25 de novembro de 2016

Capítulo 8

Tikal, Guatemala

— Atticuus, qual a distância? — Dan esmagou outro mosquito em seu braço, em seguida, limpou o suor da testa. Eram apenas nove horas da manhã, mas o sol já queimava o seu pescoço enquanto ele se arrastava através do ar úmido da selva.
Amy, Dan, Jake e Atticus tinham partido o amanhecer em busca do templo que guardava um cristal despedaçado, seguindo o mapa que Atticus desenhara conectando os pontos no livro de Olivia. Duas horas e meia mais tarde, ainda não havia sinal do templo.
— Pelo o que posso dizer das distâncias neste mapa, estamos quase lá — disse Atticus. — Mais meia hora, talvez.
Dan gemeu. Tinha sido emocionante caminhar através da selva ao nascer do sol, vendo macacos, pássaros exóticos, plantas estranhas e enormes flores coloridas, ouvindo o distante rugido dos pumas e onças. Mas agora que o sol estava alto no céu, o calor era castigador. Seu cabelo estava úmido sob o boné do Red Sox, e a pele era como doces para os mosquitos. A selva era verde escura e estendia-se por quilômetros em todas as direções, tanto quanto Dan podia ver. Ele tentou imaginar como tinha sido viver neste lugar milhares de anos atrás, quando era uma cidade próspera. Eles passaram por uma placa que dizia GRUPO F. Além dela estava uma grande praça e uma pirâmide de pedra.
— Este é o templo III — disse Atticus para ele. — Foi a última estrutura construída aqui, em 869 a.C., e os arqueólogos pensam que o último governante de Tikal, Chi'taam, pode ter sido enterrado lá, mas se foi, ainda não encontraram seu túmulo. Na época em que ele morreu, esta cidade estava em declínio e logo seria abandonada.
— O que aconteceu? — perguntou Dan.
— Ninguém sabe realmente — Atticus respondeu. — Mas é provável que a cidade estivesse superpovoada, e houve uma seca, que impôs escassez de água e fome. Milhares de pessoas morreram e a cidade nunca mais se recuperou.
Eles cruzaram a praça gramada, um atalho para a próxima trilha.
— Este era um mercado. Os agricultores vendiam seus produtos aqui, e durante o apogeu de Tikal, os comerciantes de todo o mundo maia vinham vender seus produtos. Talvez o cristal despedaçado que estamos procurando tenha sido vendido a um sacerdote aqui mesmo neste mercado.
Dan tentou entreter-se durante a longa caminhada imaginando os sacerdotes em seus templos, vestindo máscaras de animais ferozes para agradar aos deuses da guerra e reis maias governando a partir de seus palácios, penas pesadas pesando sobre as cabeças. Eles não tinham tempo para estudar as ruínas de perto, mas a cada vez que passavam por um conjunto de escadas antigas, o muro em ruínas de uma praça da cidade ou um túnel que levava aos quartos onde as pessoas viveram há milhares de anos atrás, ele tinha calafrios.
E com este calor, calafrios de qualquer tipo eram bem-vindos.
A lama argilosa sugava seus pés. Havia um monte de ruínas nesta selva. Muitas. E quando você está com calor, suado e cansado, depois de um tempo todas elas começavam a borrar juntas em uma grande bagunça pedregosa.
— Atticus, você tem certeza de que marcou o templo certo? — perguntou Amy. Normalmente, ela questionar Att teria sido estranho para Dan, mas ele viu a mesma incerteza no rosto de Att que ela deve ter visto.
— Tenho — Atticus respondeu. — Mas havia um glifo chave no livro que não consegui decifrar. A menos que eu tenha entendido mal, ele não se encaixava com o tema pok-a-tok. Eu estava esperando que pudéssemos passar sem ele...
— Qual? Me mostre — pediu Amy.
Ela e Atticus estavam liderando o grupo, seguindo o mapa minuciosamente, tendo muito cuidado em marcar o seu caminho. Ficar perdido nesta densa floresta seria um desastre. Eles viajavam leves e rápidos, levando apenas as mochilas, o livro de Olivia e um pouco de água. Dan desejou que também tivessem trazido um par de refrigerantes.
A trilha que eles percorriam era nada mais que um caminho de terras estreito, cobertos por samambaias e videiras que eles tiveram de cortar ao longo do caminho. Mais à frente estava a entrada de pedras para um tipo de casa antiga. Tinha sido apenas parcialmente escavada, mas parecia legal e escuro dentro.
— Vamos parar ali e descansar por um minuto — Amy falou.
— Você vai nos deixar descansar? Que legal da sua parte — Dan retrucou.
Os olhos de Amy foram até ele com raiva.
— Temos que conseguir o cristal e voltar antes que escureça, Dan. Você sabe disso.
— Eu sei — disse ele, afastando a onda de culpa.
Eles se sentaram para descansar à sombra da entrada de pedra.
— Olha, estamos quase lá. Você vai se sentir melhor depois que tomar um pouco de água e comer alguma coisa.
Depois do descanso eles continuaram através da selva, que ficava mais quente e úmida a cada minuto. Cerca de meia hora mais tarde, Atticus parou na frente de uma massa de videiras e ramos
— É isso.
