17 de dezembro de 2016

Fanfic: Stuck - Um erro do destino


Sinopse:
Um elevador.
Duas pessoas que se odeiam.
Uma queda de energia.
O que você acha  que pode acontecer?

Categorias: romance, ficção, conto, história original
Autora: Tay Freitas

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CAPÍTULO UM

CARINE

Pego a bolsa pequena, a última coisa que me faltava para pegar. Olho pela janela enorme, que vai do teto ao chão, usando-a como espelho para arrumar o meu vestido azul cobalto de seda. Era ano novo e eu não queria aparecer mal vestida na festa da empresa. Gostaria de aproveitar o último dia do ano e começar o novo do melhor jeito possível. Se gastar montes de dinheiro num vestido era essa forma, que assim seja.
Já com tudo o que eu preciso, pego as chaves e saio do apartamento, fechando-o em seguida. Sorrio. Depois de anos esperando por isso, eu finalmente alcanço o ápice de minha alegria. Consegui quase todos os meus objetivos, exceto um, encontrar o amor. Pelo menos um que permanecesse e fosse fiel. Contudo, esse nunca foi o meu principal objetivo.
Aperto o botão do elevador, algo que eu nunca, nunca, nunca deveria ter feito. Eu poderia ter ido de escada, mesmo que fossem dez lances de escada e eu estivesse de salto agulha de oito centímetros. O elevador ainda inocente demora só alguns segundo para chegar, como se já estivesse vindo para cá. Ele chega e minha alegria acaba no momento em que a porta se abre, me dando uma surpresa um tanto terrível.
            Thomas estava dentro do elevador.
Deixe-me lhe explicar: aquele canalha era o meu vizinho, que trabalhava na mesma empresa que eu. Éramos subordinados da reitora da Casa Editrici, usado somente como Editrici, que significa editora em italiano. Muito original, certo? Não, já que quem sugeriu o nome foi a pessoa a minha frente quem escolheu. Resumindo: eu odiava aquele cara, não só por aquilo, mas também porque ele não me deixava dormir. Meu quarto, infelizmente, ficava do lado do quarto dele. Então, quando ele recebia visitas, os barulhos ficavam absurdamente altos. E não me deixava dormir. É terrível.
            - E aí, Care, vai ou não entrar? – ele me pergunta, levantando uma sobrancelha. O tempo que o elevador levaria para chegar no térreo, se ninguém mais o chamasse, seria de um minuto. Eu aguento isso. Entro no cubículo de 1mx2m, realizando uma das piores ações da minha vida. Ignoro ele, tentando ficar calma.
1...2...3...
            - Ah, vamos lá, Carine. Não sou tão mau assim. – disso eu não estava certa.
10...11... 12...
- Só se cale, Thomas. – digo.
- Pelo menos o meu nome você conhece. – dou-lhe um soco no braço. – Finalmente uma reação!  
Ouço um barulho de algo travando, rasgando.
- Opa. O que foi isso? – pergunto, agora preocupada. – Que barulho foi esse? – olho para ele, o tal realmente sério.
- Eu não sei. Soou mais como... – ele começa a dizer, mas privo o que ele irá falar.
- Mais como o elevador travando? – pergunto, sem necessitar de confirmação, já sabendo que essa era a verdade. Ele assente com a cabeça, concretizando ainda mais a minha certeza. A avassaladora terrível verdade. Meu pior pesadelo tinha se concretizado. Eu estava presa por tempo indeterminado com a pior pessoa com a qual se poderia ficar preso, sério, até Hitler seria melhor.
- Sim, Care. Está travado. – ele soca um botão no painel, provavelmente o que alertava que tinha pessoas naquele lugar. Que o inferno comece, senhoras e senhores!


