9 de dezembro de 2016

Capítulo 25

A hora divulgada para o churrasco-de-amêijoas começar era três da tarde. De acordo com as observações furtivas que Cara passou a eles, J. Rutherford Pierce iria ao centro do palco tornar a sua candidatura oficial às três e meia.
Os Cahill precisavam que ele e seu exército de gorilas aprimorados pelo soro recebessem o antídoto antes disso.
— Três e quinze é a nossa hora zero — Amy decidiu. — Todo mundo vai estar do lado de fora, onde Jake e eu podemos pulverizá-los antes de Pierce tiver a chance de abrir sua boca grande.
— Espere — disse Atticus — não há nada no antídoto que possa impedi-lo de concorrer à presidência. E se ele fizer o anúncio de qualquer maneira?
— Então seu aprimoramento terá desaparecido — Amy respondeu prontamente — e até mesmo seus capangas serão mercenários comuns. Ele pode concorrer, mas não terá qualquer chance de ganhar. Ser o candidato que disse ser Superman, mas acabou por ser nem mesmo Clark Kent.
Trabalhando com o tempo reversamente a partir da hora zero – três e quinze – e estimando a direção do vento e a velocidade máxima de um velho avião agrícola, Sammy e Amy calcularam que a hora de partida do biplano na pista dos Penobscot seria 2:50.
Roslyn foi abastecido e estava pronto, os tanques de pulverização cheios de antídoto aerossol. Às 2:45, Sammy e Atticus abraçaram Amy e Jake – a equipe da missão – e retiraram-se para assistir a decolagem.
— Nós estaremos aqui esperando por vocês — Atticus gritou, a voz apenas um pouco trêmula.
Jake apresentou-lhe um polegar erguido preenchido com a confiança que ninguém sentia.
Amy e Jake finalmente caminharam na direção do cockpit a talvez cinquenta metros, mas parecia muito mais longe. Os tremores na perna direita de Amy lhe deram um passo estranho, mas seu foco era absoluto.
Havia apenas uma distração restante, um único detalhe que precisava ser cuidado antes que ela pudesse se entregar inteiramente à operação.
Ela fez um gesto na direção da casa Penobscot.
— Jake, olha!
E quando ele se virou para ver o que tinha lhe chamado a atenção, ela juntou as mãos e as baixou com força em sua nuca. Ele caiu na pista e ficou ali, atordoado.
Ela se permitiu apenas um instante de arrependimento.
Ninguém mais a via da mesma forma que Jake – não como um centro de comando que vivia e respirava, mas como uma garota de dezesseis anos de idade. E como se ela o recompensou? Deixando-o inconsciente.
Ainda assim, tinha sido a coisa certa a fazer.
Jake tinha todo o seu futuro à sua frente, e seria brilhante. Ele não deveria ter que pagar com a vida pela sua devoção a ela.
Amy correu para o biplano, pulou na cabine, e bateu a porta. Ligou o motor, que abafou os gritos de protesto vindos de Sammy e Atticus. Enquanto a hélice pegava velocidade à frente de seu para-brisas, ela taxiou para fora da pista e começou a acelerar para a decolagem.
De repente, algo acertou com força a fuselagem do avião. A porta do passageiro foi aberta e Jake apareceu, lutando ao longo da pista para içar-se para dentro assento.
— Solte! — ela gritou. Sua voz tinha um impulso de soro, também.
— Não!
Ela nunca teria acreditado que ele fosse capaz de fazer o que fez em seguida. Quando a roda dianteira de Roslyn deixou a pista, Jake atirou-se no meio da escotilha, caindo de cabeça para baixo no assento. Ele endireitou-se, fechando a porta atrás dele enquanto o biplano pulverizador elevou-se no ar.
— O que você queria ao me tirar da jogada? — perguntou ele.
— Eu estava tentando salvar a sua estúpida vida! — ela atirou de volta.
Ele ficou furioso.
— Você quer fazer isso sozinha, e eu sou o estúpido aqui?
— Eu tenho que ir! É a minha família – minha responsabilidade! Por que você colocaria sua vida nisso?
Jake olhou para ela enquanto eles ganhavam altitude.
— Se você precisa me perguntar isso, Amy, então não me conhece muito bem!
Ela olhou para ele – aquele adolescente considerável, que não era oficialmente seu namorado, mas parecia determinado a segui-la até os confins da terra.
— Se não estivesse escrito Rosenbloom em seu passaporte — ela disse a ele: — eu poderia jurar que você era um Cahill.
— Mantenha seus olhos na estrada — ele aconselhou-a.
