29 de dezembro de 2016

23

Essas letras são tudo que me sobrou.
26 amigos para quem contar minha história.
26 letras são tudo que eu preciso para criar oceanos e ecossistemas. Posso combiná-las para formar planetas e sistemas solares. Posso usar letras para construir arranha-céus e metrópoles cheias de gente, lugares, coisas e ideias que são mais reais que essas quatro paredes.
Não preciso de nada além de palavras para viver. Sem elas eu não existiria.
Porque essas palavras que escrevo são a única prova de que ainda estou viva.

Está extraordinariamente frio esta manhã.
Sugiro que a gente faça um passeio descompromissado pelos complexos bem cedo só para ver se algum cidadão parece suspeito ou deslocado. Estou começando a imaginar se Kent e Kishimoto, e todos os outros, estão vivendo em segredo entre as pessoas. Eles devem, afinal de contas, receber alguma ajuda para encontrar comida e água — algo que os prenda à sociedade; duvido que possam plantar alguma coisa debaixo da terra. Mas é claro, são só suposições. Eles podem ter alguém que consegue plantar algo no ar.
Rapidamente dou instruções para meus homens; os oriento para se dispersarem e continuarem sem chamar a atenção. O trabalho deles é observar todo mundo hoje, e relatar o que descobriram para mim.
Assim que se foram, fico sozinho para olhar em volta e pensar. É um lugar perigoso para se esconder.
Meu Deus, ela parecia tão real nos meus sonhos.
Fecho os olhos, cobrindo o rosto com as mãos; meus dedos tocam meus lábios de leve. Posso sentir o toque dela. Na verdade, posso senti-la. Só de pensar nisso, meu coração aceleraNão sei o que vou fazer se continuar a ter sonhos tão intensos com ela. Não vou ser capaz de trabalhar direito.
Respiro fundo, controlando a respiração e me concentrando. Deixo meus olhos perambularem naturalmente, não posso evitar me distrair com as crianças correndo em volta. Parecem tão animadas e despreocupadas. Sei que parece estranho, mas fico triste ao ver que eles conseguiram encontrar felicidade nessa vida. Elas não têm nem ideia do que perderam; nem imaginam como o mundo costumava ser.
Alguma coisa se aproxima e bate nas minhas pernas.
Ouço um arquejo estranho e cansado; me viro.
É um cachorro.
Um cachorro cansado e faminto, tão magro e frágil que parece que pode ser levado pelo vento. Mas ele está me olhando. Sem medo. Com a boca aberta. A língua balançando.
Tenho vontade de dar risada.
Olho em volta rapidamente antes de pegar o cachorro nos braços. Não preciso dar ao meu pai outro motivo para me castrar, e não confio que meus soldados não irão contar uma coisa assim.
Que eu estava brincando com um cachorro.
Posso até escutar as coisas que meu pai iria me dizer.
Carrego a criatura chorosa até uma das casas que haviam sido desocupadas recentemente — vi apenas três famílias saindo para o trabalho — e me abaixo por trás de uma das cercas. O cachorro parece ser bem esperto para saber que agora não é hora de latir.
Tiro minhas luvas e ponho a mão no bolso para pegar um pãozinho doce que havia trazido como café da manhã; não tive tempo de comer nada antes de sairmos hoje cedo. E embora eu não faça ideia do que um cachorro coma, exatamente, eu lhe dou o pãozinho.
O cachorro praticamente o agarra da minha mão.
Ele engole o pãozinho em duas bocadas e começa a lamber os meus dedos, pulando no meu peito, todo empolgado, aproveitando o calor do meu casaco aberto. Não consigo segurar a risada que escapa dos meus lábios; nem quero. Há muito tempo não me sinto assim. E não posso evitar ficar espantado com o poder que animaizinhos tão pequenos exercem sobre nós; eles rompem nossas resistências com a maior facilidade.
Passo minhas mãos pelo seu pelo surrado, sentindo as pontas das costelas aparecendo em ângulos desconfortáveis. Mas o cachorro não parece se importar com seu estado de inanição, pelo menos não agora. Seu rabo está balançando furiosamente, e ele fica pulando no meu peito para me olhar.
Começo a pensar que deveria ter enfiado mais alguns pãezinhos doces no meu bolso antes de sair.
Algo estala.
Ouço um suspiro.
Olho em volta.
Dou um pulo, alerta, procurando o barulho. Parecia bem perto. Alguém me viu. Alguém... Um civil.
Ela já está escapando, seu corpo apertado de encontro a uma das paredes da casa.
— Ei! — grito. — Você aí...
Ela para. Olha para cima.
Eu quase desmaio.
Juliette.
Ela está me olhando. Ela realmente está aqui, olhando para mim, com os olhos arregalados e assustados. Minhas pernas parecem ser feitas de chumbo. Estou preso no chão, incapaz de dizer uma palavra sequer. Nem sei por onde começar. São tantas coisas que gostaria de dizer a ela, tantas coisas que eu nunca disse, e eu estou simplesmente tão feliz ao vê-la.
— Deus, estou tão aliviado...
Ela desapareceu.
Olho em volta, em pânico, imaginando se estou começando a perder meu senso de realidade. Meus olhos se voltam para o cachorrinho que ainda está parado ali, esperando por mim, e eu olho para ele estupefato, imaginando o que havia acontecido. Fico olhando para o lugar onde a vi, mas não vejo nada.
Nada.
Passo a mão pelos cabelos, tão confuso, tão horrorizado e irritado comigo mesmo, que fico tentado a arrancar minha cabeça.
O que está acontecendo comigo?

