25 de novembro de 2016

Capítulo 9

Amy se virou e correu de volta para a trilha com Dan, Jake e Atticus em seus calcanhares, quando mais quatro lutadores saltaram das árvores.
— É uma armadilha! — Dan gritou,
Eles estavam cercados. Capangas à frente, capangas atrás, e tudo em volta deles era nada além de selva impenetrável. Como eles nos encontraram? Os músculos de Amy ficaram tensos e seu pulso acelerou, dizendo a ela para correr, mas não havia lugar algum para ir. Ela se sentiu como um tigre enjaulado.
Dois dos homens de Pierce se aproximaram e a agarraram. Ela lutou, mas os braços deles eram músculo puro, segurando-a com tanta força que quase quebraram seus ossos.
Jake estava se esquivando de um capanga que parecia mais uma pedra do que um homem, careca com um grande nariz esmagado contra sua cara. Se esquivando e desviando, ele ficou um passo à frente do capanga, mas não conseguia despistá-lo. Quando o lutador finalmente o encurralou, Jake pulou alto, agarrou um galho, e chutou o homem na cara – forte o suficiente para dar a Jake tempo de escapar.
Um soldado avançou para Atticus, que se jogou no chão da selva e deslizou por uma abertura estreita em uma moita, desaparecendo.
Dan abaixou e rolou, fugindo do soldado que o perseguia, e mergulhou na moita atrás de Att. Os capangas chutaram furiosamente os arbustos fechados, arrancando-os pelas raízes como uma máquina debulhadora. Vão, Dan e Att, vão! Amy pensou. Ela se contorceu no aperto de ferro do homem que a segurava. Um deles pegou a arma. Em uma onda de terror e adrenalina, ela chutou a mão dele com força suficiente para machucá-lo. A arma voou no ar e desapareceu na selva.
— Pegue-a! — o outro capanga ordenou.
O atirador soltou Amy. Agora ela tinha um braço livre. Ela socou o homem no estômago, seguido por um golpe de judô forte em seu braço e outro chute na virilha. Os golpes não tiveram efeito nenhum. Ela poderia muito bem ser uma mosca lutando contra um elefante.
Jake apareceu atrás do capanga, pegou um punhado de cabelo, e puxou. Enfurecido, o homem soltou Amy por uma fração de segundo antes de se virar para Jake. Amy fugiu, e Jake se abaixou sob o punho voador do lutador, conseguindo escapar.
— Os garotos! — Amy disse a Jake. Ela mergulhou na selva atrás de Atticus e Dan.
Jake a seguiu. Vinhas e galhos arranhavam seu rosto enquanto ela rastejava através da moita.
Ela surgiu em uma clareira e se levantou. Dan e Atticus saltaram de uma árvore oca onde estavam se escondendo.
— Amy, olha! — Dan gritou, apontando para as copas das árvores. Empoleirado em um galho forte de mafumeira estava uma plataforma de madeira com uma tirolesa ligada à ela. Amy não sabia onde a tirolesa dava, e ela não se importava. Qualquer lugar era melhor do que aquele.
— Subam lá como puderem! — ela disse aos outros.
Uma escada de madeira levava à plataforma. Ela agarrou o Atticus e o empurrou até as escadas, escalando depois dele. Os degraus eram estreitos demais para os homens musculosos. Um deles tentou o primeiro degrau e ele se quebrou sob seu peso. Dan e Jake se esquivaram dos capangas, subindo na árvore que levava à plataforma e se erguendo sobre o topo.
Amy pegou um arreio de tirolesa, ajudou Atticus a vestir, e o empurrou para frente. Ela o seguiu com outro arreio, com Dan e Jake deslizando perto e atrás dela. Eles passaram zunindo pela selva, por sobre as ruínas cobertas de samambaia, passando por pássaros selvagens e flores coloridas, desembarcando em uma plataforma a noventa metros de distância, onde outra tirolesa os aguardava.
Os soldados tinham de alguma maneira conseguido subir na árvore e vinham pelos cabos atrás deles sem arreios. Eles deslizavam ao longo dos cabos com as mãos, usando apenas luvas.
Eles são implacáveis, Amy pensou, tentando não se deixar dominar pelo desespero.
