16 de novembro de 2016

Capítulo VI: Túrin entre os bandidos

Agora a história volta-se de novo para Túrin. Julgando-se um proscrito a quem o Rei perseguiria, não voltou para junto de Beleg nas marcas setentrionais de Doriath; partiu antes para oeste e, saindo secretamente do Reino Guardado, chegou aos bosques a sul do Teiglin. Aí, antes da Nirnaeth, muitos homens tinham vivi do em herdades dispersas. Pertenciam na sua maioria ao povo de Haleth, mas não tinham nenhum senhor e viviam da caça, da criação de animais e da agricultura, criando porcos nas terras da bolota e amanhando clareiras da floresta, protegidas do mato por cercas. Mas agora quase tudo estava destruído, quase todos tinham fugido para Brethil e a região vivia sob o medo dos Orcs e de bandidos. Pois, nesse tempo de ruína, homens sem teto e desesperados enveredavam por maus caminhos: sobreviventes de combates e derrotas, e de terras deixadas ao abandono; e alguns eram homens impelidos para os matos por atos criminosos.
Caçavam e colhiam o que podiam para comer, mas muitos dedicaram-se ao roubo e tornaram-se cruéis, quando a fome ou outras necessidades os forçaram. No Inverno eram muito de temer, como se fossem lobos, e Gaurwaith, homens-lobos, lhes chamavam aqueles que ainda defendiam as suas casas. Cerca de sessenta destes homens tinham-se reunido num bando e vagueavam pelas florestas para lá das marcas ocidentais de Doriath. Pouco menos odiados do que os Orcs eram, pois havia entre eles renegados de coração empedernido, ressentidos contra a sua própria espécie.
O mais duro de coração chamava-se Andróg, que fora expulso de Dor-lómin por ter assassinado uma mulher, e outros também provinham dessa terra: o idoso Algund, o mais velho da irmandade, que fugira da Nirnaeth, e Forweg, como a si mesmo se chamava, um homem de cabelo claro e cintilantes olhos inquietos, forte e ousado, mas havia muito arredado dos costumes dos Edain do povo de Hador. Por ém, às vezes ainda conseguia ser sensato e generoso e era o capitão da irmandade. Entretanto, tinham ficado reduzidos a cinquenta homens, em consequência de mortes em atribulações ou rixas, e haviam-se tornado cautelosos, rodeando-se de batedores ou de vigias, quer estivessem em movimento, quer parados. Por isso depressa tiveram conhecimento da presença de Túrin, quando ele se transviou e foi parar aos seus antros. Seguiram-no e formaram um círculo à sua volta, de modo que, subitamente, quando ele desembocou numa clareira ao lado de um regato, deu consigo rodeado por um círculo de homens com arcos retesados e espadas desembainhadas.
Túrin parou, mas não mostrou medo.
— Quem são vocês? Pensava que só os Orcs emboscavam homens, mas verifico que estava enganado.
— Podes lamentar o teu engano — respondeu Forweg —, pois estes são os nossos valhacoutos e os meus homens não permitem que outros homens por eles andem. Tiramos-lhes a vida como penhor, a não ser que possam resgatá-la. Então Túrin riu-se tristemente.
— Não obterão nenhum resgate de mim, pois sou um proscrito e um fora-da-lei. Podem revistar-me quando estiver morto, mas arriscam-se a pagar um preço elevado se quiserem verificar as minhas palavras. É provável que muitos de vocês morram primeiro.
Apesar disso, a sua morte parecia-lhe próxima, pois muitas setas estavam aprontadas, à espera da ordem do capitão, e embora Túrin usasse cota de malha élfica por baixo da túnica e da capa cinzentas, algumas encontrariam um ponto vulnerável e mortífero. Nenhum dos seus inimigos estava ao alcance de um salto com espada desembainhada. Mas, de súbito, Túrin inclinou-se, pois vira algumas pedras na beira do regato, diante dos seus pés. Nesse momento, um bandido, furioso com as suas palavras altivas, soltou uma flecha direita ao seu rosto, mas passou-lhe por cima e Túrin voltou a endireitar-se como uma corda de arco desprendida e arremessou a pedra ao frecheiro, com grande força e pontaria certeira, e o homem caiu no chão com o crânio fraturado.
— Poderei ser-lhes mais útil vivo, no lugar daquele infortunado homem — disse Túrin; e, voltando-se para Forweg, acrescentou: — Se és o capitão, não devias permitir que os teus homens disparassem sem tua ordem.
— E não permito — respondeu Forweg —, mas ele foi repreendido bem depressa. Ficarei contigo no lugar dele, se acatares melhor as minhas ordens.
— Acatarei, enquanto fores capitão e em tudo o que compete a um capitão. Mas a escolha de um homem novo para uma irmandade não cabe apenas a ele, julgo. Todas as vozes devem ser ouvidas. Há aqui alguém que não me aceite de bom grado?
