29 de novembro de 2016

Capítulo vinte e nove

TUDO.
Tudo o que tenho, lanço para cima dele.
Primeiro, meu Lúmen. Meu Legado mais antigo e confiável. Voo da banquisa que Marina formou, deixo Nove para trás e acerto Setrákus Ra com duas torrentes gêmeas de fogo. A capa estúpida se incendeia, a armadura fica incandescente. Vejo a pele pálida ficar empolada e se queimar, descascar e, num piscar de olhos, voltar a ficar lisa pelo poder das artérias de lodo que circulam através de seu corpo.
Ele nem sequer parece incomodado com o ataque. É como se não sentisse dor. Simplesmente flutua acima do lago de lama negra, me encarando, um irritante ar risonho no rosto.
— Isso é o melhor que você pode fazer? — pergunta.
Setrákus Ra voa na minha direção a uma velocidade que eu não poderia reproduzir e me dá um soco no peito. Dos nós de seus dedos saem espinhos que não estavam ali um segundo atrás, e ouço minhas costelas serem trituradas. Sou jogado para trás em direção às rochas que se destacam da beira do tonel, derrapando nos cotovelos até parar. Logo começo a curar minhas costelas quebradas.
Preciso continuar me curando tão rápido quanto ele pode me ferir e espero descobrir uma maneira de sobreviver aos seus ataques.
Com um rugido, Bernie Kosar voa em direção a Setrákus Ra. Em sua forma de grifo, ele é um oponente formidável, mesmo levando em conta a supervelocidade de Setrákus. Talvez uma boa mordida faça a diferença.
Mas BK não chega nele.
Setrákus Ra levanta a mão e o lodo salta em torno de BK, formando uma gaiola, como algo de um zoológico, as barras formadas por seções espessas de óleo. Retalhando e mordendo, BK não consegue se soltar. Pouco a pouco, a gaiola se contrai ao redor dele, forçando-o a se transformar em animais cada vez menores ou ser esmagado.
— Nunca cheguei a terminar meu trabalho com os Chimæra — pondera Setrákus Ra, observando a lama engolir BK. — Obrigado por me trazer um.
A gaiola para de se comprimir quando BK está reduzido à forma de beagle. O Chimæra tenta se encolher e se esgueirar por entre as barras, mas a estrutura se sela como um casulo. Não o vejo mais. BK flutua numa bolha sólida de lodo acima da superfície do lago.
Parece que Setrákus Ra não planeja matá-lo de imediato.
Não posso dizer o mesmo sobre o restante de nós.
Enquanto tento ficar de pé, Setrákus Ra aterrissa a alguns metros de distância. Ele estende as mãos como um santo em um vitral. Meus lábios se curvam de desgosto.
— Como insetos encarando um gigante — declama ele —, vocês, crianças, tremem diante de um deus.
— Você não é nenhum deus — respondo, atirando uma bola de fogo que ele absorve.
Setrákus bufa.
— Vocês, lorienos, tão devotos, até mesmo no fim. Aquela coisa que adoram, a Entidade que agora se esconde debaixo da terra, não é nada além de um recurso. Como o minério, como a água. Oram para um rio enquanto eu crio represas. Contam com os caprichos da natureza, enquanto meu intelecto molda galáxias. Não veem o que meu trabalho, meu progresso, tem o poder de criar?
— Vejo um velho cretino e solitário morando numa merda de caverna! — grita Nove, se lançando pela lateral.
Ele tenta acertar um golpe violento, mas Setrákus Ra se abaixa sem dificuldades para evitá-lo. Enquanto Nove tenta recuperar o equilíbrio, Setrákus o agarra pelo cabelo e o puxa para trás. A mão de Setrákus Ra de repente fica achatada, a beirada reluzente como uma espada. Sua mão avança com força para cortar o pescoço de Nove.
Puxo Nove em minha direção com telecinesia antes que Setrákus Ra corte sua cabeça. O mogadoriano fica com um punhado do cabelo de Nove na mão.
A velocidade. A invulnerabilidade. Moldar o corpo em qualquer forma doentia que possa imaginar. É loucura pensar que um dia já fiquei intimidado por Setrákus Ra quando tudo o que ele podia fazer era mudar de tamanho e tirar nossos Legados.
