27 de janeiro de 2017

Fanfic: O ponto final é apenas um começo


Sinopse:
Annie é uma jovem mulher que acorda do coma sem saber o que aconteceu para estar numa maca no hospital; e sem saber quem é esse homem que a chama de esposa. Como saber quem está mentindo e quem fala a verdade quando você é a unica que não se lembra de nada? Como deixar para trás velhos hábitos, amores antigos, ciume, inveja, acidentes do destino? Como acreditar em alguém que você não conhece? Como saber quem são seus amigos e inimigos? Como redescobrir o amor genuíno? Será que é o ponto final da vida ou a chance de um novo começo? Viaje pela mente de Annie e descubra como tudo começou, o que aconteceu, o que ela pensa sobre tudo e sobre todos. Um livro cheio de drama, romance e superação.

Categorias: ficção, romance, superação, história original
Autora: Dann Oliver
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Capitulo 1 -  “Moço das Covinhas”


BIP, BIP, BIP, BIP... “Hum, que barulho persistente. Será que ninguém desliga esse troço? Tem alguém querendo dormir aqui.”- penso comigo mesma. Mexo meus braços, deixo escapar um gemido de dor. Puxa, como meus braços doem, parece que levei uma surra ou corri uma maratona. Riu com ideia. Até parece que isso aconteceria. Tento abrir os olhos, não consigo. Eles estão tão pesados. Minha cabeça lateja. Outra enxaqueca. E das fortes ainda. Penso na mamãe, porque ela ainda não veio me acordar, teve ser muito tarde já. Consigo perceber uma luminosidade muito grande, mesmo com olhos ainda fechados.
 Faço um esforço terrível para mexer as mãos. Sinto um calor de outra mão entrelaçada a minha. É um toque firme, como se estivesse acostumado a fazer isso. Porem não aperta com força. É suave.
 -Eu estou aqui minha princesa. - ouça lá no fundo da minha mente essa voz masculina. Poderia ser o papai. Mas a voz é um pouco mais grossa que a papai. Essa voz me faz flutuar. Como se eu tivesse voando. De repente me vejo perdida em uma escuridão total e todo esse sonho cai num grande buraco negro e apago.
               ...
 BIP, BIP, BIP, BIP... De novo não! Minha enxaqueca ainda não passou. E acho que a dor no corpo só piorou. Ouço uns sussurros ao fundo tento prestar atenção.
 - Doutor ela realmente apertou a minha mão. Eu tenho certeza. Não foi coisa da minha cabeça. - diz a voz grossa de um homem, parece desesperado.
- Não estou dizendo que está mentindo, apenas disse que é muito difícil acontecer tão depressa.
- Doutor! Já se passaram sete dias desde o acidente e ela não respondeu a nada, até hoje cedo. Eu sei. Eu sei o que senti. – ele parecia quase entregue ao choro.
-Eu quero acreditar em você Matt, mas talvez devesse ir para casa, tomar um banho, trocar de roupa, dormir. Já faz muito dias que está aqui. Isso não faz bem a ninguém. Vá para casa, por favor. –a voz desse segundo homem parecia muito cansada também.
-Não. Não vou abandona-la. Só vou embora quando ela acordar e se estiver bem.
-Bom, pelo mesmo eu tentei. Tenho que ir. Com licença.
- Toda. –escuto passos ficando mais altos. Acho que o homem está aqui em casa. Ele vai se aproximando cada vez mais. Até estarem bem próximo a mim e pararem. Sinto um perfume masculino bem marcante. Lembra-me algo muito bom, mas não consigo lembrar o quê. Algo toca minha boca e bochechas, fico com medo.
 Num segundo abro meus olhos e o toque do meu rosto desaparece. Vejo apenas borrões pretos em um fundo extremamente branco. Pisco os olhos.
- Doutor! –alguém grita bem ao meu lado. – Annie está tudo bem? Como se sente? –fala a voz de um homem bem próximo a mim. É a mesma voz grossa de mais cedo. Pisco os olhos mais uma vez. Começo a ver 2 vultos; um a minha esquerda e o outro a minha direita. Faço um esforço em me concentrar no vulto com uma mexa branca no alto na cabeça.
