18 de dezembro de 2016

Capítulo 30

Dun Kilty era um imponente castelo, Horace pensou. Construído dentro de uma cidade murada, e fixado em um afloramento rochoso que lhe deu o nome, ele surgia alto sobre os edifícios da cidade menores que o cercava, as paredes cinza e maciças com dez metros em alguns lugares.
— Isto não foi construído às pressas  disse ele a Halt enquanto fizeram seu caminho até uma rua movimentada com comerciantes, barracas de comida, artesãos de trabalho e pessoas empurrando carrinhos cheios de tudo, desde materiais de construção até vegetais, de carne a pilhas de estrume fresco.
Horace observou com algumas dúvidas que os dois últimos tendiam a se misturar, deixando alguns dos dejetos manchados sobre as carcaças. Ele decidiu que teria peixe para o jantar naquela noite.
— É uma antiga fortaleza  Halt disse a ele. — É várias centenas de anos mais velha do que o Castelo Araluen. E estava aqui muito antes de a cidade crescer em torno dela.
Horace franziu os lábios, devidamente impressionado. Então Halt arruinou o efeito, acrescentando:
— Correntes de ar como o inferno no inverno, também.
Eles se separaram de Will dois dias antes, intencionando montar diretamente para Dun Kilty. Como Halt havia previsto, os rumores vagos do resultado da batalha em Craikennis já tinham ido à frente deles. Mais uma vez, ele ficou maravilhado com a forma como isso aconteceu, sem qualquer aparente agenciamento humano.
Os boatos foram também se espalhando da maneira que Tennyson tinha repelido o ataque de Mountshannon e Halt sentia um ar de incerteza entre as pessoas que eles falavam. As pessoas não tinham certeza sob que bandeira deviam reunir-se. Os rumores sobre os forasteiros, e sua capacidade de proteger cidades e povoações da ilegalidade em que predominavam em todo o país, têm circulado há algum tempo. A palavra até tinha vindo de outros reinos. O Guerreiro do Sol Nascente era um fenômeno novo. Mas a lenda era bem conhecida e as pessoas não tinham certeza de qual caminho tomar.
Havia um sentimento de “vamos esperar para ver”, que era exatamente o resultado que Halt esperava.
Na noite anterior, acampados à beira da estrada, ele tinha estado ocupado. Horace observou-o desembrulhar seus pincéis, tintas, pergaminhos e lacres e suspirou. Halt estava prestes a entrar no que ele chamava de “documentação criativa”. Horace chamava isso de falsificação. Ele se lembrou de um momento em que habilidade Halt como um falsificador dava horror a sua alma honesta e simples.
“Eu sou mais desonesto agora”, pensou. “Isso não me incomoda tanto. Não tanto quanto da primeira vez”. Ele decidiu que o seu declínio dos padrões morais era resultado de gastar muito tempo na companhia de arqueiros.
Halt olhou para cima, vendo a expressão no rosto do jovem e adivinhando a razão para isso.
— É apenas um salvo-conduto de Duncan. Um pedido que você será permitido a entrar na sala do trono real  ele disse. — Ele vai nos dar acesso a Ferris.
— Você não pode apenas dizer a Ferris que você está de volta?  Horace disse. — Certamente, ele concordaria em ver você?
Halt prendeu o lábio inferior para fora quando ele considerou a declaração.
— Talvez — disse ele. — Ou talvez achasse mais simples me matar. Isso é melhor. Além disso, eu quero escolher o momento certo para que ele saiba que estou de volta.
— Eu suponho que sim  Horace concordou.
Ele ainda não estava completamente feliz com a ideia de levar credenciais falsificadas. Ele viu como Halt aplicava uma cópia perfeita do selo real Araluen em uma mancha de cera mole na base do documento.
Halt olhou para cima.
— Duncan teria nos dado um ele mesmo se tivéssemos tido o tempo para pedir. Eu não sei por que você está tão preocupado  disse ele.
Horace apontou para o selo enquanto Halt recolocava-o no pequeno saco de couro onde o guardava.
— Talvez. Mas ele sabe que você tem isso?
Halt não respondeu imediatamente.
— Não realmente  ele disse — mas o que ele não sabe não vai machucá-lo. Ou a mim, o mais importante.
