18 de dezembro de 2016

Capítulo 11

A primeira sugestão do dia foi se mostrando ao longo do topo do penhasco. À direita e à esquerda, já estava tocando a copa das árvores, onde a massa do morro não lançava sombra. Isso se adequava ao objetivo de Halt. Quando o sol finalmente subisse até a ribanceira, ele estaria contra a luz, dificultando a visão e semeando incerteza.
Colly estava cochilando incômodo quando Halt liberou o polegar e o dedo do pé das algemas, franzindo o nariz mais uma vez quando ele chegou perto aos pés do homem. Depois, ele recuou e cutucou-o com a ponta da bota, a mão pronta no punho da sua faca de caça.
Quando ele acordou, a realização amanheceu nos olhos do criminoso quando percebeu que suas mãos e pés estavam livres. Ele tentou se levantar rapidamente, mas os músculos rígidos e apertados em seus braços e pernas o derrotou. Ele gritou de dor e rolou para o lado, fazendo movimentos um pouco desamparados.
— Vai demorar alguns minutos para os músculos melhorarem  Halt lhe disse. — Portanto, não tente nada de tolo. Entretanto, retire seu casaco.
Colly, deitado de lado, olhou para ele.
— Meu casaco?
Halt levantou uma sobrancelha, impaciente.
— Você não é surdo  disse ele. — Tire o casaco.
Lentamente, Colly trabalhou-se em uma posição sentado e desabotoou o longo casaco que ia até a coxa. Ele jogou-o para um lado, depois olhou uma pergunta a Halt. O arqueiro assentiu.
— Até aqui tudo bem. Agora vista a capa ao seu lado.
Pela primeira vez, Colly percebeu que a capa de camuflagem de Halt estava dobrada no chão perto dele. Desajeitadamente, ele a atirou ao redor de seus ombros e a prendeu no lugar. Obviamente ele tinha decidido que não havia futuro em fazer perguntas. E, além disso, estava começando a entender o que Halt tinha em mente.
— Agora vamos levantar  disse Halt.
Ele agarrou um dos antebraços de Colly e levantou-o na posição vertical. Por um segundo ou dois, Colly estava imóvel, testando a sensação em seus braços e pernas. Então, um pouco previsível, ele tentou dar um soco em Halt. Halt desviou do golpe selvagem e, em seguida, girando a parte superior do corpo, bateu na mandíbula de Colly com a palma mão, enviando-o novamente para o chão.
— Não tente de novo  falou Halt.
Não havia raiva em sua voz. Apenas certeza de que ele poderia lidar com qualquer coisa que Colly tentasse. Enquanto o forasteiro levantava trêmulo de novo, Halt deslizou sobre seus ombros o grosso casaco de lã que o outro havia descartado. Seu nariz se contraiu de novo no combinado cheiro de graxa, suor e sujeira.
— Isto é quase tão ruim quanto suas meias  ele murmurou.
Então, inclinando-se, ele pegou o estreito chapéu de feltro de abas largas de Colly e o colocou em sua própria cabeça.
— Mova-se um pouco  ele disse ao prisioneiro. — Balance seus braços e pernas fazer o sangue fluir. Eu quero você na sua melhor forma quando começar a subir a colina.
A mandíbula de Colly se definiu em uma linha teimosa quando ele rebateu mais uma vez o desafio.
— Eu não vou subir essa montanha  disse ele.
Halt encolheu os ombros.
— Então morra aqui. Essas são as duas únicas opções que você tem.
Pela segunda vez, Colly olhou dentro daqueles olhos escuros e não viu qualquer sinal de piedade ou incerteza lá. E pela segunda vez, seu olhar caiu. Ele começou a agitar os braços e as pernas, fazendo caretas de dor enquanto o sangue corria de volta para seus músculos.
Halt recuperou seu arco e aljava, atirando o último em torno de seus ombros com um movimento fácil. Depois de alguns minutos, quando julgava que os movimentos do homem tinham se tornado mais fáceis, Halt fez um sinal para ele parar. Chamou-o para o lado de cima do afloramento da rocha que os abrigava da vista.
— Tudo bem, aqui está o que vai acontecer. Quando eu lhe disser, você vai começar a correr morro acima.
Ele viu um brilho momentâneo de astúcia nos olhos de Colly que o criminoso tentou, sem sucesso, esconder.