Dois dos bandidos pronunciaram-se contra ele, sendo um deles amigo do homem que caíra. Chamava-se Ulrad.
— Matar um dos nossos melhores homens é uma estranha maneira de entrar para uma irmandade!
— Não sem provocação — disse Túrin. — Mas venham! Enfrentarei os dois juntos, com armas ou apenas com a força. Assim verão se sou capaz de substituir um dos vossos melhores homens. Mas se houver arcos nesta prova, então devo também ter um.
Avançou na direção deles, mas Ulrad recuou e não quis lutar. O outro largou o arco e caminhou ao encontro de Túrin. Este homem era Andróg, de Dor-lómin. Parou diante de Túrin e mediu-o de alto a baixo.
— Não — disse por fim, abanando a cabeça. — Não sou um poltrão, como os homens sabem; mas não estou à tua altura. Não há aqui ninguém que esteja, parece-me. Por mim, podes juntar-te a nós. Mas há uma estranha luz nos teus olhos; és um homem perigoso. Como te chamas?
— Neithan, o Ofendido, a mim mesmo chamo — respondeu Túrin, e Neithan passou então a ser chamado pelos bandidos; mas, embora alegasse ter sido vítima de injustiça (e a quem reclamasse o mesmo ele sempre oferecesse um ouvido atento), nada mais revelaria a respeito da sua vida ou da sua casa. No entanto, eles perceberam que descera de alta condição e que, apesar de não ter mais do que as suas armas, estas tinham sido feitas por ferreiros élficos.
Depressa conquistou os seus louvores, pois era forte e valente e mais hábil nas florestas do que eles, assim como mereceu a sua confiança, pois não era ambicioso e pouco pensava em si mesmo; temiam-no, porém, devido às suas cóleras inopinadas, que raramente compreendiam.
Não podia regressar a Doriath, ou por orgulho não o faria, e em Nargothrond, desde a queda de Felagund, a ninguém era permitido entrar. Para o povo inferior de Haleth, em Brethil, não se dignava a ir e para Dor-lómin não se atrevia, pois estava densamente sitiada e nenhum homem sozinho poderia, naquele tempo, ter esperança de atravessar os desfiladeiros das Montanhas da Sombra. Por conseguinte, Túrin ficou com os bandidos, pois a companhia de quaisquer homens tornava as atribulações dos ermos mais fáceis de suportar; e porque queria viver e não podia estar sempre em conflito com eles, pouco fazia para conter as suas más ações.
Não tardou, assim, a tornar-se insensível a uma vida mesquinha e não raro cruel, embora, de vez em quando, a compaixão e a repulsa despertassem nele e então a sua cólera o tornasse perigoso.
Deste modo perverso e perigoso viveu até ao fim daquele ano, passando pela carência e pela fome do Inverno, até à chegada de uma branda primavera. Ora, como foi dito, nas florestas de Teiglin ainda havia algumas terras de homens, resolutos e cautelosos, embora o seu número fosse agora reduzido. Apesar de não gostarem nada deles e de pouco se compadecerem, no pino do Inverno colocavam a comida de que podiam dispor onde os Gaurwaith a pudessem encontrar, esperando assim evitar o ataque dos bandos de famintos. Mas isso granjeava-lhes menos gratidão da parte dos bandidos do que a recebida de animais e pássaros, e eles eram mais protegidos pelos seus cães e pelas suas cercas. Pois cada propriedade tinha grandes cercas à volta da terra desbravada e junto das casas havia um fosso e uma paliçada, e também havia caminhos de propriedade para propriedade e os homens podiam pedir ajuda servindo-se de toques de trombetas.
Mas, quando a Primavera chegava, tornava-se perigoso para os Gaurwaith permanecerem tão perto das casas dos homens da floresta, os quais podiam unir-se e persegui-los. Por isso, Túrin sentia-se intrigado por Forweg os não levar dali. Havia mais comida, e mais caça e menos perigo, para sul, onde não restavam Homens. Até que um dia deu pela falta de Forweg e também de Andróg, seu amigo, e perguntou onde estavam, mas os seus companheiros riram-se.
— Suponho que foram tratar de assuntos pessoais — disse Ulrad. — Não tardarão a voltar e então partiremos. Apressadamente, talvez, pois teremos sorte se não trouxerem as abelhas das colméias atrás deles.
O sol brilhava e as jovens folhas recentes estavam verdes, e Túrin, irritado com o miserável acampamento dos bandidos, afastou-se sozinho e embrenhou-se na floresta. Contra a sua vontade, lembrou-se do Reino Escondido, e pareceu-lhe ouvir os nomes das flores de Doriath como ecos de uma quase esquecida língua antiga. Mas, subitamente, ouviu gritos e viu uma jovem mulher sair a correr de um bosque de avelaneiras. Tinha o vestuário rasgado por espinhos, estava muito amedrontada e, tropeçando, caiu a ofegar no chão. Então Túrin saltou na direção do bosque, com a espada desembainhada, e derrubou um homem que irrompeu das avelaneiras na sua perseguição. Só no próprio momento em que desferiu o golpe viu que era Forweg.
