18 de dezembro de 2016

Capítulo 7

Horace atingiu o grupo dentro da porta principal e rapidamente acalmou as coisas, assegurando aos servos e guardas de que o escandinavo era um amigo, e não estava a ponto de fazer um ataque de um homem ao Castelo Redmont. Will viu quando o alto guerreiro falou rapidamente com Svengal, em seguida, o levou para uma sala ao lado.
Conforme eles foram, Horace voltou, chamou a atenção de Will e fez um gesto inconfundível para o aprendiz de arqueiro se juntar a eles.
Aos poucos, as pessoas na sala relaxaram quando se tornou evidente que o incidente tinha sido resolvido e que não havia perigo imediato. A orquestra, que tinha parado na chegada de Svengal, pegou a melodia mais uma vez e voltou os olhos para os noivos.
Will viu que Halt e Lady Pauline haviam parado e estavam em pé parados no meio da pista de dança. Ele atravessou rapidamente até eles.
— Conclua a dança — disse ele calmamente. — Eu vou cuidar disso.
Halt acenou com gratidão. A última coisa que queria era qualquer tipo de perturbação nesse dia especial para lady Pauline.
— Descubra o que ele quer — disse ele.
Will sorriu.
— Talvez ele tenha lhes trazido um presente de casamento.
Halt sacudiu a cabeça em direção ao fundo da sala.
— Vá — disse ele.
Will sorriu novamente e se virou, tomando a mão Alyss quando ele passava.
— Venha — disse ele, levando-a fora da pista de dança com ele.
Ele olhou para cima para pegar olhar intrigado de Gilan enquanto o arqueiro alto liderava Jenny na dança. Will sacudiu a cabeça para Halt e Pauline e moveu os lábios em palavras mudas “Continue dançando”.
Gilan assentiu. Quanto menos perturbações ao funcionamento normal dos acontecimentos, melhor.
Pauline viu a rápida troca entre os dois jovens arqueiros, em seguida, assistiu quando Will pegava o seu caminho através das mesas, Alyss o acompanhando. De vez em quando, ele fazia uma pausa, sorria para uma pergunta de um dos convidados e fazia o que parecia ser um comentário tranquilizador. Ela admirava a velocidade com que ele estava reagindo, o jeito como estava controlando a situação.
— Ele está crescendo — ela disse a Halt conforme eles começavam a dançar novamente.
Gilan e Jenny já circulavam no chão com eles também. Então Duncan e Cassandra se juntaram a eles, seguidos do Barão e lady Sandra. Esse foi o sinal para outros dançarinos lotarem o palco. Dentro de alguns minutos, a maioria das pessoas tinha esquecido que um viajante escandinavo cansado tinha acabado de chegar na festa de casamento.
Rei Duncan dirigiu seu caminho para Halt e Pauline, Cassandra se movendo levemente no tempo com ele.
— Halt? Alguma ideia do que está acontecendo? — ele disse com o canto da boca.
— Will está descobrindo agora, sua majestade — respondeu Halt e o rei assentiu, satisfeito.
— Mantenha-me informado — disse ele, e ele e Cassandra circularam para longe.
Eles foram substituídos por Arald e Sandra, com o barão dançando através da pista lotada. Considerando que Duncan e Cassandra tinham circulado graciosamente, Barão Arald tomou uma rota direta, parecido com um cavalo de batalha roxo, azul e dourado. Lamentavelmente, a senhora Sandra nunca tinha sido capaz de passar sobre os pontos mais delicados da arte de bailarino para o marido.
— Halt — disse ele à medida que se aproximava.
— Will está verificando, senhor — Halt disse a ele e o barão assentiu.
— Bom. Mantenha-me informado.
Ele e sua esposa se afastaram. Halt rapidamente olhou para sua parceira, tendo que olhar um pouco para cima para fazê-lo. Pauline era alta para uma mulher.
— Assim que eu souber alguma coisa — disse ele.


Quando chegaram ao saguão, Alyss parou e virou Will para ela.
— Talvez eu deva voltar para a mesa — disse ela. — Esse Svengal não me conhece e pode se sentir mais à vontade para falar se não houver desconhecidos presentes.
Como uma mensageira, seus instintos para a intriga eram afiados e Will percebeu que ela estava certa. Havia, obviamente, algo fora do comum acontecendo. O aparecimento abrupto de Svengal provou isso. Ele acenou e brevemente tomou a mão dela em ambas as suas.
— Você poderia estar certa — disse ele. — Além disso, ficará melhor se um de nós voltar a festa.
Ele apertou a mão dela em seguida liberando. Ela sorriu para ele, então se virou e voltou para a sala lotada. Will a assistiu ir, então se virou para a antessala pequena, onde Horace tinha levado seu visitante inesperado.