— Se você tentar alguma coisa, vou colocar uma flecha no músculo de sua panturrilha. Não é o suficiente para pará-lo, mas o suficiente para causar uma enorme quantidade de dor. Está claro?
Colly assentiu com a cabeça, o seu breve momento de rebeldia desaparecendo.
— Bom. Agora eu vou ficar aqui acenando e gritando. Quando você me ouvir começar, corra mais.
— Eles pensarão que eu sou você  disse Colly, indicando a linha de árvores na parte inferior do morro onde seus companheiros estavam em espera.
Halt assentiu.
— E eles pensarão que eu sou você. Essa é a ideia geral.
— Então, eles vão me perseguir até o morro  disse Colly.
Desta vez, Halt sacudiu a cabeça.
— Não se você pular no rio. Eles vão para baixo e ao redor da base do morro à margem do rio para ir atrás de você. O que vai deixar o caminho livre para mim.
— E se eu não pular?  Colly perguntou.
— Mas você vai pular. Vai perceber que não há cobertura de valor no topo do penhasco.
Colly olhou novamente. O arqueiro estava certo. Não havia árvores ou rochas no alto do penhasco, apenas grama longa, mas não o suficiente para cobri-lo. Ele engoliu em seco, nervoso.
— Se você parar no topo do penhasco, vou colocar uma flecha dez centímetros acima da sua cabeça. Só para mostrar que eu posso.
Colly franziu a testa, um pouco confuso. Então Halt continuou.
— Então, cinco segundos depois, vou colocar uma flecha vinte centímetros abaixo de sua cabeça. Entendeu?
Colly olhou para baixo, nervoso. Vinte centímetros abaixo da sua cabeça iria colocar a flecha bem no meio do peito. Ele acenou com a compreensão.
— Entendi — disse ele.
Sua garganta estava seca e as palavras saíram como um sussurro rouco. Ele viu quando Halt retirou uma flecha da aljava e, em um movimento, pressionou-a na corda do seu arco enorme.
— Então, vamos ficar prontos. Uma manhã agradável é boa para a saúde.
Ele fez uma pausa, depois acrescentou com uma duramente:
— E um mergulho agradável é ainda melhor.
Os olhos de Colly foram de Halt para o terreno acima deles, em seguida, para baixo da linha das árvores, onde seus companheiros estavam ainda escondidos.
— Eu quis dizer o que eu disse  Halt disse a ele. — E apenas para você saber que eu posso acertar o que eu mirar, vê aquele toco de árvore podre, cerca de quarenta metros acima?
Colly olhou na direção indicada por Halt e viu um velho tronco enegrecido com cerca de um metro de altura. Era só o resto de uma árvore que tinha sido atingida por um raio há alguns anos. O restante da árvore, aos poucos sendo devorado pela podridão, estava inclinado penhasco abaixo. Ele balançou a cabeça.
— Eu vejo. O que tem isso?
— Quando você chegar no mesmo nível que ele, vou colocar uma flecha lá. Vê onde há o início de um ramo velho para a direita?
Novamente Colly assentiu. Os restos do ramo eram visíveis à distância.
— É ali que a flecha que vai acertar. Se eu errar o alvo, você pode pensar que tem a chance de começar a correr de volta para baixo.
Colly abriu a boca para dizer alguma coisa quando Halt o preveniu.
— Mas eu não vou errar. E lembre-se, você é muito maior do que o ramo.
Colly engoliu novamente. Sua garganta estava muito seca.
— Posso ter um pouco de água?  ele perguntou.
Qualquer coisa para adiar o momento em que ele começasse a subir. Ele sabia o que Halt tinha dito que ia fazer. Mas ele não podia deixar de perguntar se o arqueiro não iria simplesmente matá-lo quando ele chegasse ao topo do penhasco. Afinal, isso faria seus companheiros virem correndo para cima atrás dele, deixando o caminho livre para Halt fazer a sua fuga para baixo da montanha.
Halt lhe deu aquele sorriso pouco frio novamente.
— É claro  disse ele. — Quando você quiser. Logo que chegar ao rio. Agora comece.
Colly ainda hesitou. Halt flexionou a corda experimentalmente. Não havia nenhum efeito prático nisso, além de chamar a atenção Colly para a flecha de cabeça larga pressionada na corda. Halt franziu a testa quando o forasteiro ainda hesitou. O sol já havia levantado acima da borda do penhasco e agora estava em uma vista deslumbrante para os homens abaixo.
