23 de dezembro de 2016

21

Matar tempo não é tão difícil quanto parece.
Posso atirar uma centena de números no peito e vê-los sangrar pontos decimais na palma de minha mão. Posso rasgar os números de um relógio e ver os ponteiros das horas fazer tique-taque tique-taque tique-taque, seu taque final pouco antes de eu pegar no sono. Posso sufocar os segundos apenas segurando minha respiração. Há horas ando assassinando minutos e ninguém parece prestar atenção.
Passou-se uma semana desde que falei a última palavra com Adam.
Virei-me para ele uma vez. Abri minha boca apenas uma vez, mas nunca tive uma chance de dizer qualquer coisa antes de Warner me deter.
— Você não tem permissão para falar com os soldados — disse ele. — Se tiver perguntas, pode fazê-las a mim. Sou a única pessoa com quem você precisa se preocupar enquanto estiver aqui.
Possessivo não é uma palavra forte o suficiente para Warner.
Ele me escolta em todos os lugares. Fala demais comigo. Minha programação consiste em encontrar-me com Warner e comer com Warner e escutar Warner. Se ele está ocupado, sou mandada para meu quarto. Se ele está livre, ele me encontra. Ele me conta sobre os livros que eles destruíram. Artefatos que eles estão preparando para queimar. As ideias que ele tem para um mundo novo e como lhe serei de grande ajuda tão logo estiver ponta. Tão logo eu perceba o quanto quero isto, o quanto eu o quero, o quanto quero esta nova vida triunfante e poderosa. Ele está esperando que eu canalize meu potencial. Ele me diz quão grata deveria ser por sua paciência. Sua bondade. Sua vontade de compreender que esta transição deve ser difícil.
Não posso olhar para Adam. Não posso falar com ele. Ele dorme no meu quarto, mas nunca o vejo. Ele respira tão próximo ao meu corpo, mas não aparta os lábios em minha direção. Não me segue para o banheiro. Não deixa mensagens secretas em meu caderno.
Estou começando a me perguntar se eu imaginei tudo o que ele disse para mim.
Preciso saber se alguma coisa mudou. Preciso saber se estou louca por agarrar-me a essa esperança florescendo em meu coração e preciso saber o que a mensagem de Adam significa, mas todo dia em que ele me trata como uma estranha é outro dia em que começo a duvidar de mim mesma.
Preciso falar com ele, mas não posso.
Porque agora Warner está me vigiando.
As câmeras estão vigiando tudo.

