9 de dezembro de 2016

Capítulo 1

Dan Cahill acordou de um sonho ruim apenas para se ver no meio de um pior.
Flashes das últimas 12 horas passaram como um show de horrores ultrarrápido em seu cérebro: um louco com o poder da presidência dos EUA quase ao seu alcance; Pony – aliado e amigo – morto, tentando resgatar Dan.
E Amy...
Lágrimas nublaram sua visão quando ele se lembrou. Sua irmã estava morrendo, com um temporizador literalmente contando os minutos se sua vida.
Ele piscou a umidade para longe de seus olhos. Estava com os braços amarrados nos descansos de braços de um assento de couro de avião. Dan tinha passado tempo suficiente a bordo no Gulfstream de Jonah Wizard para reconhecer o interior luxuoso de um jatinho particular. Só que este não pertencia ao primo famoso de Dan...
— Ele está acordado! — exclamou uma voz rouca, desagradável.
Galt Pierce vinha pelo corredor.
Ele era loiro, musculoso, e bombado – estranhamente bombado. Sua irmã mais velha, Cara, estava bem atrás dele, mais magra, feminina, mas também musculosa. O que significava que esse era o avião do J. Rutherford Pierce, dono da Founders Media, bilionário, magnata, megalomaníaco... e o louco que queria o Dan morto.
Cara desamarrou o braço direito de Dan e lhe entregou um copo de água. Sedento como estava, Dan não conseguiu resistir a jogar de volta na cara dela. Era uma coisa inútil de se fazer, mas também profundamente gratificante. Por Pony, ele pensou, ódio inundando sua alma. E por Amy! Se não fosse pelo pai de Cara, Amy nunca teria tomado o soro que tinha começado seu relógio da morte.
— Seu mer... — Galt levantou a mão, pronto para bater com força no rosto de Dan.
Cara agarrou seu pulso.
— Não!
Ele encarou sua irmã.
— Vai deixar por isso mesmo?
— Você acha que eu quero? — Cara exigiu, com a água escorrendo pelo seu rosto e nariz. — Mas se quebrar a mandíbula dele, como é que ele vai nos dizer o que precisamos saber?
— O que vocês precisam saber? — Dan ficou instantaneamente alerta. Pela janela do jato, as asas mergulharam, mostrando um pedaço da vista da floresta tropical da América Central. Dan tinha sentido o movimento da aeronave, mas seu cérebro tinha sido incapaz de processar a informação até agora.
— Estamos circulando! Ainda estamos na Guatemala!
— E daí? — Galt retrucou.
— E daí que você estava esperando eu acordar! Você precisa de mim!
— Não se iluda, Dan — Cara disse friamente. — Nós sabemos exatamente o que você e sua irmã andaram fazendo...
— Nosso pai decodificou seu livro velho esfarrapado! — Galt interrompeu.
Dan arquejou em falso horror.
— Quer dizer que ele descobriu nossa receita secreta de salada de batata?
Galt rosnou sua indignação, mas Cara colocou a mão em seu braço. Algo sobre seu gesto lembrou a Dan de Amy. Normalmente, tais atos de irmã mais velha o irritavam bastante. Mas agora, ele ansiava em ver Amy, em saber se ela estava bem. Só que isso significaria ela ter sido capturada junto com ele.
E, além disso, ela não estava bem. Ela estava o oposto de bem.
— Há um antídoto para o soro — Cara contou a Dan. — Isso é no que você e a Amy vêm trabalhando. Nós queremos saber quanto progresso vocês fizeram.
— É, eu estaria me perguntando sobre isso também, se eu fosse você — Dan recostou mais uma vez com um sorriso. — Boa sorte com isso.
Houve um ruído barulhento quando um carrinho de aço inoxidável veio empurrado por um funcionário do Pierce. Capanga teria sido uma palavra melhor. Os capangas dele pareciam versões adultas de Galt e Cara, e como o próprio Pierce. Grandes, musculosos, reforçados – brilhando, quase. Era tudo tão artificial. A chave era o mesmo segredo que fizera dos Cahill a família mais influente, bem-sucedida e poderosa da história. As 39 Pistas – um soro com trinta e nove ingredientes que dava a quem o bebesse força quase sobre-humana, genialidade, criatividade e astúcia. Pierce colocara as mãos na versão modificada da substância e o estava dando para sua equipe, sua família, e até para ele mesmo. Isso o tinha tornado – e a todos ao seu redor – praticamente imparável. Foi por isso que Dan; sua irmã, Amy; e seus companheiros estavam arriscando tudo nessa busca – para juntar os ingredientes de um antigo antídoto para a fórmula de Gideon Cahill. Era o único jeito de frustrar as ambições perigosas de Pierce.
