29 de novembro de 2016

Capítulo vinte e cinco

NOSSA NAVE DE GUERRA LEVANTA VOO NA DIREÇÃO DE WEST VIRGINIA. VEMOS A noite passar pelas janelas amplas da ponte mogadoriana. Estrelas piscam no alto, enquanto lá embaixo postes e casas estão iluminados; esta parte do nordeste dos Estados Unidos permanece intocada pela invasão. Eu me pergunto se alguém ali por acaso olhou para cima e viu nossa imensa nave em forma de escaravelho. Ou somos apenas mais uma nuvem escura cruzando o céu noturno?
Acendo meu Lúmen. É bom ter os Legados de volta com força total depois do que Phiri Dun-Ra fez comigo. É como se meus olhos enxergassem as cores outra vez.
Ainda sinto uma dor fraca dentro de mim por tê-los usado demais, como uma linha que está pouco a pouco se desfiando no meu peito, sem falar da sensação de ardor nas mãos que não vai embora. Ignoro tudo isso assim como a dor mais aguda do ferimento no pescoço, ainda sensível pelos pontos inexperientes de Marina.
Estendo a mão como uma lâmina e faço um pequeno jato concentrado de fogo sair dos dedos. Aumento a temperatura, deixo-a incandescente, e me torno um maçarico.
Então, começo a trabalhar.
Estou sozinho no deque de observação, uma pequena varanda projetada para ser confortável segundo os padrões mogadorianos, posicionado sobre a ponte. Lá embaixo, a maioria dos outros está trabalhando para preparar o ataque. Estabelecemos o curso, e, por sorte, manter a altitude e voar em linha reta são coisas que Rex pode fazer sozinho. Lexa observa por cima do ombro dele, tentando entender o básico para caso precise ajudar a pilotar mais tarde.
Existem quatro estações de ataque, uma para cada quadrante da nave, e cada uma tem uma variedade de botões que comandam diferentes armas, além de telas com vídeos holográficos para fazer a mira. Há também uma quinta estação que opera o canhão de energia principal da nave, uma versão menor daquele da Anubis, que é capaz de destruir quarteirões inteiros em um instante. De acordo com Adam, o ideal é haver equipes de engenheiros sob o deque para cuidar do carregamento de células de energia e garantir que as armas não superaqueçam.
Eu matei todos eles, então vamos ter que torcer para que nada exploda ou fique sem carga.
Malcolm senta em uma das estações, recebendo de Cinco um curso rápido sobre como operar as armas. Surpreendentemente, Cinco é muito paciente. Lembro quando os dois se juntaram a nós em Chicago. O pai de Sam foi bem legal com ele. Tem sido assim com todos nós, na verdade. Direciono minha audição para eles quando Cinco está terminando de explicar.
— Você se importa se eu perguntar como sabe de tudo isso? — questiona Malcolm.
Cinco passa a mão pelo cabelo arrepiado.
— Era para eu comandar uma destas — responde, sem rodeios. — Pelo menos, foi o que ele me prometeu.
— Entendi — diz Malcolm; então, faz-se um silêncio constrangedor. — Você poderia me mostrar mais uma vez como acionar o dispositivo que confunde o radar?
— Claro.
Atrás de Malcolm e Cinco, Sam e Adam estão na estação do comandante. Adam está ensinando a Sam as diferentes funções da nave de guerra. Ele descreve quais consoles controlam escudos, motores e aparelhos de suporte à vida. Dá a Sam uma ideia de quais sistemas são absolutamente necessários e quais podemos perder se for preciso. A esperança é que Sam use seu Legado para se comunicar com a nave de guerra, dando comandos verbais para substituir as funções das dezenas de membros da tripulação que não temos. Seis fica por perto, observando-os com um sorriso perplexo. Eu ouço.
— Sabe — diz Seis —, na última vez em que se comunicou com uma nave, ele quase a derrubou.
— Ei — responde Sam. — Não é justo.
Adam franze a testa para ele.
— Talvez eu devesse anotar algumas informações.
Sabemos que a Anubis nos espera em West Virginia. A capitânia da frota mogadoriana está no caminho entre nós e Setrákus Ra. Precisamos derrubá-la contando com uma equipe reduzida e não treinada. As duas naves têm escudos, mas a Anubis tem armas maiores. De acordo com Adam, nossos escudos vão se degradar mais rápido do que os deles.
