18 de dezembro de 2016

Capítulo 12

A sala de jantar na pousada estava repleta de clientes, quase todas as mesas cheias de barulho e pessoas da vila e do castelo. Will e Alyss sentaram-se à mesa de honra, bem no meio da sala, debaixo de um lustre em forma de roda que continha duas dúzias de velas.
Will fez uma careta para a mesa quando foi mostrada a ele. Normalmente, teria preferido se esconder em um canto, longe da vista. Ele preferia ver, e não ser visto.
Alyss sorriu para ele, percebendo o momento de hesitação.
— Acostume-se a isso  disse ela. — Você é uma celebridade. Algumas pessoas gostam de verdade disso, você sabe.
Ele franziu a testa.
— Como alguém pode gostar de ter todos os olhos na sala sobre si? — ele perguntou.
Ainda estava procurando ao redor por uma mesa em uma posição menos proeminente.
— No entanto, as pessoas fazem. Estou surpresa que não há uma multidão de artistas fora da entrada esperando para nos pintar quando sairmos.
— Isso realmente acontece?  ele perguntou incrédulo.
Alyss encolheu os ombros.
— Tanto quanto eu disse. — Ela empurrou-o suavemente em direção à mesa. — Vamos, Jenny vai ficar desapontada se ela não puder te mostrar.
E aqui estava Jenny, abrindo caminho através da sala lotada, com um sorriso satisfeito iluminando seu rosto bonito. Uma colher grande, de pau, símbolo de seu ofício, pendia livremente de sua mão direita.
— Will!  ela gritou. — Você está aqui, finalmente! Bem-vindo à minha humilde sala de jantar!
Ela jogou os braços ao redor dele e ele abaixou-se instintivamente, esperando que a concha na sua mão direita para girasse e batesse na parte de trás da sua cabeça. Mas Jenny tinha tudo sob controle. Ela riu para ele.
— Oh, vamos lá! Eu não atinjo ninguém desde o segundo ano! Pelo menos, não alguém em que eu não queria bater. Sente-se! Sente-se!
Will correu para segurar a cadeira de Alyss, enquanto Jenny observava aprovando. Ele tinha sempre maneiras agradáveis, pensou. Então ele pegou sua própria cadeira e olhou ao redor da sala, apontando para a multidão de clientes.
— Não é tão humilde. Deve haver cinquenta ou sessenta pessoas aqui dentro!
Jenny avaliou o cômodo com um olho praticado.
— Eles não estão todos jantando, entretanto. Alguns estão aqui apenas para uma bebida.
— O lugar normalmente está cheio  Alyss acrescentou.
Mas Jenny balançou a cabeça.
— Há extras aqui esta noite. Se espalhou que o famoso Will Tratado e sua linda namorada iriam jantar aqui e a muitas reservas foram feitas.
Will corou um pouco, mas Alyss tomou o comentário em seu passo. Ela e Jenny se conheciam desde a infância, apesar de tudo.
— Como é que isso se espalhou, eu quero saber?  ela disse com uma sobrancelha levantada.
Jenny sorriu para ela e estendeu as mãos inocentemente.
— Eu não tenho ideia. Mas é ótimo para o negócio.
Ela olhou para Will, seu sorriso cada vez maior.
— É realmente maravilhoso ver você de novo. Faz muito tempo. E eu acredito que você vá ficar conosco de agora em diante?
Os olhos de Will se arregalaram de surpresa.
— Como você sabia disso?
Ele assumiu que os fatos sobre o grupo de trabalhos especiais de Crowley eram secretos.
Jenny deu de ombros despreocupadamente.
— Ah, ouvi sobre isso há algumas semanas. Alguém mencionou. Não tenho certeza quem.
Will balançou a cabeça. Ele só soube disso nos últimos cinco dias. Nunca deixou de se surpreender o quão rapidamente as pessoas descobriam os chamados segredos. Jenny não notou sua reação.
— Haverá apenas vocês dois?  perguntou ela.
Alyss sacudiu a cabeça.
— Lady Pauline se juntará a nós.
O sorriso de Jenny se alargou ainda mais longe.
— Vocês estão fazendo de tudo para dar ao meu pequeno estabelecimento um bom nome, não é?  disse ela.
Alyss sacudiu a cabeça.
— Você não precisa de nós para fazê-lo.
