18 de dezembro de 2016

Capítulo 41

Halt balançou a cabeça para Horace, um sorriso satisfeito no rosto.
— Horace, você continua a me surpreender! Como você pensou naquela façanha com o escudo?
Horace olhou para seus dois amigos. Para ser sincero, ele estava um pouco surpreso que ainda estava aqui e podendo falar com eles. Houve poucos minutos feios durante o combate, quando pensava que tinha mordido mais do que podia mastigar.
— Parecia uma boa ideia no momento  disse ele suavemente. — Eu só espero que Gerard não esteja usando uma dessas malditas maças. Não acho que eu poderia fazer isso duas vezes.
— Ele está usando uma espada  Will falou sorrindo para ele.
Ele sentiu uma grande sensação de alívio. Assim como Horace, quando ele tinha visto Killeen espancar seu amigo com aquela maça, ele começou a temer que não haveria nenhuma maneira que ele pudesse sobreviver, quanto mais ganhar.
Halt bateu no ombro do alto guerreiro.
— Bem feito, de qualquer maneira!  disse ele com entusiasmo.
Ele gostava de Horace, era tão afeiçoado a ele como era a Will. Ele tinha decidido que, na legislação de combate não obstante, se Killeen fosse vencedor, mataria o amigo. Horace estremeceu com o impacto.
— Obrigado, Halt. Mas eu apreciaria se você não me batesse ali. Eu estou um pouco tenso. Acabei de tomar uma sova de gigante com uma bola de ferro grande.
— Desculpe  disse Halt, mas o sorriso ainda estava em seu rosto.
Ele olhava agora nos estandes do leste, para ver como Tennyson estava reagindo ao resultado totalmente inesperado. O sorriso desvaneceu-se quando ele o fez.
O padre parecia surpreendentemente imperturbável pela morte de seu guarda-costas. Ou com as implicações da perda. Ele estava falando calmamente com um de seus mantos brancos, sorrindo para a resposta do homem. Ainda que ele houvesse sido surpreendido pela mudança do destino de Horace. Durante a luta, Halt tinha olhado várias vezes e visto Tennyson ladeado por seus três genoveses, inclinando-se para a frente, gritando como incentivo para Killeen que tinha chovido golpe após golpe baixo sobre o seu adversário aparentemente indefeso.
Uma pequena carranca enrugou a testa de Halt. Havia três genoveses atrás de Tennyson. Agora ele podia ver apenas dois. Ele se virou para Will.
— Volte para a barraca rapidamente e mantenha um olho nas coisas. Nós estaremos juntos em breve.
Will deu uma olhada no rosto de seu mestre, viu o repentino interesse lá e não precisava de mais pergunta. Ele correu levemente no meio da multidão de moagem de pessoas que invadiram a arena, fazendo o seu caminho para a tenda branca imponente, na extremidade norte do terreno.
Quando ele estava a poucos metros dela, parou. A multidão estava grossa aqui quando os vendedores tinham recomeçado a vender suas mercadorias e as pessoas faziam fila para refrescos antes da próxima luta. Mas, deslizando através da massa de pessoas se acotovelando, ele pensou ter visto um vislumbre de púrpura opaco na posição de fora do pavilhão. Ele fez seu caminho para mais alguns metros em busca e pegou mais um breve vislumbre diante da multidão engolindo a figura.
Poderia ter sido um dos genoveses, pensou ele, e, em caso afirmativo, ele havia estado muito próximo do pavilhão de Horace. Ele estava rasgado pela tentação de seguir e acompanhar quem quer que fosse. Mas Halt lhe tinha dito para manter vigia na tenda.
Relutantemente, ele voltou para o pavilhão. Quando se aproximou da ponta da lona que fazia a triagem da entrada, ele disfarçadamente tirou a faca de caça da bainha, mantendo-a baixa contra a sua perna, de modo que as pessoas não iriam perceber.
A tira de couro que garantia a porta de lona parecia estar como ele havia deixado, mas ele não podia ter certeza. Silenciosamente, ele a desatou e, a tela se empurrou para trás, disparou rapidamente para dentro, a faca de caça pronta agora na altura da cintura.
Nada.
