9 de dezembro de 2016

Capítulo 15

— Cara! — exclamou Ian.
A revelação foi quase tão incompreensível quanto os outros eventos do dia. Amy piscou para assegurar-se de que esta não era outra de suas alucinações induzidas pelo soro.
— Uou! — exalou Jonah. — Isso é confuso, yo!
— Mas obrigada — colocou Jake. — Você provavelmente salvou as nossas vidas.
— Especialmente a minha — acrescentou Atticus em voz baixa. — Acho que descobri que seu irmão é o elo mais fraco.
Dan tinha razão, Amy refletiu. Ian também. Em algum momento, todos os outros estiveram dispostos a acolher a ideia de que nem toda a lealdade de Cara estava com o pai e o irmão. Amy tinha sido a única irredutível.
E ainda continuarei assim, ela se enfureceu interiormente. Só porque Cara não é 100% pró-Pierce isso não a coloca do nosso lado!
— Galt não é o problema real — Cara informou.
— Ele era um problema muito grande há cinco minutos — disse Amy friamente.
— O que eu estou tentando dizer — Cara persistiu — é que, se pararmos meu pai, todo o resto vai voltar ao lugar. Galt é apenas um garoto inseguro tentando agradar um pai que não pode ser satisfeito. Os outros são contratados. Eles irão embora assim que os cheques de pagamento pararem de chegar. E quando concluírem o antídoto, o soro não será mais um problema.
Os olhos de Amy se estreitaram.
— A menos que eu esteja errada, você mesma está tomando os “shakes”.
— Culpada — Cara admitiu. — Mas eu parei. Nunca tocarei naquela coisa de novo. — Ela olhou de soslaio para Amy. — E recomendo que você faça o mesmo. Duvido que esses músculos sejam de levantamento de pesos.
— Engraçado que a família Pierce esteja de repente tão interessada em meu bem-estar — disse Amy mordaz.
— Porque tenho tido algumas reações ruins — Cara continuou. — E sei que meu pai está escondendo seus próprios sintomas. O antídoto corrigirá isso tudo, certo?
Amy lançou um olhar assassino em torno do Humvee, ordenando silêncio a todos.
— Ok, eu entendo — Cara suspirou. — Sem mais perguntas.
— Eu tenho uma para você — Dan falou. — Para que Pierce quer o antídoto? Ele não iria tomá-lo mesmo que o tivesse. Todo o seu plano é o oposto – usar o soro para tornar ele e seus homens imparáveis.
— Ele acha que pode usá-lo para desenvolver uma espécie de super-soro — explicou ela — com todos os benefícios, mas nenhum dos efeitos colaterais. Além disso, quer manter o antídoto longe de vocês. Vocês poderiam usá-lo para transformar seus super-homens de volta em pessoas comuns, inclusive ele próprio. É por isso que precisamos uns dos outros. Vocês tem o antídoto, e eu tenho acesso de dentro. Nós podemos fazer isso, mas apenas em conjunto.
— Há um problema — confessou Dan. — Bem, na verdade, há cerca de vinte problemas, mas o maior é que não temos o antídoto. Nós ainda estamos atrás de um ingrediente.
— O veneno da serpente d’água de Tonle Sap — Cara concluiu.
A alegria de sua fuga incrível murchou enquanto o verdadeiro resultado da missão começou a afundar. Sem cobra. Sem antídoto.
Para Amy, o fracasso era pessoal. Outro dia precioso tinha sido desperdiçado do punhado que lhe restava. E eles não estavam mais perto de prolongar a sua vida ou de frustrar Pierce. Foi uma total perda de tempo.
Ian ergueu indolentemente seu Gucci incrustado de lama.
— Arruinado — disse ele tragicamente. — O couro nobuck nunca mais será o mesmo novamente. Quem sabe o que as lojas locais oferecerão como substitutos. Chinelos de dedo, sem dúvida.
Ele tentou calçar um pé molhado em um dos mocassins, mas retirou-o com um olhar de desgosto.
— Há algo viscoso lá dentro — ele levantou o sapato e olhou para dentro. Uma cabeça escura surgiu elegante, olhos escuros cercando pupilas claras. Uma boca branco abriu incrivelmente ampla, revelando uma língua bifurcada e pequenas presas. A cabeça se lançou para ele de repente; uma das presas roçou seu nariz.
— Ai!
Ele deixou cair o sapato, e o passageiro clandestino disparou para fora.
Era uma pequena serpente d’água de Tonle Sap.