Este monstro diante de mim é muito pior.
— Alguma ideia? — pergunta Nove.
— Vamos investir pelos lados — respondo, e nos separamos.
Nove segura meu punhal.
— Posso?
— Por favor.
Estamos tentando demonstrar confiança, mas vejo que Nove ficou abalado diante da exibição de poder. Estamos em apuros.
Com um sorriso cruel, Setrákus Ra começa a avançar sobre nós. Antes que chegue muito perto, é atingido por uma saraivada de sincelos vindo da saliência acima. Ele parece uma almofada de alfinetes, os fragmentos de gelo fincados em suas costas de cima a baixo.
— Tudo o que você criou foi dor e sofrimento! — grita Marina. — Todos aqueles corpos lá em cima! Para quê? Para você desenvolver esses poderes hediondos?
Setrákus Ra ri.
— Ah, não, minha cara. Lorien é mesquinha com seus dons. As faíscas lamentáveis que se escondem dentro de vocês são meras gotas no balde. Precisei ir à fonte para criar o que você vê aqui embaixo. — Ele passa a mão de forma vaidosa no próprio rosto. — Drenar aqueles outros foi só uma experiência para um dos meus novos Acréscimos. Eles morreram a serviço do glorioso progresso.
— Você é louco! — rebate Marina. — Apesar de toda a sua suposta genialidade, nunca criou nada tão bonito quanto Lorien conseguiu!
Uma súbita onda de calor irradia de Setrákus Ra, e o gelo preso a ele derrete. Então, ele vira para encarar Marina, a aparência se modificando. A pele escurece até um tom de caramelo, e da cabeça brotam fios de cabelo escuros e encaracolados.
— Tem certeza? — pergunta.
Seu rosto, sua voz... Setrákus assumiu a forma de Oito.
Marina recua horrorizada quando ele flutua até ela.
— Eu não prometi reuni-la ao seu amor? — indaga o líder mogadoriano, os olhos cheios de uma malícia que Oito jamais teve. — Ainda pode acontecer, querida Marina...
Usando a visão de pedra, cubro a metade inferior dele com granito maciço e o conecto ao chão da caverna, fazendo de Setrákus Ra uma estalagmite que se ergue das rochas. Ele olha para si mesmo – a aparência de Oito deixada de lado, dando lugar à sua versão mais jovem de novo – e faz uma careta.
— Primitivo — rosna.
Primitivo ou não, isso o atrasa. Nove ataca, corre até a rocha que formei e golpeia Setrákus Ra com o punhal Voron. Preso, Setrákus não pode desviar, e Nove rasga um pedaço enorme do seu rosto. Por um instante, penso ter visto sangue. Mas então a lama mogadoriana preenche a ferida, e o rosto volta ao normal.
Ainda assim, ele foi lesado. É possível feri-lo.
Quando Nove vai golpeá-lo outra vez, faço força com telecinesia. Coloco pressão sobre a armadura de Setrákus Ra, compactando-a, na esperança de comprimi-lo. Sinto a força de Marina me ajudando, e logo estamos amassando a armadura como se fosse uma lata.
Urrando, Setrákus Ra arranca a armadura e a joga de lado. Está de peito nu. Logo acima do coração, no local em que Seis o empalou, há uma massa pulsante da gosma negra. Está concentrada lá, grossa, como uma aranha no centro da teia.
O material não está tão concentrado assim em nenhuma outra parte do corpo. Deve ser de onde ele está extraindo todo esse poder.
Nove! Em vez de falar, uso telepatia. Não quero que Setrákus Ra saiba o que descobri. Acerta o coração dele!
Dã, pensa ele de volta.
Setrákus Ra se liberta das rochas que construí em torno de suas pernas como se não passassem de pedrinhas. Na mesma hora, ativo minha visão de pedra e volto a prendê-lo. Ao mesmo tempo, Marina o ataca com outro bombardeio de gelo. Ele atira os sincelos longe, rosnando, distraído.
— Estou perdendo a paciência.