— HÁÁ! — ele gritou de repente, fazendo um movimento de estocada ao mesmo tempo em Colly.
O barulho e o movimento súbito de ameaça galvanizaram seu prisioneiro a ação. Colly rompeu a cobertura e começou a correr até o morro, as pernas bambeando, a capa de camuflagem ondulando por trás dele. Halt o deixou ir vinte metros depois saiu ele mesmo da cobertura, acenando e gritando para os homens invisíveis que ele sabia que estariam observando abaixo.
— Ele está fugindo!  ele gritou. — Ele está fugindo! Atrás dele!
Ele ouviu gritos das árvores e os latidos repentinos surpreendidos dos cães quando eles foram desapertados por seus tratadores. Alguns homens surgiram das sombras das árvores e incertos hesitaram, olhando o homem de capa de arqueiro enquanto ele corria. Então mais observadores quebraram a cobertura.
— Ele está fugindo! Vão atrás dele!  Halt gritou.
Ele se virou e olhou para cima. Colly estava quase no coto de árvore. Halt voltou para trás de uma pedra para esconder suas ações dos homens abaixo. Casualmente, ele trouxe o arco completamente esticado e atirou em um movimento suave. A um alcance de quarenta metros, mesmo atirando para cima, ele teve que permitir apenas um montante mínimo de força. A flecha assobiou longe do arco.
Quase no toco de árvore, Colly ouviu a flecha cortar o ar à sua esquerda, em seguida, bater no ramo podre do coto, que se desintegrou em uma chuva de estilhaços sob o impacto. Mesmo que Halt tivesse avisado que iria acontecer, ele não podia acreditar que alguém poderia gerenciar o tiro que tinha acabado de ver. Ele recuou para o lado, longe do tronco, em uma ação de reflexo – demasiado tarde, é claro, para fazer-lhe qualquer bem – e redobrou seus esforços, dirigindo suas pernas duras como pôde.
Agora, os forasteiros estavam se movendo para fora das árvores em maior número. Alguns deles estavam começando a ir até o morro arás de Colly, mas não havia nenhuma urgência neles. Eles sabiam que não havia lugar para o homem correr. Os cães estavam latindo furiosamente rastreando, contidos por suas coleiras compridas de seus tratadores. Halt contou cerca de uma dúzia de homens. Pelo menos, ele pensou com gratidão, eles não tinham liberado outro dos cães de guerra.
Ele olhou para Colly, agora trabalhando na encosta íngreme dos últimos metros do morro. Ele sabia que o homem hesitaria na ribanceira. Era inconcebível que ele não iria.
Ele tinha outra flecha na corda e seus olhos se estreitaram enquanto ele julgava a velocidade, distância e tempo estimado de voo de flecha. Colly estava a poucos passos da beira do penhasco quando Halt puxou a flecha para trás até que sentiu seu dedo indicador tocar levemente o canto da boca, olhou e liberou.
A flecha acelerou para cima em um arco raso.
Colly estava cambaleando, sua respiração ofegante irregular, quando chegou à ribanceira. Abaixo dele, ainda na sombra, a água do rio era um lençol negro. Não havia nenhuma maneira de poder dizer se era profundo o suficiente para ele saltar e, como tinha previsto Halt, ele hesitou, olhando para trás, descendo a colina para a figura nas rochas.
Um segundo depois que ele parou, ouviu um silvo e realmente sentiu o tiro de Halt quando a flecha passou a poucos centímetros acima da cabeça. Assim como o arqueiro tinha dito que faria.
Seus lados estavam doendo com o esforço da corrida louca para cima. O peito dele estava ofegante e ele dobrou, tentando respirar. Ele viu o braço direito do arqueiro levantar enquanto ele retirava outra flecha da aljava sobre seu ombro. Muito deliberadamente, o arqueiro colocou a flecha na corda e levantou o arco de novo, trazendo de volta para a pressão total.
Colly podia sentir uma sensação de queimação no peito. O ponto onde Halt havia dito que a próxima flecha acertaria. Ele lembrou-se do impacto esmagador da primeira flecha no toco de árvore e a repentina guinada de terror quando a segunda flecha passou a um palmo de sua cabeça. Tudo isso passou pela sua mente em um segundo enquanto ele observava a figura abaixo, e sabia que tinha apenas uma chance de sobreviver.