A barraca estava vazia. Em algum lugar ele podia ouvir uma mosca varejeira, presa dentro e zumbindo freneticamente enquanto batia contra a tela, procurando escapar. Ele examinou o interior. Mesa, jarro de água e dois copos, ainda cobertos com musselina úmida. Cadeira, sofá, armário de armas – vazio, mas agora com o escudo de reposição em pé ao lado dele. Nada mais à vista.
Estava quente dentro da tenda. O sol estava batendo nela e aba estava fechada, prendendo o quente ar abafado no interior. Ele a virou, o que significa amarrar para trás a aba da porta de lona e deixar um pouco de ar fresco entrar, quando percebeu que não tinha verificado a latrina particular. Ele atravessou a barraca e agora jogou a tela de volta, a faca de caça pronta para dar um bote.
Vazio.
Ele soltou um longo suspiro e recolocou na bainha a faca de caça. Então, ocupou-se de amarrar a porta e abrir um painel de ventilação na parte traseira da barraca. Uma brisa de ar fresco varreu no interior e a temperatura começou a cair rapidamente. A obstrução foi dissipada também.
Halt e Horace chegaram, seu antigo mestre carregando a espada, capacete e o escudo amassado de Horace. Ele atirou-o em um canto.
— Você não vai precisar disso — disse ele.
Ele olhou uma questão para Will e o arqueiro jovem sacudiu a cabeça. Nada suspeito para relatar. Embora a observação de Halt sobre o escudo lembrou-lhe que ele deveria verificar as correias e acessório no escudo reserva de Horace antes do combate seguinte.
Horace afundou no sofá, suspirando quando seus músculos machucados entraram em contato com as almofadas, e olhou ansiosamente ao jarro sobre a mesa.
— Me dê um gole, Will?  disse ele. — Eu estou seco.
Sua boca e garganta seca eram causadas pela tensão nervosa e medo tanto quanto esforço, ele sabia. E Horace não tinha vergonha de admitir que sentia medo enquanto ele estava lutando com Killeen. Ele se inclinou para trás, de olhos fechados, e ouviu o tilintar do gelo macio enquanto Will derramava.
— Isso soa bem  disse. — Faça um grande.
Ele bebeu o copo em um longo gole, depois balançou a cabeça quando Will ofereceu o jarro para reencher. Desta vez, ele tomou um gole na água fria mais devagar, curtindo a sensação do líquido frio descendo a garganta seca. Gradualmente, ele começou a relaxar.
— Quanto tempo até eu encarar Gerard?  ele perguntou a Halt.
— Você tem mais de uma hora  o arqueiro disse a ele. — Por que você não sai dessa armadura, recosta e relaxa um pouco?
Horace levantou, gemendo baixinho enquanto o fez.
— Boa ideia. Mas eu devo verificar o gume da minha espada primeiro  disse ele.
Halt suavemente o deteve.
— Will pode fazer isso.
Horace sorriu agradecido quando Will moveu-se para tomar a espada e verificá-la. Normalmente, Horace teria insistido em fazer a tarefa ele mesmo. Will ou Halt eram as únicas pessoas que ele teria confiança para fazer isso por ele.
— Obrigado, Will.
— Vamos começar a tirar essa camisa de armadura de você  disse Halt e ele ajudou a puxar o vestido longo e pesado sobre sua cabeça.
A camisa de armadura tinha um forro em couro camurça, agora manchado e úmido de suor. Halt girou do avesso e colocou-a no armário de armas, passando este último o que era apenas dentro da porta, apanhando a brisa.
— Descanse agora. Nós vamos cuidar das coisas. Eu vou acordar você com tempo de sobra para uma massagem para tirar as dores  disse Halt.
Horace assentiu com a cabeça e deitou-se com um suspiro satisfeito. Era bom, pensou ele, ter atendentes em cima dele.
— Acho que eu poderia me acostumar com essa coisa de Guerreiro do Sol Nascente — disse ele, sorrindo.
Ele podia ouvir o suave som rascante quando Will colocava uma afiada extra sobre a sua espada. Houve um ligeiro entalhe na lâmina, onde ela havia pegado contra o escudo de Killeen, e o arqueiro jovem pôs-se a removê-lo. O som era estranhamente relaxante, Horace pensou. Em seguida, ele adormeceu.