Mas, enquanto olhava, espantado, para o sangue que cobria a erva, Andróg apareceu e estacou, também ele espantado.
— Mau trabalho, Neithan! — gritou, e desembainhou a espada.
Mas o ímpeto de Túrin esfriou e ele perguntou a Andróg:
— Afinal, onde estão os Orcs? Ultrapassaste-os para a ajudar?
— Orcs? — repetiu Andróg. — Idiota! Intitulas-te tu bandido, mas os bandidos não conhecem lei alguma a não ser as suas próprias necessidades. Cuida das tuas, Neithan, e deixa-nos cuidar das nossas.
— Assim farei — disse Túrin. — Mas hoje os nossos caminhos cruzaram-se. Ou deixas a mulher comigo, ou vais fazer companhia a Forweg.
Andróg riu-se.
— Se assim queres, faz a tua vontade. Sei que, sozinho, não estou à tua altura, mas os nossos companheiros não verão esta morte com bons olhos.
Então a mulher levantou-se e pôs a mão no braço de Túrin. Olhou para o sangue e depois para Túrin, e havia deleite nos seus olhos.
— Matai-o, Senhor! Matai-o também. E depois acompanhai-me. Se levardes as cabeças deles, Larnach, meu pai, não ficará desagradado. Por duas “cabeças de lobo” já deu boas recompensas a homens.
Mas Túrin perguntou a Andróg:
— É longe, a casa dela?
— Uma milha, mais ou menos, numa pequena herdade cercada, além. Ela afastou-se para longe.
— Ide então, e depressa — disse Túrin, voltando-se de novo para a mulher. — Dizei ao vosso pai que vos guarde melhor. Mas eu não cortarei as cabeças dos meus companheiros para comprar o favor dele, ou qualquer outra coisa.
Depois levantou a espada e disse a Andróg:
— Regressemos. Mas, se desejas sepultar o teu capitão, tu mesmo terás de o fazer. Apressa-te, pois pode levantar-se alarido. Traz as suas armas!
A mulher afastou-se pelo meio do arvoredo e olhou muitas vezes para trás, antes de as árvores a ocultarem. Túrin seguiu o seu caminho sem mais palavras e Andróg viu-o afastar-se e franziu a testa, como se quisesse deslindar um enigma.
Quando voltou ao acampamento dos bandidos, Túrin encontrou-os agitados, pois já estavam há muito tempo no mesmo lugar, perto de propriedades bem guardadas, e murmuravam contra Forweg.
— Ele corre riscos à nossa custa — diziam. — E outros poderão ter de pagar pelos seus prazeres.
— Então escolham um novo capitão — aconselhou Túrin, parado diante deles. — Forweg não os pode comandar mais, pois está morto.
— Como sabes isso? — perguntou Ulrad. — Procuraste mel na mesma colmeia? As abelhas picaram-no?
— Não — respondeu Túrin. — Uma picada bastou. Eu matei-o. Mas poupei Andróg, que regressará em breve.
Depois contou tudo quanto fora feito e repreendeu aqueles que cometiam tais ações; ainda estava a falar quando Andróg voltou, trazendo as armas de Forweg.
— Olha, Neithan! — exclamou. — Não foi dado qualquer alarme. Talvez ela espere encontrar-te de novo.
— Se troças de mim — respondeu Túrin —, arrepender-me-ei de lhe ter negado a tua cabeça. Conta a tua história e sê breve.
Então Andróg contou, com veracidade, tudo quanto acontecera.
— Pergunto-me agora que assunto tinha Neithan a tratar ali. Não me parece que estivesse relacionado conosco, pois quando cheguei j á ele matara Forweg. A mulher ficou encantada com isso e ofereceu-se para ir com ele, pedindo as nossas cabeças como dote de noiva.
Mas ele não a quis e mandou-a embora depressa. Por isso, não faço idéia do que tinha ele contra o capitão. Deixou a minha cabeça em cima dos meus ombros e por isso lhe estou agradecido, ainda que intrigado.
— Então nego que venham do povo de Hador, como alegam — declarou Túrin. — A Uldor, o Maldito, antes pertencem e deviam procurar servir a Angband. Mas agora escutem-me! — gritou a todos eles. — Dou-lhes a escolher: devem aceitar-me como vosso capitão no lugar de
Forweg ou deixar-me partir. Chefiarei esta irmandade ou deixá-la-ei. Mas, se quiserem matar-me, vamos a isso! Contra todos combaterei até morrer... ou morrerem vocês.