— Quero que você retire as câmeras de meu quarto.
Warner para de mastigar a comida/lixo/café da manhã/absurdo em sua boca. Ele engole cuidadosamente antes de recostar-se e olhar-me no olho.
— Certamente não.
— Se você me trata como uma prisioneira — digo a ele — agirei como uma. Não gosto de ser vigiada.
— Você não pode ser confiada à própria sorte. — Ele pega novamente sua colher.
— Cada suspiro que eu dou é monitorado. Há guardas situados em intervalos de um metro e meio por todos os corredores. Nem mesmo tenho acesso ao meu próprio quarto — protesto. — As câmeras não vão fazer diferença.
Um estranho tipo de divertimento dança em seus lábios.
— Você não é exatamente estável, você sabe. Você está sujeita a matar alguém.
— Não. — Aperto meus dedos. — Não... não mataria... eu não matei Jenkins....
— Não estou falando de Jenkins. — Seu sorriso é um tonel de ácido gotejando em minha pele.
Ele não para de olhar para mim. Sorrir para mim. Torturar-me com seus olhos.
Esta sou eu, gritando silenciosamente com a mão cerrada.
— Aquilo foi um acidente. — As palavras despencam-se da boca tão e, tão rapidamente, que nem mesmo sei se na verdade falei ou se verdade ainda estou aqui ou se na verdade tenho 14 anos tudo de novo e mais uma vez e estou gritando e morrendo e mergulhando em um lago de lembranças que nunca jamais jamais jamais jamais...
Não consigo esquecer.
Eu a vi no supermercado. Suas pernas estavam cruzadas nos tornozelos, seu filho estava em uma coleira que ela pensava que ele pensava ser uma mochila. Ela pensava que ele era burro demais/jovem demais/imaturo demais para entender que a corda amarrando-o ao pulso dela fosse um instrumento destinado a aprisioná-lo em seu círculo desinteressado de autoaprovação. Ela é jovem demais para ter um filho, para ter essas responsabilidades, para ser enterrada por uma criança que tem necessidades que não se acomodam às suas. Sua vida é tão incrivelmente insuportável tão imensamente multifacetada tão glamorosa para a encoleirada herança de seus quadris, que é mesmo natural que não compreenda.
Crianças não são estúpidas, era o que eu queria dizer a ela.
Queria dizer a ela que o sétimo grito dele não significava que ele estava tentando ser insolente, que a décima quarta repreensão dela na forma de pirralho/você é um pirralho/você está me envergonhando seu pirralho/não faça contar para o papai que você estava sendo um pirralho‖ era desnecessária. Eu não pretendia assistir, mas não pude me abster. Seu rosto de três anos de idade enrugava-se de dor, suas mãozinhas tentavam desfazer as correntes que ela amarrara a seu peito e ela o puxava tão forte que ele caía e chorava e ela lhe dizia que ele merecia isso.
Queria perguntar a ela por que fazia aquilo.
Queria perguntar a ela tantas coisas, mas não o fiz porque não falamos mais com as pessoas, porque dizer alguma coisa a um estranho é mais estranho que não dizer nada a um estranho. Ele caiu no chão e se contorceu até que larguei tudo das mãos e perdi cada expressão de meu rosto.
Lamento muito — é o que nunca disse para seu filho.
Pensei que minhas mãos estivessem ajudando.
Pensei que minhas mãos estivessem ajudando.
Pensei em tantas coisas.
Eu nunca
nunca
nunca
nunca
nunca pensei.
— Você matou um garotinho.
Estou pregada na cadeira aveludada por um milhão de memórias e sou assombrada por um horror que minhas mãos nuas criaram e recordo-me a todo momento de que sou desprezada por uma boa razão. Minhas mãos podem matar pessoas. Minhas mãos podem destruir tudo.
Não deveria ter permissão para viver.
—Eu quero — arquejo, lutando para engolir o punho alojado na garganta — eu quero que você se livre das câmeras. Livre-se delas ou morrerei lutando com você por esse direito.
— Finalmente! — Warner levanta-se e entrelaça as mãos como a congratular a si mesmo. — Ficava me perguntando quando você acordaria. Andei esperando o fogo que sei que deve estar queimando-a todo santo dia. Você está enterrada em ódio, não é? Raiva? Frustração? Coçando para fazer alguma coisa? Para ser alguém?
— Não.
— Claro que você está. Você é exatamente como eu.
— Odeio você mais do que jamais entenderá.
— Faremos uma excelente equipe.
— Não somos nada. Você é nada para mim...
— Sei o que você quer. — Ele se inclina, baixa o tom de voz. — Sei o que seu coraçãozinho sempre almejou. Posso lhe dar a aceitação que você procura. Posso ser seu amigo.
Congelo. Hesito. Não consigo falar.
