18 de novembro de 2016

Capítulo 8

Amy vagou por mais de uma hora antes de reunir coragem para admitir algo muito importante.
Ela estava perdida.
O taxista que a pegou na medina falava árabe, francês e italiano, mas não inglês. Então o melhor que Amy pôde fazer foi repetir as palavras Cartagomuseu, e norte, várias vezes. Finalmente, o homem acenou com a mão e enfiou o pé no pedal, dirigindo terrivelmente rápido antes de parar derrapando no meio de uma cidade pequena. Quando ela o questionou, ele apontou vagamente, e em seguida, saiu em disparada jorrando uma nuvem de fumaça do escape.
Amy tentou descobrir onde estava usando seu celular, mas o sinal era quase inexistente.
Por mais frustrante que fosse, Amy tinha que admitir que havia lugares piores para se perder. A cidade em que ela estava ficava em uma colina coberta de palmeiras com uma ampla vista do mediterrâneo abaixo. As ruas estreitas estavam cheias de prédios baixos, todos pintados de branco com detalhes em um azul mais escuro que Amy já viu. Moradores descansavam em varandas amplas, absorvendo os últimos raios de sol, enquanto os turistas andavam pela avenida, visitando as poucas barracas de mercadorias abertas ali, apesar da noite estar caindo.
Amy parou em um canto e olhou para os barcos deslizando em uma pequena marina para a noite. Ela ficou surpresa ao descobrir que o dia já estava acabando.
É isso o que o Dan quer? Amy pensou. O fato de que seu irmão a deixaria após eles vencerem Pierce nunca saía de sua cabeça. Chegar em um lugar como este e simplesmente... ficar. Sem ter que fugir. Sem ter que lutar.
Amy não conseguia imaginar isso. E o que ele diria na próxima vez que alguém como Pierce aparecesse? “Desculpa, mundo! Tenho que trabalhar no meu bronzeado.”
Não, Amy pensou. Dan e eu somos Cahill. Isso não é só o que fazemos, é quem somosSe nós parássemos, se nós nos dividíssemos, o que restaria? Quem sequer seríamos?
Amy tirou isso da cabeça. A conversa de Dan era só o que era, conversa. Depois que eles terminassem com o Pierce, ela teria a certeza de lhe dar uma folga. Deixar que ele se sentasse em uma praia. Depois de um tempo inativo, ela tinha certeza de que ele esqueceria o assunto. Satisfeita, Amy começou a andar mais uma vez.
— Com licença? O museu de Cartago? — ela perguntou.
Turista após turista ou balançou a cabeça, ou apontava vagamente para o sul. O sol estava se pondo rápido. Amy precisava se mover. Ela firmou a mochila nos ombros e desceu a rua.
— Você está procurando pelo museu de Cartago? — A voz de um homem veio atrás dela.
Finalmente!
— Sim! — Amy disse, se virando. — Acho que só fiquei um pouco...
Jake Rosenbloom estava encostado contra uma das paredes brancas, um sorriso irritante estampado no rosto.
— Perdida?
— O que você está fazendo aqui?
— Parece que estou te resgatando.
— Eu sei exatamente para onde estou indo! — Amy insistiu, se virando e apontando para estrada. — É... por ali!
Amy teria achado impossível se não tivesse visto por si mesma. O sorriso dele realmente cresceu ainda mais. Jake saiu de seu caminho.
— Bem, depois de você, então. Eu sempre quis ver o museu de Cartago.
Amy se virou e continuou a descer a rua. Ela estremeceu quando ouviu o som dos tênis do Jake atrás dela.
— Como é que você terminou aqui, de qualquer modo? — Jake perguntou em um tom excessivamente jovial. — O taxista não falava inglês?
Amy o ignorou. A rua fez uma curva acentuada e começou a levar ladeira baixo na escuridão espessa.
— É apenas engraçado — Jake continuou. — Desde que bem me lembro, você está viajando com pessoas que tem conhecimento prático em árabe e italiano. E de francês, também!
— Você não deveria estar cuidando do Dan e do Atticus?
— Eles estão bem — Jake respondeu. — Caçando uma pizza tunisiana mítica. Nós três decidimos que vamos voltar para a casa do nosso pai, mais tarde, nesta noite e resolver tudo. Quando ele estiver calmo, vai ouvir. Atticus achou que talvez fosse melhor se você e Dan fizessem um apelo direto.
