25 de novembro de 2016

Capítulo 5

Eles deixaram seus quartos e foram comer no restaurante do hotel. Todos pediram pepian de pollo, um frango vermelho escuro cozido saboroso e picante, polvilhado com sementes de abóbora assada e gergelim e servido com arroz e tortillas de milho.
— Temos de experimentar o prato nacional enquanto estamos aqui — disse Jake, soando mais como um pai bobo do que alguém com o cabelo bagunçado da moda.
Embora Dan odiasse pensar sobre os namorados da irmã, ele tinha que admitir Jake seria um namorado perfeito – um nerd pateta merecia o outro. Ou, pelo menos, eles tinham se dado bem até que Amy decidiu cortar os laços com todos os que se preocupavam com ela.
— Estou aprendendo muito sobre mim mesmo nesta viagem — disse Dan, combinando com o tom alegre de Jake. — Por exemplo, se vem com tortillas, eu gosto disso.
— E quanto a você, Att? — perguntou Jake. — Você gosta do pepian?
Atticus deu uma mordida de guisado e assentiu.
— Delicioso.
Isso não parece como ele, Dan pensou. Ele e Atticus geralmente viviam como se a vida fosse um grande concurso de comer. Mas Atticus parecia distraído.
Ele olhava para tudo, desde os quadros nas paredes do restaurante para o menu, como se pudessem guardar as chaves para o universo.
Após o almoço, ele mal assentiu quando Dan perguntou se ele queria sair para uma caminhada.
— A resposta está bem na frente dos nossos olhos — ele falou para Dan. — Eu sei que está. Se eu apenas pudesse ver...
Eles pararam na loja do museu.
— Não tem muito aqui — Dan observou. — Apenas um bando de pratos e tecidos...
Atticus encarava um grande prato decorado com glifos. Dan viu um rosto carrancudo com um grande nariz, um glifo que poderia ter sido um pássaro ou uma mão com o polegar para cima, e outros que pareciam apenas rabiscos. Atticus pegou um pequeno caderno e caneta de seu bolso e começou a copiar as imagens do prato.
— O quê? — perguntou Dan.
— Isso aí... — Atticus balançou a cabeça. — Vamos!
Ele correu de volta para o hotel, as pernas mais curtas movendo-se tão rapidamente que Dan teve problemas para acompanhá-lo. Quando chegaram ao quarto, Atticus entrou correndo e abriu o livro de Olivia, passando as páginas cuidadosamente até que encontrou a página que examinara no helicóptero, a página com as runas estranhas que ele não tinha sido capaz de entender. Entre cada símbolo havia duas letras e um número, como NE224, SW305, e assim por diante. Ele apontou para um quadrado com um pé e um círculo, e outro que se parecia com o rosto de um monstro.
— Eu não sabia se Olivia tinha copiado essas figuras de algum lugar, ou se ela tinha criado, ou se eram apenas rabiscos — Atticus disse. — Agora tenho certeza de que ela copiou-os dos maias.
Ele estudou a página atentamente, e em seguida, começou a escrever em seu caderno.
— Atticus, o que é? — Dan exigiu.
Ele olhou para a página, tentando dar sentido aos números. Não se parecia com nenhum idioma. Eram quase como desenhos, mas muito abstratos. Se fossem desenhos, Dan não entendia o que estava acontecendo neles.
— Os glifos — disse Atticus.
— O que têm eles?
Atticus continuou rabiscando.
— Eu lhe direi se estiver certo – mas tenho certeza de que estou.
Dan foi buscar Amy e Jake, aninhados cada um em seu quarto.
— Atticus descobriu alguma coisa. Ele acha.
No momento em que todos se reuniram em volta do quarto de Dan e de Atticus, Atticus tinha parado de escrever.
— Eu consegui — ele anunciou. — Os glifos nos códigos baseiam-se no jogo. Pok-a-tok!
— O que você quer dizer? — perguntou Jake.
— Os símbolos do livro de Olivia se referem a diferentes aspectos do jogo — Atticus abriu seu laptop e procurou por uma pintura mostrando jogadores pok-a-tok maias. Eles usavam cocares grandes e elegantes feitos de penas, pulseiras e brincos, saias e saiotes, e na frente deles saltava uma grande bola preta. Em seguida, Att mostrou-lhes os glifos no livro, que eram bastante semelhantes a rabiscos para Dan. Mas se ele se esforçasse o suficiente, podia ver um homem de um grupo com uma bola quicando em seu ombro em uma imagem, a bola indo através de um arco de pedra para o outro, e assim por diante. — Na realidade, eles formam um código. Se eu seguir os símbolos quase como se estivesse na sequência de uma bola do jogo – no início este jogador manda a bola para aquele, que a manda para aquela parte do campo, etecetera – o código forma um mapa.
Ele tinha desenhado um esquema em um pedaço de papel de seda e pontos eram representados graficamente ao longo do espaço. Cada ponto representava um jogador com bola.
— Os números e letras entre cada glifo me dizem a distância entre cada jogador, e em qual direção eles estão. Por exemplo — ele apontou para um glifo de um jogador coroado por um cocar, próximo ao número N873. — Este homem está passando a bola para o jogador seguinte, que está em pé a 873 pés ao norte dele. É claro que, num jogo real, os jogadores nunca alcançariam essa distância. A quadra não chega perto desse tamanho. Mas esses glifos não retratam um jogo verdadeiro. Eles são um código — Atticus balançou a cabeça. — Levei uma eternidade para descobrir o que esses números deveriam dizer. Ele imprimiu um mapa de satélite do parque Tikal, mostrando cada colina, cada ruína, escavada ou não. — Quando coloco este papel sobre um mapa de Tikal... — ele colocou o papel sobre o mapa. Muitos dos pontos que Atticus desenhara correspondiam a templos, pirâmides e outros marcos em ruínas na imagem do satélite.
— Funciona! — Dan exclamou.
Mas Atticus franziu a testa.
— Espere – não há nada no satélite correspondendo a este ponto. — Ele apontou para um “jogador” em seu mapa que parecia estar sentado no meio da selva. — Ou este, também.
Jake debruçou-se sobre o mapa, traçando uma linha a partir de um ponto ao outro.
— Precisamos daqueles marcos para nos levar através da selva sem nos perder.
Amy se aproximou.
— Espere um segundo, talvez haja ruínas lá. Nós apenas não podemos vê-las no mapa por satélite. A maioria delas não foi escavada ainda.
— Acho que posso ver algo cinzento esbranquiçado lá — Dan usou o aplicativo de lupa de seu celular para olhar a imagem mais de perto. — Está vendo? Há um templo ou alguma coisa ali. Está apenas, na maior parte, coberto de vegetação.
Amy apontou para o ponto final sobre o mapa, um lugar no meio da selva, o local de ruínas não escavadas que se acreditava ser um templo do século II.
— Deve ser onde o cristal está — ela falou. — Atticus, você é um gênio!
Eles comemoraram batendo os punhos.
— Nós já sabíamos disso — Jake falou orgulhosamente.
Dan olhou para fora da janela.
— Está escurecendo.
— E é tarde — disse Amy. — Nós não queremos nos perder na selva durante a noite. Sairemos ao amanhecer.

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