Ele pulou. Urrou com medo por todo o caminho e, em seguida chocou-se contra a superfície do rio em uma explosão enorme de água. Ele afundou sob a superfície, mas não havia nenhum sinal do fundo. Na verdade, o rio neste ponto tinha, pelo menos, quinze metros de profundidade. Então, com uma enorme sensação de alívio que tinha sobrevivido à queda, ele começou a fazer seu caminho de volta.
Seu joelho esquerdo tinha sido torcido pelo impacto com a água e uma dor lancinante o atingiu quando como ele chutou para a superfície. Ele gritou, engoliu água e lembrou-se tarde demais para manter sua boca fechada. Tossindo e balbuciando, a cabeça rompeu a superfície e ele respirou o ar, nadando de lado para aliviar a dor em seu joelho enquanto ia lentamente para a margem.
Na encosta, os perseguidores tinham parado quando a figura de capa se atirou pela ribanceira. Eles estavam familiarizados com o território e sabiam que o rio estava abaixo dele. Eles pararam, mas uma voz de cima os direcionaram.
— Ele está no rio! Peguem-no na parte inferior do morro e o tirem de lá!
Vários dos de mais rápido raciocínio entre eles viram a figura gesticulando, que deveria ser o perseguidor enviado durante a noite. Ele estava acenando de volta e para um lado e eles perceberam o sentido do que ele estava dizendo. Não havia nenhum ponto de continuar no topo, a menos que quisessem saltar também. Ir para baixo do morro e voltar para a margem do rio era a maneira mais rápida.
— Vamos!  gritou um adestrador de cães corpulento. — Vamos para a margem do rio!
Ele gesticulou para levarem seus cães e correu. Bastou um homem para iniciar o movimento e os outros foram com ele. Halt assistiu com satisfação sinistra enquanto o grupo de homens voltou para baixo, dobrando para a esquerda para alcançar a margem do rio abaixo da ribanceira.
Conforme o último deles desapareceu de vista, ele estalou os dedos duas vezes. Abelard pisou para fora das rochas onde eles haviam se protegido durante a noite. Halt subiu facilmente no cavalo. Abelard torceu a cabeça para olhar acusadoramente a seu mestre, tendo o casaco de lã gorduroso que havia pertencido a Colly.
— Eu sei  Halt disse resignado. — Mas as meias eram ainda piores.
Ele estabeleceu Abelard para um trote e eles avançaram rapidamente para baixo do morro. Quando chegaram à cobertura das árvores, Halt fez uma coisa estranha. Em vez de virar para leste, em direção Redmont, ele balançou a cabeça de Abelard para noroeste, de volta para a aldeia de pescadores. Novamente, Abelard virou a cabeça para olhar inquiridor a seu mestre. Halt afagou a crina peluda, tranquilizando-o.
— Eu sei. Mas há algo que eu preciso observar  ele disse e Abelard sacudiu a cabeça. Enquanto seu mestre soubesse o que estava fazendo, ele estava contente.


Farrell, líder do grupo dos forasteiros, estava tendo um momento desconfortável tentando acalmar os moradores. Eles estavam abertamente suspeitos de que ele e seu povo tinham tido uma mão no ataque malsucedido aos barcos. Enquanto Farrell tentava tranquilizá-los de que não sabia nada sobre os invasores, ele podia sentir a sua descrença crescente.
Talvez fosse hora de seguir em frente, pensou ele. Ele podia dissipar as suspeitas por um curto período de tempo, mas a longo prazo, seria mais seguro levar o que tinha ganhado até agora e tentar a sorte em outro lugar.
— Wilfred  ele estava dizendo agora para o chefe da vila — garanto-vos que o meu povo é inocente de qualquer delito. Você nos conhece. Nós somos apenas gente simples religiosa.
— É engraçado como todos estes problemas começaram desde que essa “gente simples religiosa” apareceu, não é?  Wilfred disse acusadoramente.
Farrell estendeu as mãos num gesto de inocência.
— Coincidência, meu amigo. Meu povo e eu rezaremos por você e sua aldeia para ser protegido contra o infortúnio maior. Eu lhe garanto...
Houve o som de uma briga fora da entrada da tenda que Farrell estava usando como sede principal e centro de culto. Em seguida, um estranho barbudo explodiu através da entrada. Pelo menos, Farrell pensou que era um estranho. Então ele percebeu que havia algo familiar sobre ele.
