9 de dezembro de 2016

Capítulo 12

Na Trilon Laboratories em Delaware, Sammy Mourad trabalhava sob a pressão do relógio no Franken-soro. Na realidade, este não era um trabalho vinte e quatro horas por dia.
Os guardas não tinham consciência de que Sammy e Nellie tinham outro projeto em andamento – um que não teria sido aprovado pela administração do laboratório, e certamente não por J. Rutherford, o próprio Pierce.
O cotovelo de Nellie acertou acidentalmente o conta-gotas, derrubando-o da borda da mesa de trabalho. Quando caiu no chão, houve o som como um trovão em miniatura, e um pequeno flash de luz. Uma nuvem de fumaça subiu até o teto. Quando Nellie esticou o braço para recuperar o conta-gotas, não havia mais nada dele, apenas o bulbo de borracha, enegrecido e derretido.
Sammy estava tão pálido quanto um fantasma.
— Você acha que alguém ouviu?
Nellie rapidamente recuperou os restos do conta-gotas e depositou-os no lixo classificado de resíduos perigosos.
— Acho que não — disse ela, nervosa. — De qualquer forma, não há nenhuma evidência.
Sammy estava apavorado.
— Dá pra sentir o cheiro de fumaça!
— Explosões laboratoriais acontecem o tempo todo.
— Não há nada de combustível no soro! Ninguém sabe que estamos na verdade... — ele baixou a voz para um sussurro — esterilizando os tubos de ensaio.
O código deles novamente. Sammy e Nellie estavam gastando cada minuto extra criando nitroglicerina – galões, dezenas de litros, que logo seriam centenas de litros. Quando fosse a hora certa, este laboratório, com todo o seu conteúdo, toda a sua pesquisa, projetos, fórmulas, e, mais importante, todo o soro, iria para a lua.
Se algumas gotas de sobra causavam essa forte explosão, com certeza a quantidade que Sammy e Nellie pretendiam produzir acabaria com o laboratório inteiro e com o edifício em volta.
Mas isso nunca vai acontecer se formos apanhados antes de estarmos prontos para colocar o plano em ação!, Nellie pensou.
Eles esperaram sem respirar. Ninguém veio, nem os guardas que apareciam regularmente para vigiá-los, nem qualquer dos outros cientistas ou assistentes.
Eles estavam seguros.
— Tivemos sorte – desta vez — Sammy falou, sua voz trêmula. — Eles tem nos deixado mais livres porque gostam da sua comida. Mas não se engane quanto a isso – nós não somos amigos deles; somos seus prisioneiros. Um passo fora da linha, e eles vão começar a olhar ao redor. E, em seguida, perceberão que cada tanque sobressalente, cuba, e recipiente neste laboratório está cheio de nitro. Nós estamos, basicamente, transformando toda a instalação em uma bomba gigante! E se eles nos pegarem, nenhuma massa folhada parisiense nos comprará clemência alguma.
— Alguém já lhe disse que você é um verdadeiro estraga-prazeres? — Nellie perguntou.
— Eu só estou sendo realista — ele respondeu teimosamente. — Há dois de nós e dezenas deles. Você tem que admitir que nossas chances de sucesso não são grandes.
— Estamos com Amy e Dan — Nellie disse-lhe com firmeza. — Meus garotos podem ter uma chance zero por cento de sucesso, e de alguma forma saírem por cima – se tiverem o tipo de apoio que necessitam — ela franziu a testa. Ela e Sammy tinham que fazer a sua parte, não apenas erradicar o soro, mas também a capacidade do inimigo para fabricar mais.
— Você sabe, há outra forma de fazermos isso — Sammy acrescentou em um tom abafado. — E se nós esterilizarmos os tubos de ensaio, mas não conseguirmos sair antes?
— Eu nunca disse que o que estamos fazendo não é perigoso. Mas isso não muda o fato de que precisa ser feito.
Ela estendeu a mão à maneira de um policial parar o tráfego. Em resposta, Sammy pressionou a palma da mão contra a dela. Tornou-se um sinal para os dois, a atualização silenciosa de um voto solene. O objetivo deles era destruir o laboratório e voltar para Amy e Dan na luta contra Pierce. Mas, se a fuga acabasse por ser impossível – se a única maneira de explodir o soro fosse se explodir no processo – eles tinham decidido que era um sacrifício que eles estavam dispostos a fazer.
— Eu sei, eu sei — suspirou Sammy. — Eu só estou nervoso, isso é tudo. Você não pode me culpar por isso. — Ele olhou para o relógio. — É melhor você ir para a cozinha. Seus fãs estarão esperando tiramisu para o almoço.
Ela sorriu.
— Hoje é éclairs de chocolate.
— Guarde um para mim — ele falou, com um traço de um sorriso.
Cuidadosamente, ela e Sammy carregaram dois galões de vinte litros em um carrinho de rodinhas.
— Tenha cuidado com essas coisas — ele sussurrou urgentemente. — Lembra-se do conta-gotas? Pense no que essa quantidade faria.
Nellie fez uma careta.
— “Depois não diga que não avisei”. Que tal eu apenas caminhar lentamente e não bater em nada?
Ela andou cautelosamente pelo corredor, empurrando a carga letal à frente dela. Um guarda armado a seguia alguns passos atrás.
Se ele soubesse, ela pensou consigo mesma, sem saber se a ideia a fazia querer rir ou chorar.
Seu destino era o armazém 117A, que tinha duas qualidades únicas: (1) era raramente usado, e (2) ficava localizado sobre a tubulação principal de gás do edifício, a qual Nellie pensava como Avenida Cabum.
— Bem, agora, o que temos aqui?
Ah, não! Era o Dr. Benoit, o cientista sênior do laboratório.
Nellie lutou contra a vontade de começar a correr. A única coisa mais assustadora do que ser presa era pensar naqueles vinte litros de nitro balançando dentro dos galões.
— Desculpe, Dr. B., não posso parar para conversar. Eu não gostaria que a sobremesa atrasasse.
O cientista apoiou o pé em um dos recipientes para impedir o carro de se mover.
— E pode o diretor de pesquisa ter uma pequena prévia do que está no menu?
— Ah, isto é apenas açúcar líquido — explicou Nellie. — É mais concentrado, sabe.
Ele parecia encantado.
— Eu não vejo isso anos! Dê-me uma provinha — ele estendeu a mão para a tampa do galão mais próximo.
Se Benoit molhasse o dedo ali, Nellie sabia, ele conseguiria um prova de algo muito mais que doce. Sem pensar, ela foi pra frente e bateu na mão dele.
Os olhos do guarda se arregalaram, apertando a arma. No entanto, ele não fez nenhum movimento evidente. Era impossível dizer se o que ele testemunhara fora uma troca lúdica ou outra coisa.
O Dr. Benoit pareceu chocado no início. Como chefe de toda a instalação, ele provavelmente não levava tapas muito frequentemente. Então ele riu.
— Nellie, você é uma figura. A partir de agora, esperarei pacientemente as suas sobremesas, juntamente com todos os outros.
E ele saiu, ainda rindo.
A mão do guarda recuou de sua arma.
Nellie queria cair sobre o carrinho, suspirar em puro alívio.
Mas ela não se atreveu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)