18 de dezembro de 2016

Capítulo 4

Os três aprendizes sentaram-se em uma clareira calma, as pastas e páginas de seus trabalhos em seus joelhos, observando Will com expectativa.
— Muito bem  começou ele.
Ele estava um pouco desconcertado pelos três olhares inabaláveis que o miravam. Percebeu que os meninos provavelmente tinham assumido que ele já tinha a solução perfeita para o problema que tinha sido definido. Mas aquele não era o seu papel.
— Vocês todos já leram o exercício?
Três cabeças assentiram.
— Vocês o entenderam totalmente?
Novamente, as três cabeças balançaram.
— Então, quem quer ser o primeiro a resolver?
Houve um momento de hesitação, depois a mão de Nick disparou. Will assentiu com a cabeça para si mesmo. Ele tinha certeza de que Nick seria o primeiro.
— Muito bem, Nick, vamos ouvir seus pensamentos  disse ele, apontando para o jovem aprendiz continuar.
Nick pigarreou várias vezes. Ele passou suas páginas de notas e, depois, de cabeça para baixo, ele começou a ler em uma sequência vertiginosa das palavras.
— Muitobementãooproblemaenfrentadoeraquenósnãotemospessoassuficienteparaoperarocerconostemosqueternumerossuficientesparaumefetivocercopadrão...
— Whoa!  Will interrompeu e Nick olhou nervosamente, sentindo que tinha feito algo errado.
— Devagar!  Will disse a ele. — Tente diminuir para um galope, tudo bem?
Ele viu o rosto abatido do rapaz, percebendo que ele estava preocupado que seria marcado negativamente pelo erro. Nick era um realizador, Will pensou. Suas palavras enroladas refletiam a mesma intensidade que o levara a manter o arco com um aperto extremo.
— Relaxe, Nick  falou em um tom mais animador. — Vamos dizer que você foi convidado a apresentar um plano como este ao rei Duncan... — ele parou e viu os olhos do menino ampliarem pela enormidade do pensamento. Ele acrescentou, suavemente: — Não é impossível, você sabe. Isso é o que arqueiros fazem de vez em quando. Mas você não quer ir correndo para o trono do Castelo Araluen e mandar algo como: OláreiDuncanmedeixemostrarideiasparavoceparaquevocepossamedizersevoceachaqueelassãoboas?
Ele conseguiu uma boa representação da rapidez da fala anterior de Nick, e os outros dois meninos riram. Nick, após um momento incerto, riu também.
— Não, você não iria  Will respondeu sua própria pergunta. — Quando você for mostrar um plano, precisa falar com clareza e precisão para certificar-se que as pessoas com quem está falando terão uma imagem completa. Você tem que ter seus próprios pensamentos organizados e apresentá-los em uma sequência lógica. Agora, respire fundo...
Nick fez isso.
— E comece de novo. Lentamente.
— Muito bem  disse Nick — o problema que enfrentamos é que não temos número suficiente à nossa disposição para montar uma operação efetiva de cerco padrão. Então temos que encontrar uma maneira de a) recrutar tropas e b) compensar a inferioridade em número, em comparação com a guarnição.
Ele olhou para cima com expectativa. Will assentiu com a cabeça.
— Até agora muito bem. E a sua solução?
— Proponho recrutar a tripulação de um navio de trinta e cinco lobos do mar escandinavos para atuar como um exército ofensivo, sob o comando do cavaleiro montado já à minha disposição. A força dos escandinavos nas batalhas iria mais do que compensar o...
Mas mais uma vez, Will tinha suas mãos no ar, acenando-lhes em um esforço para conter o fluxo de palavras.
— Whoa! Uau! Uau!  ele gritou. — Volte o carro de bois um pouco! Escandinavos? De onde é que esses escandinavos vieram?
Nick olhou para ele, um pouco confuso com a pergunta.