Era um crime capital em Araluen possuir uma réplica do selo do rei, e muito maior usá-la. Duncan, é claro, estava muito consciente de que Halt havia forjado sua assinatura e selo em várias ocasiões. Ele achou melhor fingir que não sabia de nada sobre isso.
Halt balançou a folha de papel para secar a tinta e permitir que a cera endurecesse. Então, o abaixou cuidadosamente.
— Agora o seu escudo  disse ele.
A cobertura do escudo tinha sido rasgada durante o encontro de Horace com Padraig. Ele precisava de algo mais permanente. Durante a tarde, eles passaram uma aldeia e Halt havia conseguido várias tintas e pincéis. Agora, ele ocupou-se de pintar a insígnia do nascer do sol no escudo de Horace. Horace observou que a ponta da língua de Halt tendia a se projetar quando ele se concentrava. Isso fazia o arqueiro grisalho parecer surpreendentemente jovem.
— Aí!  disse ele, quando ele concluiu de desenhar a linha horizontal preta na parte inferior do círculo representando três quartos do sol. — Não está completamente ruim.
Ele segurou o escudo acima para o comentário de Horace e o guerreiro acenou com a cabeça.
— Bom trabalho  disse ele. — Um pouco mais elegante do que a antiga folha de carvalho que você pintou no meu escudo em Gálica.
Halt sorriu.
— Sim. Aquele foi um trabalho corrido. Pouco acidentado, não foi? Isto é muito melhor. Tenha em mente, círculos e linhas retas são um pouco mais fáceis de pintar do que uma folha de carvalho.
Ele inclinou o escudo contra um tronco de árvore para secar. Pela manhã, a pintura tinha endurecido e eles cavalgaram, Horace mais uma vez com a insígnia do Guerreiro do Nascer do Sol.
Ocasionalmente, uma vez que eles atravessavam Dun Kilty, houve murmúrios e dedos apontados para a insígnia. Os comentários foram feitos por trás das mãos. As pessoas tinham notado, ele pensou. E reconheceram a imagem.
Alguma coisa tinha estado preocupando Horace e ele decidiu que era hora de levantar a questão.
— Halt  ele disse — eu estive pensando...
Instantaneamente, ele lamentou as palavras quando Halt começou a assumir o olhar sofredor que sempre adotava quando um dos seus companheiros jovens lhe dava uma oportunidade. Em vez de esperar Halt por uma resposta, ele continuou.
— Você não está preocupado que as pessoas possam... reconhecê-lo no castelo?
— Reconhecer-me?  Halt disse. — Ninguém lá me viu desde que eu era um menino.
— Bem, talvez você não. Mas você e...  Ele hesitou, depois decidiu que não poderia ser sábio mencionar relação de Halt e Ferris na rua — ...você-sabe-quem... são gêmeos, né? Então, provavelmente vocês são parecidos. Você não está preocupado que as pessoas possam falar, “Olhe, lá vai... você-sabe-quem... em uma capa camuflada”.
— Aaah, eu vejo o que você quer dizer. Duvido que isso vá acontecer. Afinal, o capuz da minha capa esconde boa parte do meu rosto. E as pessoas vão estar olhando para você, não para mim.
— Eu suponho que sim  admitiu Horace.
Ele não havia pensado nisso.
Halt continuou.
— Em qualquer caso, existem diferenças substanciais nestes dias entre você sabe quem e eu. Eu tenho uma barba, enquanto ele corta a sua como um cavanhaque, um topete ridículo no queixo. E o bigode dele é menor.
Ele viu a questão aos olhos de Horace e explicou:
— Eu estive voltando aqui ocasionalmente. Apenas nunca deixei ninguém saber.
Horace assentiu, compreendendo.
— Além disso  Halt continuou — ele usa o cabelo puxado em volta de seu rosto enquanto o meu é mais ou menos... — ele hesitou, procurando a palavra certa.
— Bagunçado e despenteado?  Horace deteve-se tarde demais.
O corte de cabelo Halt era um ponto sensível. As pessoas estavam sempre a criticá-lo. Os olhos do arqueiro ficaram severos.