Svengal estava cansado despencou em um banco quando Will entrou.
— Will — disse o escandinavo com um sorriso cansado, levantando com firmeza para apertar as mãos. — Desculpe atrapalhar um momento como este.
Will olhou para Horace.
— O que está acontecendo? — ele perguntou.
Do abatimento de Svengal, da forma cansada, ele reuniu a notícia não era boa.
Horace encolheu os ombros.
— Eu pensei em esperar por você. Salvá-lo de dizer tudo duas vezes. O que está acontecendo lá fora? — Ele indicou a sala com um gesto de cabeça rápido.
— Está tudo volta ao normal. Você teve as coisas resolvidas antes que muitas pessoas tivessem a oportunidade de observar. Bom trabalho.
Horace fez um pequeno gesto autodepreciativo e Will tomou outro olhar para o escandinavo.
— Você está quase morto, Svengal. Está tudo bem?
Svengal tinha caído de volta para o banco. Ele sorriu tristemente, facilitando a sua dor nas costas.
— Eu já estive melhor — disse ele. — Passei dois dias e mais uma noite em seus malditos cavalos, todo o caminho do Castelo Araluen até aqui. Eu mal posso mover as pernas ou as costas.
— Araluen? — Horace interrompeu. — O que você estava fazendo lá?
— Nós navegamos o Wolfwind até o mesmo rio que fomos da última vez. Pensei que fosse o melhor lugar para encontrar todos vocês.
Will e Horace trocaram olhares.
— Eu imagino o deva ter acontecido — disse Will.
Havia um tratado em vigor entre Araluen e a Escandinávia, mas mesmo assim, a visão inesperada de um Wolfwind chegando a terra só poderia ter causado alarme.
— Levantamos a bandeira de Evanlyn — Svengal disse-lhe. — Nós ainda a tínhamos no nosso armário de bandeiras. Existe alguma coisa para beber por aqui?
Will ergueu as mãos em um pedido de desculpas.
— Desculpe. Você provavelmente poderia querer alguma coisa para comer também — disse ele.
Svengal assentiu com a cabeça várias vezes.
— Sim. Isso seria muito bom. Não tenho comido por um bom tempo.
Will chamou um servo que tinha sido parado fora da porta. O menino pôs a cabeça em torno da moldura da porta, olhando curiosamente para o enorme escandinavo, que sorriu para ele.
— Traga-nos um pouco de vinho... Não, espere! — Will disse quando o menino começava a ganhar distância.
O menino voltou.
— Traga-nos um prato de comida também. Um prato grande. Um prato muito grande, na verdade. Muita carne e pão. Não se preocupe com os legumes ou hortaliças.
Ele sabia que escandinavos tinham um desprezo profundo para saladas como fonte de alimento.
— Traga o vinho em um garrafão — acrescentou Horace. — Não em uma daquelas taças minúsculas que eles estão usando lá fora. E rápido!
— Sim, senhores — o menino disse.
Ele correu para fora.
— Então nos diga — Will disse — o que o traz aqui no meio do casamento de Halt?
Svengal balançou a cabeça em desculpas.
— Não sabia sobre isso — ele disse a eles. — Nós estivemos no mar por meses. Precisamos de ajuda e vocês eram as únicas pessoas que nós pensamos que poderiam ajudar.
— Nós? — Horace perguntou.
— Erak e eu. Bem, Erak basicamente. Ele me disse para vir aqui e encontrá-los... e Halt.
— Então ele ainda está em Hallasholm, eu acredito? — Will disse.
Ele estava consciente de que Erak tinha dado seu barco para Svengal quando ele assumiu o cargo de oberjarl. Mas Svengal balançou a cabeça.
— Arrida — ele disse a eles. — Ele foi capturado pelos arridi e eles estão prendendo-o como refém.
— O quê?
A voz de Will aumentou para um tom mais alto do que ele esperava. Ele parou e se recompôs.
— O que diabos ele estava fazendo em Arrida?
— Estávamos atacando — explicou Svengal. — Ele estava entediado em ficar sentado conversando com Borsa todos os dias.
— Posso imaginar — Will acrescentou.
Ele ainda nutria ressentimento para o hilfmann escandinavo, que o designou para a vida como um escravo de pátio – uma sentença de morte quase certa no inverno amargo escandinavo.
— Esqueça isso — Horace disse a ele e apontou um dedo para Svengal. — Vamos ouvir a história.
Mas o pajem escolheu esse momento para voltar com uma bandeja carregada com pernas de frango, costeletas de porco e uma perna de carneiro pequeno. Havia também uma caneca de vinho. Svengal olhou avidamente para a comida e bebida.
— Ah, vá em frente — Horace disse a ele.
