25 de novembro de 2016

Capítulo 6

Trilon Laboratories, Delaware

Nellie Gomez sentava-se em seu pequeno escritório, fingindo ler relatórios de pesquisa sobre os efeitos genéticos da radiação sobre ratos. Ela estava esperando que seus colegas de trabalho – ou seja, seus empregados, mais ou menos, desde que ela era a gerente deste departamento em particular – para sair. Vão para casa agora, robôs!, pensou ela. Ela encarou os dois últimos químicos pesquisadores restando no laboratório – Gerry Wentwortth e Brent Beckelheimer – desejando com o poder de sua mente que ele fossem embora. Não estava funcionando.
É demais para as minhas habilidades psíquicas, ela pensou, escondendo uma cópia de Punk Rock Confidential por trás de The Journal of Genetic Research. Ainda a chocava quando ela acordava de manhã e percebia que estava gastando seu dia como chefe de um laboratório estéril em um complexo farmacêutico corporativo em Dalaware. Ela não tinha certeza de como ela – uma punk-rock-barra-aspirante-chefe de Boston – se tornou a Dra. Nadine Gormey, chefe de um grupo de químicos inteligentes com PhDs do Hopkins e do MIT, mas era uma sorte ser ela. Porque algo perigoso e muito secreto estava acontecendo neste laboratório, e o destino do mundo dependia dela para ajudar a impedir.
Beckelheimer enfiou a cabeça no escritório de Nellie.
— Uh, desculpe-me, Dra. Gormey, acho que Dr. Wentworth e eu estamos indo agora.
— Tudo bem, Dr. Beckelheimer. Suponho que vocês não possam trabalhar 24 horas por dia. Vocês são apenas humanos afinal, certo? Claro, eu ficarei até tarde como de costume — Nelly acenou para a revista cientifica que fingia ler, pegando a revista de música antes de ela escorregar e revelar quão seriamente ela estava jogando seu tempo fora. — Tenho que queimar o óleo à meia-noite novamente esta noite. Nos vemos de manhã.
— Boa noite, Dra. Gormey — os dois cientistas finalmente saíram.
Agora Nellie poderia começar seu trabalho real: bisbilhotar.
Ela esperou por algum tempo, ouvindo os sons do prédio, esperando por tal nível de tranquilidade absoluta que significava que todos tinham ido embora. Então ela se arrastou pelos corredores escuros, iluminados agora apenas por luzes de emergência, até o quarto andar, chegando a uma máquina de vendas. Ela pegou uma identificação especial “A” que roubara de uma representante de vendas, uma trabalhadora mais confiável (e com razão, ela pensou com uma risadinha), a partir de uma corrente enganchada no bolso de sua calça e colocou-a na máquina. A máquina abriu-se como uma porta. Na verdade, era uma porta – uma porta secreta que levava a um laboratório no porão onde a pesquisa séria estava sendo feita. Se o trabalho regular da Trilon Laboratories era ultrassecreto, o trabalho feito no porão estava no nível de “se eu te disser, terei que te matar.”
A porta se fechou atrás dela quando Nelly desceu as escadas, mantendo um olho nos guardas fortemente armados que poderiam estar à espreita em cada esquina. Ela estava procurando por Sammy Mourad.
Sammy era um brilhante jovem estudante graduado, um primo de Dan e Amy Cahill, com um gênio para fins bioquímicos. Ele vinha trabalhando na Universidade de Columbia quando Dan pediu para ele fazer uma amostra do soro Cahill. A fórmula tinha acabado na mais errada das mãos erradas – as mãos de Pierce, para ser mais específico. E, claro, Pierce não estava prestes a deixar um pesquisador tão útil fugir tão facilmente.
Nellie tinha topado com esses laboratórios secretos no porão e encontrou Sammy trabalhando lá. Ele estava sendo mantido prisioneiro, mas se recusou a ser resgatado.
— Você não vê — ele falara para Nellie. — Eu estou na posição perfeita para detê-lo. Nós dois estamos. Estamos dentro.
— Eu sei disso — Nellie respondera. — Mas ele está te mantendo preso...
— Acredite em mim, eu adoraria dar o fora daqui — Sammy tinha dito. — Mas posso sabotar o trabalho de dentro, ou tentar, pelo menos.
Nellie suspirara um tipo engraçado de sentimento, um suspiro feliz/triste. Ele era tão valente, arriscando a vida para o bem do mundo, e para o bem de suas crianças, também. Coragem, mais uma boa aparência sombria e charme nerd – o que o tornava uma irresistível isca para Nellie. Claro que Nellie estava arriscando sua vida, também, mas ela estava acostumada com isso.