Que bom que estamos levando mais do que apenas armas mogadorianas.
Desvio o olhar dos outros ao ouvir um chiado nas minhas mãos. O maçarico incandescente de Lúmen está começando a funcionar.
Seguro o laço Voron que um dia deixou uma cicatriz em Setrákus Ra e me marcou há pouco. Observando com mais atenção, agora que não está mais amarrado em meu pescoço, o material do laço lembra um cipó, só que feito de algo parecido com um plástico duro. As beiradas são afiadas, e à medida que o derreto tomo cuidado para não cortar os dedos. O material, encontrado apenas em Lorien, emite um brilho roxo intenso enquanto o aqueço, e começa a adquirir a consistência de cera de vela. Não deixo a substância derretida pingar no chão. Antes que caia, eu a pego com a telecinesia e começo a remodelá-la.
Quando termino, o laço se tornou algo mais parecido com uma adaga. É mais ou menos do comprimento do meu antebraço, com um cabo improvisado onde permiti que o Voron formasse uma guarda. A lâmina tem forma de diamante, com quatro arestas e uma ponta bem afiada. Eu a viro na mão para observá-la, testo o peso e o movimento para frente e para trás com força.
É o que vou usar se eles tirarem meus Legados de novo. Vou enfiar isso bem no coração de Setrákus Ra.
— Sinistro — diz Nove, da entrada.
Eu estava tão concentrado que nem o ouvi se aproximar. Ele sorri para mim, observando a lâmina. Usando telecinesia, eu a faço flutuar até Nove, que a pega do ar, testando alguns movimentos.
— Nada mau — conclui ele, fazendo-a flutuar de volta para mim. — Sinto falta do meu cano, cara. Não acredito que aquela droga quebrou.
— É, sinto falta do meu escudo — respondo, inclinando a cabeça na direção de Nove. — E aí, tudo certo?
— Hã... — Nove se aproxima mais e se apoia na grade do deque. Então, baixa a voz. — Eu, hã... queria pedir desculpas por aquela vez que bati em você em Chicago.
Chego a bufar de surpresa.
— Do que você está falando?
— E também em Nova York, quando estraguei nosso ataque surpresa batendo as mãos com aquelas luvas sônicas estúpidas. Desculpa por isso também.
— Ok — respondo, levantando as mãos. — O que você está fazendo?
— Por todas as vezes que eu disse uma coisa que aborreceu ou fiz algo que quase matou você. Sinto muito.
— Olha, se você está dizendo tudo isso porque acha que podemos morrer lá embaixo, não precisa.
— Ah, não tem essa de “podemos” para mim — diz Nove, me olhando nos olhos. — Eu com certeza vou sobreviver a essa merda. Você, por outro lado, está nessa coisa toda de voar sozinho e não precisar dos amigos, como se fosse movido a raiva... Como se não se importasse com o que acontece com você...
Eu começo a protestar, mas Nove levanta a mão.
— Não, está tudo bem. Os outros podem não entender, mas eu entendo. Essa coisa de ir com tudo. Faça o que precisa fazer, cara. Mas não quero que você morra enquanto toda essa bosta pesa na minha consciência.
— Está bem, Nove — respondo, balançando a cabeça. — Você está perdoado.
— Além disso, precisa saber que prefiro que você saia vivo desta comigo — continua ele. — Você é meu irmão. E, hã... isso seria perfeito.
Antes que eu possa detê-lo, Nove me dá um abraço de urso. Não demora muito e termina com ele batendo nas minhas costas com força suficiente para me fazer tossir.
— Você sempre foi o melhor ajudante que um cara pode querer — diz ele.
— Vai se ferrar, Nove — respondo.
Ele sorri.
— A gente se vê, Johnny.
Nove me deixa sozinho no deque de observação. Prendo a adaga Voron em um passador de cinto. Estamos nos aproximando de West Virginia. Eu deveria descer e me preparar. Mas fico ali em cima, pensando no que ele disse. Será que está certo? Será que eu não quero sobreviver? Tento imaginar um depois... um mundo onde derrotamos Setrákus Ra e eu ainda estou vivo. Eu adorava devaneios como esse.
Agora, não consigo imaginar.
Não sinto medo. Acho que o medo está enraizado na expectativa. Na preocupação com a possibilidade de as coisas não saírem como planejado, de que algo o fará sofrer; no temor da tristeza que está por vir – tudo isso desaparece quando se aceita o caráter definitivo das coisas.