 -Papai, está ai? –minha voz é quase inaudível. Pergunto-me se alguém sequer escutou. O vulto grisalho que está a minha esquerda se aproxima do meu rosto. Pisco os olhos novamente para melhorar a visão. Tento mexer meus pés e mãos, mas a dor é tão grande que desisto da ideia.
 -Estou aqui querida. –Tão bom ouvir a voz de meu pai de novo.
- Papai! Que bom ouvir sua voz. –minha visão está começando a voltar. Consigo ver as marcas de expressão de meu pai e seu grande sorriso de dentes branquinhos. Parece que faz tanto tempo que não o vejo.
 - Oi. Que bom vê-la bem. –ele parece aliviado. –Até que enfim pude ouvir sua voz. Consegue me ver?-pisco de novo. Agora consigo vê-lo quase nitidamente. Só não entendo o porquê de ele parece tão feliz em me ver.
 -Papai, não entendo. Parece preocupado, o que aconteceu? Ontem mesmo estávamos fazendo o fechamento das contas de fevereiro juntos, lembra? –ele olha a sua frente. Viro-me para olhar também. Deparo-me com um homem parado a meu lado direito. Ele está bem pálido. Com uma camisa de manga cumprida de cor azul-claro extremamente amassado, calça social cinza escuro. A camisa fica bem apertada no peito e nos braços, ele tem um porte forte, percebe-se que faz academia, seus músculos ficam evidentes.
 Olho para seu rosto ele tem cabelos castanho-claro bem volumosos e por incrível que pareça estão penteados. Seus olhos são da cor-de-mel e seus cílios são bem longos. E seu sorriso branquinho forma duas covinhas na boceja. Tenho que admitir, ele é irresistivelmente atraente e as mulheres devem se jogar em seus pés. Vejo logo sua mão. Tenho uma grande decepção, ele tem uma aliança grossa de prata nos dedos. Isso indica que ele já tem dona. “Sossega aí Annie. Ele já tem dona.” Pensei. Ele esboça um sorriso ainda maior quando nossos olhos se encontram.
- Olá Annie, como se sente? Consegue nos ver? –Opa. Acho que ele reparou que eu o estava observando. Lembro-me de que acabei de acordar.  Estou horrível. Como que por reflexo tento levantar o braço a fim de arrumar meus cabelos, mas algo não deixa levantar o braço. Solto um gemidinho de dor. O “moço das covinhas” toca minha mão e faz um sinal de reprovação com a cabeça.
 - Annie, cuide-se. Você não pode mexer o braço por enquanto, entenda. Por favor, sim? –ele fala com ar de quem tem autoridade. Nervosa, apenas olho para ele fuzilando-o com meus olhos. Quem ele pensa quem é pra me dar ordem?
 Ele muda aquele ar sombrio para o mesmo sorriso com covinhas de antes.
 - Vou falar com o Dr. Hert, eu o chamei, mas acho que ele não me escutou. Volto já. Seu pai ficará com você. –levanta-se de onde está sentado, aproxima-se de mim, beija minha testa e dirige-se a porta fechando-a atrás de si.  Olho para meu pai ainda chocado com o atrevimento do “moço das covinhas”. Como ele é atrevido.
- Pai? – chamo-o.
 - Sim querida.
- Você não viu o que ele fez? –pergunto.
- Claro que vi.
- E não vai fazer nada? –o quê? Meu pai vai deixar um estranho se aproveitar de mim? Meu pai começa a rir do nada.
- Pai, por que está rindo? Quem é aquele homem?
- Como assim Annie? “Quem é aquele homem”? É o Matt. –ele ainda está com um sorriso sarcástico no rosto.
 Matt? Quê Matt? Não conheço nenhum homem com esse nome. Exceto nosso antigo carteiro, mas ele tinha 76 anos.
- Pai, quê Matt? –o sorriso de seu muda para um olhar confuso. Ele me olha fixamente com os olhos arregalados. Não entendo essa cara.
- Annie, pare de brincar. Vai me dizer que não se lembra do Matt?
- Papai, por que eu iria mentir. Eu não me lembro de nenhum Matt de uns 30 e poucos anos. Apenas o Sr. Matthew, nosso antigo carteiro. Eu deveria me lembrar desse moço? –meu pai coloca a mão na testa e me olha chocado com lágrimas quase caindo dos olhos.
- Annie, por Deus, você tinha que se lembrar dele.
