23 de dezembro de 2016

24

Duas semanas se passam.
Duas semanas de vestidos e banhos e comida que quero jogar longe. Duas semanas de Warner sorrindo e tocando em minha cintura, rindo e guiando-me com seus dedos sobre meus quadris, certificando-se de que estou impecável enquanto caminho ao seu lado. Ele pensa que sou seu troféu. Sua arma secreta.
Tenho de conter o desejo de quebrar seus dedos no concreto.
No entanto, ofereço-lhe duas semanas de cooperação, uma vez que, em uma semana, nós teremos partido.
Tenho esperança disso.
Mas então, mais que qualquer outra coisa, descobri que não odeio Warner tanto quanto pensava que odiava.
Lamento por ele.
Ele encontra um estranho tipo de conforto em minha companhia; ele acha que posso me relacionar com ele e suas noções distorcidas, sua educação cruel, seu pai ausente e ao mesmo tempo exigente.
Mas ele nunca diz uma palavra sobre sua mãe.
Adam diz que ninguém sabe nada sobre a mãe de Warner... que nunca se discutiu sobre ela e que ninguém faz ideia de quem ela seja. Ele diz que só se sabe que Warner é consequência de uma criação implacável, e de um desejo frio e calculado de poder. Ele odeia crianças felizes e pais felizes e suas vidas felizes.
Acho que Warner pensa que eu entendo. Que eu o entendo.
E eu entendo. E não entendo.
Porque não somos os mesmos.
Quero ser melhor.

Adam e eu temos pouco tempo juntos fora a noite. E, mesmo assim, não é muito. Warner me observa mais perto a cada dia; desativar as câmeras apenas o tornou mais desconfiado. Ele sempre entra de modo inesperado no meu quarto, levando-me a passeios desnecessários pelo edifício, falando sobre nada senão sobre seus planos e seus planos de fazer mais planos e de como juntos conquistaremos o mundo. Não finjo me interessar.
Talvez seja eu quem esteja piorando as coisas.
— Não acredito que Warner concordou mesmo em dar um fim às câmeras — disse-me Adam uma noite.
— Ele é louco. Não é racional. Ele é doente de um modo que nunca vou entender.
Adam suspirou.
— Ele é obcecado por você.
— O quê? — Quase quebro meu pescoço na surpresa.
— Ele só fala em você. — Adam fica em silêncio por um momento, seu maxilar bem apertado. — Ouvia histórias sobre você antes mesmo de você chegar aqui. Foi por isso que me envolvi... por isso me ofereci para ir pegá-la. Warner passou meses coletando informações sobre você: endereços, prontuários médicos, histórias pessoais, relações familiares, certificados de nascimento, testes de sangue. O exército inteiro falava sobre seu novo projeto; todos sabiam que ele estava procurando uma garota que tinha matado um garotinho em um supermercado. Uma garota chamada Juliette.
Prendo a respiração.
Adam sacode a cabeça.
— Sabia que era você. Tinha que ser. Perguntei a Warner se podia ajudar em seu projeto... disse a ele que tinha estudado com você, que tinha escutado sobre o garotinho, que a tinha visto em pessoa. — Ele riu um riso duro. — Warner ficou entusiasmado. Ele achou que isso tornaria o experimento mais interessante — acrescentou ele, revoltado. — E eu sabia que, se ele quisesse reivindicá-la como uma espécie de projeto doentio... — Ele hesitou. Desviou o olhar. Passou a mão pelo cabelo. — Só sabia que tinha de fazer alguma coisa. Pensei que pudesse tentar ajudar. Mas agora o negócio ficou pior. Warner não para de falar sobre do que você é capaz ou o quanto você é valiosa para seus esforços e o quanto ele está animado por ter você aqui. Todos estão começando a reparar. Warner é implacável... ele não tem misericórdia por ninguém. Ele ama o poder, a emoção de destruir pessoas. Mas ele está começando a rachar, Juliette. Ele está muito desesperado para que você... se junte a ele. E, apesar todas as suas ameaças, ele não quer forçá-la. Ele quer que você o queira. Escolha-o, de certo modo. — Ele olha para o chão, respira firme. — Ele está perdendo sua superioridade. E, sempre que vejo seu rosto, fico a alguns passos de fazer alguma estupidez. Adoraria quebrar sua cara.
Sim. Warner está perdendo sua superioridade.
Ele está paranoico, embora por uma boa razão. Mas depois ele é paciente e impaciente comigo. Excitado e nervoso o tempo todo. Ele é um paradoxo e ambulante.
Ele desativa minhas câmeras, mas em algumas noites ele ordena que Adam durma do lado de fora do quarto para certificar-se de que eu não escape. Ele diz que posso almoçar sozinha, mas sempre acaba me chamando para comer ao seu lado. As poucas horas que Adam e eu teríamos juntos são roubadas de nós, mas as noites ainda menos corriqueiras em que Adam tem permissão para dormir dentro de meu quarto eu consigo passar aconchegada em seus braços.
Nós dois agora dormimos no chão, enrolados um no outro para nos aquecer, mesmo com o cobertor sobre nossos corpos. Todo momento que ele toca em mim é como uma explosão de fogo e eletricidade que incendeia meus ossos do jeito mais incrível. É o tipo de sentimento que eu gostaria de poder segurar na mão.
Adam me faz novas revelações, boatos que ele escutou de outros soldados. Ele me conta que são vários os centros de comando no que restou no país. Que o pai de Warner está no Capitólio, que ele deixou seu filho encarregado do setor inteiro. Ele diz que Warner odeia o pai, mas ama o poder. A destruição. A devastação. Ele acaricia meus cabelos e conta-me histórias e achega-me como tivesse medo que eu desaparecesse. Ele pinta o retrato de pessoas e lugares até que eu adormeça, até que esteja mergulhando numa droga de sonhos para escapar de um mundo sem refúgio, sem alívio, sem liberdade senão em suas palavras que me restauram a confiança ao pé do ouvido, o sono é a única coisa pela qual estou ansiosa por esses dias. Mal consigo lembrar por que costumava gritar.
As coisas estão ficando cômodas demais e estou começando a entrar em pânico.