Não é tão ruim saber que não há futuro. É libertador.
Quando desço da plataforma, topo com Marina. Ela está na escada, de braços cruzados, assistindo aos nossos amigos se familiarizarem com a nave de guerra. Eu sei muito bem para quem ela está olhando.
Cinco. Ele está sentado em um dos consoles de armas, os ombros curvados, executando um diagnóstico enquanto Sam e Malcolm observam. Ele deve sentir que ela não para de encará-lo, mas prefere seguir adiante do que mostrar que percebeu.
Quando me aproximo, noto que o ar em torno de Marina está um pouco mais frio. Ela olha para mim e seus lábios se curvam para baixo.
— Já sei o que você vai dizer — declaro. — Que não podemos confiar nele. Que Cinco é perigoso. Concordo com tudo isso.
— E eu já sei o que você vai responder — retruca ela, imitando meu tom. — Ele é um mal necessário. O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Momentos desesperadores exigem medidas desesperadas.
— Por favor, me diga que não uso tantos clichês. — Ela franze a testa para mim. Esfrego as mãos para aquecê-las. — Ele salvou muitas vidas em Patience Creek, Marina. Ele salvou minha vida.
— É, fiquei sabendo sobre... a atuação dele — diz ela, uma nota de desgosto na voz. — Sam me contou que ele estava gostando do que fazia, que poderia ter matado Phiri Dun-Ra de uma vez, mas preferiu retalhar várias vezes o braço dela. Se nos permitirmos ficar tão cruéis e brutais assim, será que vencemos mesmo?
Penso em quantos mogs matei durante meu ataque a esta nave de guerra. Então, me lembro de como Cinco me olhou quando falei com ele pela primeira vez em Patience Creek, de quando me disse que eu tinha me tornado igual a ele.
Minha expressão deve ter se alterado, porque Marina aperta meu braço.
— Eu sinto muito. Não quis dar uma lição de moral — diz ela. — Só quero que a gente lembre que, no que diz respeito a Cinco, matar um inimigo comum não faz dele um aliado. Usá-lo como arma não significa que ele esteja salvando vidas de bom grado.
— No geral, eu concordaria com você. Mas não hoje.
Marina acena com a cabeça devagar, resignada ao fato de que vai lutar ao lado de Cinco.
— E depois, John? Ele vai pagar pelo que fez?
Essa palavra outra vez.
— Depois. — Desvio os olhos de Marina. — Depois dependerá de você.
Marina começa a me fazer outra pergunta, mas já estou descendo depressa o resto da escada. Adam olha para mim quando subo na ponte.
— Estamos quase lá — avisa ele. — Não quero chegar muito perto, caso eles tenham batedores de prontidão.
— Tudo bem — respondo, e volto o olhar para Ella, que está sentada em uma das estações abandonadas massageando as têmporas. — Você conseguiu criar aquele mapa?
Ela faz que sim.
— Passei os dados para o computador. Malcolm me ajudou a estimar a escala.
Ao ouvir isso, o pai de Sam levanta um chapéu imaginário.
— Vou mostrá-lo agora — diz Adam.
Uma grande área da imensa janela fica opaca e, um segundo depois, um mapa tridimensional da base mogadoriana na montanha aparece na tela. Não é exatamente uma planta, considerando que Ella e Malcolm produziram tudo à mão e de memória.
Mas é bastante preciso. Essas lembranças foram tiradas de mim, de Nove, de Seis, de Sam e de Adam. Todos nós já estivemos na base; todos temos lembranças do interior, ainda que tingidas de pânico, caos ou tortura. Ella sentou-se com cada um de nós por alguns minutos, extraiu essas lembranças e as transformou em algo tangível.
— Certo. Assim que cuidarmos da Anubis, vamos atacar bem aqui.
Indico a entrada montanhosa da caverna. Embora seja no nível do chão, fica mais ou menos no meio do mapa. Os mogs escavaram a montanha tanto acima quanto abaixo da entrada.
— Ainda temos um dispositivo de camuflagem preso à nave de Lexa. Vamos passar através do campo de força da base e então ela vai se retirar para uma distância segura até precisarmos ser resgatados. Entrarão Seis, Marina, Nove, Adam, Cinco e eu.
