16 de novembro de 2016

Capítulo XVIII: A morte de Túrin

No mesmo momento em que Níniel fugia, Túrin estremeceu e, na profunda escuridão que o envolvia, pareceu-lhe ouvi-la chamá-lo, de muito longe; no entanto, quando Glaurung morreu, o desfalecimento negro em que mergulhara abandonou-o e ele pôde, de novo, respirar fundo. Suspirando, caiu numa sonolência de grande fadiga. Mas antes de alvorecer o frio tornou-se cortante, ele virou-se, dormindo, e os punhos da Gurthang cravaram-se-lhe no flanco e acordaram-no subitamente. A noite findava e havia um sopro matinal no ar. Levantou-se, de rompante, e lembrou-se da sua vitória e do veneno que lhe queimara a mão. Ergueu a mão, olhou-a e pasmou. Pois ela estava ligada com uma tira de tecido branco, ainda úmido, e não o atormentava.
Perguntou a si mesmo: “Por que haveria alguém de cuidar de mim assim e, ao mesmo tempo, deixar-me aqui a morrer de frio no meio dos destroços e da pestilência do dragão? Que estranhas coisas aconteceram?”
Depois gritou alto, mas não obteve qualquer resposta. À sua volta só havia escuridão e pavor, de mistura com uma fetidez de morte. Inclinou-se, levantou a espada e verificou que estava intacta e que o brilho dos seus gumes luzia como sempre. “Imundo era o veneno de Glaurung”, disse, “mas tu és mais forte do que eu, Gurthang. Todo o sangue beberás. A vitória é tua. Mas vem, pois tenho de ir em busca de socorro. O meu corpo está fatigado e há frio nos meus ossos.”
Depois voltou as costas a Glaurung e deixou-o a apodrecer. Mas, enquanto se afastava daquele lugar, cada passo lhe parecia mais pesado, e pensou: “Talvez encontre em Nen Girith um dos batedores à minha espera. Quem me dera, porém, chegar em breve a minha casa e sentir as mãos suaves de Níniel e a boa competência de Brandir!” E assim, caminhando fatigadamente, apoiado na Gurthang e guiado pela luz cinzenta do início do dia, chegou enfim a Nen Girith e, no próprio momento em que os homens se preparavam para ir em busca do seu corpo morto, ele parava diante do seu povo.
Eles recuaram, aterrorizados, julgando-se na presença do seu espírito perturbado, e as mulheres soltaram queixumes e cobriram os olhos. Mas ele disse:
— Não choreis, alegrai-vos antes! Vede, não estou vivo? E não matei eu o dragão que temíeis?
Depois eles voltaram-se para Brandir e gritaram:
— Tolo, tu e as tuas falsas histórias, dizendo que ele jazia morto. Não dissemos nós que estavas louco?
Horrorizado, Brandir fitou Túrin com os olhos cheios de medo e não disse nada. Mas Túrin disse-lhe:
— Foste, então, tu que lá estiveste e Cuidaste da minha mão? Agradeço-te. Mas a tua arte está a declinar, se não sabes distinguir um desmaio da morte. — Depois voltou-se para as pessoas e disse-lhes: — Não lhe faleis assim, porque tolos sois todos vós. Qual teria feito melhor? Ele, pelo menos, teve a coragem de descer ao campo de batalha, enquanto vós aqui ficastes, lamuriando!
“Mas agora, filho de Handir, vem! Gostaria de saber mais coisas. Porque est ás aqui com toda esta gente, que deixei na Ephel? Se posso correr perigo de morte para vos defender, não poderei ser obedecido quando parto? E onde está Níniel? Posso pelo menos ter esperança de que não a trouxeram para cá e a deixaram onde a deixei, em minha casa, com homens leais para a protegerem?
Como ninguém lhe respondesse, gritou:
— Falem! Onde está Níniel? Pois a ela primeiro quereria ver e a ela primeiro contarei a história dos feitos que cometi durante a noite.
Mas eles desviaram o rosto e, finalmente, Brandir disse:
— Níniel não está aqui.
— Está bem. Nesse caso, vou para minha casa. Há um cavalo que me transporte? Uma padiola talvez fosse melhor. Os meus labores deixaram-me desfalecido.
— Não, não! — exclamou Brandir, com o coração angustiado. — A tua casa está deserta. Níniel não se encontra lá. Morreu.
Mas uma das mulheres, a esposa de Dorlas, que pouca simpatia tinha por Brandir, gritou esganiçadamente:
— Não lhe deis ouvidos, Senhor! Pois ele está louco. Chegou aqui gritando que estáveis morto e disse que eram boas notícias. Mas estais vivo. Porque haveriam de ser verdadeiras as suas palavras a respeito de Níniel, de que ela está morta ou pior ainda?