O recém-chegado era menor que a estatura média, vestido de calças simples, botas marrons e uma jaqueta verde. Um arco enorme estava em mão e uma aljava de flechas estava a tiracolo. Então algo na memória Farrell clicou.
— Você!  ele disse em surpresa. — O que está fazendo aqui?
Halt o ignorou. Ele se dirigiu sua intervenção para Wilfred.
— Você foi roubado  disse ele brevemente. — Este homem e seu bando estão prestes a fugir de você. E eles estarão levando o ouro e as joias que você deu.
O olhar de Wilfred, que tinha virado para Halt em sua entrada repentina, agora voltou a Farrell. Seus olhos se estreitaram com suspeita. Farrell forçou um riso nervoso, indicando o altar de ouro maciço que dominava a extremidade da marquise.
— Eu te disse, nós usamos o ouro para construir o nosso altar, para que pudéssemos rezar para o seu povo! Você acha que nós estaremos correndo para longe com isso? É ouro! Deve pesar toneladas!
— Não é bem assim  disse Halt.
Ele caminhou rapidamente em direção ao altar, os moradores o seguiram incertos, Wilfred certificando-se que Farrell vinha junto com eles.
Halt sacou a faca de caça com um silvo macio e cortou o material brilhante do altar de ouro. A fina camada de folhas de ouro que tinha coberto o local descascou, revelando a madeira lisa sob ele.
— Não é tão sólida quanto parece  Halt disse e ele ouviu um grunhido irritado dos moradores quando eles se moveram para cercar Farrell.
Os olhos do forasteiro foram de Halt para o círculo de rostos hostis ao seu redor. Sua boca estava aberta enquanto ele instintivamente tentava pensar em alguma explicação plausível para o engano e, em seguida fechou, ele percebeu que não havia nenhum.
— Eles usaram uma pequena quantidade de ouro para revestir o altar de madeira. O resto está, provavelmente, em sacos embaixo disso, prontos para serem levados hoje à noite.
Wilfred fez um gesto e um dos homens mais jovens avançou, rasgando brutalmente o altar. Sob ele estava um belo monte de sacos. O aldeão tocou um e ele emitiu um som metálico. O homem chefe olhou para Farrell, que estava com o rosto branco de medo. Ele tentou se mover para trás de Halt, como se esperando que o arqueiro pudesse protegê-lo.
— Você é um homem morto, Farrell  Wilfred disse em uma voz calma sinistra.
Mas Halt sacudiu a cabeça.
— Você tem o seu ouro de volta. Seja grato por isso. Mas não irá levá-lo. Eu preciso dele para responder a algumas perguntas.
— E quem você acha que é, nos dizendo o que fazer?  disse o rapaz que tinha retirado o pano de altar.
Halt voltou a olhar firme sobre ele.
— Eu sou o homem que acabou de salvar-lhe uma fortuna  falou. — E na outra noite, salvei os seus barcos de queimarem. Seja grato que você ainda tem o seu dinheiro e seus meios de subsistência. Você pode manter os outros. Faça o que quiser com eles. Mas estou levando este comigo.
O jovem começou a responder, mas um gesto brusco de Wilfred o deteve. O homem chefe avançou para enfrentar Halt.
— Eu suponho que você tenha algum tipo de autoridade para fazer essas demandas  disse ele.
Halt assentiu.
— Eu sou um Arqueiro de Araluen  respondeu ele.
Houve um murmúrio de reconhecimento em todo o pavilhão. Os moradores podiam não fazer parte de qualquer feudo, mas conheciam a reputação do Corpo de Arqueiros. Aproveitando o momento de incerteza dos moradores, Halt prendeu Farrell pelo braço e começou a ir para a saída da tenda. Após um momento de hesitação, o grupo se dividiu para permitir o avanço da dupla.
Como ele surgiu com seu prisioneiro à luz do sol quente da manhã, passando pela forma inconsciente do guarda forasteiro que tentou detê-lo, Halt estava ligeiramente carrancudo. Ele estava lembrando as palavras Farrell, quando tinha feito o seu caminho para a marquise.
“Você? O que você está fazendo aqui?”
As palavras e a forma implícita de Farrell implicava que o padre forasteiro tinha reconhecido Halt. E foi por isso que o arqueiro franziu a testa.
Porque ele sabia que nunca tinham se encontrado antes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)