— Obrigado por isso  disse ele. Houve uma pausa e ele concluiu com firmeza: — Eu não acho que isso será um problema. Ninguém esperaria que o cabelo um rei fosse “bagunçado e despenteado”, como você tão gentilmente colocou.
Horace considerou responder, mas decidiu que seria mais prudente não fazer. Eles cavalgaram até um íngreme, sinuoso caminho que levou às portas do castelo. Cavalgaram lentamente, passando o tráfego que viaja em pé. Eles eram os únicos homens montados a abordarem o castelo e chamavam olhares interessados dos locais.
— Olhar orgulhoso  disse Halt com o canto da boca. — Você está em missão oficial para o rei de Araluen.
— Estou em uma missão falsificada, na verdade  Horace respondeu no mesmo tom baixo. — Isso não é algo para se olhar orgulhosamente.
— Eles nunca saberão. Eu sou um falsificador perito.
Ele parecia satisfeito com o fato e Horace olhou-o.
— Isso não é realmente algo para se orgulhar, você sabe  disse ele.
Halt sorriu alegremente para ele.
— Aaah, eu gosto de estar perto de você, Horace  disse. — Você me faz lembrar de quão decadente eu me tornei. Agora, olhe orgulhoso.
— Eu prefiro olhar enigmático. Eu acho que tenho me dado muito bem desse jeito até agora  disse Horace ele.
Halt olhou para cima em uma leve surpresa. Horace estava crescendo e ganhando confiança, ele percebeu. Não era tão fácil confundi-lo nestes dias, como costumava ser. Às vezes, Halt ainda tinha a suspeita de que Horace estava se entregando ao tipo de puxada de perna que Halt costumava fazer com ele. Ele não conseguia pensar em uma resposta adequada então ele simplesmente grunhiu.
As portas do castelo estavam abertas. Não havia, afinal, nenhuma ameaça imediata para a cidade e havia um fluxo constante de tráfego entrando e saindo do pátio do castelo. Vagões, carroças, pessoas a pé carregando fardos em suas costas, todos fluindo para frente e para trás. Um castelo real, claro, tinha uma necessidade constante de alimentos e outros confortos, como vinho e cerveja. E, em um antigo castelo como este, sempre havia trabalho de reparo a ser feito. Provedores misturados com operários e comerciantes em uma massa de humanidade fervilhando.
Horace estava lembrando de um formigueiro perturbado quando olhou em volta. No entanto, embora as portas estivessem abertas, ainda havia guardas de cada lado da entrada. Vendo os dois estranhos montados, eles se adiantaram, segurando suas lanças cruzadas para embarreirar o acesso, até que eles fossem identificados.
Os poucos pedestres na frente de Halt e Horace empurraram e se esgueiraram passando pelos eixos das lanças atravessadas, ansiosos para entrar e continuar com seu trabalho.
— Quem são vocês?  o mais alto dos dois guardas perguntou.
Horace escondeu um sorriso. As coisas tinham certa informalidade libertina aqui em Clonmel. No Castelo Araluen, um guarda teria pronunciado a demanda formulada: Pare e se identifique.
— Sir Horace, cavaleiro do reino de Araluen, o Guerreiro do Sol Nascente do Oriente, com mensagens do grande rei Duncan para o rei Ferris  Halt respondeu.
Horace olhava para a frente, seu rosto uma máscara. Então, o rei Duncan era grande rei Duncan enquanto Ferris era apenas o rei Ferris. Halt parecia estar entregando-se a um pequeno desafio verbal, ele pensou.
Horace manteve o rosto impassível, mas seus olhos estavam alerta, lançando ao redor da multidão, e viu algumas pessoas parar e tomar nota quando Halt disse as palavras Guerreiro do Sol Nascente.
O guarda, entretanto, não pareceu estar impressionado com o título. Guardas eram raramente impressionados com qualquer coisa, Horace pensou. O guarda estendeu a mão para Halt.
— Documentos. Você tem algum deles dizendo que você é quem diz ser?
Hibernianos tinham uma maneira de falar cadenciada, Horace pensou. Mas ele chegou a sua luva e tirou o salvo-conduto que Halt tinha preparado na noite anterior. Ele passou a Halt, que passou para a sentinela. Horace olhou para longe e bocejou. Ele pensou que era um toque agradável – o tipo de coisa que ele poderia fazer se fosse altivo. Ou enigmático.