Túrin avançou então para Brandir:
— A minha morte era, então, uma boa notícia? — gritou. — Que sempre me invejaste, já eu sabia. Agora dizes que está morta. Ou pior ainda? Que mentira engendraste na tua maldade, Coxo? Chacinar-nos-ias com palavras hediondas, tu que não és capaz de manejar nenhuma outra arma?
Então a cólera expulsou a compaixão do peito de Brandir, que gritou:
— Louco? Não, louco estás tu, Espada Negra de negro destino! Tu e toda esta gente tonta. Eu não minto! Níniel está morta, morta, morta! Procura-a no Teiglin! Túrin estacou, gelado.
— Como o sabes? — perguntou, baixinho. — Como o maquinastes?
— Sei porque a vi saltar — respondeu Brandir. — Mas a maquinação foi tua. Ela fugiu de ti, Túrin, filho de Húrin, e da Cabed-en-Aras se atirou para nunca mais voltar a ver-te. Níniel! Níniel! Não, Niënor, filha de Húrin.
Então Túrin agarrou-o e sacudiu-o, pois naquelas palavras ouvira os passos da sua condenação a alcançá-lo, mas no horror e na fúria que lhe tomavam o coração não queria aceita-las, como um animal ferido de morte que, antes de morrer, quer destruir tudo quanto lhe está próximo.
— Sim, sou Túrin, filho de Húrin! — gritou. — Há muito tempo o adivinhaste. Mas de Niënor, minha irmã, nada sabes. Nada! Ela vive no Reino Escondido e está em segurança. O que dizes é uma mentira da tua mente torpe, para enlouqueceres a minha mulher e me enlouqueceres agora a mim. Demônio manco, queres empurrar-nos a ambos para a morte?
Mas Brandir soltou-se.
— Não me toques! Contém a tua fúria. Aquela a que chamas mulher foi ao teu encontro e cuidou da tua ferida, e tu não respondeste ao seu chamamento. Mas houve quem respondesse por ti. Glaurung, o dragão, que suponho vos conduziu a ambos para o vosso destino. Assim falou, antes de morrer: “Niënor, filha de Húrin, eis aqui o teu irmão: traiçoeiro para com os seus inimigos, infiel aos seus amigos e uma maldição para os do seu sangue, Túrin, filho de Húrin.” — De súbito, uma gargalhada cruel sacudiu Brandir. — Costuma dizer-se que, na hora da morte, os homens dizem a verdade. E, ao que parece, também um Dragão a diz. Túrin, filho de Húrin, uma
maldição para os do teu sangue e para tudo quanto te acolhe!
Então Túrin empunhou a Gurthang e havia um brilho feroz nos seus olhos.
— E o que deverá ser dito de ti, Coxo? — perguntou, devagar. — Quem lhe disse a ela, em segredo e nas minhas costas, o meu verdadeiro nome? Quem a conduziu à malvadez do dragão? Quem ficou parado e a deixou morrer? Quem veio para aqui a fim de divulgar esse horror o mais rapidamente possível? Quem se regozijaria agora perante mim? Os homens dizem a verdade antes de morrer? Pois di-la agora, e depressa.
Então, Brandir, vendo a sua morte no rosto de Túrin, ficou imóvel e não se acovardou, embora não dispusesse de nenhuma arma além da sua muleta, e disse:
— Tudo quanto aconteceu é uma longa história e eu estou cansado de ti. Mas calunias-me, filho de Húrin. Glaurung caluniou-te? Se me matares, então todos saberão que não. No entanto, não temo a morte, pois, morrendo, irei em busca de Níniel, a quem amava, e talvez consiga reencontrá-la para além do mar.
— Em busca de Níniel! — gritou Túrin. — Não, Glaurung encontrarás e, juntos, congeminareis mentiras. Dormir ás com o Verme, teu companheiro de alma, e apodrecerão numa só negritude!
Depois ergueu a Gurthang e atacou Brandir, matando-o. Mas as pessoas desviaram o olhar de tal ato e, quando Túrin se voltou e partiu de Nen Girith, fugiram dele, aterrorizadas.
Então Túrin andou como um demente pelas florestas selvagens, ora amaldiçoando a Terra Média e toda a vida dos homens, ora gritando por Níniel. Mas quando, finalmente, a insanidade do seu sofrimento lhe deu tréguas, sentou-se e meditou em todos os seus atos e ouviu-se a si mesmo gritar: “Ela vive no reino escondido e está em segurança!” E pensou que, apesar de agora toda a sua vida estar arruinada, para lá devia dirigir-se; pois todas as mentiras de Glaurung o tinham sempre desencaminhado. Levantou-se, pois, e dirigiu-se para os Vaus do Teiglin e, ao passar pelo Haudh-en-Elleth gritou: “Amargamente paguei, ó Finduilas, por sempre ter dado ouvidos ao dragão. Aconselha-me agora!”