O atendente pegou uma seringa hipodérmica da bandeja e ergueu-a contra luz. Ela estava cheia de um líquido claro. Em pânico, Dan tentou se debater, mas Galt agarrou seu braço livre e prendeu-o no assento.
Um choramingo de desespero escapou de Dan quando a agulha se aproximou.
— Banana. — Galt sorriu. — Se quiséssemos matá-lo, você já estaria morto.
— É pentotal de sódio — sua irmã acrescentou. — Soro da verdade.
Dan conhecia a picada da agulha e se preparou para o ataque devastador.
Mas, em vez de dor cegante ou náuseas, ele experimentou uma onda de calor e bem-estar. Campainhas de alerta tocaram em algum lugar dentro de sua cabeça.
Pare de se sentir bem, idiota! É assim que o soro da verdade funciona! Você fica confortável e tagarela até suas estranhas!
Para contrariar o efeito – resista, resista! – ele forçou sua mente em pensamentos desagradáveis. Para um Cahill, sempre havia um monte de opções. A morte de seus pais em um incêndio quando ele tinha apenas quatro anos; a visão do pobre Pony, com os olhos arregalados de terror, caindo de um helicóptero até uma queda violenta no chão da floresta tropical. E o mais doloroso de tudo, os últimos dias em que ele passou com a Amy.
Amy tinha salvado a vida dele, mas para fazê-lo, teve que tomar o soro. Não a versão modificada que Pierce estava usando em seu pessoal, mas a coisa verdadeira – a receita de quinhentos anos de Gideon Cahill, pura e forte. O soro real produzia resultados extraordinários quase que instantaneamente. Mas ninguém tinha sobrevivido mais de uma semana depois de tomá-lo. Agora era duplamente urgente completar o antídoto. A vida de Amy dependia disso.
Dan teve um sobressalto. Eu acabei de dizer isso em volta alta ou só pensei? Percebeu, inquieto, que não tinha certeza. Era a injeção trabalhando em sua mente.
— E quantos ingredientes vocês coletaram até agora? — Cara aprofundou.
— O quê? — O pentotal de sódio estava tornando impossível distinguir entre pensamentos e falas. — Eu disse antídoto? Eu quis dizer anedota, você sabe, como uma história engraçada...
Galt se forçou a entrar em sua visão.
— Os ingredientes, você tem todos eles?
— Eu não faço ideia do que você está falando — Dan anunciou, satisfeito pelo fato de que a sua resistência parecia estar funcionando agora. Dos sete componentes do antídoto mencionados no diário de sua antepassada, Olivia Cahill, Amy e Dan já tinham adquirido três. Outras fontes Cahill ao redor do mundo tinham conseguido mais três. Isso deixava apenas um faltando.
Em horror, Dan ouviu o som de sua própria voz. Ele estava falando, e Cara e Galt estavam assentindo e ouvindo! Ele tentou acrescentar “Esqueça isso! Eu estou mentindo!”, mas as palavras não saíam.
— Confirme o local do ingrediente final — Galt persistiu.
O antídoto tinha sido coletado a partir da antiga sabedoria de sete cidades perdidas. A última delas – aquela que Dan não devia revelar – estava localizada na Camboja moderna, na antiga civilização Khmer de Angkor.
— Angra? — Galt não era estudioso. — Papai disse que ficava no Camboja.
— Não Angra — Cara corrigiu. — Angkor, e fica no Camboja. Angkor foi uma das sociedades mais desenvolvidas do mundo antigo!
Não! Dan estava em agonia. Eu tagarelei sobre isso também, apesar dos Pierce parecerem já saber sobre isso. Eu sou uma Wikipedia viva e respirando!
Ele tinha que se deter antes de dar mais alguma informação. Mas como? A injeção tornava impossível manter qualquer coisa em segredo.
Galt era como um cão de caça.
— Qual é o ingrediente, e onde nós o encontramos nessa Angkor?
Dan mordeu seu lábio até sentir gosto de sangue. Ele tinha que sair dessa, mas o inimigo era ele e a substância química dentro dele que o estava tornando em um fofoqueiro.
Então ele viu a garrafa na bandeja do carrinho. Clorofórmio, leu na etiqueta.
Remédio para dormir!
Ele puxou sua mão do aperto de Galt e agarrou a garrafa. Na luta que se seguiu, o conteúdo se derramou na camisa de Dan. Sorrindo em triunfo, ele enterrou o rosto no tecido molhado e respirou o forte odor de solvente. Com um grande senso de dever cumprido, ele sentiu-se esvaindo.
Você não pode falar se estiver inconsciente!
Ele caiu contra o assento, inútil para eles agora.

