9 de dezembro de 2016

Capítulo 32

No sótão de Bhaile Anois, na aldeia irlandesa de Meenalappa, Amy e Dan estavam ao lado de seu tio-avô Fiske. Quatro meses se passaram desde o churrasco-de-amêijoas que havia sido projetado para mudar o mundo e não tinha na verdade mudado nada. Do outro lado do oceano, os Estados Unidos estavam no meio de uma campanha presidencial que não incluía J. Rutherford Pierce. O Partido Patriota fora dissolvido. Seu candidato tinha-se tornado uma piada nos talk shows noturnos, e um sanduíche se tornara famoso numa delicatessen de Boston. O Pierce: bolonha, queijo Limburger e maionese, em um pão Viana marcado com o nariz dele.
Foi incrível a rapidez com que um titã global havia se transformado em motivo de chacota global. Mas para Amy e Dan, nunca haveria qualquer coisa engraçada sobre o magnata da mídia que havia se aproveitado do poder do soro e quase conseguira dominar o mundo. As fontes dos Cahill no meio militar encontraram as seis “pequenas” malas com as bombas nucleares nas cidades ao redor do mundo. De acordo com Sammy, que as desarmara pessoalmente, cada bomba teria destruído um quarteirão da cidade, contaminando uma grande área com a perigosa radiação. Toda vez que Amy fechava os olhos, via o visor de contagem regressiva no tablet de Pierce: 00:02. Fora tão perto.
Amy estava completamente de volta a si mesma. Assim como todos que foram tocados pelo soro.
De sua parte, Amy ficou emocionada ao ser normal novamente. Ela não sentia falta da sua superforça e acuidade – e certamente não dos tremores e alucinações que vieram com o pacote. Melhor de tudo, não houve efeitos secundários, mesmo entre os participantes do churrasco-de-amêijoas que respiraram o spray aerossol. O antídoto fora forjado da promessa escondida no poema-enigma do livro de Olivia. Foi necessário Leonardo da Vinci e o conhecimento coletivo de sete civilizações perdidas para criá-lo. E, cinco séculos depois, ele agiu através de cores flutuantes.

* * *

Não houve cerimônia oficial para o que os Cahill foram fazer na Irlanda. Mas parecia certo devolver o livro de Olivia para a casa ancestral da família.
— Devemos dizer alguma coisa? — Dan perguntou em um tom abafado. — Quero dizer, Olivia descobriu uma maneira de parar um louco que não era nem nascido até 500 anos depois que ela se foi. Se isso não conta como salvar o mundo, eu não sei o que conta.
— Nós não precisamos dizer nada — Fiske assegurou. — Você acabou de falar tudo.
Ele enrolou o livro antigo em seu pano e selou-o novamente na caixa de metal.
Amy guardou-o dentro do fundo falso da gaveta do armário de madeira. Ela hesitou por um momento antes de fechá-lo.
— E se alguém precisar dele de novo?
— Não precisarão — disse Fiske com firmeza. — Não há mais soro, e a receita explodiu com o complexo de Delaware. Nellie e Sammy estavam notavelmente certos a esse respeito.
Dan estava inquieto. Graças à sua memória fotográfica, ele nunca poderia esquecer a fórmula para a criação terrível de Gideon. Enquanto Dan vivesse, havia a possibilidade de o soro retornar. Por outro lado, ele nunca esqueceria os componentes do antídoto, tampouco. Isso trazia um pouco de conforto.
Eles deixaram Bhaile Anois e pararam para o almoço em uma pequena casa de chá na vila. Fiske tomou um gole delicado de seu Darjeeling e recostou-se na cadeira.
— É uma vergonha Nellie não ter conseguido nos acompanhar à Irlanda.
— Sammy está estudando para um teste enorme, e ela quer estar por perto para apoiá-lo — Amy falou. — O relacionamento deles está ficando muito sério.
Dan fez uma careta.
— Realmente me tirando do sério, esse relacionamento.
— Seja como for — disse Fiske, sorrindo — tentem ficar surpresos quando nossa Nellie chegar usando um anel de noivado qualquer dia. Ainda assim, é uma pena que ela não pudesse estar aqui para compartilhar este lugar maravilhoso. Não parece diferente do que era no tempo de Olivia – intocado pela modernidade e mercantilismo.
Ele franziu o cenho quando dois trabalhadores desfraldaram um grande cartaz chamativo e começaram a colar na lateral de um edifício de pedra na praça central de Meenalappa.
— Até hoje — Dan colocou com um sorriso.
— E olha de quem é — Amy reprimiu uma risada.
O cartaz era uma foto enorme de Jonah Wizard, a mão do microfone com três enormes anéis de pedras preciosas que uma vez bateu no capanga de Pierce.



