23 de dezembro de 2016

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Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca. Eu não sou louca.
O horror rompe-me as pálpebras.
Meu corpo está ensopado de um suor frio, meu cérebro, nadando em ondas de dor não esquecidas. Meus olhos fixam-se em círculos negros que se dissolvem na escuridão. Não faço ideia do quanto dormi. Não faço ideia se assustei meu companheiro de cela com os meus sonhos. Às vezes grito bem alto.
Adam está me fitando.
Estou respirando com dificuldade e consigo me levantar. Puxo os cobertores para mais perto de meu corpo apenas para me dar conta de que roubara seu único meio de se aquecer. Nunca me ocorreu que ele poderia estar congelando tanto quanto eu. Estou tremendo, mas seu corpo está inabalável na noite, sua silhueta, uma forma rija contra o pano de fundo negro. Não faço ideia do que dizer. Não há nada a dizer.
— Os gritos nunca param neste lugar, não é?
Os gritos são apenas o começo.
— Não — digo quase em silêncio. Um fraco rubor surge-me no rosto e eu estou feliz que esteja escuro demais para que ele repare. Ele deve ter escutado meus gritos.
Às vezes gostaria que nunca tivesse de dormir. Às vezes penso que, se eu ficar muito, muito quieta, se eu não me mover de modo nenhum, as coisas podem mudar. Penso que, se me congelar, eu posso congelar a dor. Às vezes não me movo por horas. Não movo um dedo.
Se o tempo permanece imóvel, nada pode dar errado.
— Você está bem? — A voz de Adam está preocupada. Examino seus punhos cerrados mantidos de lado, a ruga enterrada em sua testa, a tensão em sua mandíbula. Esta pessoa que roubou minha cama e meu cobertor é a mesma que ficou privada deles esta noite. Tão arrogante e descuidado poucas horas atrás; tão cuidadoso e quieto neste momento. Assusta-me que este lugar pudesse tê-lo destruído tão rapidamente. Me pergunto o que ele escutou enquanto eu estava dormindo.
Gostaria de poder salvá-lo do horror.
Algo se quebra; um grito atormentado soa a distância. Estes quartos são entranhados em concreto, paredes mais grossas que pisos e tetos combinados de modo a impedir que os ruídos escapem para muito longe. Se posso ouvir a agonia, é porque ela deve ser impossível de dominar.
Todas as noites há sons que deixo de escutar. Todas as noites pergunto-me se sou a próxima.
— Você não é louca.
Levanto bruscamente os olhos. A cabeça dele está inclinada, seus olhos concentrados e nítidos apesar da mortalha que nos envolve. Ele respira fundo.
— Pensei que todo mundo aqui fosse louco — continua ele. — Pensei que eles tinham me prendido com um psicopata.
Dou uma forte tragada de oxigênio.
— Engraçado. Eu também.
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3 segundos se passam.
Ele irrompe um sorriso tão largo, tão divertido, tão sincero e reanimador que é como uma trovoada pelo meu corpo. Algo alfineta meus olhos e quebra meus joelhos. Não vejo um sorriso há 265 dias.
Adam está de pé.
Ofereço-lhe seu cobertor.
Ele o pega apenas para enrolá-lo com mais firmeza em volta de meu corpo e algo repentinamente se contrai em meu peito. Meus pulmões estão esmagados e acabei de decidir não me mexer fosse lá durante quanto tempo ele falasse.
— O que houve?
Meus pais pararam de tocar em mim quando passei a engatinhar. Fiz meus colegas de classe chorar só por lhes segurar as mãos. Os professores me faziam trabalhar sozinha para que eu não machucasse as outras crianças. Nunca tive um amigo. Nunca conheci o aconchego do abraço de uma mãe. Nunca senti a ternura do beijo de um pai. Eu não sou louca.
— Nada.
Mais cinco segundos.
— Posso me sentar a seu lado?
Isso seria maravilhoso.
— Não. — Estou novamente encarando a parede.
Ele aperta e desaperta o maxilar. Ele passa a mão pelos cabelos e eu percebo pela primeira vez que ele não está vestindo uma camisa. Está tão escuro no quarto que apenas posso entrever as curvas e os contornos de sua silhueta; apenas uma pequena janela permite à Lua iluminar este espaço, mas eu observo enquanto os músculos de seus braços se comprimem a cada movimento e eu, repentinamente, estou pegando fogo. Chamas lambem minha pele e há uma explosão de calor arranhando-me todo o estômago. Cada centímetro de seu corpo está nu com vigor, cada superfície de algum modo iluminada na escuridão. Em dezessete anos jamais vi algo como ele. Em dezessete anos jamais conversei com um garoto da minha idade. Porque eu sou um monstro.
Fecho os olhos até fazê-los costurar de tão bem fechados.
Escuto o rangido de sua cama, o gemido das molas enquanto ele se senta.
Descosturo os olhos e examino o chão.
— Você deve estar congelando.
— Não. — Um forte suspiro. — Na verdade, estou pegando fogo.
Fico de pé tão rapidamente que os cobertores caem no chão.
— Você está doente? — Meus olhos examinam seu rosto à procura de sinais de febre, mas não ouso me aproximar.
— Você se sente zonzo? Doem-lhe as articulações? — Tento me lembrar de meus próprios sintomas. Meu próprio corpo prendeu-me à cama por uma semana. Não conseguia fazer mais que rastejar até a porta e cair de cara na minha comida. Não sei como sobrevivi.
— Qual é o seu nome?
Ele já fez a mesma pergunta três vezes.
— Você pode estar doente — é tudo o que consigo dizer.
— Não estou doente. Só estou quente. Não costumo dormir vestido.
Sinto um frio na barriga. Uma humilhação inexplicável queima minha carne. Não sei para onde olhar.
Uma respiração profunda.
— Fui um estúpido ontem. Tratei você como lixo e eu sinto muito. Não devia ter feito aquilo.
Ouso deparar com seu olhar.
Seus olhos são o tom perfeito de cobalto, azuis como uma contusão a desabrochar, nítidos e decididos. Sua mandíbula é definida e suas feições são esculpidas em uma expressão cuidadosa. Ele pensou nisso a noite toda.
— Está tudo bem.
— Então por que você não me diz o seu nome? — Ele se inclina para a frente e eu congelo.
Eu me derreto.
Eu evaporo.
— Juliette — sussurro. — Meu nome é Juliette.
Seus lábios amolecem em um sorriso que me quebra a espinha em pedaços. Ele repete meu nome como se a palavra o divertisse. Como se o entretivesse. Como se o deleitasse.
Em dezessete anos, ninguém jamais disse meu nome desse jeito.

