29 de dezembro de 2016

22

— Não. — Me ouço dizer. — Você não deveria estar aqui.
Ela está sentada na minha cama. Está apoiada nos próprios cotovelos, com as pernas esticadas à sua frente, cruzadas nos tornozelos. E apesar de uma parte de mim saber que devo estar sonhando, tem um outro lado, uma parte esmagadoramente dominante que se recusa a aceitar isso. Parte de mim quer acreditar que ela está aqui, perto de mim, usando esse vestidinho preto justo que fica exibindo suas pernas. Mas tudo nela está diferente, estranhamente vibrante; as cores estão erradas. Seus lábios estão com um tom profundo de rosa, bem intenso; seus olhos estão maiores, mais escuros. Ela está usando sapatos que eu nunca a tinha visto usar. E o mais estranho de tudo: ela está sorrindo para mim.
— Oi — ela murmura.
É só uma palavra, mas meu coração dispara. Estou me afastando dela, quase batendo a cabeça na cabeceira da cama, quando percebo que meu braço não está mais ferido. Olho para baixo, para mim mesmo. Meus dois braços estão funcionando. Estou vestindo apenas uma camiseta e uma cueca.
Ela muda de posição num instante, ficando de joelhos antes de vir rastejando para cima de mim. Ela sobe no meu colo. Agora está montada sobre mim. De repente minha respiração se acelera.
Seus lábios encostam nos meus ouvidos. Suas palavras são meigas.
— Me beije — ela diz.
— Juliette...
— Vim até aqui. — Ela ainda está sorrindo para mim. É um sorriso raro, do tipo que ela nunca antes havia me presenteado. Mas por estranho que pareça, agora ela é minha. Ela é minha e é perfeita e me quer, e não vou lutar contra isso.
Não quero lutar.
Suas mãos estão puxando minha camiseta, tirando-a pela cabeça. Jogando-a no chão. Ela se inclina e beija meu pescoço, só uma vez, bem devagarzinho. Meus olhos se fecham.
Não há palavras no mundo para descrever o que estou sentindo.
Sinto suas mãos percorrerem meu peito, meu estômago; seus dedos deslizarem pela beirada da minha cueca. Seu cabelo despenca para frente, roçando minha pele, e tenho que fechar os punhos para evitar prendê-la na minha cama.
Cada terminação nervosa do meu corpo está pulsando. Nunca me senti tão vivo nem tão desesperado em toda a minha vida, e tenho certeza de que se ela pudesse saber o que estou pensando nesse momento, ela sairia por aquela porta e nunca mais voltaria.
Porque eu a quero.
Agora.
Aqui.
Em todo lugar.
Não quero nada entre nós.
Quero tirar suas roupas, acender as luzes e quero estudá-la de perto. Quero abrir o zíper do seu vestido e me demorar em cada centímetro do seu corpo. Não consigo deixar de querer olhar para ela; de conhecê-la e a seus traços: o declive do seu nariz, a curva dos seus lábios, a linha do seu rosto.
Quero percorrer com meus dedos a pele macia do seu pescoço e deslizar até embaixo. Quero sentir o peso do corpo dela sobre o meu, me envolvendo.
Não consigo pensar numa razão para isso não ser certo nem real. Não consigo me concentrar em nada mais, a não ser nela sentada no meu colo, tocando meu peito, e me olhando nos olhos como se realmente me amasse.
Chego a imaginar que morri.
Mas bem quando eu me aproximo, ela se afasta, sorrindo antes de eu alcançá-la, nunca afastando seus olhos.
— Não se preocupe — ela sussurra. — Está quase acabado agora.
Suas palavras parecem tão estranhas, e ao mesmo tempo tão familiares.
— O que quer dizer com isso?
— Só um pouco mais e eu vou embora.
— Não. — Estou piscando rápido, tentando segurá-la. — Não, não vá. Onde você está indo...
— Você vai ficar bem — ela diz. — Prometo.
— Não...
Mas agora ela está segurando uma arma.
E a apontando para o meu coração.

9 comentários:

  1. Acho que é o pai dele fazendo isso...

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  2. Ai que dó do Warner :(, quero ele pra mim rsrsrs

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  3. será possivel q tem alguem controlando esses sonhos? ou é só mto azar ter esses pesadelos ... ???

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  4. Aiai!!Warner...se torne bonzinho para eu poder te shippar com a Ju!
    Coitado...

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  5. Respostas
    1. Warner SadBoy.

      A Juliette nunca foi amiga do Warner,para manter a amizade quando ele quiz um relacionamento amoroso.Ou seja,ele não está na FriendZone.

      SadBoy:garoto triste.

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Boa leitura :)