— Meu senhor — murmurou Fiske.
Dan forneceu a explicação.
— Sim, Jonah estava queimando seu dinheiro bem rápido, então decidiu começar a fazer turnês novamente. Adivinha quem é seu novo gerente? Hamilton!
— Hamilton Holt? — Fiske perguntou em descrença.
— Não pense pouco de Hamilton — Amy aconselhou. — Ele é um cara muito esperto. Ele trabalha duplamente para Jonah como guarda-costas e consultor financeiro. Eles já compraram com Debi Ann Pierce a nova empresa de brinquedos. Supostamente, aqueles ursos de pelúcia que ela faz estão voando das prateleiras.
Fiske assentiu com a cabeça.
— Ouvi dizer que ela doa sua participação dos lucros para a caridade.
— Sim, ela não precisa do dinheiro — Dan concordou. — Ela contratou um advogado Cahill para o divórcio. O cara deve ter sido um Lucian. Ele limpou Pierce.
Fiske tomou outro gole de chá e balançou a cabeça.
— É por isso que sua geração está no comando das coisas agora. Eu certamente não poderia fazer tudo isso. Grace escolheu sabiamente quando escolheu vocês.
O radar de irmão zumbiu novamente, e Amy e Dan compartilharam uma conversa pelo olhar. Este era um assunto que eles estavam relutantes em trazer para seu tio-avô, mas ambos perceberam que ele merecia saber.
Amy falou por eles.
— Tio Fiske, a verdade é que estamos fora.
Os olhos do velho se arregalaram.
— Fora?
— Foi ideia minha no começo — admitiu Dan. — Eu não suportava em que todos esses assuntos Cahill estavam me transformando, então decidi que quando a situação Pierce terminasse, eu cairia fora. Mas então Amy... — sua voz travou em sua garganta — quero dizer, estivemos em perigo antes, mas dessa vez foi ruim. Eu realmente não pensei que ela faria aquilo.
Nesse momento, ele se lembrou do garoto de onze anos que ele fora quando a caça às pistas os levou. Amy tocou o seu braço.
— Enfim — Dan continuou um pouco mais firme — perder Amy me ensinou que eu nunca poderia sair sem ela. Nós saímos juntos ou ficamos juntos.
— Há três anos, nem sequer sabíamos o que significava ser um Cahill — acrescentou Amy. — E, desde então, enfrentamos uma série de tarefas loucas com o futuro da humanidade descansando em nossos ombros. Precisamos de uma pausa. Nós merecemos uma pausa.
— É compreensível — disse o tio-avô. — O que vocês pretendem fazer?
— Nós gostaríamos de viajar — Amy respondeu uniformemente.
Fiske ficou surpreso.
— Viajar? Vocês já circulou o mundo uma dúzia de vezes!
Dan balançou a cabeça.
— Desta vez queremos ver o mundo sem ter que salvá-lo.
— Além disso, estamos nos escondendo um pouco — admitiu Amy. — Pierce afundou nossa reputação. Todo mundo acha que somos pirralhos mimados e vândalos.
Os olhos de Fiske cintilaram.
— E suponho isso não tenha nada a ver com o fato de que o jovem Jake Rosenbloom tirou um ano de folga de seus estudos.
Amy corou profundamente.
— Bem, nós podemos tentar nos encontrar ocasionalmente...
O sorriso dele desapareceu.
— Só uma coisa diz respeito a mim. E a família? Quem vai cuidar dos assuntos Cahill enquanto vocês dois estiverem fora nesta “pausa”?
Amy e Dan trocaram um olhar conhecedor.
— Nós já pensamos nisso — disse Amy Cahill. — Nós deixamos a família apenas nas mãos certas.

