18 de dezembro de 2016

Capítulo 48

Toshak espreitou ao virar a esquina de uma rua estreita que conduzia para a praça. O início da via larga que levava até o portão principal estava a quarenta metros de distância. Ele olhou e viu Erak e seus amigos se deslocando para as colunas que alinhavam ao lado da praça. Alguém deve tê-lo visto correr naquela direção, ele pensou.
Ele sorriu sombriamente. Tinha ido naquele caminho inicialmente. Mas então deu a volta, cortando através de um labirinto de ruas e becos e surgiu ali onde estava agora. Ele tinha um cavalo selado em um estábulo a algumas portas da praça. Naquele momento, seus inimigos estavam se afastando, deixando o caminho livre para que ele escapasse. E os arqueiros, notou com satisfação, estavam sem os seus malditos arcos longos. Tudo o que ele precisava fazer era buscar o cavalo, levá-lo a este canto, montar e cavalgar para longe.
Uma vez que estivesse fora de Maashava, quem sabe? Ele teria uma vantagem, cavalo fresco e água em abundância. Estaria a sessenta quilômetros de distância da costa. Seu navio, Wolfclaw, estava amarrado em uma pequena baía e ele era um navegador experiente. Ia viajar de noite para que os arqueiros não pudessem segui-lo. Em dois dias ele poderia estar a bordo.
Mas, primeiro tinha que sair de Maashava. E esta era vista como sua melhor chance. Ele recuou lentamente do escuro alguns passos, virou-se e correu rapidamente para o estábulo.