* * *

Com ingrediente final nadando em círculos em um jarro de água na parte de trás do Humvee, o próximo tópico era o que fazer com Cara Pierce. Dan e Ian confiavam nela, e os outros estavam inclinados a tomar o seu lado. Amy era o reduto solitário. E assim como o soro tinha melhorado seu desempenho físico, impulsionara sua teimosia também.
No fim, ela concordou que Cara voltaria para a casa onde estavam hospedados para discutir as possibilidades de cooperação, mas apenas se fossem cumpridas as condições de Amy: (1) Ela estaria disposta a entregar seu telefone, e o chip GPS seria removido e destruído. (2) Ela estaria com os olhos vendados até que eles estivessem dentro da casa, para que ela não pudesse trair a sua localização. E (3) ela seria algemada e amarrada enquanto estivesse com eles.
— Oh, vamos lá, Amy! — Dan explodiu. — De jeito nenhum ela vai concordar com isso!
— Eu concordo com tudo — disse Cara prontamente. — Amy está apenas sendo cuidadosa. Eu não posso culpá-la. Se eu estivesse em seu lugar, agiria da mesma maneira.
Como se viu, as algemas não estavam prontamente disponíveis nas lojas de Siem Reap. Mas Amy foi capaz de improvisar com uma coleira de cachorro. Ela fez um grande show ao prender as mãos de Cara atrás das costas e, em seguida, fixá-la num cano de ferro.
— Vamos, Amy, está muito apertado — Ian reclamou. — Ela está traindo toda a sua família para nos ajudar. Eu sei melhor do que ninguém quão difícil isso pode ser. E como é que lhe pagamos? Com tortura medieval.
— Eu estou bem — Cara assegurou. — Mas você pode querer fazer algo quanto ao seu nariz. Parece um pouco irritado onde a cobra o arranhou.
Ian correu para o banheiro e se olhou no espelho. Era verdade. O local estava num vermelho irritado. E o que dizer do inchaço?
— Eu fui mordido por uma cobra venenosa!
— Você disse que era apenas um pouco venenosa — Dan lembrou.
— Oh, esse é um tremendo conforto! — Ian retrucou. — Quando o veneno atingir meu tronco cerebral, você estará com certeza desconvidado do meu funeral.
— É só um arranhão — acrescentou Hamilton.
— Ainda bem que estou cercado por peritos médicos! — Ian cuspiu sarcasticamente. Ele correu para o laptop de Pony para investigar sobre picadas de cobra.
As prioridades de Jake estavam definitivamente em outro lugar.
— Eu sei que não sou um Cahill, mas este parece ser um acéfalo para mim. Nós temos todos os ingredientes. Devemos fazer o antídoto e dar a Amy antes que ela piore.
— Ele não funciona dessa maneira — Amy disse-lhe, finalmente, depois de tirar seus tênis enlameados e recolher-se em uma das esteiras. — Não podemos simplesmente misturar em um balde e ferver em fogo aberto. Tem de ser feito num laboratório, com um químico de verdade.
— Sammy Mourad — Cara colocou.
Amy quase se lançou sobre ela.
— O que você sabe sobre Sammy?
— Eu sei que meu pai o tem em seu complexo em Delaware. Suponho que vocês tenham agentes Cahill já trabalhando para tirá-lo de lá.
Um olhar feroz.
— Boa tentativa.
Ninguém tinha sido capaz de contatar Nellie fazia alguns dias. Amy estava começando a suspeitar que algo estava errado, mas ela certamente não diria isso para a Cara.
— Aqui está! — exclamou Ian das profundezas do laptop de Pony. — “Como tratar a picada de Enhydris longicauda, ​​a serpente d’água de Tonle Sap.” — Ele leu avidamente. — Inofensiva? Fácil para eles dizerem! Não é o nariz deles!
A porta se abriu, e Dan e Atticus marcharam para dentro. Atticus acenou um frasco de vidro em triunfo.
— Nós conseguimos insetos!
— Para quê? — perguntou Hamilton, mistificado.
— Alimento de cobra — Dan explicou com entusiasmo. — Você não quer que ela morra antes que obtenhamos o seu veneno.
— Temos besouros, baratas e formigas — Atticus acrescentou com orgulho. Ele franziu a testa para o frasco de vidro. — Uh oh. Acho que os besouros e baratas comeram algumas das formigas.
Ele e Dan correram para o jarro que servia de viveiro para a cobra, e começaram a jogar insetos se contorcendo dentro da água.
— Olhe! — sussurrou Atticus. — Ele está com fome!
Jake balançou a cabeça, meio divertido, meio desgostoso.
— Ele é um estudante universitário aos onze anos, seu QI está acima da contagem, e que o faz feliz? Dar baratas de comer a uma cobra.
Entrando pela porta vinha Jonah, sua expressão sombria.
— Más notícias, yo. O jato não chegará aqui antes de amanhã.
— Por que não? — Amy exigiu. — Ele está em Phnom Penh.
A estrela pop abaixou a cabeça.
— Uh-uh. Terra Nova.
— O que ele está fazendo lá? — Jake perguntou.
— Salvar as baleias. Ou chaleiras. Você conhece aqueles tipos de Hollywood. Eles adoram essas coisas de Greenpeace.
— Sim, mas por que eles estão voando em seu avião? — perguntou Dan, mistificado.
Jonah parecia envergonhado.
— Agora que não estou em turnê mais, percebi que eu poderia fazer alguns dólares ao alugar o G6 quando não preciso dele.
— Mas você precisa dele! — Jake quase lamentou. — Nunca precisou tanto em sua vida!
Jonah deu de ombros miseravelmente.
— Amanhã. É o melhor que podem fazer. Eles estarão em Siem Reap ao meio-dia.
Um murmúrio de protesto subiu dos garotos ali.
Amy deu um fim a isso.
— Somos Cahill. Se não podemos mudá-lo, lidaremos com isso. É apenas mais um dia.
Seus olhos avermelhados encontraram os de Jake. A pergunta ficou silenciosa no ar entre eles.
Quantos dias restavam a Amy?

3 comentários:

  1. Esse Ian tem sempre uma resposta na ponta da língua. A Amy tem pouco mais de 24 h agora né pelas minhas contas

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  2. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina28 de fevereiro de 2017 11:52

    isso foi pra me deixar menos tensa OU ME MATAR DE UMA VEZ ?!

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  3. "essas coisas de Greenpeace coisas."
    Essa frase tá errada, tem como consertar Karina?

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Boa leitura :)