* * *

Uma cabeça prateada de felino saiu de trás de uma elegante cadeira vitoriana no antigo salão. A casa Cahill em Attleboro, Massachusetts, era conhecida como a casa de Grace, mas não havia dúvidas de que o verdadeiro mestre desse domínio era Saladin, o mau egípcio.
Os longos dias passados ​​na casa de tia Beatrice finalmente terminaram, e ele estava na casa aonde pertencia. Suas garras arranharam o tecido de pelúcia, se ergueu um pouco e fixou seu olhar no adolescente moreno e alto no centro da sala.
Um segundo depois, o gato estava no ar, passando pela cabeça de Ian Kabra e deixando um arranhão que se estendia da orelha ao queixo.
— Ai! Saladin, seu sarnento refugiado de uma fábrica de cordas de violino...
O mau egípcio pousou suavemente sobre o tapete e jogou um desafiante “Mrrrp!” sobre o ombro enquanto fazia seu caminho sem pressa para o outro lado do salão.
Cara Pierce entrou correndo, carregando um pano e antisséptico. Um confronto entre Saladin e Ian era uma ocorrência diária na mansão de Grace.
Saladin era sempre aquele que não precisava de primeiros socorros.
— Devíamos nos livrar desse gato — Cara murmurou, esfregando suavemente a bochecha de Ian.
— Nós não podemos — disse Ian, tentando não mostrar o quanto desfrutava da atenção dela. — Ele vem com a casa, e a casa é a sede Cahill.
Ela suspirou.
— Então acho que ele é nossa responsabilidade – junto com o resto da mais poderosa família na história da humanidade.
Saladin os olhava em suave indiferença.
Ele tinha morado aqui com Grace, e mais tarde com Amy e Dan. Ele não previa problemas com estes dois.
Enquanto a anchova fresca continuasse chegando.

21 comentários:

  1. Caraaaaaa!!! Que final!! Nunca vi algo tão tenso quanto dessa vez! Realmente achei que a Amy não conseguiria, mas foi perfeito!! Esperando ansiosamente a quarta temporada ❤❤❤

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  2. KARINA EU QUERO A PRÓXIMA COLEÇÃO POR FAVOR DEMORA NÃO. ~ Tephi

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    1. Vai demorar sim 🙊
      Começaremos as traduções a partir do ano que vem!

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    2. Ano que vem, tipo 1 de Janeiro de 2017, né?

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    3. Kkkkkk quem sabe? 🌚
      A verdade é que no momento estamos com o quinto volume de Trono de Vidro. Assim que esse projeto acabar, partimos pra Doublecross (se tudo der certo)

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  3. Ian no comando?! Prevejo muitoa chás da tarde com anchovas kkkkkk
    nao sei voces, mas eu shippo jonahxham (como se chama o shipper deles)?

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    1. Néee! Kkkkk esse final Ian vs Saladin foi o melhor hauehauehu
      Mas não acho que anchovas combine com chá 🌚 acho que biscoitos ficariam melhor, soa bem britânico hauehaue

      Não faço ideia de como fique esse shipp. Na verdade, nunca o tinha visto...

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  4. Eitaaa qu massa! Mas ainda acho que ta faltando alguma coisa. Quero ver ian kabra de namoro assumido com a Cara e o mesmo de amy e jake..

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  5. Que final , minha gente. Aprende aí, CahillvsVesper!! Amei, é Ian com Cara, é Amy com Jake,Ham e Jonah, tudo os OTP vivo é bem. Só senti falta dos Starlings, fora isso não tenho dó que reclamar. Que venha a 4 temporada.
    -Sinead

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  6. Kkkkkkk que perfeito esse fim!
    Ian vs. Saladin é sempre muito bom. "Ian no comando? Prevejo muitos chás" haha
    Ansiosa por mais!

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  7. Ian no comando agora, eita! Kkkkk gostei de ver ele e a Cara combinam, mas ainda acho difícil shippar a Amy com o Jake. Ah depois dessa os Rosenbloom tinham q se tornar Cahill! É assim q eu gosto, Dan e Amy juntos e unidos! Os Starling nem apareceram, espero eles na próxima temporada.

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  8. Ansiosa para a quarta temporada!!! Será que realmente a Amy e o Dan vão conseguir ficar de fora???

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    1. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina10 de março de 2017 09:24

      EEEEEEEEEEEEEEEEEEE não.Eles se envolvem de novo(vi spoilers de operação Titanic)mas tb é só ler a sinopse do site de the 39 clues.

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  9. Eu achava q tinha 38 capítulos... O livro acabou tão de repente 😢

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  10. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina28 de fevereiro de 2017 14:42

    karina,vc planeja postar doublecross esse ano ?
    por favor

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    1. Então, eu planejava. Porém só consegui encontrar o primeiro pra traduzir. Daqui umas semanas procuro novamente, e se encontrar, farei o possível pra postar no final do ano

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    2. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina10 de março de 2017 09:27

      vc traduz pelo livro Karina ? eu achei pra ler todos completos on line em inglês,doublecross.(eu ñ tenho paciência pra ler em inglês,espero ler aqui viu ?)

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    3. Não sou eu exatamente, eu junto um povo pra traduzir. Mas claro, me manda o link, por favor!

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  11. Depois de tanto tempo convivendo com os cahil diariamente, ñ sei como vou superar esse final 😔

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  12. E a proxima temporada??? alguma previsão de quando vão postar??

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    1. Infelizmente não :/
      Mas as traduções começarão no ano que vem!

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Boa leitura :)