Foram muitos os homens que pegaram nas armas, mas Andróg gritou:
— Não! A cabeça que ele poupou não é tola. Se lutarmos, mais do que um morrerá escusadamente, antes de matarmos o melhor homem de entre nós. — Depois riu-se. — Como foi quando ele se juntou a nós, assim é de novo agora. Ele mata para arranjar espaço. Se deu bom resultado antes também poderá dar agora e talvez ele nos conduza a melhor sorte do que predar o lixo de outros homens.
E o velho Algund disse:
— O melhor homem de entre nós. Tempos houve em que teríamos feito o mesmo, se ousássemos; mas esquecemos muitas coisas. No fim, ele poderá conduzir-nos a casa.
Perante estas palavras, acudiu a Túrin o pensamento de que, a partir deste reduzido bando, talvez pudesse formar um pequeno senhorio para si próprio. Mas olhou para Algund e Andróg e disse:
— A casa, dizem? Altas e frias se erguem no caminho as Montanhas da Sombra. Atrás delas está o povo de Uldor e em volta delas as legiões de Angband. Se tais coisas os não intimidam, sete vezes sete homens, ent ão poderei conduzi-los a caminho de casa. Mas até onde, antes de morrermos?
Ficaram todos em silêncio. Depois Túrin voltou a falar:
— Aceitam-me como capitão? Se aceitarem, conduzi-los-ei primeiro para longe, nos ermos, longe das casas dos homens. Aí poderemos encontrar melhor sorte; ou não. Mas pelo menos inspiraremos menos ódio aos da nossa própria espécie.
Então, todos quantos pertenciam ao povo de Hador se lhe juntaram e aceitaram-no como comandante; os outros também concordaram, se bem que com menos boa vontade. E, de imediato, ele conduziu-os para longe daquela região.
Muitos mensageiros haviam sido enviados por Thingol para procurarem Túrin no interior de Doriath e nas terras próximas das suas fronteiras; mas no ano da sua fuga em vão o procuraram, pois ninguém sabia ou poderia imaginar que se encontrasse com os bandidos e inimigos dos homens. Chegado o inverno, regressaram para junto do Rei, com a única exceção de Beleg. Depois de todos os outros partirem, ele prosseguiu, sozinho.
Mas em Dimbar e ao longo das fronteiras setentrionais de Doriath as coisas tinham corrido mal. O Elmo do Dragão não voltara a ser visto por ali em combate e o Arco Forte também desaparecera. Os servos de Morgoth estavam, por isso, encorajados e cresciam sem parar em número e ousadia. O Inverno chegou e passou e na Primavera o seu ataque foi renovado: Dimbar foi devastada e os Homens de Brethil tiveram medo, pois o mal rondava agora em todas as suas fronteiras, exceto no sul.
Decorrera quase um ano desde que Túrin partira e Beleg continuava a procurá-lo, cada vez com menos esperança. As suas deambulações levaram-no para norte, para os Vaus do Teiglin, e aí, ouvindo más notícias de uma nova incursão de Orcs a partir de Taur-nu-Fuin, voltou para trás e quis o acaso que chegasse às casas dos Homens das Florestas pouco depois de Túrin ter deixado essa região. Aí ouviu uma estranha história que corria entre eles. Um Homem alto e imponente, ou um guerreiro elfo, diziam alguns, aparecera nas florestas, matara um dos Gaurwaith e salvara a filha de Larnach, que eles perseguiam.
— Muito altivo ele era — disse a filha de Larnach a Beleg —, com olhos brilhantes que quase não se dignaram a olhar para mim. No entanto, chamou companheiros aos homens-lobos e não matou outro que se aproximou, e conhecia o seu nome. Neithan, chamou-lhe ele.
— Conseguis deslindar este enigma? — perguntou Larnach ao Elfo.
— Infelizmente, consigo — respondeu Beleg. — O Homem de que falais é aquele que procuro. — E nada mais a respeito de Túrin disse aos Homens da Floresta; mas avisou-os a respeito de concentrações perigosas a norte. — Em breve os Orcs virão pilhar esta região, com forças demasiado grandes para que possais resistir-lhes. Este ano deveis, finalmente, renunciar à vossa liberdade ou às vossas vidas. Parti para Brethil enquanto é tempo!