Mas, no próprio momento em que gritava, viu doze caçadores bem armados virem pelos Vaus e percebeu que eram Elfos. Quando se aproximaram, reconheceu um deles, pois era Mablung, caçador-mor de Thingol. E Mablung saudou-o, exclamando:
— Túrin! Feliz encontro, finalmente. Procurava-te e alegra-me ver-te vivo, embora os anos tenham pesado sobre ti.
— Pesado! — repetiu Túrin. — É verdade, pesado como os pés de Morgoth. Mas se te alegra ver-me vivo, então és o último da Terra Média a sentir assim. Por quê?
— Porque foste tido em alta conta e honrado entre nós — respondeu Mablung. — E, embora tenhas sobrevivido a muitos perigos, acabei, por fim, por temer por ti. Observei o aparecimento de Glaurung e pensei que cumprira o seu pérfido desígnio e regressava para junto do seu senhor. Mas ele seguiu na direção de Brethil e, ao mesmo tempo, fiquei a saber, por caminhantes da terra, que o espada negra de Nargothrond ali aparecera de novo e os Orcs evitavam as suas fronteiras como se fugissem da morte. Pensei, então: “Sorte cruel! Glaurung vai aonde os seus Orcs não ousam, em busca de Túrin.” Por isso vim, com toda a celeridade possível, para te avisar e ajudar.
— Célere, mas não o suficiente — disse Túrin. — Glaurung está morto.
Então os elfos olharam-no, cheios de pasmo, e disseram:
— Mataste o Grande Verme! Enaltecido será para sempre o teu nome entre elfos e homens!
— Pouco me importa. Pois morto está também o meu coração. Mas, como vindes de Doriath, dai-me notícias da minha família. Pois disseram-me em Dor-lómin que elas tinham fugido para o reino escondido.
Os elfos não responderam, mas, por fim, Mablung disse:
— Fugiram, de fato, no ano que antecedeu a vinda do Dragão. Infelizmente, porém, agora não estão lá!
O coração de Túrin ficou paralisado, ouvindo os passos da condenação que o perseguiriam até ao fim.
— Fala! — gritou. — E depressa!
— Partiram para os ermos à tua procura — respondeu Mablung. — Contrariando todos os conselhos, teimaram em ir para Nargothrond quando se soube que eras o espada negra. E Glaurung avançou e todos quantos as guardavam foram dispersos. A Morwen ninguém voltou a vê-la desde esse dia; mas sobre Niënor abateu-se um feitiço de mudez e ela fugiu para norte e embrenhou-se nas florestas como uma corça selvagem, e perdeu-se.
Então, para pasmo dos elfos, Túrin soltou uma gargalhada alta e estridente, e disse:
— Não é isso uma brincadeira? Oh, a loura Niënor! Fugiu então de Doriath para o dragão e do dragão para mim. Que ditosa graça do destino! Morena como uma baga silvestre era, escuros eram os seus cabelos e pequena e esbelta como uma criança élfica, ninguém poderia confundi-la!
Surpreendido, Mablung respondeu:
— Há nisso algum erro. A tua irmã não era assim. Era alta, os seus olhos eram azuis, o seu cabelo finos fios de ouro, o próprio retrato, em forma de mulher, de Húrin, seu pai. Não podes tê-la visto!
— Não posso, Mablung, não posso? Mas porque não? Pois repara, sou cego! Não sabias? Cego, cego, tateio desde a infância numa névoa escura de Morgoth! Deixa-me, pois! Vai, vai! Regressa a Doriath e que possa o Inverno envelhecê-la! Que uma maldição se abata sobre Menegroth! E outra sobre a tua incumbência! Apenas isso faltava. Agora chega a noite!
Depois fugiu deles, como o vento, deixando-os cheios de espanto e medo. Mas Mablung disse:
— Alguma coisa estranha e terrível aconteceu, da qual nada sabemos. Sigamo-lo e ajudemo-lo, se pudermos: pois agora ele está condenado e fora de si.
Mas Túrin afastou-se velozmente, chegou à Cabed-en-Aras e imobilizou-se. Ouviu o estrondear da água e viu que todas as árvore próximas e distantes tinham definhado e as suas folhas secas caíam desoladamente, como se o Inverno houvesse chegado nos primeiros dias do verão.
— Cabed-en-Aras, Cabed Naeramarth! — gritou. — Não macularei as tuas águas, que receberam Níniel. Pois todos os meus atos foram maus e o último pior do que todos.
Depois desembainhou a espada e disse:
— Salve, Gurthang, ferro da morte, só tu agora restas! Mas que senhor ou lealdade conheces, além da mão que te empunha? De sangue algum desdenharás. Receberás Túrin Turambar? Matar-me-ás rapidamente?