- Por quê? Ele é algum cliente importante? Realmente não me lembro. Quem ele é? –meu pai começa a chorar. Tento levantar a mão até seu rosto para consola-lo. Olho pro meu braço e vejo uma etiqueta de hospital com uma coisa escrita. Forço à vista para ler:
 Paciente: Anna Elise O’Brain. Setor: UTI. Quarto: 154B”.
 Vejo um tubo de soro ligado em minha veia embaixo da etiqueta. Tento levantar o outro braço, sinto de novo à enxaqueca. Coloco a mão na cabeça, sinto uma faixa envolvendo-a por inteira. Encosto a mão na faixa sinto minha cabeça queimar como se tivesse ralado no asfalto quente. Olho para as minhas mãos, estão machucadas e arranhadas.
 Levanto os olhos para o meu “quarto” as paredes não são coloridas igual em casa. Aqui são todas brancas e um ambiente muito triste, tem um cheiro de remédio no ar. Nos cantos tem lindos arranjos de rosas vermelhas em belíssimos vasos de vidro. Eu sou apaixonada por rosas. E principalmente nesse quarto tão sem vida, essas rosas parecem que são á única coisa de nos dá vontade de viver. Há no quarto, também, duas poltronas marrons com almofada em cima do assento. E um sofá branco de dois lugares encostado na parede.
 Atrás de mim tem um aparelho que mede meus batimentos cardíacos. O barulho dele é BIP, BIP, BIP... Olha para minhas pernas. Mexo-as um pouco. Doem. Mas pelo menos consigo senti-las. Estou com meu cobertor que sempre uso, com desenhos de pegadas de gatos. Ele é tão quentinho. Não sinto frio. Mas acho que deve estar porque me lembro do “moço das covinhas” estar de camisa com manga comprida.
 Olho para meu pai e ele está com um agasalho de frio também.
 Escuto-o soluçando baixinho. Ele ainda está chorando. Não queria faze-lo sofrer mais. Porém preciso saber o que aconteceu? Por que eu estou em um quarto de hospital? E quem é aquele homem chamado Matt? Por que não consigo me lembrar dele, já que parece ser tão importante eu me lembrar dele?
- Papai, por que eu estou aqui em um hospital inteira machucada? E por que não lembro desse homem? –ele nem levanta o olhar. Escuto vozes de dois homens conversando animadamente. Alguém vira a maçaneta. E o “moço das covinhas” aparece na porta com um senhor de meia idade vestindo social e um jaleco branco por cima. Tinha um crachá no bolso do jaleco escrito “Dr. Edson Hert”. O “moço das covinhas” olha diretamente para mim. Ele está com aquele sorriso no rosto.
 - Viu Hert, eu lhe disse que ela acordou! –ele parece muito animado. O Dr. Hert caminha até minha direção. Ele parece satisfeito em me ver. O “moço das covinhas” posiciona-se atrás do Dr.
- Olá Srta. Anna Elise, eu sou o Dr. Edison Hert, sou seu neurologista. Estou cuidando de você desde o acidente. Como você está? Onde você sente mais dor? –ele me olha com um olhar paternal.
- Sinto dores no corpo todo. Mas a dor maior é na cabeça. É uma enxaqueca muito forte. O que aconteceu Dr. Hert? Meu pai não conseguiu me contar absolutamente nada. –olho para ele; ainda está soluçando. Viro-me para o Dr. Esperando uma resposta significativa. Ele me olha pensativo.
- Do que você se lembra do acidente? –pergunta-me Dr. Hert.
-Absolutamente de nada.
- Doutor... –meu pai o chama baixinho, enxugando as lagrimas.
- Sim Sr. O’Brain.
-Temos um problema ainda maior. Além de ela não se lembrar de nada sobre o acidente, ela também não se lembra... –ele respira bem fundo antes de terminar a frase. –de ter conhecido o Sr. Matthew.
 O grande sorriso do “moço das covinhas” se transforma imediatamente em um olhar preocupado, parece ter medo nos olhos dele. Ele senta-se na minha cama. Pega minha mão. Sinto aquele toque de mais cedo. Fecho meus olhos para me deleitar nessa sensação. Sinto-me tão segura quando ele está perto.
 –Annie. –abro novamente os olhos quando ele fala meu nome. –Não se lembra de mim? –olho  para aqueles magníficos olhos cor-de-mel, inchados. Quase a ponto de chorar. Viro minha atenção para seu cabelo perfeitamente arrumado. E tenho certeza quando respondo sua pergunta.
