18 de novembro de 2016

Capítulo 9

— Abaixe-se!
Amy caiu de joelhos assim que uma nuvem de areia voou sobre sua cabeça acertando os olhos dos dois homens. Jake a agarrou pelo ombro e a levantou.
— Corra!
Amy e Jake correram em direção à marina, entre a multidão de curiosos que tinha se virado para eles em diferentes estados de choque. Os homens os perseguiam e se aproximavam incrivelmente rápido. Eles eram definitivamente os capangas do Pierce. Amy captou um brilho de bronze em uma das barracas restantes. Ela pegou uma bandeja e a girou sem perder o ritmo, atirando o objeto como um frisbee. Ela sorriu quando ouviu um “ugh” muito gratificante quando a bandeja acertou seu alvo. Um dos homens caiu e o outro saltou o corpo.
Jake correu para o cais e saltou em uma lancha próxima. Amy mal teve tempo de se sentar ao lado dele antes que ele virasse a chave e ligasse o motor. Amy olhou por cima do ombro. Os homens estavam com dificuldades para atravessar a multidão incontrolável, empurrado as pessoas do caminho enquanto corriam em direção ao cais.
Jake pisou ao máximo no acelerador, jogando Amy contra seu assento e fazendo-os receber grandes borrifos da água do mar. Ele foi para o sul em linha reta ao longo da costa em direção à Túnis. Atrás deles, os homens do Pierce estavam entre a multidão e Amy viu quando eles pegaram um barco próprio.
— Nós vamos precisar de um novo plano! — Amy disse.
— É a sua vez — Jake gritou sobre o rugido de motores, ganhando um olhar penetrante de Amy. — Eu que tive a ideia de roubar o barco!
Os homens agora estavam a menos de cinquenta metros. Um deles se inclinava para frente, arma na mão. Assim que saíram do campo de visão da multidão no cais, ele começou a atirar. Balas zuniram por Amy e Jake, espirrando a água turbulenta em torno deles.
As luzes de Túnis diminuíam a cada segundo.
— Se desacelerarmos o suficiente para chegar à praia, eles nos alcançarão bem rápido — Amy falou. Ela girou em seu assento, procurando por qualquer coisa que pudesse ajudar. Terra. Outros barcos. Qualquer coisa. Tudo o que viu foi um grande trecho de mar escuro. — Leve a gente para o mar aberto.
— E fazer o quê? Levar essa coisa para a Itália? — Balas perfuraram o deque de fibra de vidro atrás deles, chegando cada vez mais perto.
— Apenas faça isso!
Jake puxou o volante, direcionando o barco para o mar aberto à frente. Os homens atrás os ultrapassaram e tiveram que desacelerar para poder virar.
— Espero que você tenha tido uma boa ideia!
Eu também, Amy pensou quando apoiou as costas contra o encosto e começou a tirar os sapatos.
— O que você está fazendo?!
— Nós temos que pular!
— O quê!? Você quer dizer na água?
— Está escuro — Amy falou. — Eles não vão nos ver. Seguirão o barco enquanto nós nadamos de volta para a praia.
Jake olhou atrás deles.
— Nadar? Estamos a um quilômetro da costa!
— Você tem uma ideia melhor?
— Sim! Se chama NÃO SE AFOGAR!
Três tiros seguidos vieram por trás deles. Amy tirou o casaco e se posicionou na borda do barco.
— Tire os sapatos e casaco e vamos!
— Amy!
Amy ergueu os braços sobre a cabeça e mergulhou. Rápido como estavam, foi como acertar concreto molhado. Ela afundou, caindo na escuridão além das ondas. Por um momento terrível, Amy não conseguiu nem saber que lado era para cima, até que viu as bolhas de ar correndo para a superfície. Amy as seguiu, nadando com toda sua força, até que explodiu para fora d’água com um arquejo. Um segundo mais tarde houve o rugido de motor e o outro barco passou por ela.
— Jake! — Amy chamou no escuro depois do barco ter passado. — Jake!
Amy procurou freneticamente, mas não o via em lugar nenhum. E se ele continuou no barco? E se ele ainda estiver lá, sozinho?
— Jake! — ela gritou.
Amy procurou na escuridão, ficando cada vez mais ansiosa até que ouviu um barulho perto dela. A superfície quebrou e Jake apareceu, engolindo ar. Amy nadou até a ele, colocando um braço a sua volta e batendo os pés para manter a cabeça fora do alcance das ondas de águas negras.
— Você está bem?
Jake tossiu e assentiu fracamente.
— Você consegue nadar?
— Sim — ele disse. — Eu estou bem. Vamos lá.
Quando eles finalmente saíram do mar para a praia, tudo o que puderam fazer foi cair de costas. Amy ficou deitada ali, ofegante, os músculos de seus braços e pernas formigando de exaustão. Jake estava se sentando, estendido sobre os joelhos, respirando com dificuldade e tremendo de frio, apesar do calor da noite. Ele parecia um cachorrinho meio afogado. Amy não pôde deixar de sorrir.
— Você estava certo — ela falou por sobre o som das ondas — eu estava completamente perdida.
Jake olhou de volta para ela, tirando o cabelo molhado dos olhos. Ela havia lhe dado uma boa oportunidade para se vangloriar. Tudo o que podia fazer era esperar por isso.
— Você só estava a mais ou menos um quilômetro do museu — ele disse. — Teria chegado lá.
No frio, o sorriso de Jake pareceu tão quente quanto uma fogueira.
— Vamos — Amy disse. — Vamos sair daqui. Se tivermos sorte, Dan achou aquela a pizza.
Amy começou a andar, mas Jake a segurou pelo pulso.
— Lá na medina. Ter ido atrás daquele cara...  foi uma das coisas mais estúpidas que fiz na minha vida. Eu não estava pensando. Só queria fazer alguma coisa. Sabe?
— Sim. Eu sei.