20 comentários:

  1. Ual! Até que estou começando a gostar um pouco dele... Estou muito ansiosa para ver o que irá acontecer no próximo livro ♡

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  2. essa cena é bem melhor pelo ponto de vista dele, que coisa mais fofa <3 vontade de esfregar a cara dele no asfalto quente pra ver se para com tanta fofura

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    1. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    2. Rosana Schreave Forever 7314 de abril de 2017 17:51

      Eu sabia que ainda restava uma fagulha de amor nesse coração de pedra dele!MEU MOZÃO VOUTOU!!!!!

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    3. A Juliette desperta o melhor do Warner.

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  3. Amando ele. Não basta ser inteligente. Tem que ser curioso, engraçado de um jeito bem estranho e agora essa do cachorrinho. Me conquistou.

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  4. "E não posso evitar ficar espantado com o poder que animaizinhos tão pequenos exercem sobre nós; eles rompem nossas resistências com a maior facilidade."
    Sempre pensei isso dos bichinhos.

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    1. Não gosto de animais,nem mesmo os de pelúcia.Mas achei fofo o Warner com o cachorro.

      Observação:
      Não estou dizendo que maltrato ou concordo com quem pratica esses atos cruéis.Pelo contrário,me revolto.Espero que o Warner adote esse cão,uma pobre vítima de crueldade passiva,e de
      fim ao seu sofrimento.

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  5. Sorry Adam, você é fofo, lindo e até entendo suas ações, mas... pelos deuses, impossível não me apaixonar pelo Aaron!

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  6. Warner, depois deste capítulo meu coração já é seu 😍

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  7. ANIMAIZINHOS SENHOR WARNER? QUE FOFO ...

    ASS: ISA

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  8. Cachorro Warner?? Poxa isso é golpe baixo. Vc já é apaixonante c/cachorrinho então... É maravilhoso!

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  9. Aí meus deusoooooo como ele é fofooooo *-* essa cena do ponto de vista dele é mto mais linda

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  10. Ainda mais #TeamWarner 😍😍😍

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  11. Estou apaixonada pelo Warner <3 Amei essa versão humana dele. O coitado está ficando doido...

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  12. Manuu ou ele estava imaginando ou ela estava lá mesmo e o kenji encostou nela e ela desapareceu provavelmente é a primeira opção mais aahh omDs é bom ver o q o amor faz com as pessoas

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  13. Warner,loirinho...não importa o quanto seu passado te condene,desde que você se arrependa no presente,para se tornar alguém melhor no futuro.Se esforce para conseguir o perdão da Juliette.Okay?

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Boa leitura :)