E da lâmina ressoou uma voz fria, em resposta:
— Sim, beberei o teu sangue, para assim esquecer o sangue de Beleg, meu dono, e o sangue de Brandir, injustamente chacinado. Matar-te-ei rapidamente.
Então Túrin apoiou os punhos da espada no chão, lançou-se sobre a ponta da Gurthang e a lâmina negra tomou-lhe a vida.
Mas Mablung chegou e olhou a forma hedionda de Glaurung, caído morto; olhou também para Túrin e sentiu-se pesaroso, pensando em Húrin como o vira na Nirnaeth Arnoediad, e no trágico destino da sua família. Enquanto os elfos ali estavam parados, vieram homens de Nen Girith para verem o dragão e, quando viram qual fora o fim da vida de Túrin, choraram; e os elfos, compreendendo finalmente a razão das palavras que tinham ouvido de Túrin, sentiram-se horrorizados. Então Mablung disse, amargamente:
— Também eu estive envolvido no destino dos Filhos de H úrin e por isso, com palavras, matei um a quem amava.
Levantaram então Túrin e viram que a sua espada estava partida. Assim acabara tudo quanto ele possuíra.
Com o labor de muitas mãos, juntaram lenha, fizeram com ela um monte alto e atearam uma grande fogueira onde o corpo do dragão foi destruído, até nada restar dele além de cinzas negras e de os seus ossos ficarem reduzidos a pó, e o lugar onde foi acesa a fogueira tornou-se para sempre estéril e desnudo. Mas a Túrin depositaram-no num cabeço alto onde caíra, e colocaram a seu lado os fragmentos da Gurthang. E quando tudo ficou feito, e os menestréis de elfos e homens tinham proferido os seus lamentos, falando da coragem de Turambar e da beleza de Níniel, foi trazida e colocada sobre o cabeço uma grande pedra cinzenta, na qual os elfos esculpiram nas runas de Doriath:
TÚRIN TURAMBAR DAGNIR GLAURUNGA
E por baixo escreveram também:

NIËNOR NÍNIEL

Mas ela não se encontrava ali, nem jamais se soube para onde as frias águas do Teiglin a tinham levado.
Aqui termina a História dos Filhos de Húrin, a mais longa de todas as baladas de Beleriand.
Após as mortes de Túrin e Niënor, Morgoth libertou Húrin da sua escravidão, como corolário dos seus perversos intentos. No decurso das suas deambulações, ele chegou à Floresta de Brethil e, ao anoitecer, subiu dos Vaus do Teiglin ao lugar onde Glaurung fora queimado e à grande pedra que se erguia na beira de Cabed Naeramarth. Do que ali aconteceu isto está dito.
Mas Húrin não olhou para a pedra, pois sabia o que lá fora escrito, e os seus olhos tinham visto que não se encontrava sozinho. Sentado à sombra da pedra estava um vulto dobrado sobre os joelhos. Parecia tratar-se de algum vagabundo sem teto e vergado pela idade, demasiado exausto pelo caminho para dar pela chegada dele; mas os andrajos que o cobriam eram restos de
um vestuário de mulher. Por fim, enquanto Húrin permanecia imóvel e silencioso, ela atirou para trás o capuz remendado e ergueu devagar o rosto, desfigurado e faminto como o de um lobo há muito acossado. Era cinzenta, tinha nariz aquilino e dentes partidos, e agarrava com uma das mãos descarnadas a capa que lhe cobria o seio. Mas, de súbito, os seus olhos mergulharam nos dele e Húrin reconheceu-a; pois embora estivessem agora desvairados e cheios de medo, ainda brilhava neles uma luz difícil de suportar: a luz élfica que, havia muito tempo, lhe valera o nome de Eledhwen, a mais altiva das mulheres mortais de antigamente.

— Eledwhen! Eledwhen! — gritou Húrin, e ela levantou-se, cambaleou para a frente e os braços dele seguraram-na.
— Vieste, finalmente — disse a mulher. — Demasiado tempo esperei.
— Foi uma negra estrada. Vim como pude.
— Mas chegas atrasado, por demais atrasado. Eles estão perdidos.
— Eu sei. Mas tu não estás.
— Por pouco — respondeu a mulher. — Sinto-me totalmente esgotada. Partirei com o Sol. Eles estão perdidos. — Agarrou-se à capa dele. — Pouco tempo resta. Se sabes, diz-me! Como o encontrou ela?
Mas Húrin não respondeu e sentou-se ao lado da pedra com Morwen nos braços. E não voltaram a falar. O Sol pôs-se e Morwen suspirou, apertou a mão dele e ficou imóvel. E Húrin soube que tinha morrido.

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