Depois Beleg seguiu apressadamente o seu caminho e procurou os esconderijos dos bandidos, bem como sinais que pudessem indicar-lhe para onde tinham ido. Não tardou a encontra-los, mas Túrin levava agora vários dias de avanço e movia-se rapidamente, receando a perseguição dos Homens da Floresta e recorrendo a todas as artes que conhecia para derrotar ou induzir em erro quem quer que tentasse segui-lo. Conduziu os seus homens para oeste, para longe dos Homens da Floresta e das fronteiras de Doriath, até chegarem ao extremo setentrional das grandes terras altas que se erguiam entre os Vales do Sirion e do Narog. Aí a terra era mais seca e a floresta terminava abruptamente na margem de uma cumeeira. Em baixo era possível ver a antiga Estrada do Sul, subindo dos Vaus do Teiglin para continuar ao longo das bases ocidentais das charnecas, a caminho de Nargothrond. Ali viveram os bandidos com todas as cautelas, durante algum tempo, raramente passando duas noites num acampamento e deixando poucos vestígios da sua partida ou da sua permanência. Foi por isso que o próprio Beleg os procurou em vão. Guiado por sinais que conseguia interpretar, ou por rumores da passagem de Homens por entre as coisas selvagens com as quais sabia falar, chegou muitas vezes perto, mas o seu covil estava sempre deserto quando o alcançava, pois eles mantinham uma vigilância de dia e de noite e ao mínimo sinal de aproximação partiam rapidamente. “Ai de mim”, lamentava-se Beleg, “bem de mais ensinei a este filho de Homens as artes da floresta e dos campos! Quase se poderia pensar que se trata de um bando de Elfos.” Mas eles, pelo seu lado, aperceberam-se de que estavam a ser seguidos por algum perseguidor incansável que não conseguiam ver e, apesar disso, não podiam despistar. E foram ficando intranquilos.
Não muito tempo depois, como Beleg receara, os Orcs atravessaram o Brithiach e, deparando-se com toda a resistência que Handir de Brethil conseguiu opor-lhes, passaram para sul, pelos Vaus do Teiglin, em busca de saque. Muitos dos Homens da Floresta tinham seguido o conselho de Beleg e mandado as mulheres e as crianças pedir refúgio em Brethil. Estas e a sua escolta escaparam, passando pelos Vaus a tempo, mas os homens armados que vinham atrás foram alcançados pelos Orcs e derrotados. Alguns conseguiram, lutando, abrir caminho e chegar a Brethil, mas muitos foram mortos ou capturados. E os Orcs chegaram assim às propriedades, que pilharam e incendiaram. Depois, de repente, retrocederam para oeste, procurando a Estrada, pois era seu desejo voltarem o mais depressa que pudessem ao norte com o seu saque e os seus cativos.
Mas os batedores dos bandidos não tardaram a aperceber-se da sua proximidade e, embora pouco se importassem com os cativos, o saque dos Homens da Floresta aguçou lhe a cobiça. Túrin considerou perigoso revelarem-se aos Orcs antes de saberem quantos eram, mas os bandidos não lhe deram ouvidos, pois nos ermos precisavam de muitas coisas e alguns começavam já a lamentar a sua chefia. Por isso, levando um chamado Orleg como única companhia, Túrin avançou e foi espiar os Orcs. E, entregando o comando do bando a Andróg, recomendou-lhe que se mantivessem juntos e bem escondidos durante a sua ausência.
Ora, a hoste dos Orcs era muito maior do que a quadrilha de bandidos, mas estavam em terras aonde os Orcs raramente tinham ousado ir, e eles sabiam que, para lá da Estrada, ficava Talath Dirnen, a Planície Guardada, vigiada pelos batedores e espiões de Nargothrond. Temerosos do perigo, estavam inquietos e os seus batedores insinuaram-se através das árvores de cada lado das linhas em marcha. Foi assim que Túrin e Orleg foram descobertos, pois três dos batedores tropeçaram neles, quando estavam escondidos, e apesar de terem morto dois o terceiro conseguiu escapar, gritando enquanto fugia: Golug! Golug! Este era o nome que davam aos Noldor. Ato contínuo, a floresta encheu-se de Orcs, que dispersaram silenciosamente e atacaram em todas as direções. Vendo que a esperança de escaparem era pequena, Túrin pensou em tentar, pelo menos, enganá-los e afastá-los para longe do esconderijo dos seus homens. Então, percebendo pelo grito de Golug! Que eles receavam os espiões de Nargothrond, fugiu com Orleg para oeste. A perseguição não se fez esperar até que, por muitas voltas e fintas que tentassem, acabaram por ser corridos da floresta. Então foram descobertos e, quando procuravam atravessar a estrada, Orleg foi abatido por muitas flechas. Mas a cota de malha élfica salvou Túrin, que fugiu sozinho para as terras ermas e, graças à sua velocidade e astúcia, enganou os inimigos e penetrou profundamente em terras que lhe eram desconhecidas. Depois, temendo que os elfos de Nargothrond fossem alertados, os Orcs chacinaram os seus prisioneiros e dirigiram-se apressadamente para o norte.
Decorridos três dias sem que Túrin e Orleg tives sem regressado, alguns dos bandidos quiseram partir da caverna onde se encontravam escondidos; mas Andróg opôs-se. E enquanto estavam no meio desta discussão, surgiu-lhes de súbito à frente uma figura cinzenta. Beleg encontrara-os, finalmente. Avançou sem armas nas mãos e com as palmas voltadas para eles. Mas os bandidos saltaram, assustados, e Andróg, indo por trás dele, atirou-lhe um laço e apertou-o, de modo a imobilizar lhe os braços.
