23 de dezembro de 2016

29

Casa.
“Casa.”
O que isso significa?
Separo os lábios para fazer a pergunta e seu sorriso furtivo é a única resposta que recebo. Estou constrangida e excitada e ansiosa e ávida. Meu estômago está repleto de tambores que batem em sincronia pelo meu coração. Estou praticamente zunindo em decorrência de nervos elétricos.
Cada passo é um passo longe do manicômio, longe de Warner, longe da futilidade da existência que sempre conheci. Cada passo é um passo que dou porque eu quero. Pela primeira vez na minha vida, avanço porque eu quero, porque sinto esperança e amor e a euforia da beleza, porque eu quero saber o que é viver. Poderia saltar para pegar uma brisa e viver para sempre nos caminhos traçados pelo vento.
Sinto-me como se tivesse ganhado asas.
Adam me conduz a um galpão abandonado às margens deste campo selvagem, coberto por vegetação inútil e tentáculos de arbustos desordenados, ásperos e hediondos, provavelmente venenosos. Fico me perguntando se este é o lugar onde Adam pretendia que ficássemos. Entro pelo espaço escuro e aperto os olhos. Um esboço chega-me ao foco.
Há um carro aqui dentro.
Pisco.
Não apenas um carro. Um tanque.
Adam quase não consegue controlar o próprio entusiasmo. Ele olha para o meu rosto esperando uma reação e parece satisfeito com meu assombro.
Suas palavras despencam.
— Convenci Warner de que tinha conseguido quebrar um dos tanques que eu trouxe até aqui. Essas coisas são projetadas para funcionar à eletricidade... então eu lhe disse que o mecanismo principal fritou em contato com os resquícios químicos. Que ele foi corrompido por alguma coisa na atmosfera. Ele, depois disso, arranjou um carro para mandar me buscar, e disse que devíamos deixar o tanque onde estava. — Ele quase sorri. — Warner estava me mandando aqui contra a vontade do pai, e não queria que ninguém descobrisse que ele tinha quebrado um tanque de 500 mil dólares. O relato oficial diz que ele foi raptado por rebeldes.
— Alguém não poderia ter aparecido e visto o tanque colocado aqui?
Adam abre a porta do passageiro.
— Os civis ficam longe, muito longe deste lugar, e nenhum outro soldado esteve aqui. Ninguém mais quis correr o risco da radiação. — Ele inclina a cabeça. — Essa é uma das razões por que Warner confiava em mim ao seu lado. Ele apreciava o fato de que eu estava disposto a morrer pelo dever.
— Ele nunca pensou que você sairia da linha — murmuro, compreendendo o que ele diz.
Adam sacode a cabeça.
— Não. E, depois do que aconteceu com o soro rastreador, ele não tinha razão para duvidar de que coisas malucas pudessem acontecer aqui. Eu desativei o mecanismo elétrico do tanque, só para o caso de que ele quisesse verificar. — Ele acena a cabeça para o veículo monstruoso. — Tive um pressentimento de que isso seria útil um dia. É sempre bom estar preparado.
Preparado. Ele esteve sempre preparado. Para correr. Para escapar.
Fico me perguntando por quê.
— Venha cá — diz ele, sua voz notadamente mais gentil. Ele me estende a mão à luz fraca e eu finjo ser uma feliz coincidência que suas mãos rocem minhas coxas nuas. Finjo não ser incrível a sensação de vê-lo lutando com os rasgos de meu vestido enquanto me ajuda a entrar no tanque. Finjo não poder ver o modo como ele está olhando para mim quando o último raio de Sol se despede no horizonte.
— Preciso cuidar de suas pernas — diz ele, um sussurro contra minha pele, elétrico em meu sangue. Por um momento, sequer entendo o que ele quer dizer. Sequer me importo. Meus pensamentos são tão impraticáveis que me surpreendo. Jamais tivera a liberdade de tocar alguém. Certamente ninguém jamais quisera minhas mãos sobre si. Adam é uma experiência absolutamente nova.
Tocá-lo é tudo em que quero pensar.
— Os cortes não estão tão ruins — continua ele, as pontas de seus dedos correndo pelas minhas panturrilhas. Sorvo a respiração. — Mas teremos de lavá-los, só para garantir. Às vezes é mais seguro ser cortado por uma faca de açougueiro do que ser arranhado por um pedaço qualquer de metal. Você não quer que isso infeccione.
Ele levanta os olhos. Suas mãos estão agora sobre meu joelho.
Estou acenando com a cabeça e não sei por quê. Pergunto-me se estou tremendo externamente tanto quanto estou por dentro. Espero que esteja escuro demais para que ele veja quanto meu rosto está corado, como é embaraçoso o fato de ele não poder tocar meu joelho sem que me deixe louca. Preciso dizer algo.
— Podemos ir, Adam?
— Sim. — Ele respira fundo, para retornar a si mesmo. — Sim. Temos de ir. — Ele espreita através da luz da noite. — Temos algum tempo antes que eles percebam que ainda estou vivo. E temos de usar isso a nosso favor.
— Mas, assim que deixarmos este lugar... o rastreador não vai voltar a funcionar? Eles não vão saber que você não está morto?
— Não. — Ele pula para o lado do motorista e mexe na ignição. Não há chave, apenas um botão. Pergunto-me se ele identifica a impressão digital de Adam como autorização. Uma pequena explosão, e a máquina ronca. — Warner tinha de renovar o meu soro rastreador toda vez que eu chegava. Uma vez destruído? Já era. — Ele sorri. — Então agora podemos realmente dar o fora daqui.
— Mas para onde vamos? — pergunto finalmente.
Ele muda a marcha antes de responder.
— Minha casa.

