18 de novembro de 2016

Capítulo 7

Cara Pierce pisou no dojo enquanto o relógio marcava meio-dia. Seu irmão, Galt, estava na frente dela, os pés descalços e o uniforme preto amarrado por uma faixa também preta. Ele tomou uma posição de luta com um grunhido.
O dojo era espaçoso, com paredes brancas e piso polido de madeira clara. Uma prateleira de armas guardava espadas de bambu, bastões e nunchakus em uma parede. No alto, em um dos cantos, havia uma única câmera de vídeo preta que se movia para cima e para baixo. Cara sabia que seu pai estava em sua mesa, assistindo por um monitor. Quando eles terminassem, ele desceria e daria ao vencedor uma recompensa.
Quando eles eram crianças, a recompensa de Galt e Cara por seus duelos semanais eram sorvete ou um brinquedo novo, mas à medida que cresciam, o vencedor recebia uma concessão extra daquilo que era mais valorizado e desejado do pai deles – seu tempo. O vencedor se sentava nas reuniões, ouvia seus planos, o ajudava a conspirar.
O perdedor ficava de fora.
É claro, às vezes Cara não sabia o que queria mais; o favor de seu pai ou fazer desaparecer o sorriso ridículo do rosto de seu irmão.
Cara entrou em sua própria posição de luta, mas antes que ela pudesse se mover houve um borrão de movimento seguido por um impacto esmagador em sua mandíbula. O mundo girou e ela se encontrou caída de costas. Ela conseguiu dar um chute rápido nas costelas de Galt, mas ele desviou.
Galt sempre foi rápido e forte, mas nas últimas semanas, ele parecia beirar o desumano. Num minuto ele estava em segurança à sua esquerda, e então sem aviso ele estava em sua direita, mandando um soco bem posicionado em direção a sua têmpora. Cara conseguiu dar uns socos, mas eles eram aplicados com menos frequência enquanto Galt desviava deles mais rápido toda vez.
Sempre, com o canto do olho, ela conseguia ver a câmera preta os seguindo.
Cara se afastou de outro golpe esmagador. Junto com os favores de seu pai, vinham as palestras. Sobrevivência dos mais fortes, é o que ele sempre dizia. Os vencedores subiam ao topo através de trabalho duro e talento dado por Deus. E os perdedores? Eles só serviam para cumprir as ordens dos vencedores.
Cara teve uma ideia. Em vez de circular para longe de Galt como o sensei deles os ensinaram, ela deslizou direto para ele, se esquivando de uma rajada de golpes. Galt rosnou quando foi na direção dela, se esforçando em um frenesi, os olhos em chamas.
Isso mesmo, Cara pensou. Continue vindo. Você pode ser forte e rápido, mas está na hora de ver qual de nós é o esperto.
Cara desacelerou e o deixou acertar suas costelas. Foi como se permitir ser atropelada por um trem de carga. Cara abafou um grito e respondeu com um soco nada digno e um chute lateral que não deu em nada. Galt riu e acertou uma combinação poderosa. Direita, esquerda, direita. Um chute direto. Um chute circular. Cara perdeu o fôlego rapidamente e caiu em um monte de braços e pernas.
Galt ficou parado ali, as mãos nos quadris, um sorriso satisfeito no rosto. Cara se arrastou até as prateleiras de armas e agarrou o nível mais baixo. Ela lentamente se ergueu, finalmente ficando de joelhos e apoiando o braço na prancha de madeira Ela não tinha que fingir agora. Cada centímetro de seu corpo latejava de dor.
Galt andou relaxadamente, deleitando-se com a oportunidade de zombar dela.
— Precisa de alguma ajuda aí, maninha?
Cara olhou por cima do ombro. A câmera de vigilância preta no canto estava bem em cima deles. Galt tinha estendido sua mão, um sorriso arrogante queimando em seu rosto. Cara sorriu de volta.
— Não.
Cara tirou uma espada de bambu da prateleira e a balançou com toda a sua força. Os olhos de Galt se arregalaram quando cabo assobiou pelo ar.
— Ei! Esse não é um duelo com armas! Cara!
Cara riu quando seu irmão se afastou, variando seus ataques para mantê-lo sem equilíbrio. Ela atacou à direita, e depois à esquerda, um jab forte no estômago com a ponta da espada tirou o fôlego dele, e depois um ataque giratório em suas costelas. Galt caiu com um arquejo e Cara ficou em sua frente, triunfante, o pé descalço sobre o estômago dele, a espada em sua garganta.
— Ok! —  Galt exclamou. — Você ganhou! Eu me rendo!
— Você fica confiante demais, maninho — Cara disse agora, sorrindo. — Fica pensando que é invencível quando você não é.
— Engraçado — Galt disse. — Eu estava pensando a mesma coisa sobre você.
— O que você quer d...
Antes que Cara pudesse reagir, a espada estava fora de suas mãos, e nas de Galt. E ele estava em pé novamente. Como ele... Galt girou a espada como uma lâmina de helicóptero, ganhado ímpeto antes de acertá-la nas costelas de Cara, no ombro, nas costas. Cada ataque era mirado perfeitamente, acertando um osso saliente ou um ponto do nervo. Cara fez uma finta para esquerda e se moveu para a direita, mas a lâmina de bambu veio do nada, fazendo-a colidir contra a prateleira de madeira.
Quando ela conseguiu olhar para a cima, Galt caminhava na direção dela, sorrindo.
— Foi mal, maninha — ele disse, dando de ombros — Acho que não tem como lutar com alguém com talento dado por Deus.
Cara fechou os olhos e Galt levantou a espada, se enrijecendo para o golpe.
— Já chega!
Seu pai estava na porta. Ele parecia uma estátua de mármore em seu terno preto.
— Pai! — Galt disse. — Você viu? Eu arrebentei a Cara!
— Mas, pai — Cara exclamou enquanto lutava para ficar de pé — Ele se rendeu!
— Eu não me rendi.
— Rendeu sim! Pai, o Galt completamente... 
— O quê? Trapaceou? — seu pai replicou acidamente. — Só perdedores reclamam sobre as regras, Cara. Regras e regulamentos foram colocados em prática para mimar os fracos, e os Pierce não são fracos! Agora, acredito que sua mãe possa usar alguma ajuda para organizar sua coleção de ursinhos de pelúcia. É claro, se você não quiser que isso aconteça de novo, talvez deva ir à academia mais frequentemente.
— Sim, senhor.
— Galt — ele chamou quando pisou no corredor lá fora. — Você vem comigo.
Assim que o pai virou as costas, Galt mostrou a língua para Cara e então saiu para o corredor. A porta se fechou atrás deles, e Cara se forçou a ficar de pé e começou a cambalear em direção à academia. Ela iria mostrar para o pai e para Galt, também. Ela treinaria mais do que nunca. Por mais tempo, também.
Eu mostrarei aos dois quem é mais forte.

2 comentários:

  1. Ok ele tomou o soro Tomas, mas ela tomou o Janus a julgar pelo prólogo, essa luta foi desleal, ele tem a energia Lucian no DNA, como pode criar uma inimiga tão facilmente? A traição da Cara é quase iminente

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  2. O Pierce é ridículo mais o filho consegue ser mais. O problema do Pierce é que ele subestima de mais a inteligência e so pensa não força por isso os Cahill tem uma vantagem.
    ~Tephi

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