a questão. Ele balançou a cabeça e afastou-se, em seguida, virou-se e deu um tapinha no focinho Puxão.
— Eu não vou estar longe.
Puxão bufou. Sua reação normal teria sido a abanar a cabeça e a crina violentamente. Mas tal movimento teria causado dor em sua perna ferida.
Eu sei. Agora vamos deixar Bob continuar com o seu trabalho... largue esse ar de preocupação.
Era a expressão que Will havia usado com Puxão. O arqueiro jovem sorriu, agora que estava sendo aplicada a si mesmo.
— Eu irei voltar — ele disse e saiu do celeiro.
Quando alcançou as grandes portas duplas, ele ouviu Bob dizer suavemente:
— Eu pensei que ele nunca sairia.
Puxão respondeu com outro grunhido.

9 comentários:

  1. Meu Deus, O Will já tem 30 anos????? Se ele ganhou Puxão quando tinha 15 anos (no primeiro livro) e tem 15 anos que ele está com Puxão. CARACA!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu tive a mesma reação. Cara, eu imaginava ele como um lindo e inocente garotinho de mais ou menos 22 anos 😂😂😂
      Pensa como o Horace tá agora 😂😂

      Excluir
    2. Eu achava que no máximo uns 24 ou 25 anos. kkkkkkkkkkkkk

      Excluir
  2. Pensei a mesma coisa, como assim ele já tem 30 anos!!
    Não acredito cara muito tempo pra pouco livro.

    ResponderExcluir
  3. Pensei a mesma coisa, como assim ele já tem 30 anos!!
    Não acredito cara muito tempo pra pouco livro.

    ResponderExcluir
  4. eu ja meio q suspeitava, no livro passado achava que ele tinha 28 kkkk ;)

    -TartarugaSelvagem

    ResponderExcluir
  5. 30?! Eu pensava que ele tinha 20 anos. Puxa vida estragou meus sonhos de um dia se casar com ele!
    Ass: Bina.

    ResponderExcluir
  6. Vitória Siqueira1 de março de 2016 10:33

    Isso me fez lembrar de um certo filme "De Repente 30"...

    ResponderExcluir
  7. 30 anos??? Vai casar velho igual o Halt

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)