* * *

Vinte minutos depois de eles encontrarem um táxi que estava disposto a levar dois adolescentes encharcados, Jake e Amy chegaram na frente do hotel deles.
— Ei, olha — Amy falou, apontando pela janela. — São Dan e Atticus.
Os dois tinham acabado de pisar na calçada quando Jake e Amy saíram do táxi.
— Nossa! — Atticus exclamou quando os viu. — O que aconteceu com vocês?
— O quê? — Jake perguntou, fingindo incredulidade. — Nós só fomos nadar um pouquinho.
Amy riu.
— É, estava uma noite tão bonita que a gente não resistiu. O que perdemos aqui?
— Nós achamos! — Dan exclamou. — Pizza tunisiana! E vocês não vão acreditar. Tem até atum!
— E ovos cozidos! — Atticus entrou na conversa.
— No começo, você pensa que é um crime contra os deuses da pizza, mas aí você a experimenta e sua cabeça explode.
— Nós vamos experimentar um pedaço — Amy concordou com um olhar duvidoso. — Att, Jake disse que você acha que a gente deveria ver seu pai de novo.
— Totalmente — ele confirmou. — Vocês querem se trocar primeiro ou algo assim?
— Nah — Amy negou. — Nós nos secamos no caminho. Vamos lá.
Os quatros começaram a percorrer as ruas de Túnis, Amy e Jake se arrastando atrás enquanto Dan e Atticus tomavam a liderança, tagarelando animadamente sobre um fliperama que eles encontraram perto da medina. Ao redor deles, casas noturnas e cafeterias zumbiam de atividade. O ar era quente na pele de Amy, e cheirava como carne assada picante dos restaurantes por onde eles passavam.
Por um momento maravilhoso, Amy se sentiu como apenas outra turista, passeando pela cidade com seus amigos sem se importar com o mundo. Ela até se viu desejando que Ian estivesse lá, e Jonah, Nellie e o Hamilton, também. Até o Pony.
— É aqui! — Atticus falou, levando-os por uma rua pitoresca iluminada pelo brilho âmbar dos postes de luz. Eles atravessaram metade do quarteirão, depois abriram um portão preto que os levaram até uma pequena casa de dois andares.
Amy soube que havia algo errado imediatamente. A porta da frente estava aberta. Mesmo da calçada, ela podia ver as estantes viradas e o chão cheio de papéis.
— Seu pai mora sozinho? — Amy perguntou.
Atticus assentiu, sem fala, e Amy passou correndo por ele, subindo as escadas e entrando na casa. Ela parou na sala bem iluminada, inspecionando os danos. O lugar tinha sido revirado. Mesas e cadeiras estavam caídas e todo o chão estava coberto de papéis, livros e diários, todos parecendo ter sido arrancados das prateleiras e jogados de forma aleatória.
— Dr. Rosenbloom! — Amy chamou.
— Pai! — Jake gritou.
— Estou tentando ligar para o celular dele, mas ele não está atendendo — Atticus falou.
— Provavelmente não é nada — Jake disse. — Você sabe como papai fica quando está trabalhando. Aposto que ele só...
— Eles nos viram falando com ele. Acham que ele está envolvido.
Todos se viraram ao ouvir a voz de Amy. Ela estava olhando para o chão, odiando a certeza que sentia.
— Quem? — Jake perguntou. — Amy? Quem o viu?
Amy se obrigou a olhar para Jake e Atticus. Ela sentiu algo como um giz preso em sua garganta.
— Os homens do Pierce. Eles sequestraram o pai de vocês.

2 comentários:

  1. Ela até se viu desejando que Ian estivesse lá, e Jonah, Nellie e o Hamilton, também. Até o Pony.



    Mas vc mandou eles passear sua idiota

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  2. minha antipatia pela família Rosebloom só aumenta
    -Ariel

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