O biplano dirigiu-se para leste, em direção ao Atlântico. Amy piscou, tentando ignorar os fogos de artifício e explosões que enchiam seu campo de visão. Não era hora para alucinações! Ela rangeu os dentes e se concentrou nos marcos que sabia estavam realmente lá – fazendas seccionados em formas geométricas, as faixas das estradas, a costa rochosa dando lugar à água espumante.
O passeio foi quase suave. O barulho do motor enchia seus ouvidos e o avião balançava com uma vibração que Amy podia sentir no fundo de seus órgãos vitais. À medida que se aproximavam do litoral, um vento implacável soprava para cima, atingindo o nariz do avião agrícola de maneira que com o peso de setecentos litros de carga líquida, era como voar através de melaço em vez de ar.
A atenção de Jake estava em seu relógio.
— Não tem como essa coisa ir mais rápido? — reclamou ele, gritando para ser ouvido sobre o barulho do motor. — Nós ainda não passamos da praia ainda.
— Nós não contamos a resistência do vento — Amy respondeu ansiosamente. — Espero que não seja tarde demais. Se Pierce entrar na casa depois de seu discurso, o antídoto pode não alcançá-lo!
Então aconteceu algo que fez esquecer seu nervosismo quanto a possibilidade de perder seu tiro contra Pierce. O interior do avião à sua volta desapareceu e ela estava completamente cercada por paredes de lava fervente. Não estava quente, mas a prisão se magma se fechava sobre ela...
— Amy!! — a voz parecia vir de muito longe.
A próxima coisa que ela sabia era que estava de volta ao cockpit. Estava consciente da sensação de queda livre em seu estômago, uma sensação de montanha-russa. Jake balançava seus ombros.
— Acorde, Amy! Desvie! 
— Desvie do quê? — sua voz soava esganiçada aos seus próprios ouvidos.
Um olhar através do para-brisa respondeu sua pergunta. Em vez de céu azul, a costa rochosa do Maine se aproximava deles a uma velocidade vertiginosa.
Ela agarrou o manche em uma tentativa desesperada de tirar o avião de seu mergulho. O biplano resistiu, sacudindo violentamente enquanto era arremessado em direção ao chão.
Prendendo-se nos controles por sua prezada vida, Amy chegou ao fundo dentro de si – todo o caminho de volta através dos séculos até Gideon. O manche começou a se mover, lentamente no início, e com muitos protestos e gemidos. A costa se afastou para ser substituído pelo mar e, finalmente, pelo horizonte.
Ela soltou um suspiro de alívio, que terminou numa respiração interrompida quando ela olhou para Jake. Ele estava pálido. Em suas mãos trêmulas ele segurava uma seringa de líquido turvo.
O antídoto.
— O que você acha que está fazendo com isso? — ela perguntou asperamente.
— Pedi a Sammy para fazer uma dose extra. Você precisa disso, Amy.
— E eu tomarei — prometeu. — Quando terminarmos o que viemos fazer.
Ele não iria recuar.
— Como você sabe que o que aconteceu não foi o seu último aviso, e da próxima vez, você não vai acordar de novo?
Ele empurrou a seringa em seu braço.
— Não!
O soro a tornava muito mais forte do que ele, e muito mais rápida, então a seringa hipodérmica foi arrancada de sua mão antes mesmo que ele esperasse que ela resistisse. A seringa voou por sobre os assentos e caiu com um tilintar em algum lugar na parte de trás do avião.
Ele estava quase louco de raiva e tristeza.
— Por que fez isso? Você acabou de se matar! E não há maneira de eu salvá-la!
— Você acha que eu quero morrer? — ela gritou. A verdade era que quanto mais perto ela chegava do final, mais agudamente sentia tudo de que ela estaria desistindo. Não era apenas um funeral; era o baile de formatura a qual ela nunca compareceria, o irmão que ela nunca veria crescer...
Com esforço resoluto, forçou esses pensamentos terríveis para longe e concentrou-se em seu voo.
Pobre Jake, ela refletiu. Ele não tinha ideia de que as apostas agora eram tão altas que o destino de uma adolescente não importava mais.

2 comentários:

  1. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina28 de fevereiro de 2017 14:06

    eu morro assim.e ainda ler ouvindo fight song não ajuda.

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  2. "liteoral" erraram na hora de digitar "litoral" concerta por favor


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Boa leitura :)