Jenny esfregou as mãos bruscamente. Era hora de começar a trabalhar.
— Agora, você quer pedir? Ou devo fazer isso para você?
Will a sentiu com ânsia de mostrar suas habilidades. Ele colocou as duas mãos a palma para baixo sobre a mesa, num gesto de prontidão.
— Acho que seria louco de recusar a sua oferta  disse ele.
Jenny estalou os dedos a um menino que passava pela mesa.
— Coloque outro lugar aqui, Rafe  disse ela.
O menino, um jovem forte de cerca de dezesseis anos, parecia que ele estaria mais em casa atrás de um arado ou fornalha de um ferreiro, mas balançou a cabeça avidamente.
— Sim, senhora Jenny  disse ele.
Desajeitadamente, ele começou a colocar talheres e outro prato no lugar em que ela indicou. A ponta da língua se projetava levemente no canto da boca com o esforço de tentar lembrar onde tudo ficava.
— Eu tenho uma agradável entrada  disse Jenny. — Algumas codornas desossadas e recheadas com uma mistura de uvas e maçãs, levemente picante, em seguida, escalfadas em molho de vinho tinto.
Sem quebrar o seu fluxo, ou sequer olhar para a mesa servida ao lado, ela sacudiu o punho, balançando a colher em um arco diagonal para que ela batesse ruidosamente sobre a cabeça de Rafe.
Will estremeceu, mas teve de admirar a sua precisão e habilidade.
— Faca na direita, garfo na esquerda, certo? Eu lhe disse isso, Rafe.
Rafe olhou para a agressora com alguma confusão. Seus lábios se moviam enquanto ele repetiu o mantra, “faca na direito, garfo na esquerda”. Jenny suspirou pacientemente.
— Mantenha a sua mão direita  ela falou.
Rafe hesitou, os olhos fixos com cautela na colher de pau, balançando em um arco suave como uma serpente se preparando para o bote.
— A mão que você escreve  ela solicitou.
— Eu não escrevo  disse ele em tom desanimado.
Para seu crédito, Jenny estava um pouco abalada, temendo que tivesse envergonhado o garoto. Ela estava, afinal, apenas tentando ensiná-lo para que ele pudesse ter uma carreira que não fosse plantar e arar com cavalo.
— A mão que você usa para lutar — Will acrescentou — a mão da espada.
O rosto de Rafe limpou e um sorriso largo espalhou através dele quando ele levantou o braço direito musculoso. Jenny sorriu para Will.
— Obrigada, Will  disse ela. — Bem pensado. Tudo bem, Rafe, essa é a sua mão direita, a sua mão da espada. E uma espada é como uma faca grande, realmente, de modo que é o lado da faca. Tudo bem?
— Está ótimo  Rafe respondeu feliz. — Por que você não disse isso para mim antes?
Jenny suspirou.
— Eu suponho que nunca pensei nisso porque não sou um arqueiro famoso — disse ela.
A ironia foi desperdiçada em Rafe.
— Não, senhora. Mas tu és uma boa cozinheira, eu vou dizer isso para ti.
Com confiança, ele trocou a faca e o garfo para seus devidos lugares. Então, verificou se estava certo, empunhando uma espada imaginária. Satisfeito, ele balançou a cabeça e se virou para Jenny.
— Haverá mais senhora?
— Não. Obrigado, Rafe. Isso é tudo por agora.
Ele sorriu e curvou-se ligeiramente para ela e seus convidados, em seguida, andou contente de volta para a cozinha.
— Ele é um bom garoto  disse ela. — Estou esperando que eu possa transformá-lo em um bom garçom chefe um dia desses.  Ela hesitou, depois alterou a declaração. — Um ano desses.
Will olhou para ela avaliando-a. Ele havia notado que havia algo diferente quando ela se aproximou pela primeira vez da mesa. Agora ele percebeu o que se tratava.
— Você perdeu peso, Jen  disse ele.
Ele não era o operador mais suave quando se tratava de garotas, mas sabia que era algo que todas as meninas gostavam de ouvir. E no caso de Jenny, isso era verdade. Ela ainda tinha o que poderia ser descrito como uma figura completa, mas tinha ficado bem mais fina. Jenny sorriu, e depois torceu para olhar sobre seu ombro, tentando avaliar-se por trás.