Halt o acordou depois de meia hora. Os músculos de Horace estavam duros e doloridos, de modo que ao apelo de Halt, ele rolou de barriga para baixo e deixou Halt trabalhar sobre eles. Os dedos fortes do arqueiro estudaram e sondaram habilmente o músculo e tecido, afrouxando os nós e aliviando a tensão, estimulando o fluxo sanguíneo de volta as partes machucadas e tensas do seu corpo. Foi doloroso, mas estranhamente agradável.
O cochilo havia o deixado se sentindo sonolento e apático. Ele deu de ombros para si mesmo. Isso acontece muitas vezes, se dorme durante o dia. Depois que ele começasse a se mover e ter um pouco de ar fresco nos pulmões, ele estaria bem.
Ele balançou as pernas para fora da sala e sentou-se, de cabeça baixa por alguns segundos. Então, ele se sacudiu. Will o olhou com curiosidade.
— Está tudo bem?  ele perguntou.
Ele vigiava Horace enquanto ele dormia, a sua faca de caça retirada e pronta deitada sobre os joelhos.
Horace olhou para a arma e sorriu sonolento.
— Planejando cortar legumes?  ele perguntou, em seguida, respondendo a pergunta do amigo: — minha visão está um pouco nebulosa, isso é tudo.
Halt olhou para ele, uma pequena luz de preocupação em seus olhos.
— Você tem certeza?  ele perguntou e Horace sorriu, sacudindo o entorpecimento que parecia tê-lo reclamado.
— Eu vou ficar bem. Não deveria ter dormido durante o dia, realmente. Passe-me a camisa da armadura, ok?
O revestimento de camurça tinha secado com a brisa e ele o puxou sobre a sua cabeça enquanto se sentou na beirada do salão. Então ele se levantou para deixá-lo cair no seu comprimento total, apenas acima dos joelhos. Quando fez isso, ele balançava e teve de agarrar a parte de trás do salão para se firmar.
Ambos os arqueiros o observaram com crescente preocupação. Ele sorriu para eles.
— Eu estou bem, estou dizendo. Vou sair.
Ele pegou a túnica limpa que Will lhe ofereceu e puxou sobre a camiseta da armadura. Halt olhou para fora. A área em torno das barracas de comida e bebida estava se tornando menos lotada quando os espectadores fizeram o seu caminho de volta aos seus lugares.
Horace e Gerard seriam chamados para a arena nos dez minutos seguintes. Ele decidiu que Horace provavelmente estava certo. Um pouco de ar fresco e exercício iria deixá-lo certo.
— Vamos subir lá para cima agora. Os administradores terão que examinar a sua espada novamente de qualquer maneira  disse ele, chegando a uma decisão.
De fato, o preâmbulo todo para o combate seria repetido, enquanto Sean teria certeza que nenhuma das partes estava disposta a recuar de sua posição. Era algo entediante, ele pensou, mas era parte do ritual cerimonial formal que acompanhava o julgamento por combate.
Halt e Will pegaram o capacete de Horace, seu escudo de reposição e sua espada. Will prendeu novamente as abas da tenda e eles caminharam ao lado de Horace, flanqueando-o enquanto ele fez o seu caminho de volta ao gramado de combate. A multidão se encolhendo nas tendas abriu caminho para eles, mostrando deferência para com o Guerreiro do Sol Nascente. Ele já havia se tornado uma figura popular entre o povo de Dun Kilty. A maneira espetacular como tinha despachado Killeen tinha pegado sua imaginação coletiva.
Halt assistiu o jovem guerreiro com cuidado enquanto eles se aproximaram da mesa de armas situada em frente do gabinete do rei. Ele soltou um pequeno suspiro de alívio quando viu que os passos de Horace eram firmes e inabaláveis. Então seu coração perdeu uma batida quando o rapaz se inclinou para ele e disse, num tom coloquial e sem qualquer sinal externo de interesse:
— Halt, temos um problema. Não consigo concentrar meus olhos.
Os três pararam. A mente de Halt correu e ele olhou imediatamente para onde Tennyson estava sentado, cercado por seus camaradas. Havia três figuras-púrpuras vestidas com ele agora, mas enquanto ele olhava, Tennyson se inclinou e falou com um deles. O genovês balançou a cabeça e fugiu no meio da multidão.
Nesse momento, Halt sabia o que tinha acontecido. Ele falou com urgência para Will.
— Will! Tire esse jarro de água no pavilhão! Está drogado! Não deixe que ninguém interfira com ele!
Ele viu um momento de confusão nos olhos de Will, então a nascente compreensão quando o arqueiro jovem chegou à mesma conclusão que ele tinha acabado de chegar. Se a água tivesse sido drogada, eles precisavam mantê-la segura para provar o fato.
Will girou sobre os calcanhares e se afastou.
Horace movimentou o braço de Halt.
— Vamos continuar nos movendo  disse ele.
Halt virou-se para ele. Apesar da urgência no tom de Horace, um observador teria pensado que eles eram simplesmente discutiram assuntos sem importância.
— Vamos pedir um adiamento  disse ele. — Você não pode lutar se não pode ver.
Mas Horace sacudiu a cabeça.
— Tennyson nunca vai aceitar isso. Se nos retirarmos, ele vai vencer. A menos que possamos provar que ele tenha quebrado as regras.
— Bem, claro que eles quebraram as regras! Eles drogaram você!
— Mas podemos provar isso? Mesmo que provarmos que a água está drogada, podemos provar que eles fizeram isso? Vou ter que continuar por agora, Halt.
— Horace, você não pode lutar, se você não pode ver!  Halt repetiu.
Sua voz estava tensa agora, mostrando a profundidade da preocupação que ele sentia por seu jovem amigo. “Eu nunca deveria ter colocado ele nisso”, disse a si mesmo com amargura.
— Eu posso ver, Halt. Eu apenas não posso concentrar  disse Horace ele, com o fantasma de um sorriso. — Agora vamos. Os examinadores estão esperando.

9 comentários:

  1. Eu sabia que isso iria acontecer!
    Ass: Bina.

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  2. Droga! (literalmente kkk)
    Só eu que descobri da água quando ele disse que a tenda estava toda normal e tudo estava no lugar, inclusive a água?
    Cara, quero só ver o que o Horace vai fazer... kkkkk

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    1. Não, eu também pensei que um dos genoveses tivessem drogado/envenenado a água
      Mas agora foi confirmado

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  3. Podia ser pior, sempre pode. Pelo menos, ele tem outros sentidos e seu instinto de guerreiro. Ele só tá ruim da visão e se ele estivesse meio lesado, sonhador..drogado kkkkk. Aí sim ia dar plong. Mas o will vai resolver essa treta.

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  4. Aff só podia ser isso. Coisa na água, pelo menos não era veneno. Achei que fosse.

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  5. Aff só podia ser isso. Coisa na água, pelo menos não era veneno. Achei que fosse.

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  6. Como Will não percebeu que a água podia estar dragada´se aconteceu a mesma coisa com a sua namorada.

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Boa leitura :)