A sentinela examinou o documento. Claro, ele não poderia lê-lo, mas o escudo real e o selo de Araluen parecia oficial e impressivo. Ele olhou para seu companheiro.
— Eles estão certos  disse ele.
Entregou o documento de volta a Halt, que passou para Horace. Em seguida, as sentinelas descruzaram suas lanças e ficaram para trás, permitindo a Halt e Horace passarem para o pátio do castelo.
Elas cavalgaram para a torre central, onde a seção de administração do castelo estaria situada. Eles passaram pela ladainha de ter seus documentos analisados, mais uma vez, desta vez por um sargento da guarda. Horace refletiu que Halt tinha razão. Pouca gente olhava para o arqueiro. Em vez disso, eles tendiam a concentrar sua atenção em Horace, que, com sua armadura e montando um enorme cavalo de batalha parecia ser o mais impressionante dos dois visitantes. Se algum dos guardas fosse solicitado posteriormente para descrever Halt, ele duvidava que fossem capazes de fazer.
Eles deixaram seus cavalos fora da torre e foram dirigidos para dentro por outro guarda até o terceiro andar, onde a sala de audiências de Ferris estava situada. Ali eles foram interrompidos novamente – desta vez por seu assistente, um homem jovem, de rosto agradável.
Horace estudou-o profundamente. O assistente tinha a aparência de um guerreiro como ele. Ele usava uma espada longa e olhava como se ele soubesse como usá-la. Ele era quase tão alto quanto Horace, embora não tão grande nos ombros. Os cabelos escuros e encaracolados emolduravam um rosto fino, inteligente e tinha um pronto, se um pouco cansado, sorriso para eles.
— Você é bem vindo aqui  disse ele. — Estamos sempre felizes em ver nossos primos araluenses. Meu nome é Sean Carrick.
Das sombras de seu capuz, Halt olhava para o homem jovem com interesse. Carrick era o nome da família real. Este jovem era algum parente de Ferris. Isso fazia sentido, pensou ele. Reis frequentemente designavam os membros da sua família para cargos de confiança. Também significava que ele era parente de Halt.
Horace estendeu a mão.
— Horace  disse. — Cavaleiro da corte de Araluen, comandante da Companhia da Guarda Real, campeão da princesa real Cassandra.
Sean Carrick olhou para o documento que Halt tinha apresentado mais uma vez, um pequeno sorriso em seus lábios.
— Então, eu notei  disse ele. Em seguida, ele acrescentou, a sua cabeça inclinada para o lado — mas ouvi rumores a respeito de alguém chamado Guerreiro do Sol Nascente?
Ele deixou cair a questão entre eles, olhando incisivamente a insígnia na túnica de Horace. Além da arte no escudo, Halt tinha providenciado a Horace uma túnica de linho nova que ostentava o brasão do amanhecer.
— Tenho sido chamado disso  Horace disse a ele, não confirmando nem negando a identidade.
Sean assentiu, satisfeito com a resposta. Ele olhou para o lenhador de pé ligeiramente atrás do guerreiro alto de frente para ele. Ele franziu a testa. Havia algo vagamente familiar sobre o homem? Ele tinha a sensação de que o tinha visto em algum lugar antes.
Antes que pudesse formular a pergunta óbvia, Horace disse casualmente:
— Este é o meu homem. Michael.
Ele lembrou que ele tinha sido Michael no início da semana. Era um nome que tinha pegado, ele pensou, sorrindo para si mesmo.
Sean Carrick concordou, imediatamente afastando Halt de sua mente.
— Claro.  Ele olhou para um par de portas maciças atrás de sua mesa. — O rei não tem visitantes com ele no momento. Deixe-me ver se ele está preparado para recebê-lo.
Ele sorriu, desculpando-se, em seguida escorregou pela porta, fechando-as atrás de si. Ele esteve fora por vários minutos. Em seguida, retornou, chamando-os para a frente.
— Rei Ferris irá recebê-lo agora  disse ele. — Vou pedir-lhe para deixar suas armas aqui.