E então Nove parte para cima dele, saltando e atacando-o com o punhal Voron, com toda a sua força.
Acerta bem no coração.
Nove enterra a lâmina até o cabo. A ponta sai pelas costas.
Setrákus Ra olha para a arma.
E sorri.
— Por acaso isso é uma historinha de criança? — pergunta ele, parecendo achar graça. — Passei séculos aperfeiçoando meu trabalho. E vocês acham... o quê? Que existe um ponto fraco?
Ele respira fundo e a lâmina, junto com a mão de Nove, ainda ligada à arma, é sugada para a massa escura no peito. Setrákus Ra olha para Marina.
— Eis uma demonstração.
Nove grita. Seu braço primeiro fica azul, como se a circulação tivesse sido interrompida, em seguida, cinza e murcho e, por fim, tão negro quanto o lodo. Os músculos derretem, a pele se solta dos ossos. É como acompanhar um vídeo acelerado do braço se decompondo.
Setrákus Ra mais uma vez se solta da pedra que criei em torno de suas pernas e faz Nove voar para trás, chutando-o no peito.
O braço dele fica com Setrákus Ra. O membro pende do peito dele por um instante, e então é como se a gosma começasse a digeri-lo. Quando o processo termina, o braço foi absorvido por completo. Nove está caído no chão, apertando o espaço vazio onde o braço ficava. Marina salta para baixo, de olhos arregalados.
— AimeuDeus, aimeuDeus — murmura ela, tateando o ombro de Nove.
Não há sangue; a carne está seca e morta. Ainda assim, ela ativa o Legado de cura e tenta... alguma coisa.
Setrákus Ra avança sobre eles, umedecendo os lábios.
Eu me lanço para a frente voando – visão de pedra, bombardeio de gelo, rajada de fogo – para tentar atrasá-lo.
Não sou forte o suficiente.
Ele agarra minha cabeça, espalma a mão no meu rosto e me atira no chão de pedra.
— Você será o último, Pittacus.
O sangue flui para meus olhos. Zonzo, confuso, eu me esforço para ficar de joelhos enquanto Setrákus Ra avança em direção aos meus amigos.
Não podemos vencer.
Marina ergue as mãos e uma parede de gelo protege os dois. O mogadoriano suspira, irritado, e dá um soco, rompendo-a.
Enquanto isso, tento entrar em contato com alguém por telepatia. Procuro a mente de Adam. No calor da batalha, ainda não tinha raciocinado que Seis não apareceu. Tenho a breve esperança de que talvez ela tenha voltado para a nave com Adam por algum motivo.
Nada. Não encontro a mente de Adam.
Nem a de Seis.
Frações de segundo se passam na telepatia, mas parece que procuro há uma eternidade. Por fim, faço contato com Ella, ainda flutuando na nave acima da montanha. A ansiedade que irradia de sua mente é palpável assim que nos conectamos. Minhas perguntas são respondidas antes mesmo que eu as faça.
Adam... Adam caiu em um abismo com Phiri Dun-Ra, conta Ella. E Seis... está muito ferida. Acho que está inconsciente.
Droga.
Mudo da mente de Ella para a de Sam. Eu o sinto lá em cima, andando de um lado para outro, observando a entrada escura da base mogadoriana através das janelas da nave.
Sam. Faço um esforço para manter os pensamentos calmos e controlados. Como se meus amigos não estivessem morrendo. Como se eu não estivesse perdendo a guerra.
Preciso que faça uma coisa para mim.
John? Sua mente quase salta em direção à minha. A nossa conversa inteira acontece no intervalo de uma de suas passadas nervosas, o pé pairando acima do piso da ponte. O que está acontecendo? Ella não conta nada.
Preciso que faça uma coisa para mim.
Qualquer coisa!
Use seu Legado. Ordene à nave que destrua a montanha.
... O quê?
Algumas imagens passam pela mente de Sam. Eu e ele andando pelos corredores da Paradise High School. Nove dando-lhe uma gravata, de brincadeira. E, a mais forte, ele e Seis de pé em um mirante incrível em algum lugar, olhando para um oceano cristalino.
É a única maneira de detê-lo, Sam. Ele é forte, mas podemos prendê-lo aqui embaixo!