Eles ainda não tinham descoberto uma maneira segura de se comunicarem, então Nellie entrava furtivamente no subsolo para vê-lo em todas as chances que tinha.
 O porão era um labirinto branco de corredores ramificados e dando voltas de uma maneira que parecia deliberadamente confusa. Agachando-se sob as janelas, se achatando contra as paredes para evitar as câmeras, Nellie fez seu caminho através do labirinto para o laboratório de Sammy. Ela dobrou à esquerda atravessando uma porta desconhecida e vagou após uma fileira de janelas de sentido único. Espiou cuidadosamente para dentro e viu laboratório depois de laboratório, cada um mais sofisticado que o outro, com um ou dois cientistas de jaleco branco trabalhando obstinadamente em torno do relógio, cegos para qualquer coisa que acontecia fora do pequeno mundo que era o laboratório onde eles estavam trancados.
Ela fez uma pausa fora do laboratório onde vira Sammy pela última vez e olhou através da janela. A escuridão reinava ali dentro, ela mal podia ver através de uma fresta aberta na parte inferior...
O laboratório estava vazio. Luzes apagadas. Sammy não estava lá. E parecia que ninguém trabalhava naquele laboratório no momento.
Ela entrou em pânico. Uma injeção de adrenalina estourou através de seu sangue e elevou sua pulsação. Onde ele estava? Ele estava bem?
Nellie ouviu passos – pesados, passos fortes – vindo em sua direção. Tentou freneticamente abrir uma porta. Estava trancada. Ela tentou outra. Estavam todas trancadas. Ela avistou uma porta de vaivém no fim do corredor e se escondeu atrás dela. Nellie esperou, prendendo a respiração, até os passos passarem, desaparecendo enquanto desciam o corredor.
Olhou ao redor. Ela parecia estar em um banheiro masculino. Melhor sair daqui, ela pensou. Então notou outra porta além do último box de banheiro. Provavelmente apenas um armário de zelador. Mas se uma máquina de refrigerante podia levar para um porão secreto, quem sabia o que estava por trás da porta daquele armário de zelador?
Ela tentou a maçaneta e, milagrosamente, ela abriu. Era um armário, guardando um balde e um esfregão. Mas o esfregão, ela notou, estava seco e branquíssimo. Não tinha sido utilizado. Talvez fosse novo. Ou talvez fosse um engodo.
Ela empurrou a parede dos fundos do closet. Ela não se mexeu.
Ok, então talvez fosse apenas um armário de um zelador depois de tudo.
A Dr. Nadine Gormey não desiste facilmente.
Ela levantou o esfregão e colocou-o de volta, rolou o balde para fora do armário. Nada.
Pegou uma pá de lixo e uma escova, em seguida, tentou escovar a parede. Ela disse “Abra-te Sésamo!” Era um tiro no escuro, mas nunca se sabia o que poderia funcionar.
Neste caso, no entanto, nada funcionou.
Ela levou um momento olhando em torno do lugar. Não era como se ela nunca tivesse estado em um banheiro masculino antes – a fila do banheiro no Rathskeller de Boston ficava tão longa que as meninas invadiam o masculino o tempo todo, gritando “Revolução!” em um verdadeiro estilo punk-rock.
E este não possuía nada de anormal que ela pudesse ver. Box de banheiro. Mictórios. Pias. Sabonete. Embalagens de papel higiênico e secadores de mão. Legal eles darem aos rapazes uma escolha.
Ela pressionou as embalagens de dispensers de sabão, puxou fora toalhas de papel, ativou a secadora de mão. Nada além de sabão e ar quente.
De volta para o armário. Ela olhou para ele como se fosse uma caverna misteriosa guardando um segredo.
Algo não estava certo sobre esse armário.
Então ela notou um gancho com uma vassoura pendurada. Algum instinto, afiado após dois anos de aventuras selvagens com Amy e Dan, disse a ela para dar um puxão no gancho. Feito isto, a parede dos fundos do armário se abriu para revelar ainda outro corredor.
Nellie passou por cima do balde até esta área nova, ainda mais secreta. A Trilon Laboratories tinha mais camadas do que um bolo de mil camadas indonésio. Tudo a serviço de esconder coisas.
O lugar tinha um monte de segredos.
No final do curto corredor havia uma porta com uma janelinha. Ela caminhou na direção dela e olhou através do vidro.
Lá estava ele. Completamente sozinho, deixando pingar um químico em uma placa e olhando para a substância através de um microscópio, suas belas feições severas e sérias com o trabalho. Sammy.
A porta estava trancada. Nellie bateu na janela. Sammy olhou. Ele se acendeu, seu rosto transformado por uma feliz surpresa.
Abra a porta, boneco! Nellie pensou.