* * *

Galt esbofeteou o rosto de Dan, mas o prisioneiro não se mexeu. O contato brusco preencheu Galt com uma alegria que ele não teria acreditado ser possível.
Finalmente, ele fazia parte dos planos do seu pai! Não só posar para fotos de pai e filho, mas tomar medidas também. Ele era um Pierce verdadeiro agora, um soldado para a causa!
— Acorda! — energizado, ele recuou para dar outro golpe, mas sua irmã agarrou seu pulso.
— Não adianta — ela disse a ele. — Ele apagou como luz.
Galt virou-se para o homem com a seringa.
— Jogue-o porta afora.
— Você está maluco? — Cara explodiu. — Estamos a mais de 4.500 metros do chão!
Galt encarou a irmã. Onde ela tirou essa de contradizê-lo?
— Ele já nos disse o que precisamos saber.
— Pense, Galt, isso é enorme! Um antídoto nas mãos dos Cahill é a única coisa que pode destruir os planos do papai.
— Mais uma razão para ele fazer paraquedismo sem paraquedas! — rosnou Galt, indicando o imóvel Dan.
Ela balançou a cabeça.
— Eu ouvi dizer que ele tem uma memória fotográfica, isso significa que ele pode nos dizer tudo o que os Cahill viram ou fizeram. O garoto tem mais utilidades que um canivete suíço. Nós não vamos fazer mal a um único fio de cabelo na cabeça dele.
Galt abriu a boca para passar por cima do que ela falou, mas engoliu as palavras de raiva. Ele olhou ao redor da cabine para os capangas contratados de seu pai. Havia algo em suas expressões e nas linguagem corporais deles que diziam que eles estavam em sintonia com as ordens de sua irmã, não as dele.
Quando isso acontecera? Ele sempre foi o favorito do papai, e cresceu acreditando que seria seu herdeiro. Claro, Cara teria direito a sua parte do dinheiro. No entanto, o negócio, o poder – J. Rutherford Pierce seria presidente dos Estados Unidos em breve. E até isso era o primeiro passo para o plano mestre de seu pai...
— Amarre o prisioneiro de volta em seu assento — Cara ordenou ao capanga — falarei com o piloto sobre um plano de voo para o Camboja.
Galt queimou com ressentimento. Aquelas deveriam ter sido suas falas.
Os irmãos Pierce trabalhavam para o pai deles, mas isso não significava necessariamente que estavam do mesmo lado.

3 comentários:

  1. esses dois são cachill!!! e o Pierce tambem por casamento!!!!
    sou tão lerda que só realmente me dei conta disso agora!!!!

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    1. Por casamento não conta, isso é falado sobre o pai do Dan no Livro Negro

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  2. LUAMARA Cahill Madrigal infiltrada Ekhaterina28 de fevereiro de 2017 08:14

    por casamento não vale exatamente, mas eles são ekat.Euadoro a Cara.

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Boa leitura :)