29 de dezembro de 2016

Capítulo 39

Bacari ouviu um súbito barulho de pés e se virou muito tarde. O arqueiro já estava em cima dele antes que ele pudesse qualquer tentativa de evasão. Sentiu a pressão de mãos na parte da frente da sua jaqueta levantando-o. O rosto jovem estava bem perto do seu. Pálido de cansaço, olhos avermelhados, Will sentiu energia renovada pela repentina explosão de ódio que sentiu por esse assassino sarcástico.
Malcolm começou a correr para pará-lo, mas já era tarde.
― Você esqueceu? Você esqueceu? ― A voz de Will aumentou até virar um grito, enquanto ele chacoalhava o genovês como um rato.
Ele o empurrou violentamente. Bacari, com as mãos e os pés seguramente amarrados, cambaleou, tropeçou e caiu, grunhindo de dor por ter caído desajeitadamente ao seu lado. Então as mãos estavam em cima dele de novo enquanto ele era levantado mais uma vez.
― Então é melhor você se lembrar! ― Will gritou, e o lançou cambaleando e caindo de novo com outro empurrão.
Dessa vez, Bacari caiu perto do fogo e seu lado esquerdo estava realmente perto das brasas externas. Ele chorou de dor enquanto sentia os carvões incandescentes queimarem sua luva e começava a queimar sua carne.
― Will! ― Era Malcolm, tentando intervir, mas Will o repeliu.
Ele segurou o genovês pelos pés e o retirou do fogo. Enquanto alcançava seu pé, Bacari tentou chutá-lo, mas Will facilmente desviou a tentativa desajeitada. E devolveu em resposta, a ponta de sua bota acertando Bacari na coxa, trazendo outro grunhindo de dor do genovês.
― Pare com isso, Will! ― Malcolm gritou.
Ele podia ver que a situação estava piorando. Will, fisicamente e emocionalmente exausto, não estava pensando claramente. Ele estava muito perto de um erro terrível.
Enquanto Malcolm teve o pensamento, ele viu a mão do arqueiro descer para o cabo de sua faca. Com a mão esquerda, Will puxou o assassino a seus pés mais uma vez, segurando para que suas faces estivessem alguns centímetros separados.
Agora Bacari reconhecia a fúria cega também e percebeu que tinha levado isso longe demais. Esse estranho de roupas cinza era capaz de matá-lo. Ele havia calculado muito mal. Ele o havia forçado a essa fúria assassina.
Mas ainda sim, percebeu que a única esperança para sua sobrevivência estava em não contar o que eles queriam saber. Enquanto ele segurasse a chave para a sobrevivência do amigo deles, eles não poderiam matá-lo.
Ele sentiu a ponta da faca contra sua garganta. O rosto tão perto da dele estava distorcido pela dor e pela fúria.
― Comece a se lembrar! Branco ou azul? Qual deles? Conte-nos. CONTE-NOS!
Então Bacari viu uma grande mão descendo sobre o ombro do arqueiro. Horace gentilmente, porém firme, puxou Will de volta da beira da loucura assassina que havia o tomado.
― Will! Se acalme! Tem um jeito melhor.
Will virou para seu amigo, seus olhos transbordando lágrimas de frustração e medo – medo por Halt, deitado tão silencioso, enquanto essa... essa criatura sabia o segredo que podia salvá-lo.
― Horace? ― ele disse.
Sua voz falhando enquanto ele apelava a seu amigo por ajuda.
Will havia feito tudo que podia e isso resultou em nada. Ossos cansados, totalmente exausto, ele havia achado força para seguir esse homem hora após hora. Ele havia lutado com ele, o derrotado e capturado. Ele havia trazido-o de volta. E agora Bacari zombava deles e recusava-se a lhes contar qual veneno ele havia usado.
Era muito.
Will não conseguia pensar em mais nada a se fazer, mais nenhum caminho a se explorar. Mas Horace podia. Ele encontrou o olhar desesperado de seu amigo e balançou a cabeça o encorajando. Então, gentilmente, retirou as mãos de Will da jaqueta de Bacari.
Estupidamente, Will concordou e recuou. Então Horace sorriu para Bacari. Ele o virou e segurou o punho da manga direita com as duas mãos. Com um puxão rápido, arrebentou o material por quinze centímetros, expondo a carne do antebraço do homem e suas veias.
Bacari, com suas mãos ainda amarradas atrás de suas costas girou desesperadamente para ver o que Horace estava fazendo. Sua face estava contorcida com um franzido preocupado. Horace não estava enfurecido com ele. Ele estava calmo e controlado. Aquilo deixou o genovês ainda mais preocupado do que com os gritos de Will.