Os quatros foram para outra plataforma.
De repente, a cerca de seis metros da próxima plataforma, Atticus parou.
— Meu arreio está preso! — ele gritou.
Amy não conseguia parar – ela escorregou direto nele. Dan se chocou contra ela, e o peso deles desprendeu o arreio de Att. Eles deslizaram pelo resto para a próxima plataforma. Jake desceu depois deles. Sem fôlego, Amy olhou para trás. Os capangas estavam zumbindo direto até eles, a trinta metros de distância, depois quinze, cinco...
Mais a frente não havia tirolesa. Apenas uma ponte suspensa feita de cordas e tábuas, cobrindo um desfiladeiro seco e profundo.
— Os capangas estão bem atrás da gente — Dan gritou. — Vão!
Amy deu um passo hesitante na ponte, testando sua firmeza. Ela balançou sob seu peso. Dan pisou na primeira tábua, fazendo a ponte ondular. Amy olhou para baixo. Grande erro. O fundo do desfiladeiro estava muito, muito abaixo, sem nada para aterrissar além de rochas.
— Amy, vai! — Dan pediu a ela. — Eles estão vindo!
Ela respirou fundo e, em seguida, deu outro passo. Um pé de cada vez...
Ela começou a atravessar a ponte, tentando ignorar as ondas de náuseas e tonturas que caíam sobre ela.
— Olha para cima! — instruiu Jake.
Amy ouviu, mantendo seus olhos no outro lado do desfiladeiro. Ela atravessou metade do caminho, os meninos logo atrás dela.
A ponte fez uma balançou forte subitamente, oscilando sobre o abismo. Os capangas tinham chegado.
Ela agarrou os lados da corda com mais força.
— Depressa! — Dan disse. — Essa coisa pode quebrar sob o peso daqueles caras.
Outro balanço forte quando os capangas pisaram na ponte.
O pé de Amy deslizou abaixo ela. Ela caiu de costas sobre tábuas da ponte, depois deslizou para o lado, as pernas balançando sobre o desfiladeiro.
— Amy! — Jake exclamou.
Suas mãos pegaram a corda que corria ao longo da lateral da ponte. Ela ficou suspensa sobre o desfiladeiro por uma fração de segundo antes de Jake puxá-la para a segurança. Ela se ajoelhou, recuperando o fôlego, antes de se levantar e correr pelo resto do caminho sobre o desfiladeiro.
Eles atravessaram com segurança até o outro lado da ponte. Correram ao longo de uma trilha na selva, só para se encontrarem em outra tirolesa, essa acima sobre um rio correndo.
— Eu lembro do mapa! Esse caminho deve levar para o centro da tirolesa — Dan exclamou.
— Ótimo.
O centro da tirolesa estaria cheio de turistas e era patrulhado por guardas armados do parque. Se eles pudessem chegar ao centro, estariam a salvo dos homens do Pierce, pelo menos por um tempo.
— Vamos — Amy disse.
Jake levantou Atticus em um arreio e o mandou voando como um pássaro sobre a água correndo. Jake o seguiu para se certificar de que ele chegaria bem no outro lado. Eles zumbiram no céu e desapareceram entre as árvores a caminho do centro da tirolesa. Amy olhou para trás. Sem sinal dos homens que os perseguiam. Mas eles com certeza apareceriam a qualquer momento. Ela empurrou Dan na frente dela.
— Vai. Agora!
Dan saltou para dentro do arreio e deslizou pelo cabo duplo que conectava a plataforma ao outro lado do rio. Nesse momento, um novo capanga apareceu na margem oposta – outro dos homens do Pierce, indo até eles pelo outro lado. Os capangas tinham chamado reforços. Jake e Atticus tinham descido antes de ele aparecer. Ele falava em um walk-talkie, assentindo como se tivesse acabado de receber ordens para onde ir e o que fazer. Brandindo um facão, ele escalou até uma plataforma em uma árvore próxima à tirolesa. Então começou a cortar um dos dois cabos que a sustentavam.
Dan estava indo direto para ele.
O coração de Amy saltou para sua garganta. Dan estava na metade do caminho quando o cabo superior que o segurava se soltou.
— Dan! — Amy gritou.
