29 de dezembro de 2016

Prólogo

Atiraram em mim.
E por incrível que pareça, um ferimento a bala dói muito mais do que eu havia imaginado.
Minha pele está fria e pegajosa, estou fazendo um esforço enorme para respirar. A dor no meu braço direito é excruciante, e tenho dificuldade em me concentrar. Tento fechar os olhos com força, ranger meus dentes, e me forço a prestar atenção.
O caos é insuportável.
Várias pessoas estão gritando e muitas delas estão me tocando, e desejo que alguém remova aquelas mãos do meu corpo. Elas não param de gritar — Senhor! — como se ainda estivessem esperando por mim para lhes dar ordens, como se não soubessem o que fazer sem minha ajuda. Perceber isso me deixa exausto.
— Senhor, pode me escutar? — Outro grito. Mas desta vez, uma voz que não detesto. — Senhor, por favor, está me escutando...
— Levei um tiro, Delalieu. — É o que consigo balbuciar. Abro meus olhos. Vejo seus olhos marejados. — Não estou surdo.
De repente todo o barulho desaparece. Os soldados se calam. Delalieu me olha. Preocupado.
Dou um suspiro.
— Me leva de volta — digo a ele, me mexendo um pouco. Parece que o mundo está rodando, mas de repente se estabiliza. — Alerte os médicos e peça que preparem um leito para a nossa chegada. Enquanto isso suspenda meu braço, e continue a pressionar diretamente no ferimento. A bala trincou ou quebrou alguma coisa e vou precisar de cirurgia.
Delalieu não diz nada por um momento longo demais.
— É bom saber que está bem, senhor. — Sua voz parece nervosa, trêmula. — É bom ver que o senhor está bem.
— Isso foi uma ordem, tenente.
— Claro — ele responde prontamente, com a cabeça curvada. — Certamente, senhor. Como devo instruir os soldados?
— Encontre-a — digo a ele. Está ficando cada vez mais difícil falar. Respiro com dificuldade e passo uma mão trêmula pela minha testa. Estou transpirando copiosamente, e esse fato não me passa despercebido.
— Sim, senhor. — Ele tenta me levantar, mas eu seguro seu braço.
— Uma última coisa.
— Senhor?
— Kent — digo, minha voz parece desigual agora. — Faça com que eles o deixem vivo para mim.
Delalieu ergue os olhos, arregalados.
— O soldado Adam Kent, senhor?
— Sim. — Olho dentro de seus olhos. — Eu mesmo quero lidar com ele.

8 comentários:

  1. Nojento demonho q ele pelo menos perdesse um braço :( psicopatas sao att whores kkk. E esse consegue ser bem irritante

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    1. Consegui perder o fascínio inicial pelo Warner mas...não consigo odia-lo.

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  2. Acho que ele e emocionalmente carente, e que no fundo ama ela , gosto dele

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    1. Penso o mesmo.Por trás daquela obseção doentia,ele ama a Juliette.Sinto que ao final do livro vou estar amando o Warner.

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  3. Ninguém nasce vilão.As pessoas se tornam más pelas circunstâncias que as rodeiam.
    (estudos confirmam isso).Vou amar conhecer a história do Warner.

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Boa leitura :)