18 de dezembro de 2016

Capítulo 22

Will selecionou um cavalo entre os dez reservas que viajavam com sua escolta. Ele era malhado e o menor dos cavalos arridi. Foi uma escolha inconsciente, e depois percebeu que ele tinha, provavelmente, pegado um cavalo pequeno para fazer-se sentir mais em casa.
— Seu nome é Flecha — o mestre de cavalos arridi disse a ele. Ele sorriu para o arco enorme pendurado no ombro de Will. — Uma escolha apropriada. E ótima. Você tem um olho bom para cavalos.
— Obrigado — Will disse, pegando a rédea do cavalo e dando um puxão experimental nas tiras da barrigueira.
Ele tinha sido ensinado a nunca confiar no julgamento de outras pessoas quando se tratava dos equipamentos de um cavalo. O arridi olhou com aprovação. Ele não estava insultado pela ação.
Havia dois cantis cheios de água pendurados ao lado da sela e uma pequena barraca e um cobertor enrolados e presos por trás dela. O próprio equipamento de acampar de Will tinha desaparecido na tempestade com Puxão. Ele levou Flecha de volta ao pequeno grupo dos seus amigos, à espera da despedida dele. O cavalo resistiu no início, voltando-se para seus próprios camaradas familiares e relinchou. Então, quando Will puxou firmemente no freio e falou de forma encorajadora para ele, ele o seguiu obedientemente.
Horace apertou a mão de Will em silêncio, em seguida, pegou a rédea do cavalo enquanto Will deu a volta ao grupo, fazendo sua despedida. Evanlyn o abraçou com lágrimas nos olhos.
— Boa sorte, Will — ela sussurrou em seu ouvido. — Fique seguro. Eu sei que você vai encontrá-lo.
Gilan apertou as mãos firmemente, olhando nos olhos de seu amigo com uma expressão preocupada no rosto.
— Encontre-o, Will. Eu queria estar com você.
Will balançou a cabeça.
— Nós já passamos por isso, Gilan.
Ele não entrou em detalhes sobre a discussão, porque sabia que se Evanlyn soubesse que ele estava indo sozinho para que ela estivesse mais segura, ela iria se opor ferozmente. E Evanlyn se opondo não era algo que ele queria agora.
Svengal estava próximo. Ele pegou o pequeno arqueiro em um típico abraço de urso escandinavo.
— Viaje com segurança, menino — disse ele. — Encontre esse cavalo e volte para nós.
— Obrigado, Svengal. Apenas certifique-se de não demorar muito para libertar Erak. Tenho certeza de que ele é um prisioneiro impaciente.
Um sorriso tocou o enorme rosto cansado do escandinavo.
— Nós poderíamos estar fazendo um favor a seus carcereiros quando tudo estiver terminado — respondeu ele.
Will sorriu e virou-se finalmente para Halt.
Quando chegou o momento, não havia nada que qualquer um deles poderia dizer, e ele abraçou o arqueiro de barba grisalha ferozmente. Finalmente, ele encontrou sua voz.
— Eu estarei de volta, Halt. Com Puxão.
— Esteja certo disso.
Will imaginou sentir a voz do mestre vacilar, mas depois decidiu que devia ter se enganado. Halt? O sombrio, sério e frio? Nunca.
Ele e seu mentor trocaram tapinhas várias vezes – a maneira que os homens fazem quando não conseguem encontrar palavras para expressar suas emoções. Então ele recuou quando Selethen chegou. O wakir inspecionou o cavalo e o equipamento pendurado sobre ele e balançou a cabeça em aprovação. Então estendeu um pergaminho enrolado.
— Este é um mapa da área, marcando os poços, marcos e também o caminho para Mararoc — ele hesitou.
Tinha passado os últimos quinze minutos copiando seu próprio mapa, e sabia o que esse valioso documento estratégico poderia ser nas mãos de um estrangeiro.
— Eu tenho sua palavra de que você nunca vai tentar reproduzi-lo ou copiá-lo de alguma forma?
Will assentiu com a cabeça.
— Tem a minha palavra de honra — disse ele.
Essa tinha sido a condição sob a qual Selethen havia concordado em fornecer-lhe um mapa.
— Você tem certeza que será capaz de encontrar sua direção? — Selethen perguntou.
Will tocou túnica para se certificar que seu buscador do Norte estava fixado no seu bolso interno. A agulha magnética era algo que os arridis não conheciam. Eles navegavam pelas estrelas durante a noite e por um complicado conjunto de tabelas relacionadas com o movimento do sol, altitude e posição durante o dia em diferentes épocas do ano.
— Eu vou ficar bem. Obrigado, Selethen.
O arridi assentiu. Ainda considerava que aquilo era uma confusão desnecessária para procurar um cavalo. Mas ele percebeu que esses araluenses se sentiam muito diferentes sobre suas montarias.
— Provavelmente, o seu cavalo teria corrido com o vento por trás dele. Isso significa que ele estava indo um pouco ao norte ou nordeste.
Ele abriu o mapa e indiciou uma seção de terreno montanhoso no mapa.
— Isso deve levá-lo através das Montanhas Vermelhas aqui. Há dois poços do outro lado delas. Os cavalos podem farejar água a uma grande distância. Se seu cavalo pegou o cheiro, ele poderia estar em um deles. Você deve atingir este aqui até amanhã à tarde.
Devido à diferença de linguagem escrita, marcas como os poços foram desenhados como ícones no mapa. Will acenou compreendendo.
— Meu palpite é que, se ele encontrasse água, iria ficar perto dela. Se ele não estiver lá, não posso recomendar o que fazer a seguir — disse Selethen.
Will não disse nada, estudando o mapa, então olhou para cima dele para o espaço vazio para o norte.
— Acenda um fogo durante a noite. Há leões no deserto e o fogo irá mantê-los longe. Você vai saber se houver um por perto. — Ele olhou para o cavalo malhado. — Flecha irá lhe dizer com rapidez suficiente. É ele que o leão vai estar caçando.
— Alguma coisa, além disso, para ficar preocupado? — Will perguntou.
— Cobras de areia. Elas são mortais. Procuram por sombra e umidade, tal como todas as coisas vivas do deserto. Elas se misturam com a areia e você não sabe que há uma em volta até ela se erguer. Quando isso acontece, você tem menos de dois segundos antes que ela ataque.
— E o que eu faço se for picado? — Will perguntou.
Selethen balançou a cabeça lentamente.
— Você morre — disse ele.
Will levantou uma sobrancelha. Isso não era exatamente a resposta que ele estava procurando. Ele apertou as mãos de Selethen, enrolou o mapa e enfiou-o dentro de sua jaqueta.
— Obrigado, Selethen. Vejo você em poucos dias.
Selethen tocou a mão à boca, testa e boca.
— Espero que o deus das viagens deseje assim — disse ele.
Will virou-se para os outros, forçou um sorriso e tomou a rédea de Flecha das mãos de Horace.
— É melhor eu ir — disse com alegria simulada. — Não quero deixar as cobras de areia esperando.
Ele balançou facilmente na sela e virou a cabeça de Flecha para o norte, trotando para longe do acampamento pequeno no barranco. Quando ele tinha ido uma centena de metros, se virou para trás e imediatamente desejou que não o tivesse feito. Ele sentiu um caroço enorme de tristeza em sua garganta e no peito, na vista de seus amigos. Evanlyn, Horace, Gilan e Svengal estavam acenando tristemente. Halt não. Ele ficou um pouco distante dos outros, vendo seu aprendiz cavalgar para longe.
Ele continuou a assistir até bem depois que o cavalo e o cavaleiro tinham-se desvanecido na névoa cintilante do deserto.