Horace pegou a aljava que ainda pendia no cinto de Bacari. Ainda havia quatro ou cinco flechas. Ele pegou uma e observou a ponta. A substância gosmenta que Malcolm havia visto antes podia ser vista no ferro afiado da flecha também. Horace segurou a flecha perante os olhos de Bacari, o deixando ver o veneno, para que não houvesse erro.
No mesmo momento, Bacari percebeu o que Horace tinha em mente. Ele começou a se contorcer desesperadamente, tentando se soltar. Mas as algemas seguraram rapidamente e o aperto de Horace era como um torno. O jovem guerreiro pôs a ponta afiada da flecha contra o antebraço de Bacari, então deliberadamente a enfiou na carne, penetrando profundamente para que o sangue quente saísse e escorresse pela mão de Bacari.
Bacari gritou de dor e medo enquanto Horace empurrava o ferro afiado pela carne de seu braço, abrindo um profundo e longo corte. Agora, Bacari podia sentir o sangue bombeando para fora em uma corrente regular. Horace havia achado a veia com a flecha. Aquilo queria dizer que o veneno iria penetrar o sistema sanguíneo do genovês muito mais rápido do que com um leve arranhão no braço de Halt.
― Não! Não! ― o assassino gritou, tentando se libertar.
Mas ele sabia que já era muito tarde. O veneno estava dentro dele, e já começava a se espalhar, ele sabia o que o esperava. Ele havia visto vítimas morrerem antes, várias vezes. Ele parou de se contorcer e seus joelhos cederam, mas Horace o segurou firme, o mantendo em pé.
O jovem guerreiro jogou o arco de lado e olhou para seus dois amigos, vendo o choque em suas faces enquanto eles percebiam o que ele havia feito. Então a expressão de Will mudou para uma de aprovação.
Malcolm era outra coisa. Ele era um curandeiro, dedicado a salvar vidas, e a ação de Horace era contra todos seus princípios básicos. Ele nunca poderia intencionalmente colocar uma vida em perigo do jeito que Horace fez.
― Malcolm ― Horace estava dizendo ― quanto mais a vítima se movimentar e exercitar, mais rápido o veneno irá espalhar pelo sistema. Certo?
Sem palavras, Malcolm confirmou com a cabeça.
― Bom ― Horace disse.
Ele soltou o braço de Bacari e terminou de rasgar a já rasgada manga. Então, trabalhando rapidamente, ele a enrolou pelo sangramento no braço do genovês.
― Não posso ter você morto por hemorragia antes do veneno te matar ― ele disse.
Terminou amarrando a bandagem improvisada e soltando seu aperto sobre o genovês.
Bacari, aterrorizado com o que aconteceu com ele, afundou sobre seus joelhos, a cabeça curvada. Ele olhou para Malcolm, viu sua possível fonte de sobrevivência, e implorou ao curandeiro.
― Por favor! Eu lhe imploro! Não o deixe fazer isso!
Malcolm encolheu os ombros tristemente. A questão estava fora de suas mãos.
Horace se inclinou rapidamente e removeu as algemas dos tornozelos que seguravam Bacari. Então o assassino sentiu o aperto poderoso pelos seus braços de novo enquanto ele era levantado.
― Levante-se, meu amigo assassino. Não posso deixar que você fique sentado por aí o dia todo. Nós vamos dar uma caminhada. Vamos correr. Vamos fazer esse veneno correr dentro você!
E como dito, ele começou a impelir Bacari adiante, forçando o genovês em uma desajeitada corrida. Eles atravessaram o pequeno bosque, deixando o abrigo das árvores. Horace apontou para a serra ao sul.
― O que você acha de admirarmos a vista lá de cima? ― perguntou. ― Parece bom pra você? Então vamos lá!
Com Horace segurando o prisioneiro firmemente pelo cotovelo, eles começaram a caminhar ladeira a cima. Então aceleraram e começaram a correr. Bacari escorregou e caiu meia dúzia de vezes, mas em cada ocasião, Horace o puxava levantando e o fazia correr mais uma vez.
Will e Malcolm podiam ouvir os sarcasmos de Horace enquanto ele conduzia Bacari a empenhos cada vez maiores.
― Vamos lá, meu velho corredor genovês! Levante-se!
― De pé, corra!
― Avante! Nós temos que continuar a espalhar esse veneno!
Gradativamente, a voz ia sumindo enquanto as duas figuras corriam desajeitadamente ladeira acima, uma puxando a metade do outro. Malcolm encontrou os olhos de Will.
Will podia ver a desaprovação ali.
― Você pode pará-lo? ― O curandeiro perguntou.
Will o olhou friamente.
― Talvez eu poderia. Mas eu faria isso?
Malcolm curvou sua cabeça e se virou. Will foi até ele e tocou seu ombro virando o curandeiro para que o encarasse de novo.
― Malcolm, acho que o entendo. Eu sei que você acha difícil perdoar isso. Mas deve ser feito.
O pequeno homem curvou a cabeça infeliz.