— Sei tudo sobre você, amor. — Ele sorri malicioso. — Há muito tempo quero você. Sempre esperei que estivesse pronta. Não vou deixá-la ir assim tão fácil.
— Não quero ser um monstro — digo, talvez mais por minha causa do que por ele.
— Não lute contra o que você nasceu para ser. — Ele pega meus ombros. — Pare de deixar todo mundo dizer o que é errado e certo. Reivindique! Você se encolhe quando poderia conquistar. Você tem muito mais poder do que tem ideia e, muito francamente, estou — ele sacode a cabeça — fascinado.
— Não sou sua aberração — disparo. — Não vou representar para você.
Ele aperta os braços ao redor dos meus e eu não consigo me esquivar. Ele se inclina perigosamente próximo a meu rosto e eu não sei por que, mas não consigo respirar.
— Não tenho medo de você, minha querida — diz ele calmamente. — Estou completamente encantado.
— Ou você se livra das câmeras, ou encontrarei e quebrarei cada uma delas. — Sou uma mentirosa. Estou mentindo entredentes, mas estou com raiva e desesperada e amedrontada. Warner quer me transformar em um animal que se aproveita dos fracos. Dos inocentes.
Se ele quer que eu lute do seu lado, ele terá de lutar comigo primeiro.
Um sorriso lento estende-se por seu rosto. Ele toca minha bochecha com seus dedos enluvados e, pegando meu queixo, inclina minha cabeça para cima, quando então recuo.
— Você é absolutamente deliciosa quando está com raiva.
— Uma pena que meu gosto é tóxico para você. — Estou tremendo de nojo da cabeça aos pés.
— Esse detalhe torna este jogo ainda mais fascinante.
— Você é doente, você é muito doente...
Ele ri e solta meu queixo apenas para catalogar as partes de meu corpo. Seus olhos desenham um caminho preguiçoso por sua extensão e eu sinto a súbita vontade de arrebentar seu baço.
— Se eu me livrar de suas câmeras, o que você fará para mim? — Seus olhos são mal intencionados.
— Nada.
Ele sacode a cabeça.
— Isso não funciona assim. Eu posso concordar com sua proposta se você concordar com uma condição.
Travo o maxilar.
— O que você quer?
O sorriso é maior que antes.
— É uma questão perigosa.
— Qual é a sua condição? — Esclareço, impaciente.
—Toque em mim.
— O quê? — Meu arquejo é tão ruidoso que ele me surpreende na garganta apenas para correr ao redor do quarto.
— Quero saber exatamente do que você é capaz. — Sua voz é segura, suas sobrancelhas firmes, tensas.
— Não farei isso de novo! --— explodo. — Viu o que você me fez fazer a Jenkins...
— Dane-se Jenkins — cospe ele. — Quero que você toque em mim... quero sentir isso por mim mesmo...
— Não... — Estou sacudindo a cabeça tão fortemente que fico zonza. — Não. Nunca. Você é louco... não vou...
— Na verdade, vai.
— Não vou...
— Você terá de... agir... em um ponto ou outro — diz ele, esforçando-se para moderar a voz. — Mesmo que renunciasse à minha condição, você está aqui por uma razão, Juliette. Convenci meu pai de que você seria um trunfo para O Restabelecimento. Que você seria capaz de reprimir quaisquer rebeldes que nós...
— Quer dizer torturar...
— Sim. — Ele sorri. — Perdoe-me, quero dizer torturar. Você será capaz de nos ajudar a torturar qualquer um que capturemos. — Uma pausa. — Infligir dor, veja você, é um método incrivelmente eficiente de tirar informação de qualquer pessoa. E quanto a você? — Ele passa os olhos em minhas mãos. — Bem, é barato. Rápido. Eficaz. — Ele sorri mais amplamente. — E, desde que a mantenhamos viva, você será vantajosa por pelo menos algumas décadas. Temos muita sorte por você não operar à bateria.
— Seu... seu... — esbravejo.
— Você devia estar me agradecendo. Salvei você daquele hospício, trouxe-a para uma posição de poder. Dei a você tudo o que você poderia precisar para ficar confortável. — Ele aponta seu olhar para mim. — Agora preciso que você se concentre. Preciso que você abdique de suas esperanças de viver como todos os outros. Você não é normal. Você nunca foi, e nunca será. Aceite quem você é.
— Eu... — engulo — eu não sou... eu não sou... eu sou... Pare...
— Você está mentindo para si mesma.
Estou pronta para destruí-lo.
Ele inclina a cabeça e força um sorriso.
— Você esteve no limite da insanidade sua vida inteira, não esteve? Tantas pessoas chamaram-na maluca que você de fato começou a acreditar nisso. Você perguntava se eles estavam certos. Você se perguntava se poderia consertar isso. Você pensou que, se pudesse apenas se esforçar um pouco mais, ser um pouco melhor, mais inteligente, mais agradável... você pensou que o mundo mudaria sua opinião sobre você. Você culpou a si mesma por tudo.