— Venha, Halt. Selethen diz que é hora de nos movermos.
Gilan colocou uma mão suave no ombro do homem mais velho. Halt permaneceu onde estava quando Will saiu, olhando através da terra de calor cintilante, querendo que seu aprendiz viajasse com segurança.
Ele virou nas palavras Gilan e, finalmente, afastou-se de sua vigília. Ele estava um pouco surpreso e muito emocionado, quando percebeu que Gilan havia selado Abelard por ele. Mas ele era ainda estava com o coração pesado quando andou até onde o cavalo esperava.
Abelard e Blaze pareciam sentir a ausência de Puxão também, ele pensou. Em outros cavalos isso poderia ter sido uma ficção. Mas os cavalos de arqueiros, assim como seus cavaleiros, eram uma raça muito unida. E, claro, Abelard e Puxão estavam em companhia um do outro há quase cinco anos. Halt sentiu o nervosismo em seu próprio cavalo, o desejo de ir para o norte, onde sentia que seu jovem amigo tinha ido.
Ele acariciou o focinho macio e falou suavemente.
— Ele vai encontrá-lo, rapaz, não se atormente.
Mas quando disse as palavras, Halt desejou que ele mesmo pudesse acreditar nelas. Estava preocupado e apreensivo com Will – em grande parte porque seu aprendiz tinha ido a um campo sobre o qual ele, Halt, pouco conhecia. Normalmente, ele teria sido capaz de aconselhá-lo sobre os perigos que poderia enfrentar. Desta vez, estava permitindo que Will se aventurasse em um grande deserto desconhecido.
Ele subiu na sela e olhou ao redor do rosto de seus companheiros. Viu a sua própria dúvida e preocupação refletida lá e percebeu que por causa deles, se nada mais, deveria adotar uma postura mais positiva.
— Eu não gosto disso mais do que vocês — ele disse-lhes. — Mas vamos olhar o lado positivo das coisas. Ele está bem armado. É bem treinado. E tem um bom cavalo. Ele é um excelente navegador e tem seu buscador do Norte e o mapa de Selethen. O que pode dar errado?
Seus espíritos levantaram um pouco quando ele listou os pontos positivos. Will era capaz, inteligente e criativo. Qualquer um deles poderia confiar nele para vir em meio de uma crise. Todos eles tiveram, em um estágio ou outro. Havia uma tênue melhora geral no humor deles quando os batedores arridi saíram do acampamento.
Mas quando ele virou a cabeça de Abelard e cavalgou na direção oposta da que Will tinha tomado, Halt teve um sentimento persistente de que havia um elemento que tinha deixado de fora de seus cálculos.

4 comentários:

  1. Estou com medo por Will e Puxão.
    Ass: Lua

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    Respostas
    1. aposto que alguma coisa vai acontecer de ruim e depois tudo ficara bem

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  2. Apoato q o Will vai se bater com aqueles saquiadores do deserto ( q eu n lembro o nome )

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Boa leitura :)