Não! Não vou fazer isso! Não enquanto vocês estiverem aí!
Toda essa troca telepática acontece na velocidade do pensamento enquanto me levanto e Setrákus Ra avança em direção a Marina e Nove. Mas estou ficando sem tempo... ele está lá; eu preciso agir.
— Levanta, Nove, vamos — implora Marina, ainda tentando curar a carne morta no ombro dele.
Mantendo Sam em minha mente, deixando-o ver o que eu vejo, voo até Setrákus Ra, esperando dar a Marina mais tempo.
Ele percebe o que vou fazer. Então me acerta com as costas da mão com uma força que quebra minha mandíbula, me atira de volta ao chão da caverna, e saio deslizando pelos cacos da parede de gelo de Marina.
Nove ainda está no chão, gemendo e tremendo, provavelmente em choque. Marina pressiona as mãos no que sobrou do braço dele. Mas nossos Legados de cura não fazem renascer membros. Não há nada que possamos fazer.
Setrákus Ra agarra Marina pelo cabelo e a ergue do chão. Ela se debate, raspando a mão pelo rosto dele, e atinge onde Nove o cortou com a lâmina Voron há apenas um minuto.
Setrákus Ra a solta, recua e leva a mão à face.
Essa parte do rosto se solta, o óleo negro que a mantinha unida recuando para dentro do corpo dele.
Marina e eu fazemos contato visual.
O que você fez? Meu pensamento alcança sua mente com urgência.
Cura!, responde ela. Eu ainda estava usando minha cura!
Lembro-me do que houve em Nova York, logo antes da invasão. O Secretário de Defesa Sanderson e a gosma negra correndo em suas veias. Levou um tempo e foi exaustivo, mas tirei aquela coisa do corpo dele usando a cura.
Podemos matar Setrákus Ra. Só precisamos fazê-lo voltar a ser lorieno. Temos que expelir os Acréscimos e destruir o que restar do homem.
Marina já entendeu. Enquanto Setrákus Ra se recupera, ela corre para ele, a mão estendida em sua direção.
Setrákus desvia. Ele a pega pelo cotovelo e gira, torcendo o braço de Marina atrás das costas e deslocando seu ombro. Em seguida, corta o rosto dela com as garras, abrindo quatro rasgos profundos em diagonal. Enquanto isso, seu próprio rosto hediondo já foi restaurado pelo lodo.
Voo em direção a Setrákus Ra antes que ele liquide Marina. Passo as pernas em volta do peito dele e agarro os dois lados de sua cabeça, bombeando tudo o que posso da minha energia de cura para ele. Ao mesmo tempo, reúno força para sairmos voando pela caverna, torcendo para que mantê-lo longe do tonel o enfraqueça ainda mais. Sinto os Acréscimos dentro dele, o óleo serpenteando em cada parte do corpo.
Há menos homem que lodo dentro de Setrákus Ra. É como se eu estivesse tentando conter um maremoto.
Ainda assim, preciso tentar. É a única maneira de acabar com tudo isso.
Setrákus Ra grita enquanto forço sua cura. Mas logo começa a resistir. Ele morde meu ombro, a boca enorme, os dentes afiados, e arranca um pedaço de carne.
— John! — grita Marina.
Com o braço pendendo, o sangue escorrendo pelo rosto, ela corre para ajudar.
Espinhos de gosma endurecida se projetam do corpo de Setrákus Ra. Um perfura minha perna; outro, a lateral do meu corpo; outro, meu ombro. Não sei nem se ele está controlando isso ou se é uma reação provocada pela cura, como se o lodo estivesse tentando escapar. De um jeito ou de outro, estamos presos. Outro espinho quase acerta o olho de Marina antes que ela derrape e pare a alguns metros.
Redireciono parte da cura para minhas próprias feridas. Tento fechá-las tão rápido quanto Setrákus Ra as provoca, e ainda combato o mal que se espalhou por ele.
Enquanto meu Legado de cura extrai a substância do corpo de Setrákus Ra, o lodo se aglutina em torno de nós na forma de tentáculos que se debatem. Marina não consegue chegar mais perto.
