9 de dezembro de 2016

Capítulo 20

Ian foi finalmente liberado pela imigração dos EUA perto da meia-noite. Quando chegou ao laboratório, o lugar estava deserto. Levou vinte minutos de pancadas contra uma pesada porta de aço para acordar um exausto Sammy, que havia adormecido em sua mesa de trabalho.
— Onde estão todos? — Ian perguntou irritado.
— A Dra. Seung conseguiu apartamentos em uma residência para professores visitantes — respondeu Sammy. — É o meio da noite, Ian.
Ian assentiu.
— Que adorável saber que eles estavam confortáveis ​​enquanto eu era cutucado e arrastado e drenado da metade do meu sangue para que o Centro de Controle de Doenças pudesse testar o vírus Ebola.
A grande notícia era que o antídoto havia sido criado, analisado e sintetizado. Estava pronto para o teste.
Ian esqueceu suas queixas e correu para fora do prédio para reunir os Cahill. Logo o grupo inteiro estava de volta ao laboratório, reunido em torno de uma única seringa hipodérmica cheia de um líquido leitoso opaco.
Eles olharam para ele com reverência.
Atticus foi o primeiro a colocar a emoção em palavras.
— Eu sei que é apenas uma dose de gosma cinzenta e tudo mais, porém pensem de onde ele vem – e de quem! A sabedoria das civilizações perdidas, reunidas pelo próprio Leonardo da Vinci!
— E sua assistente de laboratório Olivia Cahill — lembrou Dan. — Foi seu livro de anotações que tornou tudo ainda possível.
— Isto é como um presente salvador de vidas transmitido através dos séculos pela matriarca da nossa família — acrescentou Amy em um tom rouco.
— É tudo isso — concordou Jonah.
— Eu a preparei na seringa porque é a maneira mais rápida de colocar na corrente sanguínea — Sammy explicou. — Mas também pode ser tomado por via oral ou até mesmo convertido em aerossol.
— Mais rápido é definitivamente melhor — Nellie decidiu. Ela se virou para Amy. — Garota, enrole a sua manga.
A resposta de Amy foi uma única palavra.
— Não.
Instantaneamente, ela tinha a atenção de todos.
— Pare de brincar — Dan rosnou para ela. — Você precisa do antídoto.
— E eu o tomarei — prometeu ela — mas ainda não.
— Quando? — Jake soltou. — Amanhã? No dia seguinte? Você nem sabe se tem tanto tempo!
Amy apertou os olhos para afastar os cataventos coloridos que giravam ao redor dela. Suas alucinações estavam se tornando mais frequentes e intensas, assim como os tremores, mas pelo menos agora havia uma luz no fim do túnel. Sua longa e sinuosa viagem pelas capitais da antiguidade tinham um fim programado – domingo, no churrasco-de-amêijoas americano em Pierce Landing.
O antídoto salvaria sua vida, mas também tiraria a maior vantagem dela na batalha final. Como poderia colocar seu próprio bem-estar acima do futuro do mundo?
— Uma vez que Pierce anunciar que está concorrendo à presidência — Amy tentou explicar — ele terá a proteção do Serviço Secreto e pelotões de jornalistas seguindo-o por toda parte. Não seremos capazes de chegar perto dele. Isso faz com que o churrasco-de-amêijoas seja nossa última chance de descarrilar seu trem de carga. Para conseguir isso, preciso ser como estou agora – mais forte, mais rápida e mais inteligente.
Nellie elevou-se vários centímetros do chão.
— Você pode não estar mais forte, mais rápida e mais inteligente, até lá! Você pode até não estar viva!
— É um risco — admitiu Amy. — Mas a pura verdade é que não há outro caminho. Pierce está aprimorado; assim como Galt e todo o exército da família de asseclas e capangas. Precisamos desse impulso do nosso lado também.
— Por quê? — perguntou Dan, angustiado. — Nós passamos por cima desses idiotas antes de tomar o soro.
— Bem, para começar, precisamos de uma maneira de levar o antídoto para Pierce Landing. Agora eu posso aprender a pilotar um avião em questão de horas.
Nellie pulou.
— Sou um piloto. Eu posso pilotar o avião!
— Mas com o soro, serei mais do que um piloto — argumentou Amy. — Eu serei o centro de comando em uma pessoa.
— Talvez você não precise — Nellie argumentou amargamente. — Talvez o plano corra perfeitamente e você acabe jogando sua vida fora por nada!
— Talvez — admitiu Amy. — Mas isso não muda nada.
— Esqueça — Jake jogou seu trunfo: — Você colocou Dan no comando, e não como ele concordar com isso. — Ele olhou para Dan em busca de confirmação.

* * *

A resposta demorou um longo tempo para chegar. Dan pensou muito, sua expressão despedaçada.
— Eu estou com Amy — ele falou finalmente. — Essa coisa é muito importante. É como Luke Skywalker tentando destruir a Estrela da Morte. Nós temos uma chance, e se nós errarmos, toda a galáxia paga o preço.
A discussão cessou. O grupo aprendera através da dura experiência que algumas missões tinham absoluta prioridade. Havia coisas que precisavam dar certo, ou nada mais importava.
Dan engoliu em seco. Pelo menos 40% dele torcia para que os outros discutissem com ele. Ele não conseguia ver o futuro, mas algo parecia absolutamente claro: se Amy morresse por causa dessa decisão, nunca seria capaz de conviver consigo mesmo.
O enorme peso disso ameaçava esmagá-lo no chão, quase como se a força da gravidade tivesse triplicado por meio de algum tipo de decreto da natureza. Tudo o que ele queria era estar livre dos Cahill, mas aqui estava – não apenas envolvido, mas tomando decisões, com nada menos que a vida de Amy na linha de tiro. Escolhas deviam ser feitas, e era ele quem tinha que fazê-las. Só por isso, sentiu um ódio cego por J. Rutherford Pierce da qual nunca achara capaz de sentir.
Ele percebeu que nunca se afastaria de toda essa loucura Cahill – não sozinho, de qualquer maneira. A única saída seria com Amy ao seu lado. Se ela sobrevivesse às próximas vinte e quatro horas – se ambos sobrevivessem – eles deixariam a família juntos.
— Posso fazer uma pergunta prática? — Sammy quebrou o silêncio solene. — Se Amy não testar o antídoto, quem vai? Quer dizer, alguém precisa. Tudo isso é inútil se o antídoto não funcionar.
Hamilton tinha uma sugestão.
— Sempre podemos testá-lo em um dos capangas de Pierce.
Amy sacudiu a cabeça.
— Não. Os seguidores de Pierce nos conhecem muito bem. A última coisa que queremos é que descubram que concluímos o antídoto.
— E Cara? — sugeriu Jonah. — Ninguém jamais suspeitaria dela.
Ian sacudiu a cabeça.
— Ela já está em Pierce Landing. Até conseguirmos lhe dar antídoto para testar, seria tarde demais para mudar nossos planos.
Atticus falou bravamente.
— Eu me voluntario para tomar o soro. Então vocês poderiam testar o antídoto em mim.
— Nem pense nisso! — disse Jake, aproximando seu irmãozinho.
Dan considerou seu melhor amigo com genuína afeição e respeito.
— Você me emociona, amigo. Mas nunca permitiríamos que você fizesse algo assim. E mais ninguém.
Nellie teve uma ideia.
— Bem, há uma pessoa...

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