Sam franze a testa, como eu imaginei que faria.
— Espera. E o resto de nós?
— No começo, Ella vai coordenar os grupos por telepatia. Caso Setrákus Ra tire nossos Legados, quero que uma equipe de apoio leve Ella até lá para que use seu Dreynen e equipare nossas chances. — Ella assente com a cabeça, embora pareça desconfortável com a perspectiva de voltar a enfrentar o bisavô. — Até lá, o restante de vocês ficará nesta nave, destruindo qualquer coisa que saia daquela montanha e não seja um de nós. Com seu Legado, Sam, você ajudará mais ficando aqui.
Nove estala os dedos em direção a Rex e consegue a atenção do mog de olhos arregalados.
— E não tente nenhuma besteira. Ou meu amigo Sam Goode aqui vai matar você.
Sam suspira e olha como que se desculpando para Rex.
— Eu não vou matar você — diz Sam, embora reconsidere sua afirmação na mesma hora. — Quer dizer, vou, sim, se você tentar alguma coisa, mas você parece um cara legal, então não tente nada. Senão vou acabar com você.
Adam dá um tapinha no ombro de Rex. O outro mog balança a cabeça e se mostra bastante interessado nos esquemas à sua frente.
— Esperamos encontrar forte resistência nos cinquenta metros entre o campo de força e a entrada — continuo. — E vamos usar força bruta para abrir caminho.
Cinco e Nove sorriem.
— Menos Cinco — continuo, e ele parece perplexo.
— O quê? — pergunta.
Eu me viro para ele.
— Preciso de você para levar Seis e Adam voando pela entrada... invisíveis.
Seis olha para Cinco.
— Você está em perfeito juízo no momento, não está?
— Estou — responde Cinco de um jeito brusco; ele mantém o olho fixo no mapa e respira fundo. — É uma boa estratégia.
— Ninguém perguntou nada — diz Marina.
Continuo antes que as coisas fiquem ainda mais tensas.
— Assim que entrarem, Seis e Adam vão tentar desativar os escudos da base. — Aponto para uma seção elevada acima da entrada. — Não sabemos muito bem onde os controles ficam, mas Adam imagina que estejam por aqui. Enquanto estiverem fazendo isso, Cinco vai atacar os mogs por trás.
Sam levanta a mão.
— E o que o resto de nós vai fazer aqui?
— Assim que os escudos forem desativados, esperamos que vocês possam nos dar suporte aéreo. Vocês precisam manter o canhão de energia principal a postos.
— Vamos derrubar a montanha inteira — acrescenta Seis.
— Exatamente. Vamos enterrar Setrákus Ra lá dentro. Mas antes temos que nos certificar de que todos os experimentos doentios que ele maquinou sejam destruídos.
Aponto para as profundezas da montanha, passando por corredores sinuosos e atravessando pontes de pedra estreitas. Lembro-me dos sons que vinham dali na última vez em que estive no esconderijo secreto mogadoriano: gemidos de animais, gritos de torturados.
— Imaginamos que Setrákus Ra deve estar lá embaixo. É onde ficam os tonéis. Ele deve estar trabalhando nos experimentos.
Nove interrompe:
— Acha que ele não vai subir para dar um “oi” quando chegarmos?
— Você tem razão — concordo. — Ele pode sair para nos enfrentar. Mesmo assim, ele e tudo em que tocou deve ser destruído. Quando o sol nascer, Setrákus Ra não passará de poeira na droga de uma cratera.
— Você faz tudo parecer tão fácil... — murmura Cinco.
— Ah, não vai ser fácil — respondo. — Mas podemos fazer isso. Temos que fazer isso.
— Isso é tudo — acrescenta Seis. — Isso é por tudo.
Sinto que alguns dos meus amigos me olham em expectativa. Tento pensar no tipo de discurso que eu teria feito alguns dias atrás, quando Sarah ainda estava viva.
— Olha, não tenho mais nada a dizer. Chegamos até aqui juntos e vamos passar por isso juntos. Chega de correr, chega de se esconder, chega de falar. Vamos lutar até vencermos.
Todos assentem. Olho para cada rosto, nos olhos de cada um, e fico espantado ao ver como estou calmo. Depois olho para além do mapa da montanha na janela, para a noite lá fora. As estrelas apareceram.
Está na hora.