— Se não desejam visitas, deviam ser mais vigilantes — lembrou Beleg. — Por que me recebem assim? Venho como amigo e procuro apenas um amigo. Neithan, consta-me que assim o tratam.
— Não está aqui — respondeu Ulrad. — Mas, a não ser que há muito nos espies, como sabes esse nome?
— Há muito que ele nos espia — afirmou Andróg. — Esta é a sombra que nos tem seguido. Agora talvez fiquemos a conhecer o seu verdadeiro intento.
Ordenou-lhes então que amarrassem Beleg a uma árvore ao lado da caverna e, quando o tiveram bem preso de pés e mãos, interrogaram-no. Mas a todas as perguntas Beleg deu apenas uma resposta:
— Tenho sido amigo desse Neithan desde que o encontrei pela primeira vez nas florestas, era ele então apenas uma criança. Procuro-o somente por amizade e trago-lhe boas notícias.
— Matemo-lo e livremo-nos da sua espionagem — disse Andróg, furioso, enquanto olhava para o grande arco de Beleg e o cobiçava, pois era um archeiro. Mas alguns de coração mais brando opuseram-se lhe, e Algund disse-lhe:
— O capitão ainda pode regressar e, então, arrepender-se-ão se ele souber que foi roubado, ao mesmo tempo, de um amigo e de boas notícias.
— Não acredito na história deste elfo — rebateu Andróg. — É um espião do rei de Doriath. Mas se ele tem, de fato, algumas notícias, que no-las conte; e nós julgaremos se nos dão motivo para o deixar viver.
— Esperarei pelo vosso capitão — disse Beleg.
— Ficarás aí até falares — decidiu Andróg.
Depois, por sugestão de Andróg, deixaram-no amarrado à árvore sem comida nem água e sentaram-se perto a comer e a beber, mas ele não lhes disse mais nada. Decorridos dois dias e duas noites nessa situação, ficaram irritados e receosos, e estavam ansiosos por partir, e muitos deles sentiam-se agora dispostos a matar o Elfo. Quando a noite caía, estavam todos reunidos à sua volta e Ulrad trouxe um tição da pequena fogueira que tinham acendido à entrada da caverna. Mas nesse momento Túrin regressou. Aproximando-se silenciosamente, como era seu costume, manteve-se nas sombras para lá do anel dos homens e viu o rosto desfigurado de Beleg à luz da brasa.
Então foi como se tivesse sido atingido por uma lan ça e, como que por um súbito degelo, as lágrimas havia muito contidas encheram-lhe os olhos. Precipitou-se para a árvore.
— Beleg! Beleg! — gritou. — Como chegaste até aqui? E porque estás assim amarrado? — Num ápice, cortou as cordas que prendiam o amigo e Beleg caiu para a frente, nos seus braços.
Quando ouviu tudo o que os homens quiseram dizer-lhe, ficou furioso e magoado; mas ao princípio a sua atenção concentrou-se apenas em Beleg. Enquanto o tratava valendo-se dos poucos conhecimentos que tinha, pensou na sua vida nas florestas e a cólera voltou-se contra si mesmo. Pois frequentemente tinham sido mortos desconhecidos, quando apanhados na proximidade dos antros dos bandidos, ou por eles emboscados, e não os impedira; e não raro ele próprio dissera mal do Rei Thingol e dos Elfos Cinzentos, para poder partilhar da culpa, se eram tratados como inimigos. Depois voltou-se, com azedume, para os seus homens.
— Foram cruéis — disse-lhes — e cruéis sem necessidade. Nunca até agora atormentamos um prisioneiro, mas a este trabalho de Orcs nos conduziu a vida que levamos. Ilegais e infrutíferos têm sido todos os nossos atos, servindo-nos apenas a nós e alimentando o ódio nos nossos corações.
Andróg, porém, rebateu:
— Mas a quem serviremos, a não ser a nós próprios ? A quem amaremos, se todos nos odeiam?
— Pelo menos as minhas mãos não voltarão a erguer-se contra Elfos ou Homens — afirmou Túrin. — Angband já tem servos suficientes. Se outros não fizerem este juramento comigo, partirei só.
Então Beleg abriu os olhos e ergueu a cabeça.
— Só, não! — exclamou. — Agora posso finalmente transmitir as minhas notícias. Não és nenhum bandido e Neithan é um nome impróprio. Qualquer falta que tenha sido achada em ti está perdoada. Durante um ano foste procurado, para seres restituído à honra e ao serviço do Rei. Há muito tempo que se sente a falta do Elmo do Dragão.