— Vista este — diz Warner para mim.
Café da manhã no quarto azul tornou-se rotina. Eu como e não pergunto de onde a comida vem, se os empregados estão sendo pagos pelo que fazem ou não, como este edifício consegue sustentar tantas vidas, bombear tanta água, ou usar tanta eletricidade. Agora espero minha hora. Coopero.
Warner não me pediu para tocá-lo novamente, e eu não me ofereço.
— Para que servem? — Vejo pequenos pedaços de pano em suas mãos e sinto uma pontada nervosa na barriga.
Ele sorri um sorriso lento e furtivo.
— Um teste de aptidão. — Ele agarra meu pulso e coloca a trouxa em minha mão. — Vou me virar, só desta vez.
Quase fico nervosa demais até para sentir nojo dele.
Minhas mãos tremem enquanto visto a roupa que se releva ser um top minúsculo e shorts ainda mais curtos. Estou praticamente nua. Estou praticamente tendo convulsões pelo medo do que isso possa significar. Limpo a garganta e Warner dá meia-volta.
Ele demora muito tempo para falar; seus olhos estão ocupados viajando pelo mapa de meu corpo. Quero rasgar o tapete e costurá-lo em minha pele.
Ele sorri e estende sua mão.
Sou granito e calcário e vidro de mármore. Não me movo.
Ele baixa a mão. Ele inclina a cabeça.
— Acompanhe-me.
Warner abre a porta. Adam está em pé do lado de fora. Ele ficou tão bom em mascarar suas emoções que eu mal registro a aparência de choque que aparece e desaparece de suas feições. Nada exceto a deformação em sua testa, bem como a tensão em suas têmporas, o trai. Ele sabe que algo não está certo. Ele na verdade vira o pescoço para assimilar minha aparência. Ele pisca os olhos.
— Senhor?
— Fique aqui, soldado. Assumo daqui.
Adam não responde não responde não responde...
— Sim, senhor — diz ele, sua voz subitamente rouca.
Sinto seus olhos sobre mim quando dobro o corredor.
Warner me leva para algum lugar novo. Estamos caminhando por corredores que nunca vi, mais escuros, mais frios e mais estreitos à medida que avançamos. Percebo que estamos descendo.
Para um porão.
Passamos uma, duas, quatro portas de metal. Soldados por todos os lados, seus olhos por todos os lados, apreciando-me ao mesmo tempo com medo e com alguma coisa a mais que prefiro não levar em conta. Reparei que há pouquíssimas mulheres neste edifício.
Se existe um lugar onde devo ser grata por ser intocável é este aqui.
É a única razão para eu ter segurança contra os olhos predadores de centenas de homens solitários. É a única razão para Adam permanecer comigo... porque Warner pensa que Adam é um boneco de papelão e regurgitações de baunilha. Ele pensa que Adam é uma máquina oleada por ordens e exigências. Ele pensa que Adam é uma recordação do meu passado, e ele usa isso para me deixar desconfortável. Ele nunca imaginaria que Adam pudesse colocar um dedo sobre mim.
Ninguém colocaria. Todos que encontro estão completamente petrificados.
A escuridão é como uma lona negra perfurada por uma faca cega, com feixes de luz espreitando pelos furos. Isso me faz recordar bastante da minha antiga cela. Minha pele enruga-se de medo incontrolável.
Estou cercada por armas.
— Entre — diz Warner. Sou empurrada para uma sala vazia com ligeiro cheiro de mofo. Alguém liga o interruptor e luzes fluorescentes acendem-se trêmulas para revelar paredes de amarelo pálido e tapete da cor de grama morta. A porta fecha atrás de mim com uma pancada.
Não há nada senão teias de aranha e um enorme espelho neste quarto. O espelho é da metade do tamanho da parede. Instintivamente sei que Warner e seus cúmplices devem estar me observando. Só não sei por quê.