― Isso vai contra tudo que eu já fiz ou acreditei, Will. A ideia de infectar deliberadamente um corpo saudável, colocando-o veneno... só é muito errada para mim!
― Talvez seja ― Will preocupou-se. ― Mas é a única chance de Halt. Você sabe que aquela criatura nunca iria nos contar qual veneno ele havia usado. Não importa o quanto nós o ameaçássemos, ele não acreditaria que nós as cumpriríamos. E ele estava provavelmente certo. Eu não poderia por uma faca em sua garganta e simplesmente matá-lo se ele se recusasse a se responder.
― Então isso é diferente? ― Malcolm perguntou e Will balançou a cabeça.
― É claro que é. Desse jeito, a escolha é dele. Se ele nos contar qual veneno usou, você pode neutralizá-lo. Você mesmo disse que o antídoto vai agir quase que imediatamente. Desse jeito, nós não estaríamos o matando. Estamos aqui para salvá-lo. E se ele morrer, vai ser a escolha dele.
Malcolm abaixou os olhos. Houve um longo silêncio entre eles.
― Você está certo ― ele disse distante. ― Eu não gosto disso, mas posso ver que há uma diferença. E é necessário.
Eles ouviram o baque surdo de passos voltando pela colina, então Horace levou um Bacari pálido e tremendo para a clareira entre as árvores. Havia uma expressão evidente de um sorriso de satisfação no rosto de Horace.
― Adivinha? Nosso amigo recuperou a memória.
O veneno era derivado da aracoína branca. Bacari balbuciou a informação para Malcolm, seus olhos abertos de medo.
Malcolm acenou e correu para pegar seu kit médico. Ele vasculhou ali dentro e retirou meia dúzia de líquidos e sacos de pó. Apressadamente, começou a medir e misturar. Em cinco minutos ele tinha um fino amarelo líquido preparado. Ele pegou a tigela contendo o líquido e foi até o lado de Halt.
― Não ― Will disse, apontando para a tigela. ― Não Halt. Dê para Bacari primeiro.
No primeiro momento, Malcolm estava surpreso com a afirmação. Então ele viu a razão por de trás disso. Ainda havia a chance de o genovês ter mentido a ele sobre o veneno. Se ele visse que estava prestes a receber o antídoto errado, o antídoto poderia matá-lo, ele teria de lhes falar. Mas o assassino rapidamente olhou para Will enquanto ele ouvia as palavras e deu um passo a frente, tentando girar para que seu braço ferido, ainda amarrado à suas costas, ficasse próximo ao curandeiro.
― Sim! Sim! ― ele disse. ― Dê-me isso agora!
Horace estava certo. O fato de que ele havia penetrado o veneno na veia significava que ele estava trabalhando bem mais rápido no genovês do que em Halt.
Bacari já podia sentir o calor no seu braço machucado, a dor que queimava do veneno. E podia sentir isso subindo pelo braço também. Seu pulso começou a acelerar – outro lado do efeito do veneno – e ele sabia que aquilo iria forçar o veneno pelo seu sistema ainda mais rápido.
Malcolm olhou para ele, olhou para Will e acenou com a cabeça. Halt estava seguro pelo tempo e só ia levar alguns minutos para administrar o antídoto em Bacari. Ele apontou para o braço do homem.
― Desamarre-o, por favor, Will ― ele disse. ― Eu preciso mexer nesse braço.
Will chegou por trás do genovês e desfez o nó que o prendia. Quando terminou, abaixou sua mão até o cabo de sua faca.
― Lembre-se, não precisamos mais de você vivo. Seja muito cauteloso em qualquer movimento seu.
Bacari balançou a cabeça e caiu avidamente ao lado de onde Malcolm estava ajoelhado. Ele estendeu seu braço para o tratamento, suspirando audivelmente enquanto Malcolm removia a bandagem e ele podia ver as marcas, carne sem cor da parte de dentro de seu antebraço. Com a pressão da bandagem enrolada removida, o braço estava muito inchado.
Malcolm pegou o braço machucado, estudou por um momento, então o virou para que a parte interna estivesse para cima. Lá havia uma pequena e muito afiada lâmina na sua mão livre.
― Eu terei que cortar, você me entendeu? ― ele disse. ― Estou cortando sua veia para administrar o antídoto.
― Sim! Sim! ― o genovês disse, suas palavras tropeçando umas nas outras. ― Corte a veia. Eu sei disso! Apenas apresse-se!
Malcolm olhou para ele, então de volta para o braço. Habilmente ele achou a veia e cortou com uma pequena lâmina. Sangue brotou imediatamente e ele balançou a cabeça para um pequeno quadrado de linhos que ele havia colocado no chão ao seu lado.
― Limpe o sangue, por favor, Will.