— Ah, claro, porque ele ama a gente.
— Não se preocupe, nós vamos deixar o Dan falar. O registro dele em não enfurecer as pessoas que só estão tentando ajudar é bem melhor que o seu.
Amy queria gritar, mas se forçou a continuar caminhando. Quanto mais longe eles iam, mais escuro ficava. Amy começou a ouvir o bater das ondas. Se aproximar da praia significava que eles estavam caminhando para o leste, não para o sul. Amy procurou por estradas que se ramificavam nessa direção, mas não viu nada. É claro, se ela desse a volta, teria que encarar a expressão de “eu te disse” do Jake, então ela baixou a cabeça e continuou.
Nós vamos chegar no fundo dessa colina e a rua vai virar para o sul, Amy disse a si mesma. Bem no museu.
É claro, isso não aconteceu. Vários minutos depois Amy se viu com os pés enfiados na areia, na praia da marina. Sua frustração estava quase fervendo. Ao seu lado, Jake fez um barulho que parecia suspeitamente como uma risada.
— Não. Diga. Nada.
— Não! — ele disse. — Absolutamente não. Eu só não sabia que o museu de Cartago era um desses novos museus invisíveis que flutuam. — Jake comentou, não conseguindo segurar sua risada por mais tempo. — Olha, Amy, você só precisa...
— O quê? Relaxar? Ah! Sim! Por que todos nós apenas não relaxamos? — Amy gritou. — Quero dizer, tudo o que temos em nossa agenda é vencer um lunático que contratou um time de assassinos reforçados com o soro para nos matar. Ah! E então seu pai, a primeira pessoa que nós precisávamos para nos ajudar, apenas pira completamente! Por razão nenhuma! E então o motorista do táxi não fala inglês e meu celular não funciona e EU NÃO CONSIGO NEM ACHAR UM MUSEU IDIOTA!!
Jake olhou para o bando de turistas passeando ao lado da marina. 
— Ahn... Amy.  Talvez você deva...
— E ainda por cima de tudo, meu irmão estúpido de repente quer se aposentar aos treze anos e eu tenho que lidar com você! Você, que aparece do nada com sua atitude presunçosa e seu cabelo perfeito e sua grande cara estúpida que parece ter sido esculpida em mármore.
—Você realmente acha meu cabelo perfeito?
— Ahhh!
Amy pisou duro se afastando da areia, deixando Jake e indo em direção a marina.
— Amy, espera!
— Eu vou procurar por um táxi.
— Ei! Você é a Amy Cahill?
Dois homens de terno estavam entre Amy e a marina. Um deles colocou a mão dentro do casaco.
— Ah, ótimo! E agora tenho que lidar com vocês, também. O quê? Vocês querem mais fotos para o seu jornal idiota? Bem, vão em frente e as tirem!
Um deles riu.
— Nós não estamos aqui para tirar fotos, Srta. Cahill.
— Então por que estão aqui?
O homem sorriu e tirou a mão de seu casaco, mas em vez de uma câmera, Amy se viu encarando o cano de uma arma muito grande.

2 comentários:

  1. Não, Amy pensou. Dan e eu somos Cahill. Isso não é só o que fazemos, é quem somos. Se nós parássemos, se nós nos dividíssemos, o que restaria? Quem sequer seríamos?



    Da uma certa raiva do fato que tem bilhões de Cahill desesperados pra ajudar, mas a Amy quer carregar o mundo sozinha, da ainda mais raiva do fato de ela agir como idiota com as pessoas supostamente mais talentosas do mundo pra protege-las, quero dizer, eu entendo ela mandar Atticus e Jake de volta mas Ian, Hamilton e Jonah já enfrentaram coisas piores que ataque midiático, Ian viu a própria mãe dar um tiro na irmã dele, Hamilton viu todo um clã virar as costas para o pai dele e teve de viver como paria por toda a vida, Jonah vivia em depressão até a última pista, quase perdeu as pernas, mas a Amy esquece que a vida deles era ainda pior que a dela

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  2. Vdd, tem mt coisa mal bolada, avulsa..

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