— O problema é que ele poderia ter ido a qualquer lugar, uma vez que veio até aqui — disse Horace.
Halt assentiu, mordendo os lábios, pensativo. Para além das colunas que alinhavam a praça do mercado, eles encontraram um labirinto de ruas estreitas e sinuosas e edifícios lotados.
— Nós vamos ter que continuar procurando até encontrá-lo. Pelo menos ele será facilmente identificado.
— O que são todos esses gritos? — Evanlyn interrompeu.
A partir da praça, eles podiam ouvir vozes levantadas chamando o alarme. Em grupo, eles correram de volta através da porta dos fundos da casa de café que tinham acabado de sair, em seguida, foram para a praça mais uma vez.
— É Toshak! — Svengal gritou.
Diagonalmente oposto a eles, o traidor escandinavo estava montado num cavalo empinado, batendo à esquerda e à direita com um machado de batalha contra um grupo de guerreiros bedullins que tentava detê-lo.
Ele bateu seu caminho livre, deixando dois deles caídos no chão e pôs o seu cavalo para a grande entrada para a estrada que conduzia ao portão principal. Svengal correu alguns passos e lançou sua lança até o cavaleiro, mas foi um gesto inútil e o míssil caiu, barulhento, vinte metros além.
Então Halt ouviu aquele zumbido estranho novamente, subindo gradualmente de tom. Ele olhou em volta para ver Evanlyn, os pés separados, girando o couro muito fundo em torno de sua cabeça, deixando a velocidade aumentar.
— Ele está usando um capacete — ele advertiu.
Toshak estava preparado para lutar em seu caminho. Estava armado e Halt sabia que a atiradeira seria inútil contra o capacete de ferro pesado.
— Eu sei — Evanlyn disse brevemente, a testa franzida de concentração.
Depois houve um ruído sibilante quando ela lançou a bola de mármore maciço até Toshak em fuga. Ela voou por toda a praça, rápida demais para um olho seguir, e bateu dolorosamente no alvo ela mirou – a garupa do cavalo.
Picado pelo impacto súbito ardor, o cavalo relinchou e perdeu sua posição sobre o calçamento da praça. Ele cambaleou para o lado em suas pernas traseiras, tentando recuperar o seu equilíbrio. O movimento violento e a inesperada mudança de direção foram demais para Toshak e ele deslizou para trás, a caindo com um estrondo sobre as pedras.
— Bom tiro — Halt disse a Evanlyn.
Ela sorriu.
— Eu imaginei que ele iria montar um cavalo como a maioria dos escandinavos — disse ela.
Momentaneamente sem fôlego, Toshak levantou para encontrar-se rodeado por um anel de bedullins vingativos. Os guerreiros do deserto o circundavam com cautela, mantidos à distância pela ameaça do maciço machado de batalha. Como verdadeiro escandinavo, Toshak não tinha largado sua arma quando caiu. Ele olhou para o círculo de inimigos, decidido a vender caro a sua vida. Toshak podia ser um traidor, mas não era covarde.
— Tudo bem — disse ele, para ninguém em particular. — Quem vai ser o primeiro?
— Acho vou ser eu.
Erak fez o seu caminho através dos guerreiros bedullins e ficou de frente para o inimigo. Toshak assentiu com a cabeça várias vezes e sorriu. Ele sabia que ia morrer, mas pelo menos teria a satisfação de levar o odiado oberjarl com ele. Ele olhou para baixo com desdém ao sabre tualaghi que Erak estava carregando. Parecia não mais que uma adaga no enorme punho do oberjarl.
— Vai enfrentar uma machadinha com um palito de dentes, Erak? — ele zombou.
Erak estudou a arma e apertou os lábios. Ele olhou em volta do círculo de espectadores e viu uma alternativa melhor. Tirou a seu kheffiyeh e envolveu a ao redor da palma e dos dedos da mão esquerda. Em seguida, jogou fora o sabre e estendeu a mão direita para Horace.
— Você acha que eu poderia pegar emprestado esse seu punhal, Horace? — perguntou.
Horace se adiantou, inverteu a espada enorme do carrasco e a colocou na mão estendida Erak.
— Por favor — disse ele.
Erak girou a espada longa para frente e para trás várias vezes e depois balançou a cabeça em satisfação.
— Isso vai servir — falou. — Agora deem passo para trás, todos vocês. Eu tenho trabalho a fazer.
O círculo de espectadores rapidamente recuou alguns passos quando ele lançou-se em Toshak, balançando a espada para baixo em um golpe que teria dividido o traidor para baixo da cintura.
Houve um som estridente soando enorme quando Toshak pegou o golpe em cima da cabeça do machado de duas lâminas. Ele torceu o pulso, empurrando a espada de um lado, depois foi a vez dele e ele virou em um golpe rodando o braço com o machado. Erak pulou para trás a tempo, a cabeça pesada de lâmina dupla cortando o ar a poucos milímetros de suas costelas. Ele já estava contra-atacando com a espada e nesse tempo Toshak balançava de um lado, deixando a lâmina enorme cortar acima dele, tirando faíscas das pedras no chão.
Ele tentou um corte em cima e Evanlyn entendeu porque Erak tinha rodeado a mão com o kheffiyeh. Ele segurou a lâmina com a mão esquerda e o punho em sua direita para bloquear a força do golpe do machado. Apenas segurar o punho da espada não teria força suficiente para parar o enorme machado, ela percebeu.
Os dois homens se encararam durante alguns segundos, as armas travadas juntas. Ambos eram enormes, cada um tão poderoso quanto um boi. Mas Erak tinha estado preso por algumas semanas e sua força foi reduzida pela dieta pobre e o castigo que tinha recebido de seus captores. Em uma competição de força bruta como aquela, Toshak tinha a vantagem e começou a forçar o oberjarl a recuar, um passo de uma vez.
Percebendo que estava perdendo, Erak atingiu rapidamente com um chute a coxa de Toshak. O golpe fez o traidor cambalear e Erak foi capaz de girar longe, saltando de repente para evitar um corte relâmpago de machado quando Toshak recuperou seu equilíbrio.
Então eles correram um para o outro de novo e ficaram frente a frente, jorrando golpes sobre o adversário. Desviando e bloqueando, deslizando para fugir de golpes, batendo as armas em um julgamento final de força e velocidade. Não havia ciência ou sutileza nisso. Cada um usava a vantagem que sua arma lhe dava, Erak com o alcance extra da espada, Toshak com peso do maciço machado de batalha.
E foi o peso que começou a contar enquanto ele fazia chover golpe após golpe em Erak, forçando o enfraquecido oberjarl a agir na defensiva.
Svengal assistia em uma agonia de concentração enquanto o seu líder começava a ceder terreno, alguns centímetros em um primeiro momento, em seguida, em quantidades progressivamente maiores. A luz da vitória surgiu nos olhos Toshak quando viu o oberjarl vacilante, quando sentiu-lhe cedendo. Ele redobrou o esforço que estava colocando em seus golpes, sentindo a resistência de Erak enfraquecer, vendo seus joelhos se dobrarem ligeiramente com cada golpe. Agora Toshak estava balançando dois golpes para cada um de Erak e o ímpeto da batalha estava com ele e poderia ser apenas uma questão de tempo.
Os olhos de Erak estavam assombrados e sua respiração saía em arquejos irregulares. Ele recebeu um golpe final avassalador do machado na lâmina da espada e a enorme força o jogou para trás, curvando os joelhos e o fazendo recuar, apoiando-se na calçada.
Houve um gemido dos espectadores quando eles viram a queda do oberjarl. Toshak deu um salto com um grunhido de triunfo, o machado poderoso crescendo em um aperto de duas mãos para o golpe final. Então ele viu algo estranho.
Erak estava sorrindo.
Tarde demais, Toshak percebeu que tinha sido enganado. Erak não estava nem de longe tão cansado e infeliz como parecia. E ele estava segurando uma arma com um alcance muito maior do que qualquer machado de batalha. Com um rugido poderoso, Erak usou seu braço esquerdo para empurrar-se acima das pedras, enquanto dirigia a espada em toda a profundidade do corpo desprotegido de Toshak. Então, lançando a espada, ele evitou o golpe do machado que chegou meio segundo tarde demais e viu seu inimigo, empalado pela espada terrível, cambalear, derrubar o machado e cair no chão.
Os olhos de Toshak estavam abertos, com dor e medo. Seus dedos raspavam desajeitadamente sobre as pedras e ele estava murmurando algo para Erak. O oberjarl entendeu e balançou a cabeça. Com a ponta da bota, ele cutucou o machado ao lado da mão raspando do inimigo. Os dedos de Toshak se fecharam sobre o punho e ele balançou a cabeça uma vez.
Escandinavos, Horace sabia, acreditavam que se morressem no campo de batalha sem sua arma na mão, sua alma iria vaguearia por toda a eternidade. Mesmo Toshak não merecia isso.
— Obri...gado... — Toshak suspirou, as palavras quase inaudíveis. Então os olhos fecharam e ele morreu.
— Você deveria tê-lo deixado vagar — Svengal disse friamente.
Erak olhou para ele, as sobrancelhas levantadas.
— Você deixaria? — ele perguntou e Svengal hesitou.
No final, Toshak lutou bem e isso conta demais com escandinavos.
— Não — ele admitiu.

Um comentário:

  1. Seria uma tremenda trolage se no fim do livro " Resgate de Erak" ele morresse.
    Ass: Lua

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Boa leitura :)