23 de dezembro de 2016

49

— Ele não está.
Adam se vira. Fecha a cara ao ouvir a voz.
— O que está fazendo aqui?
— Puxa. Que maneira de me receber, Kent. Cuidado para não estirar um músculo ao me agradecer por salvar sua vida.
— Você mentiu para todos nós.
— Não há de quê.
— Você sedou meu irmão de dez anos!
— Ainda não há de quê.
— Ei, Kenji. — Eu o cumprimento.
— Minhas roupas ficaram bem em você. — Ele se aproxima um pouco, sorri.
Reviro os olhos. Adam examina meu traje pela primeira vez.
— Não tinha nada mais para vestir — explico.
Adam abana a cabeça um tanto lentamente. Olha para Kenji.
— Tem alguma mensagem para entregar?
— Sim. Devo mostrar onde vocês vão ficar.
— O que quer dizer?
Kenji ri.
— Você e James vão ser meus novos companheiros de quarto.
Adam xinga em sussurro.
— Foi mal, irmão, mas não temos aqui quartos suficientes para que você e as “mãos quentes” tenham seu lugarzinho particular. — Ele pisca para mim. — Sem ofensas.
— Tenho que sair agora?
— Sim, cara. Quero ir dormir logo. Não tenho o dia todo para ficar esperando esta sua preguiça.
— Preguiçoso...?
Apresso-me para interromper antes que Adam tenha uma chance de revidar.
— O que quer dizer, você quer ir dormir? Que horas são?
— São quase dez horas — Kenji responde. — É difícil saber no subterrâneo, mas todos nós tentamos estar cientes do relógio. Temos monitores nos corredores, e a maioria de nós tenta usar relógio. Perder a noção de dia e noite pode nos confundir bem depressa. E agora não é hora de nos acomodarmos demais.
— Como sabe que Warner não está morto? — pergunto, nervosa.
— Acabamos de vê-lo na câmera — diz Kenji. — Ele e seus homens estão com patrulha pesada nesta área. Consegui ouvir algumas de suas conversas. Acontece que Warner levou um tiro.
Seguro a respiração, tento silenciar meus batimentos.
— Foi por isso que tivemos sorte ontem à noite... aparentemente os soldados foram chamados de volta à base, porque pensaram que Warner estava morto. Houve, por um minuto, uma mudança de poder. Ninguém sabia o que fazer. Que ordens seguir. Mas, então, descobriu-se que Warner não estava morto. Apenas gravemente ferido. Seu braço estava todo costurado e em uma tipoia — acrescenta Kenji.
Adam encontra sua voz antes de eu encontrar a minha.
— Quanto este lugar está seguro de ataques?
Kenji ri.
— Seguro pra cacete. Nem sei como eles conseguiram chegar tão perto como chegaram. Mas eles nunca serão capazes de descobrir nossa localização exata. E, mesmo se conseguirem, nunca serão capazes de entrar à força. Nossa segurança é quase completamente impenetrável. E tem mais, temos câmeras por toda parte. Podemos ver o que eles estão fazendo antes mesmo de planejarem fazer. Mais isso de nada importa — continua ele —, porque eles estão procurando briga, e nós também estamos. Não tememos um ataque. Além disso, eles não fazem ideia do que somos capazes. E temos treinado para esta merda desde sempre.
— Você... — Interrompo. Ruborizo. — Você pode... digo, você também tem um... dom?
Kenji sorri. E desaparece.
Ele realmente se foi.
Fico de pé. Tento tocar o espaço em que ele estava colocado.
Ele reaparece a tempo de pular fora de meu alcance.
— Opa... pare, cuidado... só porque estou invisível não quer dizer que eu não possa sentir nada...
— Ah! — Recuo. Encolho-me de medo. — Sinto muito...
— Você consegue ficar invisível? — Adam parece mais irritado que interessado.
— Ficou piradão com meu poder, hein?
— Há quanto tempo você está me espionando? — Adam aperta os olhos.
— Desde que precisei espionar. — Mas seu sorriso é ornado com malícia.
— Você então é... corpóreo? — pergunto.
— Olhe pra você, usando palavras difíceis. — Kenji cruza os braços.
Recosta-se na parede.
— Digo... você não pode, tipo, atravessar paredes ou coisas do gênero, pode?
Ele bufa.
— Não, não sou um fantasma. Consigo apenas... me mesclar, suponho que seja a melhor palavra. Posso me mesclar com o fundo de qualquer espaço. Alterar o que sou para combinar com o meu redor. Levei muito tempo para descobrir isso.
— Uau!
— Costumava seguir Adam até em casa. Foi como eu descobri onde ele morava. E foi como consegui fugir... porque eles realmente não puderam me ver. De qualquer modo, eles tentaram atirar em mim — acrescenta ele, amargo — mas consegui sair vivo, pelo menos.
— Espere, mas por que você estava seguindo Adam até a casa dele? Pensei que você estivesse procurando por mim — pergunto a ele.
— Sim... bem, eu me alistei pouco depois de nos inteirarmos do grande projeto de Warner. — Ele acena na minha direção. — Estávamos tentando encontrar você, mas Warner tinha alguma credencial de segurança e acesso a mais informações que nós... estávamos passando um mau bocado na tentativa de rastreá-la. Castle pensou que seria mais fácil ter alguém infiltrado prestando atenção a toda a merda demente que Warner estava planejando. Então, quando escutei que Adam era o principal homem envolvido neste projeto em particular e que ele tinha esta história com você, enviei a informação a Castle. Ele disse para eu me precaver também em relação a Adam... você sabe, em caso de Adam se revelar tão psicopata quanto Warner. Ele queria se certificar de que ele não era uma ameaça a você ou a seus planos. Mas não fazia ideia de que vocês tentariam fugir juntos. Vocês me ferraram legal!
Todos ficamos em silêncio por um instante.
— Então, quanto você me espionou? — Adam pergunta para ele.
— Ora, ora, ora. — Kenji inclina a cabeça. — O senhor Adam Kent está sentindo um pouco intimidado?
— Não seja estúpido.
— Escondia alguma coisa?
— Sim. Minha arma...
— Ei! — Kenji entrelaça as mãos. — Então! Estamos prontos para dar o fora daqui, ou o quê?
— Preciso de um par de calças.
Kenji parece abruptamente irritado.
— Falando sério, Kent? Não quero ouvir essa merda.
— Bem, a menos que você queira me ver pelado, sugiro que faça algo sobre isso.
Kenji lança um olhar desagradável para Adam e sai de modo arrogante, resmungando algo sobre emprestar às pessoas todas as suas roupas. A porta se fecha atrás dele.
— Não estou nu de verdade — Adam diz para mim.
— Ah — sobressalto-me. Levanto a cabeça. Meus olhos me traem.
Não consigo conter o sorriso a tempo. Seus dedos roçam minha bochecha.
— Só queria que ele nos deixasse sozinhos por um segundo.
Coro até os ossos. Busco algo para dizer.
— Estou tão feliz que você esteja bem.
Ele diz algo que não escuto.
Pega minha mão. Puxa-me para o seu lado.
Ele se inclina, e eu me inclino, até que estou praticamente sobre ele, e ele está me deslizando para os seus braços e me beijando com um novo tipo de desespero, um novo tipo de paixão, uma necessidade ardente.
Suas mãos estão enroscadas em meus cabelos, seus lábios tão macios, tão urgentes contra os meus, como fogo e mel explodindo em minha boca. Meu corpo inteiro está ardendo, pulsando com uma corrente elétrica que envia excitações por minha espinha. Quero derreter em sua boca. Estendo a mão em direção a seu corpo.
Adam recua um pouquinho. Beija meu lábio inferior. Morde-o só por um segundo. Sua pele está 100 graus mais quente do que estava um momento atrás. Seus lábios são pressionados contra meu pescoço e minhas mãos estão em uma jornada decrescente pela parte superior de seu corpo, é eu estou me perguntando por que há tantos trens de carga em meu coração, por que meu peito é uma gaita quebrada. Estou traçando o pássaro preso eternamente em voo sobre sua pele e percebo, pela primeira vez, que ele me deu suas próprias asas. Ele me ajudou a voar para longe e agora estou presa em movimento centrípeto, planando bem para o centro de tudo. Provoco seus lábios a retomarem aos meus.
— Juliette — diz ele. Um suspiro. Um beijo. Dez dedos provocando minha pele. — Preciso vê-la esta noite.
— Sim.
— Por favor.
Duas fortes batidas mandam nos afastar.
Kenji abre fortemente a porta.
— Vocês notaram que esta parede é feita de vidro, não? — Ele parece que mordeu a cabeça de um verme. — Ninguém quer ver isso.
Ele joga um par de calças para Adam.
Acena para mim.
— Vamos, vou levá-la para Sonya e Sara. Elas vão prepará-la para esta noite. — Vira-se para Adam. — E nunca me devolva essas calças.
— O que acontece se eu não quiser dormir? — pergunta Adam, descarado. — Não tenho permissão para deixar meu quarto?
Kenji aperta os lábios. Encolhe os olhos.
— Eu não uso estas palavras com frequência, Kent, mas, por favor, não tente nenhuma porra de fuga secreta mirabolante. As coisas são reguladas aqui por uma razão. É o único modo de sobreviver. Portanto, faça um favor a todos e mantenha as calças no lugar. Você vai vê-la pela manhã.
Mas a manhã parece ser daqui a milhões de anos.