Mas Túrin não demonstrou qualquer júbilo por tais notícias e permaneceu muito tempo em silêncio, pois as palavras de Beleg tinham feito descer de novo uma sombra sobre ele.
— Deixemos passar esta noite — disse, por fim. — Então escolherei. Mas, seja qual for a escolha, temos de abandonar este esconderijo amanhã, pois nem todos os que nos procuram nos desejam bem.
— Não, nem todos — concordou Andróg, e lançou um olhar maligno a Beleg.
De manhã, Beleg, rapidamente sarado das suas dores, como acontecia com os elfos de antigamente, falou a sós com Túrin.
— Esperava que as minhas notícias causassem mais alegria. Por certo regressarás agora a Doriath? — E tal rogou a Túrin de todos os modos que pôde, mas, quanto mais o instigava, mais Túrin hesitava. Apesar disso, interrogou insistentemente Beleg acerca da sentença de Thingol. Beleg contou-lhe tudo quanto sabia e, por fim, Túrin disse:
— Então Mablung provou ser meu amigo, como antes parecia?
— Provou, antes, ser amigo da verdade e, no fim, isso foi melhor, embora a sentença tivesse sido menos justa não fora o testemunho de Nellas. Por que, Túrin, por que, por que não contaste a Mablung o ataque de Saeros? De modo muito diferente poderiam as coisas ter corrido. E — acrescentou, olhando para os homens estira çados perto da entrada da caverna — poderias ter mantido o teu elmo ainda alto, e não caído a este ponto.
— Talvez, se caído lhe chamas — respondeu Túrin. — Talvez. Mas aconteceu assim e as palavras ficaram-me presas na garganta. Havia censura nos olhos dele, sem que qualquer pergunta me tivesse sido feita, por um ato que não tinha cometido. O meu coração de Homem era orgulhoso, como o rei elfo disse. E assim continua a ser, Beleg Cúthalion. Ainda não tolerará que eu regresse a Menegroth e suporte olhares de piedade e perdão, como se fosse um rapaz caprichoso que se emendou. Eu devia ter oferecido perdão, em vez de o receber. E já não sou um rapaz, mas sim um homem, conforme a minha espécie. E um homem endurecido pelo meu destino. Beleg sentiu-se perturbado.
— O que farás, então?
— Serei livre — respondeu Túrin. — Tal me desejou Mablung quando nos separamos. Suponho que a graça de Thingol não irá ao ponto de receber estes companheiros da minha queda, mas eu não me separarei deles agora, se eles não quiserem separar-se de mim. Amo-os à minha maneira, até mesmo, um pouco, aos piores. São da minha espécie e há em cada um algo de bom que poderá frutificar. Creio que ficarão do meu lado.
— Vês com olhos diferentes dos meus. Se tentares desabituá-los do mal, desiludir-te-ão. Duvido deles, e de um mais do que de todos os outros.
— Como pode um elfo ser juiz de homens? — perguntou Túrin.
— Como é juiz de todos os atos, seja quem for que os cometa — respondeu Beleg, mas não mencionou nenhum nome nem falou da maldade de Andróg, a quem se deviam os maus tratos que sofrera. Pois, compreendendo a disposição de Túrin, receava não ser acreditado e prejudicar a antiga amizade de ambos, impelindo Túrin para os seus maus caminhos.
— Ser livre, diz-se, Túrin, meu amigo — acrescentou. — Que queres dizer com isso?
— Conduzirei os meus próprios homens e travarei guerra à minha maneira — respondeu Túrin. — Mas numa coisa, pelo menos, o meu coração mudou: arrependo-me de todos os golpes que infligi exceto daqueles que tiveram como alvo o inimigo dos homens e dos elfos. E, cima de tudo, gostaria de te ter ao meu lado. Fica comigo!
— Se ficasse ao teu lado, seria o sentimento que me nortearia, não a sensatez — disse Beleg. — O meu coração diz-me que devíamos regressar a Doriath. Em qualquer outro lugar, há uma sombra à nossa frente.
— Apesar disso, não irei para lá.
— Lamento — disse Beleg. — Mas, como um pai afetuoso que satisfaz o desejo do seu filho contra o seu próprio discernimento, cedo à tua vontade. A teu pedido ficarei.
— Isso é uma boa notícia! — exclamou Túrin, mas, de repente, ficou silencioso, como se ele próprio tivesse consciência da sombra, e lutou contra o seu orgulho, que não o deixava voltar para trás. Ficou ali sentado por um momento, a matutar nos anos que tinham ficado para trás.
Libertando-se de súbito dos pensamentos, olhou para Beleg e disse:
— A jovem elfa que referiste, mas de cujo nome não me recordo: devo-lhe muito pelo seu oportuno testemunho; no entanto, não consigo lembrar-me dela. Por que observava os meus movimentos?
Beleg olhou-o de modo estranho.
