18 de dezembro de 2016

Epílogo

Will e Halt se sentaram frente a frente, cada um de um lado da mesa de madeira lisa na cabana de Halt na orla da floresta.
Pela quinta vez nos últimos minutos, Will olhou para baixo para certificar-se que seu uniforme estava limpo e arrumado, a bainha dupla do cinto de couro encerada e brilhante. Tanto discretamente quanto podia, ele estendeu a mão e alisou o cabelo. Então verificou as unhas, certificando-se de que, quarenta segundos desde que ele tinha verificado pela última vez, elas não tinham de alguma forma incrustado-se com sujeira e gordura.
— Não é um desfile de moda — disse Halt.
Ele parecia totalmente à vontade. Mas então, Halt sempre parecia à vontade. Will, por outro lado, estava nervoso. Mas se havia uma coisa pela qual estava grato, era que ele não tinha que vestir o novo uniforme formal que Crowley tinha planejado para o casamento de Halt. A tradição dizia que os aprendizes usavam o uniforme normal de todos os dias para o dia da formatura.
Will duvidava que poderia ter mantido a camisa de seda branca e túnica fina de couro limpas em um dia como aquele. Até o momento, certamente teria derramado algo sobre si mesmo.
— Queria saber o que está segurando Crowley — Halt disse preguiçosamente. E, como na sugestão, eles ouviram passos na varanda pequena na frente da cabine. A porta abriu de repente e Crowley entrou, cabeça para baixo, uma pasta de couro debaixo do braço.
— Certo! Certo! Desculpa por mantê-lo esperando! Fiquei preso no caminho, mas aqui estou eu finalmente, né?
Na aparição repentina do comandante do Corpo, Will tinha saltado para fora do banco para ficar em posição de sentido. Agora, ele se perguntou por que, já que jamais sentira a necessidade de fazê-lo na presença de Crowley. Crowley olhou para ele um pouco confuso e acenou de volta em seu lugar.
— Sente-se, Will, está tudo bem. Não ficamos em posição de sentido, você sabe.
— Sim, senhor — disse Will.
Halt levantou uma sobrancelha para Crowley.
— Ele nunca me chamou de senhor — disse ele.
Crowley deu de ombros.
— Provavelmente está tentando me paparicar. Certifique-se de que eu não mude minha mente ou o mandarei estudar por um ano antes da formatura.
Halt assentiu sabiamente.
— Isso poderia servir.
Will olhou de um para o outro, nervoso, mordendo os lábios. Ele não tinha certeza do que esperava para o dia da formatura. Ele tinha assumido que haveria mais de uma cerimônia. Mais de um senso de ocasião. Mas então, como Crowley disse, eles eram arqueiros. Talvez o Dia da Graduação fosse como qualquer outro dia. Exceto que você se graduava.
Crowley puxou outra cadeira para a mesa e sentou-se, derramando documentos para fora da pasta de couro, levando a uma caneta de pena e tinta também. Ele molhou a pena e começou a folhear as páginas, resmungando para si mesmo enquanto lia os formulários oficiais.
— Certo! Vamos continuar com isso! Tudo bem... você... Will... tem treinado como aprendiz do arqueiro Halt do Feudo Redmont nestes últimos cinco anos e blá-blá-blá, assim por diante. Você mostrou o nível necessário de eficiência no uso das armas que um arqueiro usa... o arco longo, a faca de caça, a faca de atirar.
Ele fez uma pausa e olhou para Halt.
— Ele mostrou essa eficiência, não? É claro que mostrou — ele prosseguiu, antes que Halt pudesse responder. — Além disso, você é um oficial de confiança no serviço do rei e blá-blá-blá... — Ele olhou para cima novamente. — Esses formulários tem muitas palavras, não? Mas eu tenho que fazer uma simulação de lê-las. E assim por diante e assim por diante e, tal.
Ele fez uma pausa, balançou a cabeça várias vezes, e depois continuou.
— Então, basicamente... — ele virou mais algumas páginas, encontrou o que estava procurando e, em seguida, continuou: — você está pronto de todas as formas para assumir a posição e a autoridade de um arqueiro totalmente operacional no reino de Araluen. Correto?
Ele olhou para cima novamente, as sobrancelhas levantadas. Will percebeu que ele estava esperando por uma resposta.
— Correto — disse ele às pressas, em seguida, caso isso não fosse suficiente, acrescentou: — Sim. Quero dizer... Eu sim... Eu estou. Sim.
— Bem, bom para você. Então... outro detalhe. Você sabe que nós precisamos dar-lhe mais do que um título de arqueiro Will, pois existem três outros Wills no Corpo. Não é um problema que se aplica a Halt, é claro, porque há apenas um único Halt. Normalmente nós usamos seu nome de família, mas você é órfão. Assim, no seu caso, buscamos um nome que refletisse suas conquistas ao longo dos últimos cinco anos. Nós pensamos em Will Matador de Javalis — ele fez um gesto de aversão. — Não gosto disso. Alguém sugeriu Will da Ponte para comemorar a destruição da ponte de Morgarath. Mas não soou muito bem, assim largamos esse também. Finalmente, o seu mentor — ele acenou para Halt — sugeriu um nome que tivesse a ver com uma de suas contribuições mais significativas para o reino. Ele lembrou que você foi uma das figuras essenciais na criação do tratado entre Araluen e Escandinávia, um marco muito importante na história do nosso país. Então a sugestão é que você seja conhecido a partir de agora como Will Tratado. Como isso lhe parece?