— É isso? — perguntou Dan. Parecia uma colina. Não havia nenhum sinal de qualquer ruína antiga. Apenas um monte de videiras enroladas. — Você tem certeza?
Att olhou para o mapa e acenou com a cabeça.
— Tenho. — Ele arrancou algumas videiras até uma estela de madeira, ou limiar, apareceu.
Jake entrou em cena para ajudá-lo a limpar a porta. A estela era esculpida com glifos que Dan não conseguia decifrar, mas uma imagem era clara: o rosto de um macaco rindo.
— É isso aí — disse Atticus. — Havia uma máscara de macaco bem perto do código pok-a-tok. Tinha ainda outro glifo que eu não sabia o que era, mas este é um bom sinal.
— Graças a Deus — disse Amy. Dan podia ouvir o alívio em sua voz. — Vamos conseguir esse cristal.
Jake limpou a entrada e eles rastejaram para dentro do templo em ruínas. O teto tinha cedido em algum momento, por isso, uma vez que rastejaram através de uma entrada de um túnel, viram-se rodeados por quatro paredes desmoronadas sob o céu aberto.
— O que estamos procurando, Atticus? — Dan perguntou.
— Qualquer estrutura poderia ser um altar, e um pedaço de pedra que pareça diferente do calcário em torno dele — respondeu Atticus.
Cada um deles pegou uma parede, limpando as videiras até que pudessem ver a pedra. Era um trabalho quente e duro, e eles tinham que ter cuidado para não destruir nada. Algum dia essa ruína seria escavada e poderia conter segredos valiosos do passado. Mas, por agora, mantinha um ingrediente chave para o soro antídoto.
— Acho que encontrei um altar! — Jake gritou finalmente.
Eles todos correram para olhar. Atticus correu as mãos cuidadosamente sobre a pedra. Rostos gritantes de animais foram esculpidos na rocha, cada um representando um deus maia.
— Todo mundo procure nessa parede centímetro por centímetro — disse Amy. — Nós estamos procurando por uma peça lisa de quartzo, de qualquer tamanho.
Dan e os outros avançaram por cima do muro com os dedos, olhos focados na pedra, à procura de qualquer coisa que pudesse ser o cristal despedaçado. Dan terminou a sua seção e sentou, seu coração afundando. Ele não tinha encontrado nada de incomum.
— Eu não achei nada.
— Nem eu — Jake falou com um suspiro. — Alguém mais?
Amy balançou a cabeça.
— Não. Atticus? Você é a nossa última esperança.
Ele parecia o mais abatido de todos.
— Ele não está aqui. Eu não consigo entender. O cristal despedaçado não está aqui.
Dan olhou para Amy, que parecia poder rachar de frustração.
— Não faz sentido.
— Como pode não estar aqui? — perguntou Dan. — Nós seguimos o mapa ao pé da letra.
— Acho que este é o templo errado — a voz de Atticus tremeu. — Fica em algum lugar de Tikal, tenho certeza disso. Mas devo ter errado em algum lugar...
— Este parque tem quinhentos e setenta e seis quilômetros quadrados de ruínas — disse Amy. — Precisamos da localização exata ou nunca encontraremos o cristal.
— Eu vou estudar o livro de novo hoje à noite e descobrir onde errei. É o glifo misterioso, o que não consegui decifrar. Tenho certeza de que foi nele que errei.
Ele olhou para seus pés, piscando. Dan temeu que ele pudesse estar chorando. Atticus era apenas uma criança, e eles confiavam tanto nele. Ele odiava deixar qualquer um para baixo.
Amy colocou um braço reconfortante em torno dos ombros de Att.
— Está tudo bem. Deve ser esse símbolo misterioso mesmo. Nós vamos descobrir isso esta noite e tentar de novo amanhã.
Não havia mais nada a fazer. Eles se arrastaram para fora da ruína e começaram a caminhar de volta através da selva na direção do hotel.
Cerca de uma hora para a caminhada de volta. Dan de repente teve uma sensação estranha. Todo esse tempo eles estiveram sozinhos na selva, exceto pelas aves e animais selvagens – rãs, sapos, lagartos, cobras... a maioria dos mamíferos sabiamente dormia durante o dia. Mas agora o pelo na parte de trás do seu pescoço se eriçou, e ele tinha a forte sensação de que estavam sendo observados.
Ele estava seguindo Amy, que os liderava de volta. Ele tocou em seu braço para chamar a sua atenção e colocou o dedo nos lábios para sinalizar para ela ficar em silêncio. Ela e os outros congelaram instantaneamente.
Eles olharam através da densa floresta tropical. Pássaros assobiavam e cantavam. Houve um estalo, como um galho ou ramo se quebrando.
As sobrancelhas de Amy se levantaram em alarme.
Dan pensou ter visto algo refletir a luz e brilhar através das folhas. Ou era apenas imaginação?
Outro estalo, e um flash de luz quando o sol acertou o relógio de pulso de um homem.
— Eles estão aqui — Amy sussurrou.
Antes que eles pudessem fazer um movimento, quatro homens grandes saíram no meio do mato, bloqueando o caminho à frente.
— Corram! — Amy gritou.

Um comentário:

  1. Se april mudou de lado, como estao descobrindo o paradeiro deles tao rapido?

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