Ele correu para a porta e abriu-a, puxando-a para dentro.
— Eu esperava que você fosse me encontrar — Sammy disse. — Às vezes até mesmo os guardas não podem me encontrar aqui. Eles esquecem de me trazer as refeições.
— Você está bem? — perguntou Nellie.
— Estou Qualquer notícia a partir do mundo exterior?
— Amy e Dan estão na Guatemala – um passo mais perto de fazer o antídoto, espero.
— Quando eles encontrarem, nós precisaremos dele — disse Sammy. — Eu só tenho ordens claras como cristal de acelerar as coisas. Pierce quer um soro seguro produzido em massa pronto para a próxima semana.
— Antes de anunciar sua candidatura.
Nellie estremeceu com o pensamento de todos aqueles patriotas idiotas com seus chapéus de três pontas... aprimorados e superpoderosos. Mandando no mundo.
— E as pessoas que forem contra ele... — ela não precisou terminar a frase. Seria impossível se opor a ele. Ele teria o poder absoluto.
— Sim — Sammy assentiu tristemente. — Estive trabalhando tão lentamente quanto pude. Consegui blefar e parar até agora, mas não sei por quanto tempo posso continuar. Se eu não apresentar alguns resultados em breve... — Sammy engoliu. — Estou tentando encontrar uma maneira de sabotar a pesquisa sem que ninguém perceba — explicou. — Mas é complicado. Eu quero você salva e fora daqui antes que eles percebam o que estamos fazendo.
— Não se preocupe comigo — disse Nellie. — Basta parar Pierce.
Houve um barulho fora da sala.
— Alguém está vindo! — Sammy sussurrou. — Saia daqui, rápido!
Nellie correu para a porta. Ela olhou através da janela e ouviu o som de botas no corredor.
— Tarde demais! Eu tenho que me esconder em algum lugar aqui dentro.
Smmy colocou uma arara de jalecos perto da porta.
— Quando eles abrirem a porta, se esconda atrás disso, usando os jalecos como cobertura.
— Esse é o primeiro lugar que eles vão olhar!
— Shhh!
Os passos pararam do lado de fora da porta. Houve um som de chaves chacoalhando.
Nellie atirou-se contra a parede e se enfiou por atrás dos aventais enquanto a chave girava na fechadura e a porta se abria. Um guarda vestido com um uniforme cáqui escuro e armado com uma metralhadora entrou no laboratório.
— Está tudo bem por aqui?
— Tudo — Sammy disse. — Mas, oh, você acha que eu poderia conseguir mas nachos para o meu almoço amanhã? E talvez um molho mais picante, como Fiesta Mexican?
O guarda resmungou.
— Eu não estou no comando de seu almoço.
— Ah. Desculpe. Só pensei que talvez você pudesse transmitir a mensagem para a cozinha, ou onde quer que a comida com que vocês me alimentam venha. Fica meio chato aqui sozinho, e comida é apenas a única coisa que eu tenho para esperar.
Ele gosta de comida, Nellie pensou. Ela estava prendendo a respiração e rezando para que aquele enorme e musculoso guarda armado não pegasse, mas isso não a impediu de saber um pouco mais de Sammy. Ele não apenas gosta, é especifico sobre isso. Como eu. Talvez um dia, se em algum momento sairmos dessa bagunça, eu cozinhe uma refeição para ele que fará o seu paladar se apaixonar.
— Olha — disse o segurança. — Eu não quero saber nada sobre a sua comida ou quão entediado você é. Só estou aqui para saber se está tudo bem, e ver se fez qualquer progresso hoje.
— Progresso? Hmm, vamos ver...
Através da proteção dos jalecos Nellie podia ver Sammy pegar seu microscópio e movê-lo para uma mesa de frente para a parede dos fundos do laboratório, longe da porta. Bem pensado, Mourad, ela pensou. Se ele pudesse distrair o guarda por tempo suficiente, talvez ela pudesse se esgueirar pela porta.
Sammy olhou para o microscópio.
— Oh meu Deus!
— O quê? O que foi? — o segurança se apressou até ele.
— Acabei de fazer a mais incrível descoberta! — Sammy exclamou.
Essa é a minha deixa. Nellie saiu da sala, deixando a porta aberta de modo que não seria ouvida. Ela rastejou pelo curto corredor e através da parede falsa do armário do zelador. Quando estava fechando a porta-parede atrás dela, ela ouviu Sammy dizer:
— Opa. Desculpe. Alarme falso.
Sammy era o seu tipo de cara. Eles achariam um modo para parar Pierce, entre os dois. Mas tinha que ser logo, antes que Pierce percebesse que Sammy não estava cooperando – e fazê-lo pagar.

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