18 de dezembro de 2016

Capítulo 10

Quando eles chegaram ao último morro antes que o chão se transformasse em uma planície, Will fez Puxão parar.
— Espere aqui, rapaz  disse ele suavemente.
Ele sempre gostou deste momento, o momento em que Redmont aparecia pela primeira vez à vista. A planície abaixo espalhada, cortada pelo rio Tarbus, com a vila de Redmont aninhada em suas margens. Então, na margem oposta, a terra subia novamente para criar a posição natural de defesa, onde ficava Redmont – maciço, sólido e começando a brilhar vermelho sob o sol da tarde.
Ele lembrou-se de tempos anteriores em que tinha parado aqui para tomar uma respiração: quando tinha quase terminado a cavalgada selvagem para alertar o Barão e sir Rodney sobre o kalkara. E mais recentemente, em um momento feliz, quando tinha recebido a carta de Alyss e montado durante a noite para vê-la. Sua boca se moveu em um leve sorriso para esse pensamento. Ela estava lá em algum lugar.
Ele estreitou os olhos, perscrutando a distância para ver se, apenas, eventualmente, havia alguma vista de sua forma alta, vestida de branco sobre as ameias, na vila ou na terra plana em frente do castelo. Não surpreendentemente, não havia nenhuma. Ele deu de ombros, sorrindo para sua expectativa fantasiosa.
Longe de um lado, entre as árvores onde a floresta invadia o terreno limpo em redor do castelo, ele teve um vislumbre da cabana onde tinha passado a sua aprendizagem com Halt. O sorriso se alargou.
— Estamos em casa  disse ele a Puxão e o pequeno cavalo jogou a cabeça com impaciência.
Não se ficarmos aqui só olhando, disse a ação.
E Will contraiu as rédeas de leve no pescoço do cavalo.
— Tudo bem. Vamos descer lá.
De repente, ambos foram apreendidos com o mesmo sentido de urgência para estar em casa e Puxão disparou longe de um início de pé a um galope, como só ele poderia. Os cavalos de arqueiro eram famosos por sua aceleração incrível, mas não havia um no Corpo que pudesse se igualar a Puxão.
Ainda havia trabalhadores nos campos e eles olharam para cima de suas tarefas corriqueiras de arar e por sementes ao som dos cascos batendo. Vários deles acenaram, reconhecendo a pequena pessoa sobre o pequeno cavalo encorpado que trovejava por eles, agachado em frente ao longo do pescoço de Puxão, sua capa manchada balançando por trás.
Por um breve momento, elas se perguntaram que notícia o veloz arqueiro estava trazendo. Então, encolhendo os ombros, voltaram para seus trabalhos. Seja como for, boa ou má, havia outras pessoas mais qualificadas do que eles para lidar com isso. Nesse ínterim, havia agricultura a ser feita. Havia sempre a agricultura a feita.
Os cascos de Puxão bateram brevemente sobre a ponte levadiça por todo o Tarbus, então eles começaram a subir até o Redmont em si. As sentinelas no portão principal haviam chegado à posição ao som, alertas para a abordagem do cavalo a galope. Então, reconhecendo um arqueiro, relaxaram, diminuindo as suas armas – embora continuassem a ver com interesse, conforme ele se aproximava.
Will diminuiu Puxão até um galope, depois um trote nos últimos vinte metros. Ele reconheceu a saudação das sentinelas quando atravessou o fosso sob a ponte levadiça içada. Um dos soldados, que havia crescido no serviço de Redmont, fez a saudação em desafio da boa disciplina.
— Bem-vindo de volta, arqueiro!
Will sorriu e acenou.
— Obrigado, Jonathon. É bom estar aqui.
Eles trotaram para o pátio, o som dos cascos de Puxão mudando mais uma vez, quando iam da ponte levadiça de madeira para a superfície de paralelepípedos do pátio do castelo. Havia mais pessoas circulando no pátio e eles o olharam com curiosidade, querendo saber o que tinha trazido Will Tratado de volta a Redmont.
Mas Will não os notou, porque emergindo da parte inferior da porta da torre principal estava uma moça alta e graciosa em uma túnica branca elegante de mensageira e ele não conseguiu parar o sorriso ridículo de prazer que estourou em seu rosto.
Alyss.
Ele foi para o chão e ela correu para ele, seu habitual ar de dignidade e reserva a abandonando. Ela se atirou nos braços dele e eles ficaram abraçados, cada um apreciando a presença do outro. Os transeuntes pararam para olhar e sorriram para o jovem casal, de forma inconsciente a todos ao seu redor.
— Você está de volta  ela sussurrou, sua voz abafada pelo fato de que seu rosto estava pressionado contra o material bruto de sua capa.
— Eu estou de volta  ele concordou, o leve aroma do perfume que ela usava sempre enchendo suas narinas. Seus longos cabelos loiros estavam macios contra a sua bochecha.
Depois de vários momentos de tempo, eles foram fustigados por um empurrão repentino e tiveram que quebrar o abraço para manter seu equilíbrio. Puxão estava sobre eles com um ligeiro embaraço.