— Por que, deveras? Túrin, viveste sempre com o teu coração e metade da tua mente muito distantes? Em rapaz, Costumavas caminhar com Nellas pelos bosques.
— Deve ter sido há muito tempo. Ou longínqua me parece agora a minha infância, envolta numa névoa... excetuando apenas a recordação da casa do meu pai em Dor-lómin. Por que caminharia eu com uma jovem elfa?
— Talvez para aprenderes o que ela podia ensinar-te, ainda que não fosse mais do que algumas palavras élficas dos nomes das flores das matas. Os seus nomes, pelo menos, não esqueceste. Ah, filho dos homens, há outras mágoas na Terra Média além das tuas e feridas que não foram feitas por nenhuma arma. Em verdade, começo a pensar que elfos e homens não deveriam conhecer-se ou misturar-se.
Túrin não disse nada, mas fitou longamente o rosto de Beleg, como se quisesse decifrar nele o enigma das suas palavras. Nellas de Doriath nunca mais voltou a vê-lo e a sombra dele abandonou-a. Beleg e Túrin mudaram de assunto e falaram de onde iriam viver.
— Regressemos a Dimbar, nas marcas setentrionais, por onde em tempos andamos juntos! — propôs Beleg, entusiasmado. — Precisam lá de nós. Pois ultimamente os Orcs descobriram um caminho que desce da Taur-nu-Fuin e forma uma estrada através do Desfiladeiro de Anach.
— Não me lembro disso — disse Túrin.
— Não, nós nunca nos afastamos tanto das fronteiras — disse Beleg. — Mas viste os picos das Crissaegrim, muito ao longe, e, a leste, as muralhas escuras de Gorgoroth. Anach fica no meio, acima das nascentes altas do Mindeb. É um caminho difícil e perigoso, mas muitos podem vir agora por ele e Dimbar, que costumava estar em paz, est á a ficar sob o domínio da Mão Negra e os homens de Brethil estão inquietos. Para Dimbar, desafio-te!
— Não, não andarei para trás na vida. E tão-pouco posso agora ir com facilidade para Dimbar. Sirion fica no meio, sem ponte e imposs ível de passar a vau abaixo do Britiach, muito para norte; a travessia é perigosa. A não ser em Doriath. Mas eu não entrarei em Doriath nem me aproveitarei da autorização nem do perdão de Thingol.
— Disseste-te um homem duro, Túrin. E é verdade, se com isso queres dizer teimoso. Agora é a minha vez. Irei, com tua licença, assim que puder e despedir-me-ei de ti. Se desejas realmente ter o Arco Forte a teu lado, procura-me em Dimbar.
Túrin não disse mais nada.
No dia seguinte, Beleg pôs-se a caminho e Túrin foi com ele até um disparo de flecha do acampamento, mas nada disse.
— E, então, adeus, filho de Húrin? — perguntou Beleg. — Se deveras desejas cumprir a tua palavra e ficar a meu lado — respondeu Túrin —, procura-me no Amon Rûdh! — Assim falou, sentindo-se infortunado e inconsciente do que tinha pela frente. — Caso contrário, esta é a nossa última despedida.
— Talvez seja melhor assim — respondeu Beleg, e seguiu o seu caminho.
Consta que Beleg regressou a Menegroth, apresentou-se perante Thingol e Melian e contou-lhes tudo o que acontecera, excetuando apenas a maneira cruel como fora tratado pelos companheiros de Túrin. Então Thingol suspirou, e disse:
— Assumi a paternidade do filho de Húrin e isso não pode ser posto de parte por amor ou ódio, a não ser que o próprio Húrin, o Valoroso, regresse. Que mais quereria ele que fizesse?
Mas Melian declarou:
— De mim uma dádiva recebereis agora, Cúthalion, pela vossa ajuda e pela vossa honra, pois não tenho nenhuma mais digna para vos oferecer. — E deu-lhe uma provisão de lembras, o pão do caminho dos elfos, embrulhada em folhas de prata. E os fios que as atavam tinham, nos nós, o sinete da Rainha, um disco de cera branca com a forma de uma única flor da Telperion. De acordo com os costumes dos Eldalië, a guarda e a oferta deste alimento pertenciam exclusivamente à Rainha. — Este pão do caminho, Beleg, será o vosso socorro nos ermos e no inverno, e o socorro também daqueles que escolherdes. Pois vo-lo entrego agora para o partilhardes como vos aprouver em meu lugar.
— Em nada mostrou Melian maior graça para com Túrin do que com esta dádiva; pois os Eldar jamais tinham permitido aos Homens usar este pão do caminho e raramente voltaram a fazê-lo.
Então Beleg partiu de Menegroth e voltou para as marcas setentrionais, onde tinha a sua residência e muitos amigos; mas, quando o Inverno chegou e a guerra acalmou, os seus companheiros sentiram, de súbito, a falta de Beleg, o qual nunca mais voltou para eles.

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