Arquejo.
Meu lábio inferior treme sem minha permissão. Mal consigo controlar a tensão no rosto.
Não quero lhe dizer que ele está certo.
— Você reprimiu toda a sua raiva e ressentimento porque queria ser amada — diz ele, já sem sorrir. — Talvez eu a entenda, Juliette. Talvez você vesse confiar em mim. Talvez devesse aceitar o fato de que tentou por muito tempo ser alguém que você não é e que, não importa o que tenha feito, aqueles canalhas nunca ficaram contentes. Nunca ficaram satisfeitos. Nunca deram a mínima, deram? — Ele olha para mim e, por um momento, ele quase parece humano. Por um momento, quero acreditar nele. Por um momento, quero sentar-me no chão e chorar convulsivamente o oceano alojado em minha garganta.
— Está na hora de parar de fingir — diz ele, muito suavemente. — Juliette... — Ele segura meu rosto em suas mãos enluvadas, com inesperada delicadeza. — Você não precisa mais ser bondosa. Você pode destruir todos eles. Você pode tirá-los de cima e assumir todo este mundo e...
Uma máquina a vapor atinge-me no rosto.
— Não quero destruir ninguém — digo a ele. — Não quero ferir pessoas...
— Mas elas merecem isso! — Ele se afasta de mim, subitamente frustrado. — Como poderia não querer retaliar? Como poderia não querer revidar...
Levanto-me lentamente, tremendo subitamente de raiva, esperando que minhas pernas não desmoronassem debaixo de mim.
— Você acha que, porque sou desprezada... porque sou negligenciada e... e descartada... — Minha voz eleva-se a cada palavra, as emoções desenfreadas de repente gritando através de meus pulmões. — Você acha que não tenho um coração? Você acha que não sinto? Acha que, só porque posso infligir dor, deveria fazer isso? Você é exatamente como os demais. Acha que eu sou um monstro como os demais. Você não me entende de modo algum...
— Juliette...
— Não.
Não quero isso. Não quero a vida dele.
Não quero ser algo para ninguém senão para mim mesma. Quero fazer minhas próprias escolhas e nunca quis ser um monstro. Minhas palavras são lentas e firmes quando falo.
— Valorizo a vida humana mais do que você, Warner.
Ele abre a boca para falar antes de se deter. Aparta seus lábios em surpresa. Ri alto e balança a cabeça.
Sorri para mim.
— O quê? — pergunto antes de me deter.
— Você acabou de dizer meu nome. — Ele sorri ainda mais. — Você nunca se dirigiu diretamente a mim. Isso deve significar que estou tendo progresso com você.
— Só disse que você não...
Ele me corta.
— Não estou preocupado com seus dilemas morais. Você só está tentando ganhar tempo porque está em negação. Não se preocupe — diz ele. — Você vai superar isso. Posso esperar um pouco mais.
— Não estou em negação...
— Claro que está. Você ainda não sabe isso, Juliette, mas você é uma garota muito má — diz ele, segurando seu coração. — Exatamente o meu tipo.
Esta conversa é impossível.
— Há um soldado morando em meu quarto. — Estou respirando com dificuldade. — Se você quer que eu fique aqui, você precisa se livrar das câmeras.
Os olhos de Warner escurecem apenas por um instante.
— Onde está seu soldado, afinal?
— Como vou saber? — Peço a Deus para não corar. — Foi você que o designou para mim.
— Sim. — Ele parece pensativo. — Gosto de vê-la sofrer. Ele a deixa desconfortável, não deixa?
Penso nas mãos de Adam sobre meu corpo e seus lábios tão próximos meus e o cheiro de sua pele banhada em um aguaceiro vaporoso que encharca nós dois juntos e repentinamente meu coração é como dois punhos golpeando minhas costelas e exigindo fuga.
— Sim. — Deus. — Sim. Ele me deixa muito... desconfortável.
— Você sabe por que o escolhi? — pergunta Warner, e eu sou atropelada por um caminhão de carga.
Adam foi escolhido.
É claro que ele foi. Ele não era apenas um soldado qualquer enviado minha cela. Warner não faz nada sem uma razão. Ele deve saber que Adam e eu temos uma história. Ele é mais cruel e calculista do que eu pensava.
— Não. — Inspiro. — Não sei por quê. — Expiro. Não posso me esquecer de respirar.
— Ele se ofereceu — diz Warner simplesmente, e eu estou momentaneamente abismada. — Ele disse que estudou com você há muitos anos. Ele disse que você provavelmente não se lembraria dele, que ele está muito diferente do que naquela época. Ele montou um caso muito convincente. — som de suspiro. — Ele disse que ficou entusiasmado ao ouvir que você tinha sido trancafiada. — Warner finalmente olha para mim.