29 comentários:

  1. Primeira a comentar.... Obrigada karina, estou amando esse livro...

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  2. "Seus olhos são o tom perfeito de cobalto"...Ren, é vc por aí???😍😍

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    1. Pensei a mesmo coisa, olhos cor cobalto, Ai como eu meu tigre branco

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    2. Foi automático pensar no Ren s2

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  3. GIRLLLLLL Vai fundo no gatão pq se tu n for eu vou

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  4. Também pensei no Ren kkkk

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  5. Caramba!!!
    To sem palavras...

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  6. Deu uma saudade o Will agora!!!😭

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    1. Né? Ele todo era deslumbrante ��

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  7. Esse livro é estranho e essa garota parece uma louca, eu gosto dela *^* MENINA SE APROCIMA DO BOY OU PODE DEIXAR QUE EU MESMA FAÇO ISSO HEUHEU

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  8. Meus pais pararam de tocar em mim quando passei a engatinhar. Fiz meus colegas de classe chorar só por lhes segurar as mãos. Os professores me faziam trabalhar sozinha para que eu não machucasse as outras crianças. Nunca tive um amigo. Nunca conheci o aconchego do abraço de uma mãe. Nunca senti a ternura do beijo de um pai. Eu não sou louca.

    ;-( Nossa -Wow- Wtf

    Que triste...
    * Lanna *

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  9. Que doidera essa história .-. Mas eu tô gostandoeu acho

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  10. CARA .... ISSO TA MUITO BOM

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  11. Finalmente sei o nome da depressiva.

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  12. ME DIZ QUANDO ELA VAI COMEÇAR A FALAR O QUE PENSA. EU ACHO OS PENSAMENTOS DELA MAIS INTERESSANTES DO QUE AQUILO QUE ELA FALA.

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  13. Tadinha!!! Carência pura!!!
    Amando o livro!!! Vamos ver se continua bom ...

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  14. Olhos azul cobalto cara lembrei do tigre branco (ren) e um dos personagens que eu nunca vou esquecer imagino como ele seria na vida real 😶

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  15. Amandoooooo!!!!!!❤❤❤❤

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  16. Em dezessete anos, ninguém jamais disse meu nome desse jeito.



    se drama for loucura, essa garota é doidinha de pedra

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  17. Aquele momento que tu tá tentando associar os acontecimentos da estória e fico encantada, por estar entendendo tudo e por não estar entendendo nada!

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  18. MANAS,QUE BOY É ESSE?
    n é nem o capitulo 5 eu eu já to apaixonada por ele

    -Não,na verdade estou fervendo

    #Morta

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  19. Tantos personagens gostosos nos livros para amar... O Adam já é mais um <3 <3

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Boa leitura :)