Will balançou a cabeça lentamente.
— Eu gosto muito. Obrigado, Crowley... senhor — ele emendou, sentindo que a ocasião exigia a formalidade.
— Excelente! Então você será Will Tratado!
Crowley escreveu o nome no final de um formulário e se virou para encarar Will, entregando-lhe a caneta de pena.
— Basta assinar ali no final e estamos conversados.
Ele viu quando Will fez a assinatura na parte inferior do formulário de pergaminho, em seguida, bateu as mãos sobre o tampo da mesa em satisfação.
— Pronto, tudo feito! Parabéns, Will, você é um arqueiro agora. Bem feito! Existe alguma coisa para beber? — Ele dirigiu essa última parte para Halt.
Will sentou atordoado. Era isso? Ele tinha esperado... não sabia o que tinha esperado, mas ele certamente não esperava este rápido e simples “Assine aqui e você está aprovado como arqueiro.
— É só isso? — ele deixou escapar.
Crowley e Halt trocaram olhares pouco confusos. Em seguida, Crowley franziu os lábios, pensativo.
— Um... parece ser... Listada a sua formação, mencionadas algumas realizações, a certeza de que você sabe que a ponta de uma flecha é a parte afiada... decidido o seu novo nome... Eu acho que sim... — Então pareceu que a compreensão amanheceu sobre ele e seus olhos se arregalaram. — Claro que sim! Você tem que ter a sua Folha de Carvalho de Prata... é claro, não é?
Crowley pegou a corrente que prendia a sua própria Folha de Carvalho de Prata em torno de seu pescoço e a sacudiu levemente. Era o emblema de um arqueiro formado. Então ele começou a procurar em seus bolsos, franzindo a testa.
— Estava aqui! Eu tinha isso aqui! Onde diabos está... espere. Eu ouvi algo cair nas tábuas quando eu vinha! Devo ter deixado cair. Basta verificar fora da porta da frente. Procure lá, Will?
Muito chocado para falar, Will se levantou e foi até a porta. Quando ele colocou a mão sobre o fecho, ele olhou para os dois arqueiros, ainda sentados à mesa. Crowley fez um pequeno movimento com as costas da mão, pedindo-lhe para ir lá fora. Will estava ainda olhando para eles quando abriu a porta e saiu na varanda.
— PARABÉNS!
O grito enorme subiu de pelo menos quarenta gargantas. Ele girou em estado de choque para encontrar todos os seus amigos reunidos na clareira ao redor de uma mesa posta para um banquete, os seus rostos com um sorriso radiante. Barão Arald, Sir Rodney, lady Pauline e Mestre Chubb estavam todos lá. Assim como Jenny e George, seus ex-companheiros protegidos. Havia uma dúzia de outros com o uniforme de arqueiro – homens que ele conheceu e trabalhou ao longo dos últimos cinco anos.
E maravilha das maravilhas, havia Erak e Svengal, berrando seu nome e acenando seus enorme machados em seu louvor. Perto deles estavam Horace e Gilan, ambos empunhando suas espadas em cima também. Parecia uma seção perigosa da multidão para estar, Will pensou.
Após o primeiro grito em coro, as pessoas começaram a aplaudir e chamar seu nome, rindo e acenando para ele.
Halt e Crowley se juntaram a ele na varanda. O comandante estava curvando de tanto rir.
— Ah, se você pudesse ter visto a si mesmo! — ele ofegou. — Seu rosto! Seu rosto! Foi impagável! “É só isso?” — Ele imitou o tom lamentoso de Will e se dobrou novamente.
Will virou-se para Halt acusadoramente. Seu professor sorriu para ele.
— Sua cara foi mesmo demais — disse ele.
— Você faz isso com todos seus aprendizes? — Will perguntou.
Halt acenou vigorosamente.
— Com cada um. Evita os deixar com a cabeça inchada no último minuto. Você tem que jurar nunca deixar um aprendiz saber o segredo.
Ele tocou a manga de Will e apontou.
— Mas só os mais sortudos ou os melhores conseguem isso.
Will olhou na direção indicada e sentiu um nó na garganta. Lado a lado, Alyss e Evanlyn estavam caminhando lentamente através da clareira em direção a ele, carregando uma almofada de cetim vermelha pequena entre elas.
Alyss, alta, firme, loira e linda em seu vestido elegante de mensageira.
Evanlyn, moleca, sorrindo, seu cabelo cor de mel e linda a seu modo.
E sobre a almofada entre elas, brilhando sob os raios do sol errante na tarde que encontrava o seu caminho através das árvores, estava um simples amuleto em uma corrente: a Folha de Carvalho de Prata – o símbolo que representava tudo o que Will tinha se esforçado nos últimos cinco anos. Agora era seu.
As duas meninas o levantaram da almofada e, juntas, abaixaram sobre sua cabeça enquanto a multidão aplaudiu rouca. Em seguida, conduzidas pelo mesmo impulso, elas o beijaram – Alyss na bochecha esquerda, Evanlyn na direita.
E então as duas se fuzilaram com o olhar.
— Vamos começar essa festa! — Crowley disse apressadamente.
E pegando Will pelo braço, puxou-o para o grupo de amigos esperando para cumprimentá-lo.