— Vou espiar a Anubis — digo. — E aviso quando vocês puderem se aproximar.
— Tome cuidado — adverte Marina, e a maioria dos outros ecoa suas palavras.
— Adam, pode me ajudar com a câmara de vácuo? — pergunto de saída.
O mogadoriano ergue a sobrancelha para mim, surpreso por eu pedir ajuda com uma tarefa que sabe que posso fazer sozinho. Mas ele não diz nada. Só balança a cabeça e vai atrás de mim.
Juntos, caminhamos pelos corredores vazios da nave de guerra. Os sinais do ataque ainda estão presentes, as cinzas mogadorianas sendo trituradas sob nossos pés. Adam não diz nada. Ele espera que eu fale primeiro.
— Ouça — começo, quando tenho certeza de que estamos fora do alcance de qualquer um com audição melhorada. — Assim que desativarem o campo de força da montanha, preciso que você volte para a nave de guerra.
— Beleza... — diz Adam.
— Há um risco de as coisas não saírem como planejado lá embaixo — continuo. — Se for o caso, eu o avisarei por telepatia. Quando eu fizer isso, não importa o que aconteça, não importa se alguém tentar detê-lo, você tem que disparar o canhão da nave de guerra. Destrua a montanha. Acabe com ela. Mesmo que alguns de nós ainda estejam lá. Setrákus Ra e seu trabalho não podem ver outro dia.
Adam para em meio a um passo e agarra meu braço.
— Você está falando sério?
— Sabe que estou.
Ele aperta um pouco mais meu braço, depois solta. Ao falar, mantém o tom sob controle.
— Por que... por que você está me pedindo para fazer isso, John? Só porque sou mogadoriano significa que sou frio e sem coração? Que não me preocupo com o que acontecerá com vocês?
— Não — digo, segurando seus ombros. — Sei que você se importa, Adam. Sei que vai ficar arrasado se tiver que fazer isso. Mas você também sabe que estou certo. Sabe que deter Setrákus Ra é mais importante do que... do que qualquer coisa. Se o pior acontecer, você vai acionar aquele canhão.
Adam me encara por alguns segundos, depois desvia o olhar. Então se afasta e minhas mãos caem dos seus ombros.
— Está bem, John — diz ele, apenas.
— Está bem.
Eu não preciso mesmo de ajuda com a câmara de vácuo.
Sozinho, passo pelo hangar devastado da nave, abro a saída e voo pelo céu noturno.
Passo pela vastidão lá embaixo, tranquila e intocada. O vento puxa minhas roupas, frio em contraste com o suor nas minhas costas.
A montanha se ergue à minha frente, em um tom escuro de roxo em meio à noite.
Esperando por mim.
Fico invisível.
Anubis paira sobre a montanha, um guardião insectoide. Seu casco metálico reflete o luar. Holofotes de busca embaixo da nave varrem a lateral da montanha, o espaço aberto ao redor da entrada da caverna, as árvores esparsas adiante. Estão nos esperando. A Anubis descreve um círculo lento em volta do pico da montanha, rondando, como fazia em Nova York. Desta vez, não vou fugir.
Pego o telefone via satélite no bolso de trás. Digito o número programado para Lawson. Duas palavras simples.
— Abrir fogo.
Não espero a resposta. Sei o que vai acontecer. Logo serão iniciados contra-ataques pelo mundo inteiro.
Solto o telefone. Deixo que se quebre na floresta alguns quilômetros abaixo. Não preciso mais dele. Chega de papo, chega de política.
Entro em contato com Seis por telepatia.
Anubis está sobre a montanha. Preparem-se.
Olho para trás, na direção de onde vim. Nossa nave está longe demais para ser vista, mas as nuvens de tempestade, não. Escuras e espessas, elas escondem as estrelas, arruinando o que seria uma noite de céu perfeitamente claro. Relâmpagos passam por elas, o vento ganha força e ouço granizos caindo a distância. Eles vêm na minha direção, em direção à Anubis.
Vai ser uma tempestade como os mogadorianos jamais viram.
Estamos chegando.

6 comentários:

  1. Eita porra!!! Como posso ir trabalhar lendo isso?!

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  2. Amei!! Principalmente a perte em que o Nove pede desculpa ao Johnny!!

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  3. hora da verdade.. nao estou pronto pras possiveis mortes :(

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  4. Não consigo nem repirar.

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