9 de dezembro de 2016

Capítulo 30

Cara abriu a porta da residência, antecipando-se a Ian, Hamilton, Jonah e Dan.
— Pai! — exclamou ela. — Onde você está, pai?
Não houve resposta. A mansão ecoou como um celeiro.
— Ele está aqui em algum lugar — disse Hamilton. — Como pode ser difícil encontrá-lo?
Jonah olhou em volta.
— Eu soube de um produtor de discos com uma casa grande assim. O coelho de estimação de seu filho se soltou, e levou três meses para encontrá-lo.
— Vamos nos dividir e procurar na casa — sugeriu Ian.
— Mas se cuidem — acrescentou Cara. — Todos os planos dele estão desmoronando, e já sabemos que ele não tem medo de matar!
Foi quando Dan viu – uma faixa de luz vindo de uma porta fechada no corredor que dava para o jardim e para a piscina.
— O que tem lá dentro? — ele perguntou Cara em voz baixa.
— Sauna e banheira de hidromassagem — ela respondeu.
Dan marchou adiante e tentou a maçaneta. Ela estava trancada.
— Vamos lá, papai. Deixe-nos entrar — Cara chamou. Sem resposta.
— Eu cuido disso! — Hamilton tomou distância e correu na direção da porta, acertando-a com o ombro. Ele quicou para trás como se tivesse batido em rocha sólida.
— Todos se afastem — Cara tirou um grampo de seu longo cabelo loiro, torceu-o e inseriu-o na fechadura. — Sejam cuidadosos. Ele poderia estar armado.
Depois de alguns segundos de sondagem, houve um clique e a porta se abriu.
Ian tentou mover-se de forma protetora na frente dela, mas ela afastou-o.
— Eu vou primeiro. Ele é meu pai.
Apesar de quaisquer movimentos defensivos ou contra-ataques que eles temiam, nenhum deles esperava encontrá-lo dentro da sauna.
J. Rutherford Pierce estava sentado sozinho na borda da banheira de hidromassagem em mármore. Ele parecia não notá-los, tão concentrado que estava no tablet em seus joelhos.
— O que você está fazendo, papai? — ela perguntou em uma voz que não era cruel e até mesmo traía algum pesar.
— Não me chame assim. Você não é minha filha. Acha que me impediu? Eu já estou voltando ao que costumava ser. Tomei o soro novamente um minuto atrás!
Cara balançou a cabeça quase se desculpando.
— Ovomaltine. O soro foi embora, pai. Eu o joguei no Atlântico na noite passada. O seu, o da equipe – cada gota.
Seus olhos se arregalaram.
— Você estava prestes a viver na Casa Branca. Você teria sido minha conselheira mais confiável. Minha herdeira.
O rosto dela, tanto quando o dele, irradiava sinceridade.
— Eu não podia deixá-lo fazer isso. Um dia o senhor olharia para trás e veria que era um plano louco, por causa de todo aquele soro em seu coração.
O rosto de Pierce se torceu em uma careta cruel.
— Meu plano ainda vai acontecer, juro-lhe isso. Talvez eu não venha a ganhar esta eleição, graças à sua intromissão. Mas há outras maneiras de mostrar ao povo americano que eles precisam de mim!
— Você está blefando! — Dan acusou.
— Saberemos em breve — ele consultou o tablet no colo. — Sete minutos.
A calma tensa diminuiu. Do que ele estava falando?
Cara tinha ficado pálida como um fantasma.
— Aquilo de “grandes coisas em pequenos pacotes”? — ela perguntou em voz baixa.
Um pouco de brilho voltou às bochechas de Pierce.
— Era originalmente parte da minha estratégia de campanha, mas é ainda mais perfeito agora que a festa não deu certo. Tenho seis pequenos dispositivos nucleares escondidos em malas plantadas em cidades ao redor do mundo. Quando explodirem, metade do planeta estará em guerra uns com os outros. Os americanos vão esquecer de hoje e implorar que eu os guie através dos tempos perigosos à frente.
— Nuclear? — Dan ficou horrorizado. — Você vai matar milhões para ajudar a torná-lo presidente?
— Só milhares — Pierce corrigiu. — As armas nucleares são pequenas. A contagem de corpos não é importante; a agitação criada quando os estrangeiros começarem a culpar uns aos outros, sim.
Os Cahill trocaram olhares angustiados. As imagens que giravam em suas mentes eram medonhas e terríveis. Flashes de detonação; paredes de fogo rugindo em ruas lotadas, incinerando tudo em seu caminho.
Pierce não era somente perturbado o suficiente para conceber um plano tão abominável, era absolutamente implacável no conjunto de ver através.
Hamilton arrebatou uma toalha do bar e se moveu para Pierce, envolvendo-a em torno de sua cabeça. Enquanto o pai de Cara lutava para se libertar, Ian pegou o tablet de suas mãos.
Pierce apenas riu.
— Vocês pensam que podem me parar com isso? Uma vez que a sequência de detonação começa, apenas o código de interrupção pode pará-lo. O software não pode ser hackeado. Ele foi projetado pela própria April May!
— Eu sou April May, pai! — Cara explodiu. — Quando escrevi o software, não tinha ideia do que você queria fazer com ele... — ela começou a soluçar.
Ele olhou para sua filha, os olhos arregalados em choque e descrença. Então seus traços se endureceram em uma máscara de puro ódio.
Ian levantou o tablet para os outros verem. O temporizador de contagem regressiva marcava 05:17.