— Você pensa assim? Talvez um pouco. É engraçado, quando você comanda um restaurante, não tem muito tempo para comer. Provar, sim. Comer? Não.
— O que mais lhe convier  disse ele.
Ele pensou que Gilan estaria interessado em ver Jenny com essa aparência. O alto arqueiro tinha estado completamente envolvido com ela quando se conheceram no casamento de Halt e Pauline. Mais tarde, na viagem para Arrida, ele perguntou Will sobre ela várias vezes.
Ela sorriu para ele, então, esfregou as mãos rapidamente, voltando aos negócios.
— O prato principal é um assado de cordeiro, temperado em óleo, suco de limão e alecrim. Ele acompanha batatas e legumes cozidos. Ou eu tenho um belo doce que posso servir com gengibre e um pouco de pimentão. Qual você prefere?
Alyss e Will trocaram olhares. Ela sabia o que ele estava pensando e respondeu por ele.
— Queremos o cordeiro  disse ela.
Jenny assentiu com a cabeça.
— Boa escolha. E depois... Olá, aqui está lady Pauline.
Ela percebeu um leve movimento na entrada e quando Alyss e Will viraram-se para seguir o seu olhar, viram a alta figura de lady Pauline entrar no restaurante. A poucos passos atrás dela, e de alguma forma aparente desaparecendo no fundo, estava outra figura - um encapuzado arqueiro.
— Halt!  Will disse, levantando-se de seu assento, um largo sorriso de boas-vindas começando a se espalhar sobre suas características.
Então o sorriso desvaneceu-se quando o arqueiro jogou para trás o seu capuz e Will viu o cabelo e a barba de areia.
— Crowley!  ele disse em surpresa. — O que ele está fazendo aqui?
Jenny franziu ligeiramente, tentando avaliar se o seu prato principal iria aguentar outro convidado. Então, lembrando o apetite afiado que a maioria dos arqueiros exibia, ela decidiu que não.
— Diga-me mais tarde — falou ela, virando-se. — É melhor eu por outra carne de cordeiro no forno.
Conforme ela correu para a cozinha, ouviu-se chamar:
— Rafe! Outro lugar na mesa!
Alyss tinha levantado também e estava acenando para sua mentora. Lady Pauline a viu e abriu caminho através da sala lotada para a mesa. Ela parecia deslizar, Will pensou. Ele observou que toda a conversa tinha morrido na sala enquanto os outros ocupantes olhavam esperançosos para os dois arqueiros e suas companheiras mensageiras. Essa reunião, eles sentiram, era algo fora do comum.
Os dois recém-chegados se juntaram a Will e Alyss. Lady Pauline sorriu para o jovem arqueiro e inclinou-se para beijar-lhe levemente no rosto. Como Halt, ela tinha começado a olhar para Will como um filho.
— Como é lindo vê-lo aqui, Will. Estou tão feliz que você decidiu voltar para casa.
Ele sabia que ela estava se referindo a sua decisão de aderir a Halt no grupo de trabalhos especiais. Ele sorriu para ela.
— Alguém tem de manter Halt fora de problema, minha senhora.
Ela assentiu com a cabeça gravemente para ele.
— Isso é exatamente o que eu tenho pensado. Ele não está ficando mais jovem, afinal  ela respondeu. — E Will, chega de “minha senhora” se você se importa. Eu acho que “Pauline” está ótimo.
— Muito bem, Pauline.
Ele tentou o nome e descobriu que ele gostava muito dele. Eles sorriram um para o outro lado da mesa.
Crowley limpou a garganta ruidosamente.
— Eu suponho que você estava planejando cumprimentar seu comandante do Corpo, não estava, Will? Eu sei que sou apenas mais um velho de cabelos prateados como Halt, mas você poderia dizer olá, pelo menos. Alyss, você está muito bonita no momento  ele acrescentou antes que Will pudesse responder.
— Você é um bajulador eloquente, Crowley  respondeu Alyss facilmente. — Bem-vindo a Redmont.
Will finalmente teve a oportunidade de falar.
— Sim. Bem-vindo, Crowley. E diga-me, o que o traz aqui?