Há segredos por todos os lugares.
Não há respostas em lugar nenhum.
Tinidos/estalos/rangidos e movimentos mecânicos sacodem o espaço em que me coloco. O chão treme à vida, o teto estremece com a promessa de caos. Pregos de metal de repente estão por todos os lugares, espalhados pelo quarto, perfurando toda e qualquer superfície em todos os diferentes níveis. A cada poucos segundos, eles desaparecem, apenas para reaparecerem com um repentino abalo de terror, cortando o ar como agulhas.
Percebo que estou em uma câmara de tortura.
Ruídos e o feedback de alto-falantes mais antigos que meu agonizante coração crepitam à vida. Sou um cavalo de corrida galopando rumo a uma falsa linha de chegada, arfando para que algum outro ganhe.
— Você está pronta? — A voz amplificada de Warner ecoa pela sala.
— Para o que deveria estar pronta? — Grito no espaço vazio, certa de que alguém pode me ouvir. Estou calma. Estou calma. Estou calma. Estou paralisada.
— Tínhamos um acordo, lembra-se? — responde.
— O que...
— Desativei suas câmeras. Agora é sua vez de cumprir sua parte no acordo.
— Não tocarei em você! — berro, girando em torno de meu eixo, apavorada, horrorizada, preocupada com que pudesse desmaiar a qualquer momento.
— Está bem — diz ele. — Estou enviando outro em meu lugar.
A porta guincha ao se abrir e um bebê anda em passos curtos e bambos, vestindo apenas uma fralda. Ele está vendado e soluçando, tremendo de medo.
Um prego estoura minha existência inteira e a transforma em nada.
— Se você não o salvar — as palavras de Warner crepitam pela sala —, nós também não vamos.
Esta criança.
Ele deve ter uma mãe um pai alguém que o ama esta criança esta criança esta criança cambaleando avante no terror. Ele poderia ser atravessado por uma estalactite de metal a qualquer segundo.
Salvá-lo é simples: preciso pegá-lo, encontrar um lugar seguro no chão e segurá-lo em meus braços até que o experimento esteja acabado.
Só existe um problema.
Se eu tocar nele, ele pode morrer.

13 comentários:

  1. eu tirava o top e pagava o bebê com ele, dane-se os mamilos, por assim dizer

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    1. kkkkkkk seria perfeito se ela fizesse isso...mas considerando a burrice dessa mina não estou muito esperançosa 😒

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    2. Colega amei seu comentário namoral.

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  2. TAMBÉM PENSEI NISSO HAHAHAHA

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  3. né eu tambem tiraria a roupa e pegaria o bebe

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  4. Warner é um psicopata, mds uma pobre criança :'( e agora? Tira a roupa mona, acho melhor tirar o short pra poder pegar na criança pq assim vc não fica nua, apenas d calcinha e top ;-;
    #AmodeioOWarner .-.

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  5. Também tiraria o short!

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  6. Porra Warner, era pra ela TE tocar, pra VC sentir a dor.

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  7. Sério que tem tanta gente gostando desse psicopata doido? Plmdds o cara é doente,quem em sã consciência usa um bebe pra conseguir oq quer? Sinceramente,não consigo entender o amor q alguns tem por esse cara,eu so sinto odio

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Boa leitura :)