Will se ajoelhou para fazê-lo. Enquanto limpava a ferida, nos segundos seguintes, sangue brotava de novo, e Malcolm rapidamente inseriu um fino e oco tubo na veia cortada. Havia um formato de sino no fim do tubo e ele pôs um pouco do líquido amarelo ali dentro, assistindo enquanto ele corria tubo a baixo, batendo no tubo até o líquido se aderir em uma só massa, sem bolhas de ar dentro.
Ele continuou segurando o líquido verticalmente até o líquido ir para o final que estava dentro do braço de Bacari. Então, inclinando pra frente, pôs seus lábios na abertura com formato de sino e gentilmente soprou, forçando o antídoto pra dentro da veia do homem, onde a corrente sanguínea iria distribuir pelo seu sistema. Habilmente, Malcolm colocou uma almofada de linho em cima da pequena incisão que ele havia feito no braço do homem, então pressionou firmemente no lugar com uma bandagem.
Os ombros de Bacari cederam em alívio e ele olhou pra o curandeiro, balançando sua cabeça em gratidão várias vezes.
― Obrigado. Obrigado ― ele disse.
Malcolm abaixou a cabeça com desdém.
― Não estou fazendo isso por você. Estou fazendo isso porque não posso suportar assistir outro ser humano morrer.
Ele olhou para Will.
― Você pode amarrar esse animal de novo se quiser.
― Eu farei isso ― Horace disse, avançando e pegando as algemas de onde Will as tinha largado. ― Você, ajude Malcolm com Halt.
Malcolm começou a fazer objeções. Ele realmente não precisava de nenhuma ajuda. Então viu o olhar angustiante de Will em sua face e soube que ele se sentiria melhor se fizesse alguma coisa para acelerar a recuperação de seu mestre. Ele meneou a cabeça brevemente.
― Boa ideia. Traga meu kit, certo?
Ajoelhando-se ao lado de Halt, ele limpou o fim do tubo com um líquido de cheiro forte e sem cor que pegou de sua sacola. Então pegou o braço de Halt que estava debaixo do cobertor e retirou a bandagem, expondo a ferida rasa. Ele usou mais do líquido acre para limpar sua pequena lâmina, então foi administrar o antídoto em Halt. Durante o processo, não havia som de reação do arqueiro, mesmo quando a lâmina cortou seu braço. Will notou que Malcolm usou consideravelmente mais antídoto do que ele usou em Bacari.
― O veneno está a mais tempo nele do que em Bacari ― Malcolm disse, sentindo sua curiosidade. ― Ele precisará mais do antídoto.
Quando terminou, Malcolm colocou a bandagem em seu braço de novo. Ele olhou para Will, viu a ansiedade nos olhos do jovem e sorriu tranquilizando-o.
― Ele ficará bem em poucas horas. Tudo que tenho que fazer é lhe dar algo para acordar de novo. Quanto mais rápido seu sistema trabalhar, mais cedo o antídoto fará efeito.
Ele preparou outra mistura e colocou nos lábios de Halt. Enquanto o líquido descia por sua garganta, Halt se mexeu em reflexo e Malcolm balançou a cabeça em aprovação. Ele limpou seus instrumentos e se levantou, grunhindo ligeiramente com o esforço.
― Estou ficando muito velho para essas brincadeiras ao ar livre ― ele disse. ― Eu preciso sentar numa poltrona em volta da fogueira.
Will não havia se movido. Ele ainda estava ajoelhado ao lado de Halt, inclinando-se para frente ligeiramente, seus olhos fixos na face barbada do arqueiro, procurando por qualquer sinal de recuperação. Malcolm tocou seu ombro gentilmente.
― Vamos lá, Will ― ele disse. ― Vai levar algumas horas antes de qualquer melhora. Por agora, você precisa se alimentar e descansar. Eu não quero que Halt se recupere apenas para ver você entrar em colapso.
Relutantemente, Will se levantou e seguiu Malcolm. Agora que o curandeiro havia mencionado, percebeu que estava faminto. E cansado até os ossos. Seu treinamento de arqueiro lhe dizia que era sempre sábio se recuperar e descansar quando surgiam as chances. Mas ainda havia uma tarefa a ser feita, ele percebeu.
― Malcolm ― ele chamou.
O pequeno curandeiro se virou até ele, suas sobrancelhas levantadas em dúvida. Antes que ele lhe pudesse dizer alguma coisa, Will continuou.
― Obrigado. Muito obrigado.
Malcolm sorriu e fez um gesto de dispensa com suas mãos.
― Isso é o que eu faço ― ele disse singelamente.

3 comentários:

  1. Que alívio :)
    E ainda Horace pensou como eu \o/

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  2. kkkkkk. Gostei, Horace fazendo Bacari corre, parecia que ele estavam em uma academia!
    Ass: Bina,

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  3. Horace virou Bad Blood!!
    -Sinead

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Boa leitura :)