9 de dezembro de 2016

Capítulo 7

Kaoh Kong estava preso ao poste do rio Siem Reap, exatamente onde eles o tinham deixado.
Dan ficou surpreso.
— O King Kong ainda está aqui. Eu amo essa cidade! As pessoas são tão confiáveis. Olha, nem mesmo roubaram nossas redes de pesca!
Naquele dia, a procura pelo ingrediente final do antídoto começou de fato. Amy, Dan, Jake e Atticus se ocuparam em tentar pescar a cobra, enquanto Hamilton e Jonah saíram para investigar uma das fazendas de crocodilos locais.
A serpente d’água de Tonle Sap uma vez tinha sido a ração de crocodilo mais popular no Camboja. Talvez ainda fosse utilizada como alimento – pelo menos não oficialmente.
Apenas Ian foi dispensado da caça à cobra. De acordo com o rastreador no computador de Pony, quem quer que o cowboy digital estivesse rastreando estava em alguma região de Angkor, possivelmente em busca do mesmo componente do antídoto. Era o trabalho de Ian identificar quem exatamente este potencial concorrente poderia ser.
O sinuoso rio Siem Reap levava o Kaoh Kong ao norte e a leste em direção às ruínas de Angkor, apenas alguns quilômetros além da cidade.
— Na realidade — Atticus palestrou enquanto Jake manobrava o barco ao longo da costa — Angkor não era apenas uma cidade. Cada rei Khmer construía sua própria capital em algum lugar da área, por isso era bem espalhado.
Amy estava examinando um mapa turístico.
— Parece que todos esses locais são templos. Onde é que as pessoas vivem?
Quando se tratava de civilizações perdidas, Atticus Rosenbloom nunca se perdia.
— Todas as casas, desde a mais humilde choupana ao palácio do rei, eram feitas de madeira. Os únicos edifícios considerados suficientemente importantes para serem construídos de pedra eram templos. Então, eles são os únicos que sobreviveram.
— Como os três porquinhos — acrescentou Dan sabiamente. — A casa de palha e a de madeira foram derrubadas, mas quando o lobo mau veio para a casa de tijolos...
— Será que os três porquinhos construíram algo como aquilo? — Jake interrompeu, apontando rio acima.
Todos se viraram para olhar. Despontando da selva estavam cinco impressionantes torres de pedra.
— Angkor Wat — Atticus respirava com reverência.
— Angkor what? — ecoou Dan.
Atticus riu. Para um gênio que concluiu o ensino médio em seu “tempo livre” aos onze anos, ele tinha um senso de humor do jardim de infância.
— Capitão Angkor watt! — Dan acrescentou.
Amy relanceou a eles uma expressão exasperada.
— Parem com isso, vocês.
— Não fique brava — seu irmão se voltou para ela. — Onde está seu gerente Angkor-pado?
Os olhos de Amy encontraram os de Jake, e os adolescentes mais velhos riram, apesar da situação ridícula. Atticus era um gênio de boa-fé, e Dan era o líder da família mais poderosa da história humana, mas os dois podiam ser uma dor de cabeça, às vezes.
Amy quase se esquecera do riso contagiante de Jake, o que fazia seus olhos parecerem surpreendentemente mais verdes.
O sorriso de Atticus se transformou em olhar de admiração quando ele voltou sua atenção para as famosas silhuetas.
— Angkor Wat é o maior monumento religioso do mundo — Atticus explicava a Dan.
Dan olhou para as distantes torres.
— Qual deles é?
— Todos eles — Atticus forneceu.
E, em seguida, Dan viu. O que parecia ser várias estruturas separadas acabou por ser um conjunto enorme. O arenito cinzento parecia brilhar na luz do sol, dando ao vasto templo uma aparência sobrenatural. A palavra imponente nem sequer chegava perto – especialmente quando ele percebeu que os pequenos pontos que se deslocavam sobre as galerias eram vários turistas.
— Nós não estamos perto o suficiente nem para apreciar quão grande ele realmente é — Amy anunciou em um tom abafado.
— As torres são projetadas no estilo de flores de lótus — continuou Atticus. — É um tema importante na arquitetura khmer. Embora a maioria dos templos aponte para o leste, Angkor Wat aponta para o oeste. Isso poderia ser porque é também um monumento funerário.
Enquanto o Kaoh Kong os levava rio acima, as torres de lótus de Angkor Wat pareciam subir aos céus, a torre central atingindo uma altura bem maior que 60 metros. Em um ponto, por meio de uma clareira na cobertura das árvores, eles puderam ver a parede exterior e até mesmo ter um vislumbre de água brilhando.
Dan ficou confuso.
— É uma ilha?
— Aquele é o fosso — explicou Atticus. — Os antigos Angkorianos eram mestres em transpor cursos de água. Muitos dos principais templos os tem.
Eles não tinham passado por todo o Angkor Wat quando outros templos menores começaram a surgir na selva, proporcionando uma sensação do tamanho e da complexidade da grande civilização que outrora existiu aqui.
— Ok, entendi — Dan falou finalmente. — Qualquer um que pôde construir tudo isso teria sido inteligente o suficiente para ter um grande conhecimento para passar. Faz sentido que um ingrediente chave esteja escondido aqui.
Amy puxou para cima as redes de pesca e removeu vários galhos e uma lata de Coca-Cola com o logo em khmer.
— Os antigos Angkorianos tinham algo que não temos – um rio cheio de serpentes d’água de Tonle Sap.
Enquanto ela falava, a mais alta torre de Angkor Wat se transformou em uma serpente gigantesca e silvou para ela, sua língua bifurcada balançando.
Parte dela entendeu que era apenas uma alucinação.
Mas ela se esquivou de qualquer maneira.

Um comentário:

  1. "Attcus palestrou"
    Teve errinho de digitação no nome, Karina você pode consertar?

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)