9 de dezembro de 2016

Capítulo 3

Uma bateria de holofotes se fixou em J. Rutherford Pierce.
Tecnicamente, ele ainda não tinha declarado sua concorrência à presidência. Mas era o segredo mais mal guardado do planeta. Todo mundo sabia que ele iria para o Salão Oval. O que não era de conhecimento geral era que a Casa Branca era apenas uma pequena parte de seu plano global.
Mas as primeiras coisas primeiro – esse comício no Central Park de Nova York. A CNN estimava que a multidão passava de meio milhão de pessoas. Havia um monte de olhos em cima de Pierce enquanto ele desfilava no palco diante de uma enorme faixa que dizia:


Esse era o slogan do Partido Patriota – a organização que estava prestes a lançar Pierce para o mais alto cargo no país.
— Eu não tenho nada contra a cooperação internacional, desde que a América tome todas as decisões!  — ele discursou ao público, que aplaudiu ainda mais alto. — Uma nação, um voto pode ser bom na ONU, mas eu não gosto dessas probabilidades. Nós trabalhamos duro para chegar onde estamos, e agora vamos falir por comprar coisas que inventamos de países estrangeiros! E nosso atual presidente pensa que está tudo bem. Bem, eu digo que esta terra é...
— Nossa terra!  rugiu a multidão com uma única voz que se levantou na atmosfera.
Enquanto ele se deliciava com a adoração, um tremor fez sua perna direita convulsionar. Determinado a não mostrar nenhuma fraqueza, ele converteu o tremor involuntário em um chute de karatê. O público se ergueu. Era quase como se ele estivesse dando um golpe contra os inimigos da América.
Assim que a campanha eleitoral começasse, tudo o que ele teria que fazer era deixar o presidente atual falar sobre serem cidadãos globais, um país entre muitos, uma comunidade internacional inteira, blá blá blá. Então uma série de pequenas explosões nucleares abalariam várias cidades distantes em continentes distantes, e os eleitores teriam que enfrentar uma escolha simples: apostar o futuro da América em uma ordem mundial em ruínas de estrangeiros perigosos e instáveis, ou assumir o controle de uma maneira condizente com a maior nação existente.
Ninguém jamais descobriria que as explosões atômicas teriam sido arranjadas pelo próprio Pierce – pelo menos, não antes da eleição. Quando a verdade viesse à tona – se ela algum dia viesse – J. Rutherford Pierce já estaria estabelecido como mais do que apenas um presidente. Ele seria um ditador, comandando um Planeta Terra Unido.
  Mas as primeiras coisas primeiro.
— Meus compatriotas americanos, estou diante de vocês, um homem humilde, grato por sua lealdade e apoio. E agora eu gostaria de apresentá-los a mulher cujo amor e orientação me mantém humilde... minha linda esposa, Debi Ann.
Debi Ann saiu das sombras e tomou seu braço. Se a multidão de seguidores fiéis notou o quão branda, comum, e, bem, velha ela parecia, não se deu para perceber na ovação tumultuosa. Ela era na verdade seis anos mais nova que seu marido, mas Debi Ann não tinha rcebido os “shakes de proteína” acrescidos com o soro, como o resto de sua família.
Não é culpa dela, Pierce lembrou a si mesmo.
Tinha sido decisão sua manter pelo menos um Pierce não fabuloso para os americanos comuns se corresponderem. E, de qualquer modo, nenhum soro podia fazer nada quanto à personalidade incolor de Debi Ann. Ela não brilharia nem se ele colocasse quatro mil volts através dela. Visto isso, casar com ela fora uma de suas más decisões – e ele tinha um sótão cheio de ursos de pelúcia caseiros para provar isso.
Um dia – depois que todos os seus planos tivessem se concretizado – ele teria que achar um jeito indolor de mandá-la pastar. Mas isso era no futuro. Os candidatos presidenciais tinham casamentos perfeitos com mulheres perfeitas. Ele a abraçou com carinho. O gesto escondeu outro tremor, este em seu braço direito. O público adorou.
Ele experimentou um momento único quando se lembrou da garota com que ele realmente queria se casar, a requintada Hope Cahill, o único e verdadeiro amor de sua vida. Claro, Debi Ann Starling era uma Cahill também, mas tão diferente de Hope quanto mármore e diamante. E um monte de homens teria definhado, mas não Pierce. Ele canalizara o seu desapontamento em uma emoção muito mais produtiva: ódio amargo da mulher que o havia rejeitado. Hope se fora agora, morta em um incêndio trágico. Então o alvo de toda essa má vontade era seus dois filhos, Amy e Dan. Ele já tinha usado seu império de mídia para arruinar suas reputações. E não pararia até que eles se juntassem a seus pais na morte. Não era o objetivo primordial do grande plano de Pierce, apenas um agradável benefício adicional.
Essas crianças não tinham ideia de que a mãe deles tratara J. Rutherford Pierce com desprezo. Mas eles pagariam o preço final por isso de qualquer maneira.