Parem com isso. Há pessoas assistindo.
Então, ele cutucou o ombro de Alyss, incitando-a a observá-lo e afagar o focinho macio.
Eu estou de volta também.
Ela riu enquanto ela o acariciava.
— Olá Puxão. Eu estou contente em vê-lo também.
Enquanto ela se preocupava com o cavalo, Will pegou sua mão livre e parou, só olhando para ela, um enorme sorriso colado em seu rosto. Finalmente, eles se tornaram conscientes da pequena multidão que se reuniu para assisti-los. Will se virou e deu de ombros, o rosto levemente avermelhado.
— Foi um longo tempo  disse ele.
Um círculo de rostos sorridentes rodeava. Ninguém disse nada e ele indicou Alyss.
— Desde que nos vimos. Um longo tempo  ele elaborou.
Várias pessoas assentiram com a cabeça. Um senhor de meia-idade, bateu o lado do nariz com o gesto familiar. Finalmente, uma vez que os espectadores não mostraram nenhum sinal de se afastar, Will achou que era altura de acabar com esse quadro. Como a maioria dos arqueiros, ele tinha uma aversão a ser o centro das atenções. Ele disse para Alyss, do lado de sua boca:
— Vamos sair daqui.
O sorriso de Alyss aumentou um pouco.
— Vamos lá. Nós vamos colocar Puxão nos estábulos. Então é melhor você relatar para o barão.
Ele assentiu e virou-se, lado a lado ainda, para levar Puxão aos estábulos. Alyss sabia que Will teria que ver o seu cavalo cuidado antes de qualquer coisa. Essa era a maneira dos arqueiros. Atrás deles, a pequena multidão rompeu-se, se separando. Alguns deles olharam ao jovem casal, em aprovação sorrindo. Alyss era uma figura popular no Castelo Redmont e toda a população tinha grande orgulho das realizações de Will. Ele era um local, depois de tudo. Eles aprovavam o carinho evidente entre eles.
— Algum sinal de Halt?  Will perguntou.
O sorriso de Alyss desvaneceu-se um pouco.
— Não. Acho que lady Pauline está se tornando um pouco preocupada. Ela tenta não mostrar isso, mas posso dizer que ela está desconfortável.
Will considerou isso. Tinha sido um longo tempo desde que Halt teve alguém para se preocupar com ele, ele pensou.
— Isso é natural, eu suponho  disse. — Mas Halt pode cuidar de si mesmo.
Halt era Halt, afinal de contas, e Will não poderia conceber qualquer pessoa ou situação que ele não podia aguentar. Alyss assentiu. Ela estava preocupada porque Pauline, sua mentora, estava preocupada. Mas Will sabia das capacidades Halt melhor do que ninguém e se ele não estava preocupado, sentiu que não havia necessidade de ninguém estar ansioso.
— Eu suponho que você está certo  disse ela. Então, mudando de assunto, ela disse: — Então, você decidiu aderir a este grupo especial de Crowley?
— Sim  respondeu ele. — Eu suponho que você aprova?
Ela olhou de soslaio para ele.
— Deixe-me colocar desta forma. Se você rejeitasse, eu teria que ir atrás de você e te trazer de volta aqui te arrastando pelos pés, até que recobrasse seus sentidos.
— Isso poderia ter sido divertido  ele murmurou, e ela puxou seu braço com raiva simulada.
Ele notou que ela não soltou a mão, no entanto. Quando eles se aproximaram do estábulo, um dos jovens cavalariços apressou ansiosamente para encontrá-los.
— Boa tarde, arqueiro  disse ele, e fez um gesto de boas-vindas com seus braços abertos, como se convidando Will para inspecionar as condições no estábulo. — Posso cuidar do famoso Puxão para você?
Will hesitou por um segundo. Ele tinha sido treinado para cuidar de Puxão ele mesmo e não supor que alguém faria isso para ele. Ele sentiu uma cutucada no ombro dele. Puxão, é claro.
Ouviu isso? O famoso Puxão.
Ao mesmo tempo, Alyss apertou a mão dele. Ela podia ver que a mão ficaria muito desapontada se sua oferta fosse recusada. Para um jovem como ele, Will era uma figura a ser admirada e olhada para cima. Ele era Will Tratado, com uma lista de realizações e obras famosas longas quanto seu braço. Seria um privilégio cuidar de seu cavalo. E ela amava Will ainda mais porque ele não percebia o fato.
— Eu ficaria honrado, arqueiro  acrescentou o cavalariço.
— Deixe-o fazer isso  Alyss disse suavemente.
Will deu de ombros e passou as rédeas para ele.
— Muito bem  ele hesitou. Não sabia o nome do jovem.
— É Ben, arqueiro. Ben Dooley.
— Muito bem, Ben Dooley. Tenho certeza que você vai cuidar bem do famoso Puxão. — Ele olhou significativamente ao cavalinho. — E você se comporte.
Puxão chegou tão perto quanto um cavalo pode de levantar uma sobrancelha. Ele olhou para Will e Alyss, ainda de mãos dadas.
Você está falando?
Will percebeu, não pela primeira vez, que ele nunca iria conseguir a última palavra com este cavalo. Ele balançou a cabeça tristemente.
— Vamos ver o barão  disse ele.