21 comentários:

  1. esperemos que o pai bêbado dele não more nessa casa

    (e o nome é Warner, hmm)

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  2. n gosto do adam so mais warner teamwarner

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    1. A sei la se o warner n fosse um maluco psicopata eu ate preferiria ele T-T

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    2. eu tambem prefiro o warner ele é foda, lindo e inteligente...
      to achando essa historia do Adam muito planejada tem algo errado

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    3. Tbm estou duvidando🤔 Perfeitinha demais😠

      Blackravi

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    4. Concordo, mano creio q ele tah escondendo ou enganado ela

      Lana

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  3. Eu estava quase desistindo desse livro porque estava achando a Juliette muito vitimista (Sim eu sei que a situação dela é ruim, mas ela repetia tanto isso que me dava nos nervos) E depois da Katniss de THG, da Celaena de Trono de Vidro, Tris de Divergente, Puck de A Corrida de Escorpião, Lia de The kiss of Deception e + algumas eu fiquei exigente c/protagonistas. Mas eu não desisti e até agora tá valendo a pena só esperando o Plot Twist. E o Adam já estar preparado é muito suspeito

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  4. Usando os arranhões como desculpa pra tocar a perna dela ne safadeeeeeenho e.e não importa oq esse Adam faça, sempre vou preferir o Warner u.U
    #TeamJuliner

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  5. '-' tou desconfiada do Adam

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  6. A maioria está..

    * Lanna *

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  7. Não sei não, hein. Tem caroço nesse angu

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  8. Acho que o Adam tem um poder tbm. Tenho uma teoria louca que tem outros com poderes e estão tentanto juntar cada vez mais contra o governo(esqueci o nome deles). Acho que ainda to com a cabeça em rainha vermelha

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    1. O Restabelecimento?
      Pois é. Em certo momento essas distopias começam a ficar todas parecidas. Também lembrei de Estilhaça-me enquanto lia Rainha Vermelha

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    2. 2 .
      Eu so penso que do nada vai aparecer tipo uma guarda escarlate.
      Ass:analu

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    3. SIM!!! Também acho que está muito igual a Rainha vermelha e.e As vezes dá até enjoo de estar igual, mas continuo esperando alguma coisa mais interessante do que esses acontecimentos típicos de mais em livros atuais.

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  9. Yesubai, a filha do vilão9 de abril de 2017 22:04

    eu não consigo mis sentir fascínio pelo Warner, só repulsa

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  10. Acho que Adam está usando ela.Está tudo muito planejado.
    Gosto do Warner, mas sério que vocês querem que ela vire uma assassina só pra ficar com ele?
    Se Warner mudar pra ficar com ela seria show, pois ele é sincero e gosta mesmo dela.

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    1. Concordo com vc... Creio q vai aparecer outro carinha ainda...
      Lana

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  11. Eu to com medo de o Adam estar mentindo,vai ser uma decepção e tanto pra mim

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  12. Eu estou sentindo falta de mais personagens nesse livro. Só é Adam, Warner, Juliette a todo capítulo. Também queria entender melhor o universo desta distopia. É meio vago. Espero que agora que a Juliette fugiu, a narrativa possa se tornar mais ampla.

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  13. Hmmm sei não esse Adam. Tá muito planejado tudo que ele está fazendo para fugir 😞😒

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Boa leitura :)