***

A caminho de seus lábios, o copo de cristal quebrou nas mãos de Amy. Suco de oxicoco escorria por seu braço, seguido de um vermelho mais escuro. Sangue.
— Relaxa aí — Jonah gemeu — meu banco não é o que costumava ser desde que parei com as turnês.
Jake já estava ao lado de Amy com um kit de primeiros socorros.
— Você tem que pegar leve, Amy — ele pediu, enxugando a palma da mão dela com uma gaze molhada de antisséptico.— Você não conhece mais sua própria força.
— Eu estou bem — Amy disse irritada. — Acho que o soro aumenta o fator de coagulação também. Viu? Já parou de sangrar.
O grupo estava a bordo no jato de Jonah, indo para oeste sobrevoando o vasto Oceano Pacífico em rota para o Camboja.
— Eu não estou falando apenas para ouvir o som da minha própria voz — Jake persistiu. — O que tenho que fazer para você perceber o tipo de perigo em que está, te amarrar em uma cadeira?
— Na verdade — Atticus interviu — nosso grupo inteiro não poderia amarrá-la em uma cadeira.
— Não é só força — Amy tentou explicar. — É tudo. Eu posso ouvir o piloto clicando seus interruptores na cabine, e ver cada falha no tecido da camisa de Jonah...
O astro bufou indignado.
— Ei, mana! Eu comprei isto na Rodeo Drive! Está dizendo que o Wiz foi roubado?
Amy continuou como se ele não tivesse falado.
— Minhas reações são instantâneas. Se você me mostrasse um jogo de xadrez, eu poderia ver trinta movimentos à frente.
— Você pode não ter trinta movimentos — Jake falou amargamente. — Você tem sete dias, no máximo, e três deles já se foram!
Uma explosão de luz e cor disparou na cabeça de Amy, o grand finale de uma apresentação de fogos artifícios de quatro de julho. As alucinações eram o outro lado da moeda dos tremores. Seu cérebro estava sendo tomado, não só seu corpo.
Ela sentou-se ao lado de Ian, que ainda estava debruçado sobre o laptop de Pony.
— Ainda estou recebendo o sinal Código A — ele disse, parecendo exausto. — Você acha que é algum tipo de mensagem de erro?
Amy duvidava.
— Não há nenhum erro que Pony não saberia como corrigir. Se tem um Código A, é porque ele queria que isso estivesse aí. — Seus dedos dançaram ao longo do teclado à velocidade da luz. O monitor piscou uma vez e mostrou um mapa do mundo, com um ponto vermelho pulsante no centro da tela. 
Ian sentou-se para a frente, os olhos arregalados.
— Um sinal de rastreamento?
Amy apontou para o ponto, que estava sobre o Oceano Pacífico ao largo da costa da América Central.
  — Seja lá o que ele está rastreando, está indo para a Ásia.
Jake olhou por cima de seu ombro.
— Nós estamos indo para a Ásia. Poderia ser a gente?
— Vejo por que o intelecto vertiginoso dele a agrada, Amy — Ian fungou. — Naturalmente, Pony rastrearia um de seus próprios aliados. Por que não pensei nisso?
— Ian está certo — disse Amy. — O sinal deve ser de outro avião, uns três quilômetros à nossa frente.
Jonah ficou ereto. 
— Vocês acham que é o jato do Pierce? Como essa gente saberia aonde ir?
— Pierce tem o livro da Olivia — Amy concluiu — e o raciocínio aprimorado para descobrir o que isso significa.
Jonah estava no interfone em um segundo.
— Acelera, cara! — ele instruiu. — Acho que o que estou tentando dizer é: Siga aquele avião!

6 comentários:

  1. "Hope Cahill, o único e verdadeiro amor de sua vida" fiquei pasma com essa agora!! 😱

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  2. eu falei a muito tempo que a raiva de pierce era porque tinha levado um chega pra la da Hope kkkkkkkkkkkkk

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  3. Siga aquele avião!!
    Jonah meu filho, assim vc me mata kkkkkklkk

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  4. Siga aquela porca
    Siga aquela russa
    Siga aquele avião
    Etc...

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  5. Já sei onde o Donald Trump tirou as idéias para sua campanha.

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    1. Néeee! Pensei o mesmo quando li, e pior que ele ganhou!

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Boa leitura :)