Svengal bebeu um terço do vinho em um gole, em seguida, agarrou a carne de carneiro e arrancou o suficiente para alimentar uma família pequena com os dentes. Ele mastigou e engoliu por alguns momentos, de olhos fechados alegremente conforme a comida e a bebida enviavam energia fluindo através dele.
— Ele estava com fome — Will murmurou.
Svengal disse que estava a cavalo por dois dias – não era uma maneira popular de viajar para escandinavos. Tornava-se óbvio que ele não tinha parado para comer. O lobo do mar engoliu um último pedaço de carne de carneiro e tomou outro gole de vinho gigantesco. Limpou a gordura e vinho do bigode com as costas de uma mão enorme, soltou um arroto alto o suficiente para acordar os mortos.
— Eu acredito que ele gosta da nossa comida — Horace disse.
Will revirou os olhos impaciente.
— Svengal — ele disse — recomponha-se. Como Erak foi capturado? E como você fugiu? O que em nome de Deus que você estava fazendo em Arrida? E...
Svengal ergueu uma mão manchada de gordura.
— Ei, duas ou três perguntas por vez, tudo bem? Olha, Erak estava entediado. Ele queria ir para o mar novamente. Então decidiu ir a um último ataque. — Ele fez uma pausa, considerando. — Bem, ele disse que seria seu último, mas eu duvido. Presumo que ele...
— Continue — Will e Horace falaram juntos.
— Ah... Sim, desculpe. Bem, nós planejamos uma invasão.
— Em Arrida? — Horace perguntou incrédulo e Svengal olhou para ele, um olhar ferido no rosto.
— Sim. Em Arrida. Afinal, não estamos autorizados a invadir aqui esses dias, estamos? Temos de ir mais longe.
Will e Horace trocaram olhares.
— Eu suponho que é culpa nossa — falou Will. — Vá em frente, Svengal.
— Enfim, nós planejamos pegar uma cidade chamada Al Shabah. É uma cidade de comércio onde ficam os navios de provisões e que nós pensamos... bem, Erak pensou... que haveria um monte de dinheiro lá. Você vê...
— Svengal — Will disse — tenho certeza de que haviam excelentes razões para invadir este El Shibah...
— Al Shabah — Svengal corrigiu-o, olhando uma perna de frango, em seguida, pegando-a.
— Mas só fale o que aconteceu, tudo bem?
— Bem, nós desembarcamos antes do amanhecer e tudo parecia deserto. Sem guardas. Sem vigias. Nós fizemos o nosso caminho para a cidade e depois percebemos que eles estavam esperando por nós. Havia mais de uma centena de soldados lá – as tropas de linha de frente também. Não os habituais amadores que encontramos nas pequenas cidades. Eles estavam nos esperando. Até sabiam que Erak estava por vir. Eles o chamavam pelo nome, sabiam que ele era o oberjarl. Disse que ele era o único que estavam interessados.
— Deixe-me ver se entendi. Eles emboscaram todos vocês? A tripulação do navio inteiro?
Horace franziu o cenho para o pensamento.
Svengal assentiu.
— Eles deixam o resto de nós ir porque eles precisavam de nós para recolher o resgate. Eles até devolveram as nossas armas, uma vez que estávamos de volta a bordo. Disse que não queriam que fôssemos capturados por piratas, enquanto estávamos indo buscar o dinheiro — ele bufou amargo. — Irônico, não é?
— De quanto é este resgate? — Will perguntou.
— Oitenta mil moedas — Svengal disse e os dois jovens assobiaram.
— Isso é muita prata — falou Horace.
Svengal encolheu os ombros.
— Erak é oberjarl, afinal de contas.
Will estava carrancudo enquanto ele pensava sobre o que Svengal tinha dito. Havia algo que ele não entendeu.
— Svengal, oitenta mil é muito dinheiro. Mas certamente Erak poderia colocar as mãos sobre esse montante. Como você disse, ele é o oberjarl. Por que você veio aqui para isso?
— Erak me disse para vir aqui. Poderia levar a maior parte de um ano para que possamos chegar a Escandinávia e depois voltar para Arrida com o dinheiro... — Ele parou de falar, o pensamento não completamente concluído.
Will assentiu.
— Isso faz sentido — disse ele. — E tenho certeza que o rei Duncan vai emprestar o dinheiro. Afinal, Erak salvou a vida de sua filha.
Ele sentiu que Svengal tinham algo mais em sua mente, algo que estava relutante em dizer.
— Mas? — ele solicitou e o lobo do mar suspirou pesadamente.
— Erak não queria que eu voltasse a Escandinávia com a notícia de que ele era um prisioneiro — disse ele. — Ele está certo de que foi traído por um de nosso próprio povo.

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