O pedido fazia sentido. Horace e Halt deixaram suas várias armas em sua mesa maciça. Horace observou, com ligeira desconfiança, que, apesar da bainha da faca de arremesso de Halt estivesse vazia, a arma estava longe de ser vista sobre a mesa. Ele empurrou o momento de dúvida de lado. Halt sabia o que estava fazendo, ele pensou, enquanto eles se moviam para as grandes portas duplas.
Carrick conduziu-os para a sala do trono. Era pequena como as salas de trono eram, Horace pensou, embora ele realmente só tinha experiência de sala do trono de Duncan. Aquele era um cômodo alongado com tetos altos. Este era em um formato quadrado, com os lados do quadrado não superior a dez metros de comprimento. Na extremidade, sobre um estrado e sentado em um trono de madeira lisa, sentava-se rei Ferris.
Sean Carrick apresentou-os e depois recuou. Ferris olhou para eles, curiosamente, se perguntando por que havia uma delegação da Araluen aqui e por que ele não tinha ouvido falar disso mais cedo. Ele chamou-os para mais perto. Horace liderou o caminho, Halt na sombra dele a alguns passos para trás.
À medida que ele se aproximava, Horace estudou o rei de Clonmel. A conexão com Halt era simples, pensou ele. Mas havia diferenças. O cara era mais completo e com carne extra significando que suas feições não eram tão bem balanceadas. Ferris era obviamente um homem que gostava do conforto de sua mesa. E seu corpo apresentava sinais disso também. Considerando que Halt era magro e duro como um chicote, seu irmão gêmeo estava um pouco acima do peso e parecia macio.
Então havia as diferenças de estilo. Como Halt tinha dito, Ferris usava barba num cavanhaque e o bigode aparado acima dele era nitidamente. Seus cabelos estavam bem puxados para trás da testa e mantidos no lugar por uma tira de couro trabalhado que percorria as têmporas. E os cabelos de Ferris eram pretos, fazendo-o parecer pelo menos dez anos mais novo que seu irmão gêmeo, grisalho de barba grisalha. Horace olhou mais de perto. A cor do cabelo era artificial, ele decidiu. Era muito brilhante e muito mesmo. Ele chegou à conclusão de que Ferris tingia o cabelo.
Os olhos eram diferentes também. Onde os de Halt eram firmes e inabaláveis, enquanto Ferris parecia ter dificuldade para manter contato visual por um longo período. Seus olhos deslizaram longe daqueles que o enfrentava, buscando o fundo da sala, como se sempre com medo de problemas.
Eles ouviram a porta suavemente clicar fechando atrás deles quando Carrick saiu da sala. Eles estavam sozinhos com o rei Ferris, embora Horace estivesse disposto a apostar que havia uma dúzia de homens a uma curta distância da sala do trono, todos espiando através buracos de espionagem para se certificar de nenhuma ameaça fosse oferecida ao rei.
Ferris falou agora, indicando a figura, ao lado de Horace encapuzada com capa.
— Sir Horace.
Horace começou ligeiramente. A voz era quase idêntica a de Halt. Ele duvidou que fosse capaz de dizer a diferença entre os dois se seus olhos estivessem fechados. Embora o sotaque hiberniano de Ferris fosse mais acentuado, ele percebeu.
— Será que o seu homem não tem maneiras? Não é certo que ele mantenha a cabeça coberta diante do rei.
Horace olhou incerto para Halt. Mas o arqueiro já estava começando a empurrar o capuz para trás de seu rosto. Quando ele fez isso, Horace olhou para o rei mais uma vez. Ele estava carrancudo. Alguma coisa era familiar sobre a figura rudemente vestida diante dele, mas ele não podia nem de perto...
— Olá, irmão  Halt disse calmamente.

7 comentários:

  1. quem é eu.( pelo amor de deus, esses pequenos erro acabam com o livro).

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    1. Hum, em que capítulo estaria isso? Pq neste, a única vez que aparece é em "existem diferenças substanciais nestes dias entre você sabe quem e eu", e aqui está certo...

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  2. Chocante, a maneira como Halt falou! Estou sem palavras!
    Ass: Bina.

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  3. Quero ler o Halt gordo caindo da cadeira!!!kkk

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Boa leitura :)