18 de dezembro de 2016

Capítulo 25

Will manteve Puxão se movendo em um trote constante ao longo do dia. Não era o ritmo de marcha forçada dos arqueiros, mas comeu os quilômetros na estrada para Mountshannon e ele sabia que Puxão iria manter o ritmo enquanto fosse necessário. Ele também sabia que provavelmente chegaria a aldeia depois que Driscoll tivesse colocado o que ele tinha designado como o seu “show”. Mesmo que ele estivesse montando, o caminho do cume era longo e tortuoso e o grupo de invasão de trinta homens tinha muito menos distância a percorrer pelo caminho mais curto que estavam seguindo.
Will foi se convencendo de que não haveria nenhum ataque. Os bandidos estavam planejando um golpe em Mountshannon, mas o objetivo ele ainda não estava certo.
Driscoll se referira a um “homem santo” e Will assumiu que fosse Tennyson. Ele não tinha certeza de onde o pregador estava encaixado no plano global, nem o papel que iria interpretar. Mas ficou cada vez mais óbvio que o ataque real seria em Craikennis no dia seguinte.
Ele chegou a Mountshannon no meio da tarde. Enquanto passava o posto de guarda da ponte, Will ergueu as sobrancelhas quando viu que o posto estava deserto. Assim estavam as ruas de Mountshannon. Por um momento, ele temeu o pior. Mas enquanto continuava avançando, ele ouviu uma boa dose de barulho vindo do outro lado da aldeia. Cantorias, gritos e risos.
— Alguém está tendo um bom dia  disse ele a Puxão. — Pergunto-me se é Halt.
Halt não é cantor, respondeu o cavalo.
Ele seguiu o som até o fim da aldeia. Parecia que toda a população estava reunida em um grande palanque fora da barreira de proteção, onde um mercado tinha sido criado. Mas as barracas e currais estavam desertos e agora, uma multidão considerável se reunia na frente de um grande pavilhão branco fixado no canto sudoeste do palanque.
Ele freou Puxão, permanecendo na sombra de uma casa enquanto examinava a cena a frente dele. No canto adjacente, ele viu as duas tendas baixas que Horace e Halt tinham levantado. Mas ele não podia ver nenhum sinal de seus amigos lá.
Ele voltou sua atenção para o grande pavilhão. O lugar estava cercado por uma massa ruidosa dos moradores em celebração. Carne estava assando em várias fogueiras e um tonel de cerveja estava empoleirado em uma mesa. Pela aparência das coisas, os moradores tinham bebido bastante.
No centro da multidão, podia ver um pequeno grupo de figuras de vestes brancas. O homem grande, forte com ombros largos e com cabelos grisalhos deveria ser Tennyson, pensou ele. Ele era o centro das atenções, com um fluxo constante de aldeões que vinham até ele, tocando seu braço, dando-lhe tapinhas nas costas e lhe oferecendo pedaços de carne assada.
— Alguma coisa aconteceu  Will disse para si mesmo.
Então ele viu Halt e Horace em pé na parte de trás da multidão. Quando ele os viu, o arqueiro barbudo olhou em volta e fez contato com os olhos. Will o viu dando uma cotovelada em Horace, em seguida, apontar discretamente para as duas pequenas tendas a cerca de cinquenta metros de distância. Will assentiu com a cabeça e fez Puxão ir em frente a uma caminhada. Ele cavalgou pelo outro lado das barracas do mercado para diminuir a probabilidade de que fosse notado. Mas percebeu que ninguém estava observando seu caminho, em todo caso. Tennyson e o seu povo eram o foco de toda a atenção.
Ele chegou ao acampamento, tirou a sela de Puxão e o esfregou completamente. O pequeno cavalo tinha tido um dia difícil e ele merecia alguma atenção. Will procurou em sua mochila e encontrou uma maçã. Puxão a mordeu alegremente, com os olhos fechados, concentrando-se no sabor e no suco jorrando da maçã. Will deu um tapinha carinhoso no pescoço. Puxão estava cheirando ao redor dos bolsos, em busca de uma segunda maçã, quando Halt e Horace fizeram o seu caminho de volta para o acampamento. Em resposta à busca persistente do nariz brusco do cavalo pequeno, Will abriu sua mochila e encontrou uma maçã para ele.
— Você estragou esse cavalo — disse Halt.
Will olhou em volta dele.
— Você estragou o seu.
Halt considerou o pensamento, em seguida, assentiu.
— É verdade  ele admitiu.
— Bem-vindo de volta  disse Horace, decidindo não participar da discussão de como um cavalo devia ser tratado. Ele sabia que quando os arqueiros começam a falar sobre os seus cavalos, poderia demorar muito para calá-los.
Will estendeu-se, imaginando que ele poderia ouvir os tendões estalando e gemendo em seus braços e pernas duras. Tinha sido uma longa viagem e ele estava com sede. Ele grunhiu de satisfação quando relaxou os músculos e olhou significativamente ao pote de café, de cabeça para baixo ao lado do fogo.
— Eu vou fazer isso  disse Horace.
O cavaleiro encheu o pote de um cantil pendurado em uma árvore próxima, em seguida, soprou as brasas da fogueira para obter as chamas novamente. Ele adicionou um punhado de gravetos até que o fogo estava queimando brilhante, em seguida, empurrou o pote na brasa, ao lado das chamas.