O cabo caiu na frente de Dan. Seu arreio parou com uma sacudidela e o cabo inferior pendeu sobre o rio. Ele se balançou acima da água correndo sobre as rochas, sendo segurado por apenas um cabo agora, o outra em seu caminho, impedindo-o de deslizar para frente.
Amy ouviu passos atrás dela. Ela se virou rapidamente. A frágil ponte suspensa atrasara os lutadores que os perseguiam – os homens eram tão grandes que tinham que cruzá-la com cuidado, ou o peso deles poderiam quebrá-la ou fazê-la oscilar o bastante para derrubá-los. Mas eles finalmente tinham atravessado a ponte e estavam correndo em sua direção pela trilha da selva.
Eles estariam em cima dela em questão de minutos.
Do outro lado do rio, o sabotador cortava o segundo cabo. Assim que ele quebrasse, as polias que sustentavam os arreios se soltariam e Dan cairia no rio para a sua morte.
— DAN! — ela gritou novamente.
Dan se contorceu no arreio, à procura de Amy. Quando ele a encontrou, eles travaram o olhar. Ela podia ler seus pensamentos, e eles eram terríveis.
É isso, ele telegrafou para ela. Adeus.
Não! Seu corpo sacudiu com terror, enviando um raio para o seu cérebro.
Sem pensar, ela vestiu seu arreio. Ela deslizaria até Dan, o pegaria, e o traria em segurança...
Ela estava quase saltando sobre a água quando se conteve. Não daria certo. Ela alcançaria Dan no meio do caminho sobre o rio, e os dois ficariam presos. Metade da tirolesa tinha sido cortada.
Do outro lado, o homem serrava e serrava sem parar. O segundo cabo enfraqueceu, afrouxando ainda mais.
O corpo de Dan desceu mais perto da água correndo, o arreio segurando-o como um laço corredio.
Cada nervo, cada fibra no corpo de Amy se tensionou sobre esse rio em direção a seu irmão.
Seu cérebro estava em chamas, dando voltar, salve ele, salve ele, como como como?
Ela examinou o terreno em busca de um salva-vidas, uma boia, algo que pudesse jogar para ele que poderia interromper sua queda, mas não havia nada.
O cabo enfraqueceu. O corpo de Dan desceu mais. Ele fechou seus olhos, seu rosto uma máscara de terror.
O cabo estava fino como um fio de cabelo. Estava prestes a quebrar.
Atrás dela, os capangas estavam apenas poucos metros de distância.
Como num pesadelo, Amy viu o que estava prestes a acontecer. Ela viu o corpo de Dan cair no rio. Viu sua cabeça bater contra as rochas, salpicando-as com sangue enquanto seu corpo, mole e sem vida, era levado pela corrente...
Se ele apenas pudesse escalar de volta até ela, de volta pelo cabo. Mas ele não era forte o suficiente para fazer isso, e de qualquer maneira, os capangas estariam esperando por ele do lado dela no rio.
Ou se ele pudesse se agarrar ao cabo quando quebrasse, e deslizar para baixo lentamente até o rio. Mas ele teria que ser superforte para fazer isso, pelo menos tão forte quanto os homens de Pierce, talvez até mais.
Um uivo de angústia se arrancou de seu corpo.
Ele era seu irmão, ela não podia ajudá-lo! Ela era impotente, impotente, impotente...
Potência.
Em um flash uma resposta apareceu para ela. Ela tinha toda a potência que ela precisava. Bem ali, na sua mochila.
O soro.
Se ela fosse superforte, poderia deslizar até ele, impedi-lo de cair, tirá-lo de lá pelo cabo até a beira do rio...
Se ela fosse superforte, e se agisse rápido.
O cabo inferior cedeu. Em dez segundos, talvez cinco, quebraria. Dan lutou no arreio, tentando escalar de volta ao longo do cabo até ela, mas ele não era forte o suficiente. Ele estava tão indefeso como um animal encurralado.
Seu irmãozinho. Seu Dan.
Salvar Dan, salvar Dan, salvar Dan... As palavras martelavam em sua mente. Ela não podia pensar em mais nada, não conseguia largar essa ideia.
Ela abriu a mochila e encontrou o frasco. Arrancou a tampa e bebeu.

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