 -Não. Não me lembro. Eu jamais teria esquecido esses  olhos. São os mesmos olhos da minha mãe.  Você pode me dizer o que aconteceu? –quase soa como uma súplica angustiante por respostas. Ele abaixa a cabeça e começa a relatar.
- Era sexta-feira umas 7 horas da noite. Íamos comer macarronada e tomar umas taças de champanhe para comemorar. Era uma ocasião muito especial e você queria comemorar. Pegou o carro e dirigiu até o mercado do centro, fez as compras. Quando estava voltando, um cara bêbado veio na contramão passou para sua faixa bateu no carro na frente sua. O carro perdeu o controle e bateu em você. Um estilhaço do vidro do carro entrou na sua cabeça e você entrou em coma na mesma hora. Alguma coisa caiu na sua coxa esquerda. Foi feita duas cirurgias: a do crânio e a da coxa. Você está em coma faz uma semana. E até hoje de manhã você não deu sinal nenhum se estava viva ou morta, aí você apertou minha mão. E eu e o Dr. Hert não desgrudamos os olhos de você até então. –ele engue a cabeça e olha para mim. Está chorando. Isso me parte o coração. Mas é muita coisa pra assimilar.
- Quando foi que aconteceu tudo isso mesmo? –pergunto ao “moço das covinhas”.
- Sexta-feira passada. –me responde.
- Certo. Então hoje também é sexta-feira?
- Exatamente Annie.
- Você me disse que nós íamos comemorar uma coisa. Que coisa seria essa? Uma promoção? Um aniversário? Ou a gente estava saindo? –pergunto curiosa. Ele me olha com os olhos vermelhos e a voz rouca.
- Annie, o que você acha que nós somos?
- Sei lá. Clientes, conhecidos, colegas de trabalho, amigos ou ficantes. Tem tanta coisa. –riu constrangida com a pergunta.
- Annie, por favor, não grite. Eu e você somos... –ele engole cego a saliva antes de continuar. –NO-I-VOS.
Noivos? O quê? Somos noivos?
- N-O-I-V-O-S? Noivos? Como assim noivos? Eu nem conheço você. Nem sei seu nome direito. Moço isso é impossível. O que isso tem a ver com a nossa celebração antes do meu acidente?
- Naquele dia, eu pedi você em casamento. E te dei um anel de noivado. Olhe sua mão. –levantei minha mãe para confirmar com ele que isso é um absurdo, tem que ser. Na minha mão esquerda estava um lindo anel dourado com um pedra brilhante em cima. Tirei o anel do dedo e dentro estava gravado:
               “Para Sempre Seu M.
E assim sem saber o que dizer fiquei olhando aquele frase no anel. E imaginando se tudo isso fosse verdade... Tentando digerir tudo aquilo. E quanto eu tentava pensar mais perguntas surgiam.
Por que estava acontecendo isso comigo? Quem era o homem que estava bêbado? Como ele está? Será que tiraram todo o vidro da minha cabeça? Eu ainda poderia mexer a minha perna? Mas as perguntas que  mais passar pela cabeça eram sobre o “moço das covinhas”. Onde eu conheci esse homem? Como o conheci? O que estava vestindo? Onde estava minha irmã? Se já estava noiva, quanto tempo namorei essa pessoa? Eu já tinha me entregado a ele? Com quantos homens namorei antes dele? E principalmente essa pergunta: Será que algum dia eu me lembrei dessa fase da minha vida que meu cérebro apagou?
 Olhei para ele novamente. Ele chorava muito e por instinto estiquei os braços para ele. Queria consola-lo. Ele entendeu meu recado. Levantou da cama, veio bem perto de mim e sentou perto da cabeceira da cama. Passou seu braços por minha cintura. Eu devo estar muito magra. Sinto muita fraqueza. Mas os braços fortes deles ficam aquecendo meu corpo, talvez muito melhor que meu cobertor. Pouso minha cabeça em seu ombro largo e fecho meus olhos. Fico me perguntando: será que eu o amava? Chego à conclusão que talvez sim. Eu, Anna Elise O’Brain noiva de um desconhecido. Como diz um antigo ditado:
                     “Seria cômico se não fosse trágico.”
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