* * *

O frio intenso estava além de qualquer coisa que Jake poderia ter imaginado – como milhares de picadas de abelha aplicadas simultaneamente para toda a superfície do seu corpo. Ele fez seus músculos terem cãibra e seu coração bater acelerando, a fadiga incapacitante começando do seu interior e irradiando para fora.
Ele chutava através das ondas, empurrando o tanque do pulverizador vazio que carregava o corpo inconsciente de Amy. Seu peito estava tão contraído com a tensão e o esforço que doía buscar a respiração mais ínfima. Suas pernas estavam em chamas, mas não do tipo que oferecia qualquer calor. Ele já não podia sentir as mãos.
— Vamos lá, Amy — ele ofegava. — Você consegue.
Ela ainda estava inconsciente. O incentivo não era para ela. Era um lembrete para si mesmo – por que ele tinha que lutar contra o mar e a agonia de seu próprio corpo. Ela não teria nenhuma chance se ele não pudesse levá-la para a margem.
Debatendo-se, tentou estimar seu progresso. Pierce Landing ainda parecia impossivelmente distante. Ele não podia dizer a distância que tinha percorrido, uma vez que seu ponto de partida não estava marcado. Os destroços do avião agrícola há muito afundaram para longe da vista.
— Acho que não estamos chegando a lugar nenhum — ele murmurou em voz alta.
Amy não tinha opinião. Ondas lamberam uma mecha de seu longo cabelo. Levou um momento para a importância disso atingi-lo. O cabelo dela não roçava a água antes. O tanque estava mais baixo nas ondas. Pequenas bolhas cascateavam para a superfície.
Está baixando.
O pensamento que se seguiu foi ainda mais alarmante: Ele vai afundar! Ele começou a nadar com vigor renovado, chutando através da dor. Já não estava apenas lutando contra o mar e a distância. Estava lutando contra o tempo também. Muito em breve, o tanque perderia a flutuabilidade e afundaria totalmente na água. Ele tinha que deixar Amy em segurança antes que isso acontecesse.
A dor não importava mais. Ele a sentia, mas era irrelevante. Ele esqueceu o antídoto, o churrasco-de-amêijoas, Pierce, os Cahill, Atticus – até mesmo ele próprio e Amy. O escopo de seu pensamento diminuiu para duas palavras: continuar nadando.
Ele podia ver a forma turva da mansão de Pierce e, além dela, o arco de iluminação do palanque. Ele parecia estar se aproximando da margem oposta da ilha. Estava mais perto agora, mas não perto o suficiente - não próximo. O recipiente de setecentos litros ficava mais pesado enquanto enchia, inclinando-se perigosamente para um lado.
Ele viu com horror enquanto o tanque tombava e afundava a com um murmúrio e uma erupção de bolhas. Amy boiou no oceano um momento e, em seguida, desapareceu sob a superfície. Tudo o que Jake pôde fazer foi segurá-la sob as axilas e puxá-la para cima novamente.
Não havia dúvida em relação ao salvamento. Ele estava completamente sem fôlego. A escolha diante dele era cruel e duramente simples: ele podia alcançar a margem. Mas não com Amy.
Deveria ter sido uma decisão fácil: salvar duas vidas era impossível; preservar uma era preferível a nenhuma. No entanto, ele não conseguia se obrigar a partir.
Os Rosenbloom tinham boas mentes. Seu pai era um cientista de renome; Atticus, um gênio em ascensão; e Jake não tinha um desleixo próprio. Então por que ele não podia aceitar esta matemática básica – que um era maior do que zero?
Talvez fosse isto: ele nunca estaria pronto para desistir de Amy. Era autodestrutivo, estúpido, inútil se sentir assim, mas era tudo o que ele poderia oferecer a ela agora.
Ele flutuou, exausto, sua mente perdeu o foco, ficando dormente. E ele estava com tanto frio...
A escuridão foi substituída pelo o que deveria ser um sonho. O oceano gélido fechou-se sobre sua cabeça. Ele afundava, mas estava cansado demais para se importar. Um grito distante o alcançou, mas ele não prestou atenção, certo de que não era real.
Certamente se ouve as coisas desejadas antes de morrer...
De repente, ele rompeu a superfície, genuinamente chocado ao tomar outra respiração. Como tinha acontecido? Certamente não por sua própria energia...
Alguém estava ao seu lado. Era Amy – batendo os pés e remando, arrastando-o para cima! E isso significava...
— Você está viva! — ele exclamou com espanto.
Incapaz de uma resposta, ela ergueu um braço para fora da água e apontou para Pierce Landing. Lado a lado, os dois começaram a nadar para costa.

4 comentários:

  1. Não pude para de pensar na Dory de Procurando Nemo: Continue a nada continue a nada. ~Tephi

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  2. Q desespero! Ainda bem q a Amy acordou

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  3. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina28 de fevereiro de 2017 14:26

    AI MEUS DEUSES! BARZÙL!QUE BOM!

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Boa leitura :)