— Bem... da Escandinávia, presumivelmente  ele respondeu.
Will percebeu que os outros dois meninos estavam balançando em acordo, franzindo ligeiramente pela interrupção de Will.
— Não, não, não  ele começou, em seguida, um pensamento lhe ocorreu e ele franziu o cenho para os outros dois rapazes. — Vocês todos decidiram recrutar uma força de escandinavos?  ele perguntou e Liam e Stuart assentiram em silêncio.
— Bem, o que fez vocês pensarem que poderiam fazer isso?  ele perguntou.
Os rapazes entreolharam-se, em seguida, Liam respondeu.
— Isso foi o que você fez. — Seu tom de voz disse que a resposta parecia evidente.
Will fez um gesto impotente com as mãos.
— Mas eu conhecia os escandinavos  disse ele. — Eles eram meus amigos.
Liam deu de ombros.
— Bem, sim. Mas eu poderia conhecê-los também. As pessoas dizem que eu sou um tipo bem simpático. Tenho certeza de que poderia torná-los meus amigos.
Stuart e Nick assentiram em apoio. Will apontou para a lista de Recursos.
— Mas não há qualquer escandinavo aqui!  disse ele. — Eles não existem! Então, o que fez vocês pensarem que poderiam apenas... fazê-los surgir do ar?
Novamente, os rapazes trocaram olhares. Desta vez foi Stuart quem falou.
— O exercício diz que devemos utilizar a nossa iniciativa e imaginação...
Will fez um gesto para ele continuar.
— Então, nós usamos a nossa iniciativa de imaginar que havia escandinavos na área.
— E que nós éramos seus amigos  Liam acrescentou.
Will levantou abruptamente. Pela primeira vez, ele tinha uma vaga ideia do que Halt poderia ter sofrido no primeiro ano de aprendizagem do próprio Will. Para os meninos, isso parecia tão lógico.
— Mas você não pode fazer isso!  exclamou ele.
Então, vendo seus rostos preocupados, ele se acalmou um pouco, obrigando-se a explicar.
— A lista de Recursos informa o que você pode usar. Você não pode simplesmente inventar outros para atender às suas finalidades.
Ele olhou ao redor do semicírculo de rostos cabisbaixos.
— Quero dizer, se você pudesse fazer isso, porque não imaginar uma dúzia de monstros tão gigantescos que poderia atravessar e esmagar as paredes para vocês?
Nick, Liam e Stuart assentiram respeitosamente e por um momento terrível, pensou que eles poderiam estar o levando a sério.
— Estou brincando  disse ele e acenou com a cabeça novamente.
Ele suspirou e se sentou. Eles sabiam que teriam que voltar ao início e ele podia ver a sua decepção. Enquanto não tinha a intenção de fazer o trabalho para eles, decidiu que não havia mal em lhes apontar a direção certa.
— Tudo bem, em primeiro lugar, vamos olhar para o que vocês tem. Vão até os recursos para mim.
— Nós temos uma tropa acrobata  disse Liam.
Will olhou rapidamente para ele.
— Você pode pensar em qualquer coisa que eles poderiam ser usados?
Liam franziu os lábios.
— Eles poderiam entreter as tropas e levantar a moral  disse Nick.
— Se tivéssemos qualquer tropa  Stuart acrescentou.
— Quando temos tropas!  Liam interrompeu com uma pitada de raiva ao tom pendente Stuart.
Will pensou que era melhor intervir antes que eles começaram a brigar. Ele lhes atirou uma dica ampla.
— O que está os parando de entrar no castelo? Qual a principal linha de defesa de um castelo?  ele perguntou.
Os meninos analisaram a questão, em seguida, Stuart respondeu num tom que indicava a resposta óbvia.
— As muralhas, é claro.
— Isso é certo. Altas muralhas. Quatro metros de altura.
Will fez uma pausa, olhando de um rosto para o outro.
— Você consegue ver qualquer relação entre muros altos e acrobatas?
De repente a luz brotou nos três rostos, no de Nick uma fração de segundo antes dos outros dois.