Will sentou-se no chão macio perto da lareira. Havia um tronco conveniente para ele descansar as costas e ele suspirou de contentamento. Balançou a cabeça em direção ao barulho da reunião a cerca de cem metros de distância.
— Creio que é o nosso amigo Tennyson?
Halt assentiu.
— Ele é basicamente um herói local.
Will levantou uma sobrancelha.
— Um herói, você diz?
Will percebeu a ironia no tom Halt.
Horace, preparando um punhado de pó de café a partir de um pequeno saco de pano, olhou para cima de seu trabalho.
— Salvou a aldeia de Mountshannon de um terrível destino, Tennyson  ele acrescentou.
Will olhou para Horace de Halt, uma pergunta nos olhos.
— Bandidos tentaram atacar a aldeia há poucas horas  explicou o arqueiro. — Uma força de homens armados saiu de lá dos bosques, ameaçando todo o tipo de consequências se os aldeões colocassem qualquer resistência. E nosso amigo Tennyson apenas passeou calmamente e disse-lhes para eles irem embora. E lá se foram eles.
— Não antes de seus seguidores cantarem para eles  lembrou Horace.
Halt assentiu.
— Isso é verdade. Um par de versos e os bandidos estavam cambaleando, com as mãos sobre suas orelhas.
— O canto era tão ruim assim?  Will perguntou, sério.
Ele tinha uma boa ideia do que tinha acontecido no início do dia. Agora o comentário enigmático de Driscoll sobre um homem santo começava a fazer sentido.
— O canto foi muito bom, como Horace me disse. Mas a força da personalidade de Tennyson e o poder do seu Deus Alseiass foi o suficiente para dispersar uma força de fora oitenta homens.
— Trinta  disse Will e seus amigos olharam para ele curiosamente. — Havia apenas trinta. Eles eram liderados por um homem chamado Driscoll.
— Bem, nós só vimos cerca de trinta  disse Horace. — Mas ele alegou ter outros cinquenta escondidos na mata. Afinal, por que você ataca uma aldeia de grande porte como esta, com apenas trinta homens?
— Ele nunca atacaria  replicou Will.
Halt inclinou-se com curiosidade.
— Você sabe isso?  disse ele. — Ou está assumindo?
— Eu sei. Eu estive escutando fora da tenda do líder na noite passada. O plano não era atacar Mountshannon. Eles se referiam a “fazer um show” aqui. Mas, em seguida, um deles disse que ia fazer mais do que isso em Craikennis, porque “não haverá homem santo para nos parar”.
— Tal como Tennyson fez aqui  disse Halt, vendo a conexão.
— Exatamente. Mas amanhã em Craikennis, haverá oitenta deles. Eles vão se juntar com cinquenta homens novos e desta vez não estarão fingindo. Vão destruir o lugar.
Sua expressão escureceu, sua mente voltando para a cena em Ford Duffy. Ele sabia quão impiedosos esses invasores poderiam ser.
Halt coçou a barba, pensativo.
— Assim, o ataque falso aqui foi simplesmente uma oportunidade para Tennyson demonstrar seu poder.
— E a sua capacidade de proteger a vila  Horace acrescentou — lembra-se o que ele estava dizendo ontem? “Quem pode protegê-los?” Isso estava, obviamente, destinado a fazer o seu ponto – apenas Alseiass, por força de Tennyson.
— Exatamente  Halt disse, estreitando os olhos. — Craikennis irá demonstrar o que acontece se Tennyson não estiver por perto. Bandidos atacam Mountshannon e Tennyson os expulsa. Um dia depois, bandidos atacam Craikennis e não há nenhum sinal de Tennyson. É óbvio que resultado terá.
— Os moradores serão massacrados  falou Will baixinho. — Craikennis será Ford Duffy mais uma vez, mas dez vezes pior.
— Essa é a maneira como eu vejo isso  disse Halt. — Vai ser uma lição para o povo de Clonmel. Com Tennyson ao seu lado, você está seguro. Sem ele, está morto. — Ele virou-se para Horace. — É o grande evento que falei que ele precisava.
Horace estudou os rostos desagradáveis de seus amigos.
— Nós vamos ter que fazer alguma coisa  disse ele.
Ele sentiu sua crescente raiva ao pensar nos habitantes indefesos da aldeia sendo atacados por bandidos cruéis. Quando tinha sido condecorado, Horace tinha feito um juramento para proteger os fracos e os indefesos.
Halt assentiu em acordo.
— Prepare-se. Vamos deixar as barracas aqui, então vai parecer que vamos voltar. Não quero Tennyson se perguntando por que nós saímos de repente. Temos que chegar a noite em Craikennis e avisá-los. Dessa forma, eles podem organizar as suas defesas.
— E quanto a nós?  Will perguntou. — Vamos dar uma mão nisto?
Halt olhou para seus dois amigos jovens. O rosto de Will estava escuro e determinado. Horace estava vermelho de raiva e indignação.
O arqueiro de barba grisalha assentiu.
— Sim  disse ele. — Prefiro pensar que vamos.

3 comentários:

  1. Os cavalos dos arqueiros são muito legais , além de serem muito inteligentes para um cavalo comum , eles ainda falam. \o/

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  2. Ta bom de esticar as pernas mesmo né Halt.

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  3. Acho que e o will pensando nas palavras do puxão

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Boa leitura :)