11 comentários:

  1. parem de se pegar em locais públicos! ceis são doido?

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    1. Imagino uma velhinha passando pelo vidro nessa hora KKKKKĶKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Morta estou

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  2. Kent e mt legal ja adoro ele
    Bj :deysi

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  3. Kkkkkkkk eu já tinha até esquecido que as paredes são de vidro kkkkk
    Imagina as pessoas no corredor

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  4. Eu espero q ele esteja bem vivo -_-''' eu sabia q o Adam pode ter algum dom e tenho certeza q o Warner também tem *0* eu amei o Ponto Ômega *-*

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  5. Gente que fogo que vcs tem hein e vc Juju, pra quem não sabe nada do assunto, até q vc é bem sadeeeenha e.e cara eu tô amando o Kenji, ele é demais

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  6. Gnnt... esse Kent é quente hein
    Num duvido nd se ele pegar fogo, o kra tá sempre cm calor e cm fogo nas ventas, deve ser o fireman e nm sabe

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  7. Yesubai, a filha do vilão10 de abril de 2017 00:58

    o Adam com certeza tem algum dom, e creio que deva estar relacionado a essa mudança de temperatura corporea dele.

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  8. Acho que e o Adam deve ser tipo o Tocha Humana ou o Cal, heuheueheu daqui a pouco tá pegando fogo... Já Warner eu não faço ideia de qual pode ser o dom dele...

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  9. Imagina toda a familia na sala e vc lendo isso cara eu tentei mtt segurar o riso maa n deu entai eu fui para outro comodo e rir demaiskkkkkkkkkkkkkk, n deu cara ta mtt engraçado

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Boa leitura :)