— Eles poderiam escalar os muros  disse ele.
Will apontou o dedo indicador para ele.
— Exatamente. Mas você ainda precisará de tropas. Onde a guarnição original estava?
— Estão espalhados por todo o feudo, de volta para suas fazendas e povoados. — Era Liam neste momento. Ele franziu a testa, levando-o um passo adiante. — Nós precisamos de alguém para se deslocar de um lugar para outro, recrutá-los...
— Mas você não quer que o inimigo perceba  Will acrescentou rapidamente, esperando que um deles recebesse a mensagem.
— O bardo!  Stuart exclamou triunfante. — Ninguém vai tomar conhecimento dele em movimento em torno do campo!
Will sentou-se, sorrindo para eles.
— Agora vocês estão começando a pensar!  disse ele. — Trabalhem em conjunto sobre esta questão e voltem mais tarde com suas ideias.
Os três rapazes trocaram sorrisos. Eles estavam ansiosos agora com o progresso do plano para a sua próxima etapa. Se levantaram enquanto Will acenava para eles irem, mas ele os parou com mais um pensamento.
— Outra coisa: a aldeia. Quantas pessoas estão lá?
Nick respondeu imediatamente, sem a necessidade de consultar suas notas.
— Duzentas  disse ele, querendo saber o que estava chegando. — Mas há somente alguns soldados entre si. A maioria são agricultores e trabalhadores de campo.
— Eu sei disso  Will disse. — Mas pense sobre o que diz a lei sobre toda a vila com mais de cem moradores.
A lei exigia que toda a vila com uma população maior que cem tivesse a responsabilidade de treinar seus homens jovens como arqueiros. Foi assim que Araluen manteve uma grande força de arqueiros treinados, prontos para serem chamados para o exército, se necessário. Ele podia ver que os meninos não tinham feito esse passo tão longe. Mas ele decidiu que tinha dado a eles o suficiente para ajudar por um dia.
— Pensem nisso  disse ele, fazendo um movimento com as mãos para que eles saíssem.
Ele ouviu a suas vozes animadas conversando enquanto desapareciam e recostou-se contra o tronco de uma árvore grande atrás dele. Ele estava exausto, percebeu.
— Bom trabalho  disse Crowley, a alguns metros atrás dele.
Will, assustado, sentou-se subitamente.
— Não faça isso, Crowley!  disse ele. — Você assustou todos meus sentidos!
O comandante riu quando entrou na clareira e se sentou em um largo tronco ao lado de Will.
— Você tratou disso bem. Ensinar não é fácil. Você tem que saber quando apressá-los na direção certa e quando deixá-los à sua própria sorte. Você vai ser um bom mentor quando tiver seu próprio aprendiz.
Will olhou para ele, um pouco horrorizado com a perspectiva. Havia a responsabilidade, para não mencionar a distração constante de ter uma pessoa jovem em seus calcanhares, fazendo perguntas, interrompendo, competindo fora pela tangente antes de pensar em um problema...
Ele parou quando percebeu que estava descrevendo o seu comportamento como aprendiz. Mais uma vez, sentiu uma pontada súbita de simpatia por Halt.
— Não vamos fazer isso por um tempo ainda — ele disse Crowley e sorriu.
— Não. Ainda não. Tenho outros planos para você.
Mas quando Will o pressionou para explicar melhor, o comandante apenas sorriu.
— Nós vamos chegar nisso no devido tempo.
E para o momento, isso era tudo que Will conseguiria dele.

2 comentários:

  1. bom kkkkk so posso fala isso vamos inventa uma tropa escandinavia e que samos amigos kkkkk wtf

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  2. Se eu fosse o Will ia correndo pedir desculpa pro Halt por todos os anos como aprendiz!!! Kkkkk

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Boa leitura :)