THOMAS

Isso vai ser um grande terror. Pelo menos para Carine, já que ela me ‘‘ama’’. Olho no meu relógio e vejo que já são sete e meia da noite. Eu, ou melhor, nós, vamos para a festa da empresa, e provavelmente, se esse elevador demorar demais para voltar a funcionar, chegaremos muito atrasados.
- Ah, céus. Eu não mereço isso. Eu não mereço isso. Eu não mereço isso. – posso escutar ela sussurrando.
- E você acha que eu mereço? – digo, olhando para ela.
- Claro, mas não comigo. Você deveria ficar sozinho aqui. Sofrendo em silêncio e tal. – ela diz, mal humorada.
- Nossa, eu sou o capeta em pessoa, né? Você é a santa. Ah, não. Pera. Você não é santa coisíssima nenhuma, já que santos perdoam. – digo, ficando impaciente. Eu me recosto na parte mais longe dela e nos encaramos.
- Sério? Não fui eu que traí uma pessoa. Ah, e tinha acabado de dizer que amava essa! – ela sorri sarcasticamente. – Posso até não ser santa nenhuma, mas sei que eu ainda tenho salvação. Já você... – ela solta um riso seco – tem um lugar especial no inferno para você.
- Eu não te traí, caramba! Não te traí! Quanto tempo você ainda vai teimar comigo por causa disso? – digo, tentando justificar-me. E falhando miseravelmente.
- O tempo que for necessário, até a sua morte. – ela fecha a cara.
- Bem, eu já disse e cansei de dizer. Não te traí. Já fiz de tudo para me redimir, para ter sua confiança de volta, Care. Mas você não aceita, se faz de vítima. Larga mão de ser irritante, poxa! – eu digo isso, gesticulando com as mãos. Ela vira o rosto para a porta fechado do elevador. Ela suavemente passa a mão no rosto, provavelmente enxugando uma lágrima. Eu sabia que não deveria ter falado aquilo, atingi ela no seu ponto fraco. E isso acabava comigo.
Deixe-me lhes explicar:
Eu e Carine namorávamos há quatro meses. Tudo tinha começado de uma forma simples. Ela trabalhava num clube, meio turno, para pagar a faculdade que ela estava fazendo. Eu era sócio do mesmo clube, e um certo feriado, eu resolvi nadar, O problema é: eu não sei nadar. Como não queria pagar de idiota, já que é raro achar alguém de vinte e um anos sem saber nadar, eu fui mesmo assim, tentando me virar. O problema é que sorte não faz parte da minha vida. Acabei me afogando, obviamente, na parte mais funda da piscina. Quando Carine me viu, ela mergulhou na água e foi me buscar. Eu não lembro de nada, estava inconsciente. Só sei que ela teve que fazer respiração boca-a-boca e foi nessa hora que eu acordei. Restou-me pensar uma coisa: tem uma mulher muito bela me beijando. O que eu posso fazer? Exato. Retribuir. Ela percebeu o que eu estava fazendo e me jogou na piscina novamente. Eu comecei a me debater, morrendo de medo de me afogar novamente. Mas eu não tinha percebido que a piscina na qual ela me jogara era a piscina de crianças. Acabou que todos ao redor ficaram rindo de mim e ela me ajudou a levantar. Consegui convencê-la a jantar comigo, já que ela tinha tão arduamente me feito passar vergonha na frente de um grande número de pessoas. O jantar foi indo e acabou que rolou um clima. Quando fomos voltar para casa, entrei em meu carro e comecei a dirigir. E ela estava me seguindo. Estranho, não? Qualquer um ficaria meio afoito. Contudo, deixei pra lá e continuei meu caminho. Entrei no condomínio e estacionei meu carro. Percebi que uma moto parou ao meu lado, idêntica à de Carine. Desligo o carro e saio e acabo confirmando minhas suspeitas: era Carine do meu lado. Descubro que somos vizinhos e começamos a conversar. Uma coisa leva a outra e no dia seguinte estávamos juntos. Porém tudo acabou da pior forma terrível, tanto para mim, tanto para ela. Talvez até pior para ela. Por culpa minha.
- Carine... Me desculpa, eu não devia ter dito isso, eu não sei o que falei, me des... – começo a falar, muito arrependido, contudo sou interrompido.
- Não me importo mais, Thomas. Mesmo que você realmente estivesse arrependido do que você fez ou disse, o passado não se apaga. Não é necessário suster uma conversa. Isso só vai durar mais uns dez segundos. Não é necessário uma troca de palavras. – ela diz, o rosto sem emoção. Eu estraguei tudo. Novamente. Que animador.
Provavelmente essa foi a última chance de consertar o meu erro.
Ouço um som de algo travando, como se estivesse arranhando. A luz no elevador pisca, como se estivesse falhando. Bem, falha. Fica tudo escuro por alguns segundos, a luz de emergência ligando.
- Não. Não, não, não, não, não, não, não. Isso não pode estar acontecendo. – sussurra a voz de Care.
- O que foi? – pergunto. Para mim é só uma pane rápida. Vejo seu rosto, iluminado pela fraca luz de led, se virar em minha direção.
- Algo pior que o inferno na terra. A energia acabou.
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Saiba mais: https://www.wattpad.com/story/80514791-stuck-um-erro-do-destino

4 comentários:

  1. Ai gente, como eu odeio que publiquem histórias ótimas no wattpad... Eu não tenho conta, poxa :(

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    1. OI anônimo gostei da Sinopse, também não possuía conta no wattpad, cabei de me cadastrar foi bem rapidinho :)

      Ass: Abelinhaatarefada

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  2. legal gostei vou continuar a ler

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  3. é possível me passar o e-mail dela? me interessei pela hostória.

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