— Vá embora! — grito para ela. — Pegue Nove e saiam daqui!
— Eu não vou deixar você!
— Seis está nas cavernas mais acima; ela precisa de cura — digo, rangendo os dentes para suportar a dor. — Por favor... ugh, por favor, Marina... VÁ!
Ela está com lágrimas nos olhos. É difícil vê-la através da gosma que se debate ao meu redor. Marina olha em dúvida para o caminho em espiral que leva de volta à superfície, em seguida para Nove.
Com um gemido, Nove toca a perna de Marina. Ele estremece.
— Como... como nós praticamos — pede ele em um delírio, transferindo seus Legados para ela.
Eu me lembro disso. O pique-bandeira em Chicago. A equipe de Nove venceu porque ele deu a Marina seu Legado antigravidade.
Ela segura Nove com o braço bom, também recebendo a força dele. Com um último olhar para mim, sobe depressa a parede, saltando pelas saliências rumo à superfície.
Por telepatia, Sam vê tudo isso. Ele sente o que estou sentindo. O fluxo e refluxo da dor, o dilaceramento do meu corpo.
Sam. Os outros estão saindo. Você pode fazer isso agora?
John...
Sua tristeza flui para mim, pior do que toda a dor.
Ele vai fazer. Eu sei que vai.
Desligo a telepatia. Concentro-me apenas na cura. Deixo toda a energia lórica armazenada em mim jorrar em cascata.
Imploro para que seja suficiente.
Estou cara a cara com Setrákus Ra. Nós dois presos um ao outro. Minha cura continua a se derramar para dentro dele e, a cada segundo, o rosto jovem vai se desfazendo, o óleo recuando. A pele pálida retorna, a careca bulbosa, o rosto encovado, a vívida cicatriz roxa. Ele faz sons guturais. Cospe na minha cara. Dá cabeçadas.
Em seus olhos negros, pela primeira vez, vejo hesitação.
— Eu vou matar você — rosna ele, o hálito quente e repugnante em meu rosto.
Sei que é verdade. Vou morrer ali embaixo, preso ao meu pior inimigo. Curando-o, mesmo enquanto ele me dilacera.
— Você... — Uma bolha de sangue sai da minha boca quando tento falar. — Vai morrer primeiro.
Um tentáculo de lodo, cortante e gelado, atravessa meu abdômen, me rasgando. Impulsiono a energia quente de cura para dentro dele. Vejo seu rosto ficar pálido e enrugado. Um homem de séculos de idade.
A gosma se aglutina em torno das minhas pernas, esmagando-as, meus ossos estalando como galhos.
Mais cura. Um pouco para meu corpo – só o suficiente para que eu continue – o resto para ele.
Um pedaço de lodo endurecido despenca dele e vira pó no chão da caverna.
Setrákus Ra berra.
Ele rasga minha caixa torácica. Suas garras se afundam na minha carne até os ossos. Está tentando arrancar meu coração.
Aguente firme, John.
Deixo Setrákus me cortar. Concentro-me no brilho quente. Eu poderia derreter nesse brilho...
— Você... acha mesmo que pode sobreviver a mim? — zomba ele.
Uma veia negra arrebenta em sua testa.
— Fiz isso todos estes anos, o que são mais alguns minutos?
— Você sempre foi um tolo, Pittacus.
— Eu não sou Pittacus Lore — digo entredentes. — Sou o Número Quatro. Aquele que vai matar você.
Um tremor. Todo o complexo da caverna treme. Pelo canto do olho, vejo um forte clarão de luz vermelha.
O bombardeio começou.
Obrigado, Sam.
Só preciso mantê-lo aqui. Enterrá-lo com todas as suas experiências horríveis.
O rosto horrendo e encarquilhado diante de mim solta um riso histérico.
Eu fecho os olhos.
Imagino Sarah. Ela segura uma câmera, tira uma foto e sorri para mim.
Deixo meus Legados jorrarem. Todos eles.
Até não restar mais nada.

2 comentários:

  1. Tu sepre gostaste de ser o héroi jonh!! Espero que subrevivas!!

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  2. John 😢😢😢😢😢

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