Tanta coisa era familiar. Tantos locais e sensações e lembranças vieram aglomerando de volta para ele conforme ele subiu os degraus para o escritório do barão Arald. Mais uma vez, Will sentiu Alyss apertar seu braço.
— Lembre-se daquele dia?  disse ela.
Ela não precisa dizer que dia. Ela falava do dia em que ela, Will e Horace, juntamente com Jenny e George, tinham subido as escadas para serem escolhidos por seus eventuais mestres. Na verdade, isso foi apenas a alguns anos, mas parecia que havia passado décadas.
— Quem poderia esquecer?  ele perguntou. — O que George está fazendo estes dias?
— Ele se tornou um dos líderes dos advogados de defesa do feudo  disse ela. — E está em grande demanda de questões jurídicas.
Will balançou a cabeça.
— Ele sempre tinha um cérebro para isso, não tinha? E Jenny? Ainda está trabalhando com o mestre Chubb?
Ela sorriu.
— Não, para a sua decepção. Ele a vê como sua melhor criação, e adoraria tê-la com ele. Mas algum tempo atrás, ela disse-lhe: “Mestre Chubb, não há espaço na cozinha para dois artistas como nós. Eu preciso encontrar meu próprio espaço”.
— E ela o fez?
— Ela realmente fez. Comprou uma parte da pousada da aldeia e manda em uma das melhores salas de jantar em quilômetros. Chubb é um cliente regular, também.
— Realmente?
— Realmente. Aparentemente, uma noite, ele fez uma sugestão, muito polidamente, devo dizer, que talvez um prato pudesse se beneficiar de uma pitada a mais de tempero. Ela lhe disse: “Menos é mais, mentre Chubb. Menos é mais”. E então ela bateu na cabeça dele com sua concha.
Will estava incrédulo. Ele não podia imaginar alguém com a coragem de bater Chubb na cabeça.
— Eu acho as panelas voaram depois disso?  ele disse, mas Alyss sacudiu a cabeça.
— Pelo contrário. Ele muito humildemente pediu desculpas. Secretamente, acho que ele adorou. Está muito orgulhoso dela. Aqui estamos nós  ela adicionou quando eles chegaram à antessala para o escritório do barão. Relutante, ela soltou a mão. — Eu vou deixar você relatar lá dentro. Venha me encontrar mais tarde.
Ela se inclinou para frente, beijou-o levemente nos lábios e partiu, acenando-lhe a mão num gesto de despedida por trás dela. Ela saltou para baixo nas escadas. “Foi um dia excelente”, ela pensou.
Will a observou ir. Então se virou, reuniu seus pensamentos e bateu na porta da antessala do barão.

4 comentários:

  1. Eu estava esperando por isso! Casal 20!
    Ass: Bina.

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  2. Aleluia, senhor!! Deuses , obrigado. Eu quase gritei aqui agora. Mas acho que eu esperava mais desse beijo. Enfim, ele aconteceu entao eu to feliz de todo jeito.
    -Sinead

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  3. Omg so faltava isso aleluia o beijo saio esperava um de cinema n um beijo levemente nos labios mais saio ne kkkk

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  4. eu gosto muito do puxão15 de março de 2016 03:37

    momento puxão <3 é muito amor

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Boa leitura :)