Crowley estava prestes a responder quando Rafe apareceu ao lado dele, um conjunto de facas, garfos e pratos em seus braços. Ele hesitou um instante, passou a carregar em seu braço esquerdo e imitou um golpe de espada no ar. Crowley olhou por cima do ombro para o rapaz servindo com alguma preocupação.
— Planejando me decapitar, rapaz?  ele perguntou.
Rafe sorriu para ele.
— Não senhor, arqueiro. Só vendo o lado direito assim. Basta deslocar-se mais quando eu colocar estes para baixo, antes que eu esqueça de que lado é agora.
Crowely olhou uma questão para Will. O arqueiro mais jovem encolheu os ombros.
— Jenny o está treinando como um chefe dos garçons  explicou ele.
Crowley olhou de soslaio para o servidor, cujos lábios estavam movendo, enquadrando as facas à direita, garfo na esquerda, prato no meio.
— Ela tem um grande trabalho, então  disse ele.
Então, quando Rafe terminou e se afastou, ele respondeu à pergunta de Will.
— O que me traz aqui é Halt. Ele me mandou uma mensagem de pombo de um de nossos postos da costa Oeste há dois dias. Me pediu para encontrá-lo aqui. Pediu para Horace vir também – ele vai seguir em um ou dois dias. Teve algumas extremidades frouxas para amarrar.
Sabendo o valor das comunicações rápidas, Crowley criou recentemente uma rede de estações de mensagem em todo o reino. Em cada uma, um gerente de estação cuidava de um bando de pombos-correios, treinados para regressar à sede de Crowley no Castelo Araluen.
À menção do nome de Halt, Will inclinou-se ansiosamente.
— Ele disse do que se tratava?  perguntou.
Mas Crowley sacudiu a cabeça.
— Escreveu que ia dizer-nos quando chegasse aqui. Eu realmente esperava que ele pudesse chegar aqui antes de mim.
— Eu estava atrasado. Tinha um prisioneiro para arrastar  disse uma voz familiar atrás dele.
— Halt Will ergueu-se em prazer.
Nenhum deles notou a entrada do arqueiro no aposento, nem sua abordagem silenciosa. Agora Will correu apressado ao redor da mesa, derrubando a sua cadeira quando foi abraçar o ex-mestre.
— Sobre o que é isto tudo?  ele perguntou.
Então, antes que Halt pudesse responder, ele continuou com uma enxurrada de dúvidas.
— Quem é o prisioneiro que você mencionou? Onde você estava? Por que você quer Horace vindo aqui também? Nós temos a nossa primeira missão? Para onde estamos indo?
Halt rompeu com seu abraço de urso e revirou os olhos para o céu.
— Perguntas, perguntas, perguntas!  disse ele. — Agora que eu me lembro como você era, pergunto-me se não cometi um erro terrível. Você se importaria terrivelmente se eu desse um olá para a minha esposa antes de irmos mais longe?
Mas quando ele virou-se para abraçar Pauline, não poderia manter-se a pretensão de que ele estava descontente. Um sorriso estava escondido no canto da boca, rompendo a despeito de seus melhores esforços para detê-lo.
Jenny, saindo da cozinha, viu a pessoa extra na mesa e girou sobre o calcanhar.
— Frances!  ela chamou. — Pegue outra carne de cordeiro no estoque! E Rafe...
— Eu sei, eu sei, senhora. Outro lugar na mesa!

6 comentários:

  1. Você se importaria terrivelmente se eu desse um olá para a minha esposa antes de irmos mais longe?.
    Halt e seu sarcasmo oakdsokxkskdksodkd

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  2. Estranho os primeiro livros tinha mais comentários...
    É bom ler e ver que não estou lendo sozinho
    Bora pessoal
    Parabéns Karina
    ( Gregory Bauer )

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  3. virando um apaixonado pela série

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  4. Halt e Will. Pai e Filho. Lindos! Simplesmente lindos quando agem assim.

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  5. O livro não seria engraçado sem o sarcasmo de Halt!
    Ass: Bina.

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Boa leitura :)