Meus ossos são como cubos de gelo tilintando em conjunto, resfriando-me até o coração.
— Estou curioso — continua ele, inclinando a cabeça enquanto fala. — se lembra dele?
— Não — minto, e não tenho certeza de que estou viva. Estou tentando enredar a verdade do falso, dos pressupostos, das postulações, mas frases longas e desconexas torcem-me a garganta.
Adam me conhecia quando entrou naquela cela.
Ele já sabia meu nome.
Ah
Ah
Ah
Foi tudo uma armadilha.
— Esta informação a deixa... zangada? — pergunta ele, e eu quero costurar seus lábios sorridentes em uma carranca permanente.
Não digo nada e de algum modo é pior.
Warner está radiante.
— Nunca disse a ele, é claro, por que você tinha sido trancafiada... achei que a experiência no hospício não devesse ser contaminada por informação extra... mas ele disse que você sempre foi uma ameaça para os alunos. Que todo mundo sempre era avisado para ficar longe de você, embora as autoridades nunca tivessem explicado o porquê. Ele disse que queria dar uma olhada mais de perto na aberração que você se tornou.
Meu coração parte. Meus olhos flamejam. Estou tão ferida tão furiosa tão choca da tão humilhada e queimando de indignação tão crua que é como um fogo enfurecendo-se dentro de mim, um incêndio de esperanças dizimadas. Quero esmagar a espinha dorsal de Warner com a minha mão. Quero que ele saiba o que é ferir, infligir uma agonia tão insuportável aos outros. Quem que ele conheça minha dor e a dor de Jenkins e a dor de Fletcher e quero que ele sofra. Porque talvez Warner esteja certo.
Talvez algumas pessoas mereçam isso.
— Tire a camisa.
Por toda sua postura, Warner parece genuinamente surpreso, mas ele não perde tempo desabotoando o casaco, removendo as luvas e tirando a camisa de algodão fino que lhe adere o mais próximo à pele.
Seus olhos são brilhantes, repugnantemente ávidos; ele não mascara sua curiosidade.
Warner deixa cair as roupas no chão e olha para mim quase íntimo. Tenho de engolir a repulsa que borbulha em minha boca. Seu rosto perfeito. Seu corpo perfeito. Seus olhos tão duros e belos quanto pérolas congeladas. Ele me causa repugnância. Quero que seu exterior corresponda ao seu interior doente e sombrio. Quero mutilar sua ousadia com a palma de minha mão.
Ele caminha até mim até que haja poucos centímetros de distância entre nós. Sua altura e seu físico fazem com que me sinta como um galho caído.
— Você está pronta? — pergunta ele, arrogante e insensato.
Contemplo a ideia de quebrar seu pescoço.
— Se eu fizer isso, você se livrará de todas as câmeras em meu quarto. Todos os microfones. Tudo.
Ele se aproxima. Curva a cabeça. Ele está fitando meus lábios, estudando-me de um modo inteiramente novo.
— Minhas promessas não valem muito, amor — sussurra ele. Ou já se esqueceu? — Alguns centímetros para a frente. Sua mão na minha cintura. Seu hálito puro e cálido no meu pescoço. — Sou um mentiroso excepcional.
A compreensão bate em mim como duzentas pancadas de senso comum. São deveria estar fazendo isso. Não deveria estar fazendo acordos com ele. Não deveria estar considerando a tortura. Deus, eu perdi a cabeça. Meus punhos estão cerrados ao lado do corpo e eu estou tremendo por toda parte. Mal consigo encontrar força para falar.
— Pode ir pro inferno.
Estou fraca.
Tropeço para trás contra a parede e caio em um monte de inutilidades; espero. Penso em Adam e meu coração esvazia.
Não posso mais ficar aqui.
Corro até as portas duplas de frente ao quarto e abro-as com um puxão antes que Warner possa me deter. Em vez dele, porém, é Adam quem me detém. Ele está de pé bem do lado de fora. Esperando. Protegendo-me aonde quer que eu vá.
Pergunto-me se ele escutou tudo e meus olhos se rebaixam tristes ao chão, o rubor de meu rosto, meu coração despedaçado na mão. É claro que ele escutou tudo. É claro que ele agora sabe que sou uma assassina. Um monstro. Uma alma sem valor empalhada em um corpo venenoso.
Warner fez isso de propósito.
E estou de pé entre eles. Warner sem camisa. Adam olhando para sua arma.
— Soldado. — Warner fala. — Leve-a de volta ao quarto e desative todas as câmeras. Ela pode almoçar sozinha se quiser, mas vou esperá-la para o jantar.
Adam vacila por um momento bastante longo.
— Sim, senhor.
— Juliette?
Congelo. Estou de costas para Warner e não me viro.
— Espero que você cumpra sua parte no acordo.