Foi uma festa que viria a fazer parte da história de Redmont. Os últimos convidados ainda estavam comemorando quando o sol começou a subir. Will e Horace, seu velho amigo, estavam sentados na pequena varanda vendo os últimos dançarinos saírem da clareira e irem para casa.
— Você se sente como um arqueiro pelo menos? — Horace perguntou ele.
Will balançou a cabeça tristemente.
— Eu me sinto absolutamente dominado pela coisa toda — disse ele. Então, após alguns segundos, ele confidenciou: — Você sabe, algumas semanas atrás, eu não acho que eu estava pronto para isso.
— E agora? — Horace perguntou.
— Agora eu sei que se você esperar até que achar que está pronto, vai esperar a vida toda.
O jovem cavaleiro concordou.
— Eu não poderia ter dito melhor — disse ele. — É exatamente como me senti quando voltei da Escandinávia e Duncan me tornou cavaleiro. “Eu não estou pronto”, queria dizer.
— Mas você estava — disse Will.
Horace assentiu.
— Sim. Talvez nossos professores saibam o que estão fazendo, afinal. Halt acha o mundo de você, você sabe. Quando estávamos na prisão em Maashava, ele sabia que você ia aparecer para nos libertar. Ele deve ter ficado orgulhoso em vê-lo se graduando hoje. Seguindo seus passos.
— São grandes passos a seguir — disse Will. — Acho que é por isso que eu pensava que não estava pronto. Eu sabia que nunca ia ser tão sábio, tão capaz ou tão corajoso como Halt. Eu nunca poderia ser como ele. Crowley disse isso hoje: há apenas um Halt.
Horace olhou para ele muito seriamente, avaliando o amigo, pensando em tudo o que tinha aprendido sobre este notável jovem homem nos últimos cinco anos.
— Você pode não ser exatamente como ele — disse ele. — Mas isso não é importante, é?
Em seguida, os dois amigos se inclinaram para trás e viram o nascer do sol clarear das árvores.
— A melhor hora do dia — disse Will.
— Sim — Horace concordou. — O que tem para o café da manhã?

9 comentários:

  1. "E então as duas se fuzilaram com o olhar" KKKK

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  2. kkkkkkkkkkkkkk. Duas garotas disputando pelo Will!
    Ass: Bina.

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  3. Kkkkkkkk amei o livro, excelente final.
    Ass: Lua

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  4. Trouxa. Esperei 49 capitulos apenas pra um beijo e as duas se fuzilarem com o olhar. Do jeito que ta, esse lerdo do Will vai acaba ficando sem ninguem.
    -Sinead

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  5. Alyss e Evanlyn com sempre, filho da mãe sortudo esse Will da Pont...digo, Will Tratado. "É só isso?". Fuleragem, tava vendo a hora o coitado chorar. Kkkkkkkkkkk

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  6. Kkkkkkkk então as duas se fuzilaram com o olhar kkkkkkkk ri tanto q minha irmã reclamou kkkkkkkkkkk ai meu pâncreas

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  7. Horace sendo Horace! "O que tem para o café da manha?" Kkkkkkk, melhor parte do livro!

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    1. concordo kkkkkkk
      enquanto os outros ficam falando sobre as duas "se fuzilar com o olhar" =/

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Boa leitura :)