29 de dezembro de 2016

20

Meu pai está à minha espera quando volto para meu quarto.
— As ordens foram dadas — digo a ele sem olhar em sua direção. — Vamos mobilizar as tropas hoje à noite. — Hesito. — Bem, se pode me desculpar, tenho outros assuntos para tratar.
— Qual a sensação? — ele indaga. — De estar tão incapacitado? — ele pergunta sorrindo. — Como você aguenta se ver no espelho, sabendo que foi atacado por um de seus próprios subordinados?
Faço uma pausa do lado de fora da porta que leva ao meu escritório.
— O que você quer?
— Qual é seu interesse por essa garota? — ele indaga.
Minhas costas enrijecem.
— Ela é mais do que apenas uma experiência para você, não é?
Giro o corpo lentamente. Ele está parado no meio do meu quarto, com as mãos nos bolsos, e com um sorriso aparentando nojo.
— Do que você está falando?
— Dê uma olhada em si mesmo — ele diz. — Eu ainda nem disse o nome dela e parece que você vai desabar. — Ele sacode a cabeça, ainda me examinando de perto. — Seu rosto está pálido, sua mão que funciona está crispada. Está com a respiração ofegante e seu corpo está tenso. Uma pausa. — Você se traiu, filho. Você se acha muito esperto — ele diz —, mas se esquece de quem lhe ensinou todos os truques.
Fico quente e gelado ao mesmo tempo. Tento relaxar as mãos, mas não consigo. Quero dizer a ele que não há nada errado, mas repentinamente estou me sentindo meio zonzo, desejando ter comido um pouco mais no café da manhã, e ao mesmo tempo desejando não ter comido nada.
— Tenho trabalho a fazer — consigo dizer.
— Me diga — ele pergunta — que você não se importa se ela morrer junto com os outros.
— O quê? — As palavras trêmulas e nervosas escapam rápido demais dos meus lábios.
Meu pai abaixa o olhar. Ele cerra e descerra os punhos.
— Você já me desapontou de tantas maneiras — ele diz com a voz aparentemente suave. — Por favor, não faça isso novamente.
Por um momento sinto como se estivesse fora do meu corpo, me olhando pela perspectiva dele. Vejo meu rosto, meu braço ferido, essas pernas que de repente parecem incapazes de carregar meu peso.
Fendas começam a se criar ao longo do meu rosto, pelos meus braços, meu tronco e minhas pernas.
Imagino que seja assim que alguém desmorona.
Não percebo que ele disse meu nome, até ele repeti-lo uma segunda vez.
— O que você quer de mim? — pergunto, surpreso, ao perceber como pareço calmo. — Você entrou no meu quarto sem permissão; fica parado aí e me acusa de coisas que ainda nem consegui entender. Estou seguindo suas regras, suas ordens. Vamos partir hoje à noite; vamos encontrar o esconderijo deles. Você pode destruí-los do jeito que achar melhor.
— E sua garota? — ele diz inclinando a cabeça em minha direção. — Sua Juliette?
Me contraio ao ouvir o nome dela. Meu pulso bate tão forte que parece um sussurro.
— Se eu desse três tiros na cabeça dela, como se sentiria? — Ele me encara. Me observa. — Desapontado, porque você perdeu seu brinquedinho de estimação? Ou arrasado porque perdeu a garota que ama?
O tempo nesse momento parece estar mais lento, se derretendo à minha volta.
— Seria um desperdício — digo, ignorando o tremor que sinto por dentro, e que ameaça transbordar — perder algo no qual investi tanto tempo.
Ele sorri.
— É bom saber que você vê as coisas dessa forma — ele diz. — Mas projetos são facilmente substituíveis. E tenho certeza que poderemos encontrar um uso melhor e mais prático para seu tempo.
Pisco os olhos devagar. Parte do meu peito está destroçado.
— Claro. — Me ouço dizer.
— Sabia que entenderia. — Ele dá um tapinha no meu ombro machucado ao sair do quarto. Meus joelhos quase se dobram. — Valeu o esforço, filho. Mas ela nos custou muito tempo e dinheiro e se provou completamente inútil. Desse modo estaremos nos livrando de várias inconveniências ao mesmo tempo. Vamos considerar isso um efeito colateral. — Ele me dá um último sorriso antes de passar por mim e sair pela porta.

Caio de encontro à parede.
E me amontoo no chão.

9 comentários:

  1. esse pai dele eh um cretino ...

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  2. Espero que ele confronte esse monstro do seu pai, e que não deixe nada ruim acontecer a Juju...

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    1. Se deixasse não ia ter mais 2 livros T_T É o que me mantém quando acho que a/o protagonista vai morrer.

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  3. QUE VONTADE DE ESFREGAR A CARA DESSE PAI CARA DE BUNDA DELE, NO ASFALTO QUENTE E ARRANCAR ESSE SORRISINHO CÍNICO DA CARA DELE VIU!!! QUE RAIVA..

    (O pai dele me lembra Negan de TWD, por causa desses sorrisinhos de bunda, e por tanta maldade que tem guardada nessa pedra que ele tem no lugar do coração)

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  4. Pai do Warner seu cretino,limpa o canto da sua boca pq ta escorrendo veneno.
    Fdp!

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  5. Pai mais otaro affffffffffffffffffff

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  6. Alguém precisa urgentemente matar essa criatura que é o pai do Warner

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  7. Quando a mãe do Warner vai aparecer hein?

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Boa leitura :)