21 comentários:

  1. To com uma vontade imensa de pegar alguém, empurrar essa pessoa e ficar socando e arranhando a cara dela até ser só um monte desfigurado... se eu fosse essa guria ia tocar nele e se não funcionasse ia esmagar o nariz dele até ele virar o Voldemort, eu não sirvo pra ser esse tipo de protagonista, ia sair matando qualquer que me irritasse feito esse cara
    (por algum motivo, eu morro de ódio dele, mas ao mesmo tempo sinto uma simpatia e acho graça do que ele fala, o que acaba me deixando com mais raiva ainda dele)

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    1. Também! meteria a mão na cara dele!

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  2. era pra metade dos leitores da CASSIE esta lendo esse livro foda

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  3. Eu queria entender porque sempre me fascino por vilões. Kkkk

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    1. Dizem que toda dama se amarra num bad boy. Pode ser isso.

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  4. Por que os vilões sempre são incríveis? Sério! Warner é fascinante e ao mesmo tempo absurdamente irritante mas faz meu coração palpitar tão rápido!

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    1. EXATAMENTE!!!!!TIROU AS PALAVRAS DA MINHA BOCA

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  5. Warner é aquele vilão que voce quer espancar, mas sabe que não poderia matar ele porque senão a história não teria graça nenhuma.

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  6. cara sou so eu que estou fascinada pelo warner? ele é incrivel... quero que ele beije ela serio....

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  7. Ju sofreu muito tadinha, tô com raiva do Warner por tudo o que disse pra Juju. JU MINHA QUERIDA, JÁ Q ELE QUER QUE VC O TOQUE, ENTÃO APROVEITA, PASSE A MÃO NO CORPO DELE TODO e.e ASSIM ELE VAI SENTIR DOR AUSHAUSH eu nunca gostei dos vilões, mas pela primeira vez na vida tô xonada por um, eu amodeio o Warner >.<

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  8. Eu tô aqui pensando se ele realmente é esse FDP ou se é tudo fingimento.

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  9. Huum... Será que ela tem que estar apaixonada pela pessoa para toca-la e não machuca-la e é por isso que o Warner ta sendo tão "gentil"? E o Adam pode toca-la e.e?

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  10. Yesubai, a filha do vilão9 de abril de 2017 20:30

    ahhhhhh que raiva do Warner, esse cara é louco,excêntrico, maníaco e ao memso tempo tão fascinante, tão precoce, tão carismático, tão louco

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  11. Yesubai, a filha do vilão9 de abril de 2017 20:30

    Sou um mentiroso excepcional.

    e essas frases dele kkkkkkkk convencido

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  12. Não sei lidar com o Warner, uma hora o odeio, mas estou completamente apaixonada '-' kkkk

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  13. Eu ainda acho que ela vai ficar dividida pelos dois o Warner porque querendo ou não sempre fala a verdade para ela por mais tura que seja, já o Adam e tudo que ela desejou alguém que pudesse toca - lá,mais e o que eu penso.

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Boa leitura :)